Gravação da Islândia na nossa Quinta Quente

A banda fez história em Guiné-Bissau nas décadas de 1970 e 1980. História e muita música. As letras das músicas refletiam o otimismo político pós-independência, assim como a alegria mesclada com as preocupações do povo naquele momento. Quase todas suas canções tinham letras em crioulo, idioma falado por várias etnias em Guiné-Bissau.

A primeira formação do grupo ficou conhecida como Orquestra Super Mama Djombo e foi dissolvida em 1986. Somente em 2007, seis dos antigos membros do grupo, entre eles Zé Manel, Dulce Neves e Atchutchi, juntaram-se a outros oito músicos guineenses e retomaram a trajetória dos Mama Djombo. E os novos componentes estão à altura do nome que carregam. Agora, o grupo regressa aos palcos, com a nova formação e antigas missões: fazer história e boa música.

O álbum de regresso é chamado Ar Puro e foi produzido na gravadora Smekkleysa, da Islândia. Mas como a quinta é quente não vamos falar de terras frias e sim do calor que passa a música dos Mama Djombo. Aliás, vamos parar de falar e curtir esse som delicioso, que faz o corpo se mexer sozinho.

Abaixo, apresentação da nova formação em TV da Islândia.

Aqui, pela foto, imagino que seja a interpretação da formação original, mas não consegui mais informações a respeito. Se alguém souber, por favor, nos conte.

Leia mais sobre o regresso da banda aos palcos aqui e aqui. Na página 17 da edição eletrônica da revista Parq, você encontra a história da primeira gravação após tantos anos.

Saxofone moçambicano

Aos que estão no Brasil, especialmente no Rio de Janeiro ou em Brasília, já começo a pedir desculpas pelo atraso. Só hoje descobri que Moreira Chonguiça esteve aí por esses dias… Se eu tivesse sabido antes, indicaria, sem dúvida, que fossem aos eventos. Agora ele já está de volta à África, então, tudo que posso fazer é indicar alguns vídeos.

Ele nasceu em Maputo, capital de Moçambique, e há alguns anos está baseado em Cidade do Cabo, na vizinha África do Sul. É hoje um dos principais ícones do jazz contemporâneo.

Ao longo de sua carreira, participou de vários festivais, como:
– North Sea Jazz Festival in 1999 and 2000
– Chicago Jazz Festival in 2000
– Joy of Jazz in 2000
– The African Summer Stage in Cape Town in 2000
– International African Music Festival of Wurzburg in Germany in 2002
– African Summer Festival in Zimbabwe in 2002
– Lugano Jazz Festival, Switzerland 2004
– Grahamstown Arts Festival
– The North Sea Jazz Festival in Cape Town
– UCT Jazz Festival

Apesar de estar fora de Moçambique, seu país não o esquece. Em 2009, foi nomeado pelo Jornal Notícias um dos Melhores do Ano, ao lado do presidente da República, Armando Guebuza, e dos Mambas, a seleção de futebol do país. Também foi eleito como Personalidade Cultural de 2009 pela rádio Moçambique.

Agora, o saxofonista faz parte de um grupo de 50 personalidades que assinarão garrafas de vinho que serão leiloadas para angariar recursos para beneficência. A ação é organizada pela Jag Fundation, que realiza atividades em prol de causas sociais. E assim foi em toda sua carreira: Chonguiça sempre esteve envolvido não só com a boa música, mas também com causas sociais.

No dia 2 de outubro, foi descrito dessa forma pelo jornal O País: “Um saxofone firme entre as mãos e bochechas cheias, tentando expelir o ar num sopro para o instrumento. Mas a música sai suave como um apelo para a dança…”.

Chega de tanto escrever, porque afinal, Quinta Quente é para ouvir, não para ler.

Veja mais aqui e aqui e conheça o site oficial do músico.

Poetisa musical

Na verdade, ela é cantora e poetisa. Eu a vi pela primeira vez no programa Moçambique em Concerto, do Gabriel Júnior, na TVM (Televisão de Moçambique) no último domingo, dia 19 de setembro. Adorei o que vi e ouvi. Boa música, boa voz, simpatia… Depois fui ao seu site oficial, conheci melhor e não tive dúvidas que gostaria de apresentar Tânia Tomé aqui no espaço Quinta Quente no Quinto.

Tânia Tomé recebeu seu primeiro prêmio aos 7 anos de idade, como melhor voz em um concurso internacional organizado em Moçambique pela World Health Organization (WHO). Logo adotou também a arte da poesia, tendo estreado em um sarau aos 13 anos de idade, onde representou o poeta José Craveirinha e tocou piano para acompanhar a própria declamação.

Aos 17 anos, saiu de Moçambique, sua terra natal, rumo a Portugal para cursar faculdade de Economia. Mas a arte não a deixou. Lá teve experiências com canto, declamação e televisão, além de fazer parte de movimentos culturais. Ainda em Portugal, participou de uma antologia Palop (Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa), com outros jovens desses países, onde teve 10 poemas de sua autoria.

Em 2009 lançou o DVD Showesia, onde faz o casamento de suas artes principais: música e poesia. São mais de 27 poemas cantados e declamados, com dança, música, canto e poesia.

Abaixo, ela canta uma música de amor, em BiTonga, um dos idiomas falados em Moçambique: Nhi ngugu Haladza (Eu te amo).

Zenguela ngi luvane
Gu ganela monho wango
Gu vaha lipangone
Nhi ngu gu gu
Zenguela ngi luvane
Gu ganela monho wango
Gu vaha lipangone
Nhi ngugu Haladza
Ungu welengueza monho wango
Nha gu uga
Nha gu ona ue
Nha gu g ala la
Ungu welengueza monho wango
Nha gu uga

Nha gu ona ue
Nha gu g ala la
Zenguela
Zenguela ngi luvane
Gu ganela monho wango
Guva Guva Guva G uva há Limpagone
Nhi ngu gu, nhi ngu gu,
Nhi ngu gu haladza
Ungu welengueza monho wango
Nha gu uga
Nha gu ona ue
Nha gu g ala la

Veja mais nos sites Tânia Tomé e Showesia.

Uma filipina faz sucesso em Moçambique

A cantora filipina Maricor está radicada em Moçambique e canta as músicas mais tradicionais do país. Não sei há quanto tempo ela está aqui, mas é já suficiente para ter se transformado em uma cantora querida pelos moçambicanos. Também, ela só deu tiro certeiro: além de ser cantora muito boa, no seu repertório traz títulos como A vassati wa lomo (As mulheres de nossa terra), em uma homenagem ao artista que cantou essa música originalmente, Fanny Pfumo (falecido em 1987), considerado o rei da marrabenta e muito querido em todo Moçambique.

David indica para a Quinta Quente no Quinto

Que o meu amigo David Borges é um artista musical, todo mundo sabe. Bom, se você não faz parte desse todo ou desse mundo, pode passar a fazer, lendo esse texto, que foi, aliás, o lançamento da categoria Quinta Quente no Quinto no Mosanblog.

Agora devo acrescentar que é artista modesto. Observem que no post da Quinta Quente no Quinto da semana passada, quando falei de Manecas Costa, ele comentou: “Eu toquei com o Manecas um par de vezes em Lisboa”.

Como assim???? Tocou com Manecas Costa um par de vezes e vem dizer isso dessa forma, tão “en passant“?

Se isso aqui não fosse público eu soltava agora mesmo um palavrão. Daqueles positivos, de surpresa boa. “Meu amigo é… (espaço para a criatividade do leitor)!”

E quando comentou assim, como se nada fosse, que tocou “um par de vezes com Manecas Costa”, David sugeriu que eu procurasse o som da Tabanka Djaz.

E eu, como não podia deixar de ser diante de tamanho êxtase: “Sim, meu amo e senhor, sigo seus passos e suas indicações”.

E não é que é coisa boa mesmo? Então, trago hoje para vocês, Tabanka Djaz.

Na pesquisa que fiz descobri que esta é uma das bandas mais influentes da África lusófona (será que o David já tocou com eles também?). São oriundos da Guiné-Bissau, como Manecas Costa e como David. Olha o poder de Guiné-Bissau no mundo da música!

A banda foi formada em 1989, quando os irmãos Micas, Juvenal e José Carlos Cabral reuniram-se com Aguinaldo Pina e Rui Silva. Depois disso, o grupo teve várias formações, com substituições de músicos pelos mais diversos motivos, mas a essência permanece: grande influência dos mais diversos estilos tradicionais guineenses e tropicais, principalmente o Gumbé — ritmo urbano, da região de Bissau, executado por instrumentos tradicionais. Hoje, os Tabanka Djaz ainda tocam o estilo guineense, mas modernizado, o que permitiu conquistar mercado internacional.

Esse mercado incluiu o Brasil. Em 1999, foram convidados por Martinho da Vila, para participarem no projeto Lusofonia.

Bom, mas chega de escrever e vamos ao que interessa nas quintas-feiras: “Maestro, música.”

Se quiser mais, tem uma entrevista interessante dos Tabanka Djaz, divulgada em abril desse ano, aqui.

E, voltando ao David, não deixem de visitar o blog Kaleidoskope Art, onde ele faz uma proposta realmente de quem tem alma de artista. Visitem e participem!

A nora do vizinho

Lizha James é uma das principais personalidades artísticas de Moçambique atualmente. É a Ivete Sangalo da vez. Nem sei se a Ivete Sangalo ainda está com essa bola toda — quando saímos do Brasil era o maior cachê do país. A Lizha James aparece nos principais comerciais de TV, está sempre sendo entrevistada nos veículos de comunicação e vive em turnês internacionais. Com sua voz doce e suave, está fazendo a cultura atual de Moçambique. Sem contar que é nora do vizinho… seria até deselegante deixar de falar dela aqui no Quinta Quente. 🙂

Em 2006, ela ganhou o prêmio Channel O Music Awards de Melhor Artista Feminina de África, oferecido pelo canal de TV por assinatura Channel O. Em 2007 e 2008, pela mesma premiação, conquistou o prêmio melhor vídeo feminino, com os vídeos Nuna wa mina e Ni ta mu kuma kwini, respectivamente. Em 2009 ganhou o prêmio de Melhor Cantora da África Austral.

Ouça um exemplo de sua voz delicada e, se quiser mais informações, vá ao site da artista.

Moçambique

Alegria aqui está
Vamos todos comemorar
Com muito calor e emoção

Alegria aqui está
Vamos todos comemorar
Com muito calor e emoção
Todo Moçambique põe as mãos no ar

Coro 2x
Ai kinene maxaca
Ai tsakene maxaca
Ai humulukene maxaka
Ai kinene pela (2x)

Papá e mamá
Desde o mais velho ao bebê
Vamos cantar e dançar
‘Ai kinene maxaca’
Do rovuma ao Maputo
Vamos todos mostrar ao mundo
Que a alegria está aqui
Todo Moçambique põe as mãos no ar

Coro 2x
Ai kinene maxaca
Ai tsakene maxaca
Ai humulukene maxaka
Ai kinene pela (2x)

Assim que acabar
Vamos todos continuar
Não devemos deixar terminar
Vem pra cá dançar
E dançar e transpirar
Deixar a nosso corpo a balançar
A nossa alma comandar

Coro 2x
Ai kinene maxaca
Ai tsakene maxaca
Ai humulukene maxaka
Ai kinene pela (2x)

Ai kinene maxaca
Ai tsakene maxaca
Ai humulukene maxaka
Ai kinene pela (2x)

Obs.: não encontrei tradução para o que canta o coro, apenas para a frase Ai kinene maxaca, que seria ‘vamos todos celebrar’. Mas vou continuar a investigação e, se conseguir, divulgo.

A África na voz de um brasileiro – que mistura boa!

Nascido em Sertânia, Pernambuco, Lailton Araújo foi o fundador, em 1981, da banda Moxotó, em São Paulo, onde ainda atua. Desde 2003 investe, paralelamente, na carreira solo. Em seu currículo, tem também o trabalho como empresário artístico do grupo “Raíces de América” e empresário e produtor musical da “Banda de Pífanos de Caruaru”. Possui um selo próprio o “MXT- produções artísticas” com mais de 30 CDs gravados.

Até 1976 viveu no sertão do estado de Pernambuco, onde ouviu muito Luiz Gonzaga, Nelson Gonçalves, Ataulfo Alves, Pixinguinha e Dorival Caymmi. Também chegaram lá The Beathes, Roberto Carlos, Jovem Guarda e Raul Seixas. Então, foi para São Paulo e ouviu Chico Buarque, Toquinho, Vinícius de Morais, Milton Nascimento, Zé Ramalho, Caetano Veloso, Gilberto Gil e Tom Zé, que conheceu pessoalmente.

Saiba mais sobre o músico no blog Diário do Caramujo e na entrevista concedida em 2007, para o blog Veneza de Brasileiros.

E ouça Lailton Araújo aqui:

Noite Africana (Tribal)

Certa vez num barco em Moçambique
Encontrei um poeta angolano

Que me contou momentos de horror na sua nação
Também falou verdade africana da revolução

Na mídia começa toda a miséria em tom radiante
Vejam que impera como baderna a cor morena

São Salvador no afoxé que balança americano
Forte lembrança dos trabalhadores que Iemanjá

Abençoou com seu manto azul e castiçal
A doce magia que faz da Bahia um carnaval

A boca que canta a formosura da “África-Mãe”
Sempre reclama em forma de dança a igualdade

O preconceito escureceu o brilho da lua
É o gueto escondido no mundo perdido da grande cidade

Um coro encanta no meio da noite “Made in Brazil”
Mão que levanta a discordância no social

Na batucada do samba ou umbanda e candomblé
Se vê na raça do negro na praça balançando o pé

Toca atabaque nessa vontade de ser feliz
É a mocidade na sociedade nesse país

Marllen canta Moçambique

A moçambicana Marllen estudou teatro e dança antes de descobrir sua paixão pelo canto. Isso favorece hoje seu desempenho na interpetação, na grande expressividade de seus olhos e no domínio de palco, que encantam quem a vê.

Seu primeiro álbum foi lançado em 2008, em Maputo. Desde então, a carreira só ascendeu, graças à sua presença energética e sensual. Na Costa do Marfim fez enorme sucesso e foi batizada pelos fãs de Pantera Negra.

Moçambique é o nome da música que temos aqui, onde ela ressalta a beleza, as riquezas naturais e o desenvolvimento de sua terra natal, dando ênfase para o importante papel da mulher na sociedade moçambicana.

Abrindo espaço para a mulher

Suzana Mondlane é a primeira mulher a ser apresentada na nossa Quinta Quente.

Nascida no distrito de Boane, na província de Maputo, no Sul do país, é hoje uma das vozes femininas mais respeitadas em Moçambique.

Apesar de ser uma cantora da velha guarda, interpreta um som moderno, como na música Fanito, que você pode ouvir aqui.

Published in: on 08/07/2010 at 11:23  Comments (3)  
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Espaço para os Palops

Dando continuidade à apresentação de artistas dos Palops na Quinta Quente, como já vimos em Qual é a música? e Quinta Quente no Quinto — quando um autêntico representante dos Palops, o amigo David Borges, apresentou-se —, vamos hoje à Cabo Verde.

Mas antes, o que são os Palops, sigla muito falada aqui em África? São os Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa, nomeadamente Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Guiné Equatorial, Moçambique e São Tomé e Príncipe.

Por indicação do artista do nosso blog, David, trago hoje Bana. Nascido em 1932, começou a fazer sucesso na década de 1960, quando saiu de Cabo Verde pela primeira vez e foi apresentar-se em Dacar, fazendo espetáculos e participações em rádio.

Em 1966, juntamente com Luís Morais (no clarinete), Morgadinho (no trompete) e Toy de Bibia (na guitarra), formou o Conjunto Voz de Cabo Verde. O auge de sua carreira foi na década de 70, quando passou a produzir discos e chegou a lançar cerca de cinquenta do que seriam hoje os CDs. É considerado um embaixador da cultura musical caboverdiana pelo mundo.

Este mês ele foi entrevistado pelo programa Nova África, da TV Brasil. Confira aqui.

Com sua influência no meio musical, ajudou a formar e lançar músicos atualmente consagrados como Cesária Évora, Tito Paris, Paulino Vieira e outros que ainda veremos aqui no Mosanblog.

Com vocês, Bana, em dois momentos distintos, que mostram sua versatilidade e grande capacidade de interpretação:

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