Alto astral moçambicano

Stewart Sukuma é só nome artístico, o nome registrado é Luís Pereira, natural de Quelimane, província da Zambézia. Em 1977 foi para Maputo, a capital do país. Foi então que aprendeu a tocar percussão, guitarra e piano. Além de desenvolver o canto, que apresenta hoje com uma voz firme, bem colocada e gostosa de ouvir, em interpretações onde transmite sempre alegria, muito alto astral.

Em 1982 começou a cantar em uma banda e, logo no ano seguinte, gravou seu primeiro disco e recebeu o prêmio Ngoma Moçambique de Melhor Intérprete Nacional. Em 1987, novo álbum, dessa vez com a famosa Orquestra Marrabenta Star. Em meados da década de 90, foi viver na África do Sul. Lá produziu o álbum Afrikiti, com músicos moçambicanos e sul-africanos. Em 1998 foi para os Estados Unidos, onde estudou no Berklee College of Music, no estado de Massachusetts. Nesse ano recebeu prêmio de Música da Unesco em Moçambique.

Já realizou shows em diversos países da Europa, como Portugal, Alemanha, Inglaterra, Finlândia, Noruega, Dinamarca, Suécia, Holanda e vários outros. Em tantos palcos, já esteve ao lado de artistas como Bhundu Boys, Mark Knoffler, Youssou N’Dour, Miriam Makeba, Hugh Masekela, Angélique Kidjo, Abdullah Ibrahim e Oumou Sangaré.

Sukuma tem talento e é versátil: canta ritmos africanos, como a marrabenta, mas também brasileiros e música pop internacional e canta em português, inglês e línguas africanas. Sua música fala da cultura tradicional de Moçambique e do cotidiano do povo africano.

Ele está hoje, certamente, entre os mais conhecidos cantores e letristas moçambicanos. Não é por acaso que usei um vídeo dele quando apresentei a marrabenta aqui na Quinta Quente, no post Qual é a música?

Agora, trago Vale a pena casar, que tem um vídeo muito bem feito, como todos os do artista, por sinal.

Dizem que val’a pena casar
pra divorciar

Dizem que val’a pena casar
pra divorciar

Arrecadam prendas de casamento
Com festas de arromba
Até parece combinação

Com lobolo e lua-de-mel
Como manda a tradição

Dizem que val’a pena casar
pra divorciar

Dizem que val’a pena casar
pra divorciar

Movimentam grandes quantias de dinheiro
Carros de luxo em ação
Grife na ordem do dia
Só pra chamar atenção
E no dia seguinte: duas mãos
Uma à frente e outra atrás

Dizem que val’a pena casar
pra divorciar

Dizem que val’a pena casar
pra divorciar

Dizem que val’a pena casar
pra divorciar

Dizem que val’a pena casar
pra divorciar

Esses jovens de agora, minha mãe
Não têm juízo…
Se aproveitam de gente de boa fé
Só para chamar atenção

Esses jovens de agora, ó meu pai
precisam de uma lição
um cacete nessa cabeça oca
para os chamar à razão

Dizem que val’a pena casar
pra divorciar

Dizem que val’a pena casar
pra divorciar

Dizem que val’a pena casar
pra divorciar

Dizem que val’a pena casar
pra divorciar

Se não tem certeza, não casa meu irmão

Dizem que val’a pena casar
pra divorciar

Dizem que val’a pena casar
pra divorciar

Dizem que val’a pena casar
pra divorciar…

Veja mais sobre Stewart Sukuma na Wikipedia, no My Space e na Infopédia.

Visite também o site oficial do artista.

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Ainda no Mali

Aceitando a sugestão da Ana, na Quinta Quente passada, trago hoje Oumou Sangaré, diva dos ritmos wassoulou. Nascida no Mali em 1968, é conhecida como “canto do pássaro de wassoulou”.

Wassoulou é um estilo musical de uma região de mesmo nome, no oeste da África. É cantado normalmente por mulheres e as letras falam de suas questões cotidianas, como fertilidade, poligamia e gravidez.

Ali Farka Touré foi quem a levou para a Europa e possibilitou a ela que assinasse um contrato com um grande selo aos 21 anos.

Oumou Sangaré é uma referência mundial para a música africana e para os direitos humanos das mulheres de sua região, se manifestando contra o casamento de meninas e a poligamia. Também é embaixadora da FAO (Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação).

O álbum que leva o nome da música que vamos ouvir, Seya, é classificado da seguinte forma no site A camarilha dos quatro: Flautas, teclados e guitarras se misturam a kalimbas e karignans formando um todo coerente.

Isso é Oumou Sangaré: música tradicional, afrobeat, soul, tudo de forma harmônica e com conteúdo político forte, na voz linda e performance simpática de uma africana guerreira.

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