Parabéns, Dilon Djindji

Nascido em Marracuene, na província de Maputo, aos 12 anos construiu sua própria guitarra, com três cordas, a partir de uma lata de óleo. Só três anos depois teve uma guitarra de verdade e logo começou a tocar em festas. Tocava dois ritmos típicos do interior da província: zukuta e mágica. Perto da década de 50, quando surgiu a marrabenta, passou a tocá-la imediatamente.

Mas nem só de música viveu Dilon Djindji. Neste mesmo período, foi viver na África do Sul, para trabalhar como mineiro. De regresso à Moçambique, trabalhou em uma cooperativa agrícola. Só em 1960 criou um grupo musical, o Estrela de Marracuene. Em 1973 gravou o primeiro álbum: Xinguindlana e passou a ter seu trabalho ligado exclusivamente à música, sendo coordenador de produção da casa discográfica Produções 1001.

Em 1994 ganhou o prêmio da Rádio Moçambique, N’goma Moçambique, na categoria canção mais popular, com a música Juro palavra d’honra, sinceramente vou morrer assim. Só em 2001, já aos 74 anos, começou carreira internacional, como membro do grupo Mabulu. Em 2002 gravou o CD Dilon.

No próximo domingo, dia 14 de agosto, Dilon Djindji completa 84 anos. Ele é um ícone da marrabenta, uma lenda viva e bastante ativa, por sinal. Há algum tempo eu vinha querendo apresentá-lo na nossa Quinta Quente, mas o material disponível na internet era muito inscipiente. Eu o vi ao vivo uma noite dessas em um restaurante de Maputo e fiquei impressionada com o pique daquele papá de mais de 80 anos.

Agora, encontrei duas preciosidades no YouTube que me permitirão apresentá-lo aqui. O primeiro vídeo é a apresentação do prêmio Moçambique Music Awards 2010, no qual Dilon foi premiado por sua carreira. Pensei em editar o vídeo e deixar só a parte da apresentação do Dilon, mas vale ver a introdução, para melhor contextualização (são menos de 7 minutos no total). O segundo é um vídeo amador, feito durante a abertura do Festival de Marrabenta 2011, no Franco Moçambicano. Vejam lá se esse papá não é de cansar cachorro…

Veja mais sobre o artista nos sites da Plural Editores e da National Geographic World Music.

Confira aqui a lista de todos os vencedores do Mozambique Music Awards 2010.

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Um baterista

Com a boa tradição de batuques que mexem com a gente, a África claro que só podia mesmo produzir bons bateristas. Deodato Siquir é moçambicano, radicado na Suécia e está a construir uma carreira de sucesso como cantor e baterista. O que ele faz com a bateria é coisa de doido. A mistura de jazz com ritmos tradicionais africanos já tinha tudo para dar certo. Isso feito por um músico talentoso, como Deodato, deixa a gente de boca aberta. Para acompanhar a bateria, ele canta em português, tonga e inglês.

Seu primeiro CD foi lançado em 2007, sob o título Balanço. Agora, ele lança Mutema, como homenagem póstuma a sua mãe, Berta Telma da Conceição Manjante, cujo nome tradicional era Mutema.

Balanço foi apresentado no World Music Charts Europe e esteve no Top 10 da rádio RDP África, no programa Música sem Espinha, além de ter levado o prêmio revelação do Ngoma Moçambique 2008. O novo CD tem 11 temas, gravados em Moçambique e na Suécia, e também promete ser um sucesso.

Sempre com uma visão positiva da vida, em suas músicas Deodato fala de amor, paz, saúde e prosperidade. Foi difícil escolher um vídeo para apresentar aqui. Todos mexem com a gente… Mas aí vai Terra mãe.

Saiba mais sobre o novo CD lançado pelo artista no site Mãos de Moçambique.

Alto astral moçambicano

Stewart Sukuma é só nome artístico, o nome registrado é Luís Pereira, natural de Quelimane, província da Zambézia. Em 1977 foi para Maputo, a capital do país. Foi então que aprendeu a tocar percussão, guitarra e piano. Além de desenvolver o canto, que apresenta hoje com uma voz firme, bem colocada e gostosa de ouvir, em interpretações onde transmite sempre alegria, muito alto astral.

Em 1982 começou a cantar em uma banda e, logo no ano seguinte, gravou seu primeiro disco e recebeu o prêmio Ngoma Moçambique de Melhor Intérprete Nacional. Em 1987, novo álbum, dessa vez com a famosa Orquestra Marrabenta Star. Em meados da década de 90, foi viver na África do Sul. Lá produziu o álbum Afrikiti, com músicos moçambicanos e sul-africanos. Em 1998 foi para os Estados Unidos, onde estudou no Berklee College of Music, no estado de Massachusetts. Nesse ano recebeu prêmio de Música da Unesco em Moçambique.

Já realizou shows em diversos países da Europa, como Portugal, Alemanha, Inglaterra, Finlândia, Noruega, Dinamarca, Suécia, Holanda e vários outros. Em tantos palcos, já esteve ao lado de artistas como Bhundu Boys, Mark Knoffler, Youssou N’Dour, Miriam Makeba, Hugh Masekela, Angélique Kidjo, Abdullah Ibrahim e Oumou Sangaré.

Sukuma tem talento e é versátil: canta ritmos africanos, como a marrabenta, mas também brasileiros e música pop internacional e canta em português, inglês e línguas africanas. Sua música fala da cultura tradicional de Moçambique e do cotidiano do povo africano.

Ele está hoje, certamente, entre os mais conhecidos cantores e letristas moçambicanos. Não é por acaso que usei um vídeo dele quando apresentei a marrabenta aqui na Quinta Quente, no post Qual é a música?

Agora, trago Vale a pena casar, que tem um vídeo muito bem feito, como todos os do artista, por sinal.

Dizem que val’a pena casar
pra divorciar

Dizem que val’a pena casar
pra divorciar

Arrecadam prendas de casamento
Com festas de arromba
Até parece combinação

Com lobolo e lua-de-mel
Como manda a tradição

Dizem que val’a pena casar
pra divorciar

Dizem que val’a pena casar
pra divorciar

Movimentam grandes quantias de dinheiro
Carros de luxo em ação
Grife na ordem do dia
Só pra chamar atenção
E no dia seguinte: duas mãos
Uma à frente e outra atrás

Dizem que val’a pena casar
pra divorciar

Dizem que val’a pena casar
pra divorciar

Dizem que val’a pena casar
pra divorciar

Dizem que val’a pena casar
pra divorciar

Esses jovens de agora, minha mãe
Não têm juízo…
Se aproveitam de gente de boa fé
Só para chamar atenção

Esses jovens de agora, ó meu pai
precisam de uma lição
um cacete nessa cabeça oca
para os chamar à razão

Dizem que val’a pena casar
pra divorciar

Dizem que val’a pena casar
pra divorciar

Dizem que val’a pena casar
pra divorciar

Dizem que val’a pena casar
pra divorciar

Se não tem certeza, não casa meu irmão

Dizem que val’a pena casar
pra divorciar

Dizem que val’a pena casar
pra divorciar

Dizem que val’a pena casar
pra divorciar…

Veja mais sobre Stewart Sukuma na Wikipedia, no My Space e na Infopédia.

Visite também o site oficial do artista.

Alegre e positiva

Ela nasceu na cidade de Tete, em 1985. O contato com a vida artística se deu primeiro como bailarina, na escola primária e depois em academias, onde fazia dança contemporânea e tradicional moçambicana. Por cerca de oito anos Liloca foi bailarina do músico McRoger e há cerca de cinco anos iniciou sua carreira como cantora. Paralelamente, também arriscou ser apresentadora de um programa de televisão, o Remexe.

Em 2007 Liloca lançou o seu primeiro CD: Tic Tac – onde estás?, que lhe rendeu o prêmio Revelação no Ngoma Moçambique. Em 2009 lançou o álbum Magnífica, referindo-se a ela mesma. E ela é um pouco isso mesmo. Ou, se nem todos concordam, o que importa é que ela tem a habilidade de se achar magnífica, o que é sempre bom, mostra que tem auto-estima em alta, que acredita nela mesma, que se gosta. Coisa boa de ver. Isso se reflete na alegria de seus vídeos e de sua apresentação, sempre descontraída e muito animada.

Nas músicas, ela fala de amor, da vida cotidiana, da luta social que o povo trava todos os dias e de seu país. E é justamente uma música que enaltece Moçambique que vamos ouvir abaixo.

Leia entrevista da cantora ao site Mbila.

Veja também matéria do portal Maputo.co.mz.

Gabriela

Gabriela viu despertar sua paixão pela música aos 12 anos de idade, no grupo coral da escola portuguesa, onde estudava. Depois, foi convidada a participar de um concurso de música das comunidades portuguesas, saiu vencedora e, desde então, nunca mais se afastou da paixão de infância. Hoje é uma representante da World Music.

Seu nome completo é Gabriela Mamie Zango Mubanguiane Langa. Nasceu em Maputo, aos 16 de fevereiro de 1980. Aos 20 anos representou a África no 1º Festival Jovem das Comunidades Portuguesas, em Portugal, com a canção Lágrimas de Chuva, que receberia o máximo de pontuação em África e em Moçambique, ganhando um lugar de destaque no festival.

No ano seguinte gravou seu primeiro álbum, 100% Amor e Paixão, que conquistou o prêmio Cantor Revelação no Ngoma Moçambique 2001, com a música Meu Marido.

Em 2005 gravou o álbum Felicidade e mais uma vez foi premiada pelo Ngoma Moçambique, com a Melhor Marrabenta do Ano, Mina na Wena.

Foi em 2008 que lançou Longa Estrada, que escolhi para ouvirmos hoje. Escolhi primeiro porque a música marca bem a voz doce, muito afinada e segura de Gabriela, além do seu português muito bem pronunciado, depois pelo significado da canção: um tributo à atleta moçambicana Maria de Lurdes Mutola. De acordo com explicação da própria Gabriela no site Mbila, Lurdes Mutola é uma heroína viva, que elevou o nome de Moçambique. “Fiz esta música a pensar também nas pessoas que lutam todos dias para alcançar seus objectivos, e quando estes são alcançados, aparecem logo outros”, explica.

Vamos à Longa Estrada:

Mais sobre Gabriela:
A cantora que vive entre a cultura moçambicana e portuguesa

Gabriela – “A música é algo que está dentro de mim”

Visite também o site oficial da cantora: http://www.gabriela.co.mz/

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