Preconceito

O post de hoje é mais uma sugestão de leitura do que um texto meu. Sugiro a leitura do texto O primeiro branco, de Mia Couto, publicado no dia 29 de janeiro de 2011 no jornal O País.

O autor mostra um ciclo de preconceitos secular e é interessante como ele faz as pessoas que o praticam nos parecerem ridículas. No século XIX, o explorador e missionário escossês, David Livingstone, explicitou o preconceito que Portugal sofria por parte dos outros países europeus, por sua missigenação com povos africanos. “Livinsgtone vangloriava-se ter sido o primeiro branco a atravessar a África Austral. Um dia alguém lhe chamou publicamente a atenção que isso não era verdade. Antes dele já o português Silva Porto tinha realizado tal travessia. Imperturbável, o inglês ripostou: ‘Eu nunca disse que fui o primeiro homem a fazê-lo. Disse apenas que fui o primeiro branco’, conta Mia Couto.

Mas o tempo, passou, o homem evoluiu e já não podemos mais imaginar manifestações públicas desse gênero, pensariam os mais ingênuos. Não. O texto do Mia Couto começa contando justamente o contrário: ainda há publicações, que circulam nos dias de hoje, livremente, como o National Vanguard Tabloid, que manifestam idéias como: “Os portugueses são o povo mais atrasado da Europa porque há séculos que se misturam com os negros”.

É triste constatar, ao ler coisas assim, que, na verdade, não é possível, apenas pelo aspecto físico descobrirmos quem são os seres humanos mais desprezíveis e que mereciam ser afastados da sociedade para reeducação. Se fosse possível definir as pessoas pelo seu aspecto físico, aqueles que escrevem o National Vanguard Tabloid talvez pudessem ter sido afastados da sociedade antes de escreverem tamanhos absurdos. Tenho medo, ao andar na rua, de pensar que posso cruzar com esse tipo de gente, sentar ao lado em uma sala de cinema, dividir uma fila de mercado…

Veja o texto completo do Mia Couto aqui.

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