Imperdível

Podem reservar espaço nas agendas!

Lembram da Tânia Tomé? Foi uma das minhas primeiras — e muito boas — impressões aqui em Moçambique.

Pois bem, ela agora me avisa que vai estar em terras brasileiras e leva temas ainda inéditos.

Antes, de 2 a 9 de julho vai estar no XXI Festival Internacional de Poesia de Medelin, na Colômbia. O evento é um dos maiores festivais de poesia no mundo. A Tânia é convidada como cantora e poetisa.

Depois, desembarca no Rio de Janeiro, onde vai apresentar poemas no Teatro do Sesi, no dia 14 de julho. No dia 15, fará uma sessão de música acústica no mesmo teatro, onde se apresentará também ao piano.

Em sua rápida passagem pelo Brasil, a artista ainda vai encontrar tempo para visitar a livraria Kitabu, para cantar e mostrar seu livro de poesias. O encontro deve ser no dia 12, no fim da tarde.

Tânia está neste momento pensando na preparação de mais um álbum de música e irá aproveitar a viagem para encontrar os músicos Guilherme Silva, Grecco Buratto e outros com os quais estabeleceu contato recentemente, para estudar a possibilidade de gravar alguns temas de música no Brasil.

Tânia Tomé no Brasil
Teatro do Sesi
14 e 15 de julho de 2011, das 12h às 13h.
Entrada gratuita (sujeita à lotação) e classificação etária livre.
Endereço: Av. Graça Aranha, 1 – Centro/RJ.
Telefone: 21-2563-4168
Bilheteria: 21-2563-4163

Livraria Kitabu
12 de julho de 2011, às 18h30.
Rua Joaquim Silva, 17 – Lapa/RJ.
Tel: 21- 2252-0533

Obs: como as agendas podem sofrer alterações, sugiro entrarem em contato com os respectivos locais antes de se dirigirem para lá.

Saiba mais sobre a artista visitando os sites Tânia Tomé e Showesia.

Mingas, de domingo

Ela nasceu em um domingo e em homenagem ao dia foi batizada Elisa Domingas Salatiel Jamisse. Hoje é apenas Mingas. Na infância e juventude participou de corais e de um trio com Safrão Navesse e Silva Zunguze, interpretando canções religiosas na igreja.

Aos 17 anos, participou de uma audição e foi aceita pelos produtores do espetáculo Foguetão. Após essa estréia em grandes palcos, Mingas participou de um dos espetáculos Xitimela 1001, da produções 1001, no cinema Gil Vicente, na capital de Moçambique. A partir daí, foi convidada a atuar regularmente no Sheik, popular discoteca de Maputo.

A família, preocupada com a jovem inserida tão cedo na vida noturna e com medo de vê-la afastada dos estudos, impôs a obrigação aos produtores de providenciar transporte de casa para os locais de atuação e horários estritos de regresso. O talento era grande e os produtores cederam às imposições da família, permitindo que a carreira tivesse continuidade.

Depois do Sheik, Mingas passou a atuar no Búzio e no Zambi, outras discotecas da cidade de Maputo. Ela interpretava canções de Miriam Makeba, Letta Mbulo, O’Jays, Temptations, Roberta Flack, Donna Summer e Diana Ross. Era acompanhada por algumas das mais populares bandas do país, nomeadamente Hokolókwe, Africa Power e Conjunto João Domingos.

No início dos anos 1980, Mingas embarca numa turnê pelo país, com o grupo Hokolokwé. Em 1987 foi convidada a trabalhar com a Orquestra Marrabenta Star de Moçambique. Rapidamente, suas versões de canções populares africanas conquistaram os ouvintes da Rádio Moçambique, na altura única rádio no país. Foi então que ela faz as primeiras turnês internacionais.

No Zimbabwe, em 1988, Mingas teve a oportunidade de partilhar o palco com Miriam Makeba, Paul Simon, Harry Belafonte, Manu Dibango, Hugh Masekela, entre outros, no Concerto Child Survival and Development Symposium, organizado pela organização internacional Save the Children.

Em 1989, Mingas passou a integrar o Grupo RM, do qual mais tarde se tornou líder. Com esse grupo, apresentou-se na capital do Brasil, Brasília, com Gilberto Gil e Hermeto Paschoal.

Em 1990, conquistou o ‘Grand Prix Decouvertes 90’ (Grande Prémio do Concurso Descobertas), organizado pela Rádio France Internationale (RFI), pela canção Baila Maria, em dueto com Chico Antônio. Em seguida, Mingas atuou com o Grupo Amoya (novo nome dado ao Grupo RM) no clube de jazz New Morning, em Paris. Em 1992, participou da gravação do CD Cineta, no estúdio Marcadet, lançado em novembro do mesmo ano pela RFI/Forlane.

De 1995 a 1998, acompanhou Miriam Makeba em turnês pela Europa (Alemanha, Áustria, Dinamarca, Itália, França, Suécia e Noruega), América do Sul e do Norte (Estados Unidos, Canadá, Brasil), África (Costa do Marfim, Namíbia, Swazilândia e Tunísia) Austrália (Sidney, Brisbane, Melbourne e Perth). Em cada espectáculo, Makeba dava a oportunidade de Mingas interpretar as suas próprias canções.

De volta ao seu país, no início do ano 2000, passou a ser sempre solicitada para eventos de gala, grandes espetáculos nacionais e para acompanhar artistas estrangeiros que se apresentam em Moçambique, como já foi o caso dos brasileiros Gilberto Gil e Mart’Nália

Ela compõe e interpreta em xitswa, sua língua materna, além de cicopi, xironga, português e inglês. As suas canções falam de injustiças sociais, amor e paz.

Abaixo ouvimos Mingas, interpretando Nwetti (noite), tema de sua autoria, considerado Melhor Canção no Ngoma Moçambique, em 1989, um dos principais prêmios de música moçambicana.

E nesse vídeo, dá para sentir a animação de Mingas em um concerto ao vivo. O som não tem muita qualidade, porque foi feito a partir da platéia, mas vale pela presença dela no palco e pela animação de todos que a acompanham.

Visite também o site da cantora.

Saxofone moçambicano

Aos que estão no Brasil, especialmente no Rio de Janeiro ou em Brasília, já começo a pedir desculpas pelo atraso. Só hoje descobri que Moreira Chonguiça esteve aí por esses dias… Se eu tivesse sabido antes, indicaria, sem dúvida, que fossem aos eventos. Agora ele já está de volta à África, então, tudo que posso fazer é indicar alguns vídeos.

Ele nasceu em Maputo, capital de Moçambique, e há alguns anos está baseado em Cidade do Cabo, na vizinha África do Sul. É hoje um dos principais ícones do jazz contemporâneo.

Ao longo de sua carreira, participou de vários festivais, como:
– North Sea Jazz Festival in 1999 and 2000
– Chicago Jazz Festival in 2000
– Joy of Jazz in 2000
– The African Summer Stage in Cape Town in 2000
– International African Music Festival of Wurzburg in Germany in 2002
– African Summer Festival in Zimbabwe in 2002
– Lugano Jazz Festival, Switzerland 2004
– Grahamstown Arts Festival
– The North Sea Jazz Festival in Cape Town
– UCT Jazz Festival

Apesar de estar fora de Moçambique, seu país não o esquece. Em 2009, foi nomeado pelo Jornal Notícias um dos Melhores do Ano, ao lado do presidente da República, Armando Guebuza, e dos Mambas, a seleção de futebol do país. Também foi eleito como Personalidade Cultural de 2009 pela rádio Moçambique.

Agora, o saxofonista faz parte de um grupo de 50 personalidades que assinarão garrafas de vinho que serão leiloadas para angariar recursos para beneficência. A ação é organizada pela Jag Fundation, que realiza atividades em prol de causas sociais. E assim foi em toda sua carreira: Chonguiça sempre esteve envolvido não só com a boa música, mas também com causas sociais.

No dia 2 de outubro, foi descrito dessa forma pelo jornal O País: “Um saxofone firme entre as mãos e bochechas cheias, tentando expelir o ar num sopro para o instrumento. Mas a música sai suave como um apelo para a dança…”.

Chega de tanto escrever, porque afinal, Quinta Quente é para ouvir, não para ler.

Veja mais aqui e aqui e conheça o site oficial do músico.

Marllen canta Moçambique

A moçambicana Marllen estudou teatro e dança antes de descobrir sua paixão pelo canto. Isso favorece hoje seu desempenho na interpetação, na grande expressividade de seus olhos e no domínio de palco, que encantam quem a vê.

Seu primeiro álbum foi lançado em 2008, em Maputo. Desde então, a carreira só ascendeu, graças à sua presença energética e sensual. Na Costa do Marfim fez enorme sucesso e foi batizada pelos fãs de Pantera Negra.

Moçambique é o nome da música que temos aqui, onde ela ressalta a beleza, as riquezas naturais e o desenvolvimento de sua terra natal, dando ênfase para o importante papel da mulher na sociedade moçambicana.

Persistência

Quarta-feira é dia de manifestação nas ruas de Maputo. Toda quarta-feira. Sempre a mesma manifestação. Já a encontrei várias vezes. Perguntei a algumas pessoas ao meu lado o que se passava e as respostas foram sempre vagas — como quem não soubesse direito ou não achasse bom contar: “manifestam contra a Alemanha… é por um dinheiro que deviam ter recebido do governo alemão por terem trabalhado lá… dizem que a Frelimo (partido no poder em Moçambique) ficou com um dinheiro que era deles…”

Magermanes na avenida 24 de julho

Até que fui aos manifestantes entender o que se passava. Caminhei ao lado deles durante algum tempo na avenida 24 de julho e me explicaram que os que ali estavam foram contratados por meio de um acordo de cooperação entre Moçambique e a República Democrática Alemã (RDA) ou Alemanha Oriental, que levou mais de 20 mil moçambicanos àquele país, em 1979.

madgermanes com cartazesConhecidos como Madgermanes, trabalhavam lá em cerca de 200 fábricas e empresas e o governo alemão passava ao governo moçambicano os valores descontaos nos salários referentes aos direitos de segurança social e outros benefícios. De acordo com os trabalhadores, estava previsto nos contratos de trabalho que esses recursos seriam recebidos quando regressassem à Moçambique. No entanto, eles alegam que esses benefícios nunca foram recebidos, desde quando retornaram ao seu país, em 1989. É isso que reivindicam, toda quarta-feira.

E eles se dizem preocupados, porque muitos estão vivendo em condições precárias e esse dinheiro ajudaria muito. Sem contar os que têm problemas de saúde e podem vir a falecer sem receber antes os direitos reivindicados.

A ministra do trabalho de Moçambique, Maria Helena Tipo, já declarou, em entrevista ao Canalmoz e ao Canal de Moçambique que o caso dos madgermanes estava encerrado. No entanto, na quarta-feira seguinte, os manifestantes lá estavam. E na próxima e na próxima e até hoje.

De acordo com o site Moçambique para Todos “o director nacional do Serviço Migratório, Paulino Muthombene, veio dizer que ainda há mais de 1.700 regressados da ex-RDA que ainda não receberam os valores que lhes foram descontos quando se encontravam emigrados”.

Há ainda a informação de que a maior parte dos que não foram pagos não tinham apresentado toda a documentação, o que aconteceu agora. De acordo com o Serviço Migratório muitos madgermanes já receberam seus pagamentos. Para o governo, há divergências de cálculos em alguns casos, mas estão a ser resolvidas.

Madgermane com cartazNão é o que pensam os madgermanes. Nessa quarta-feira eles passaram pela avenida 24 de julho, subiram a avenida Julius Nyerere, entraram na avenida Mao Tse Tung e foram até a sede de sua associação, onde vão se encontrar novamente na próxima quarta-feira e repetir o ato.

Quem disse que Moçambique não está na Copa?

Podem não ser os Mambas (seleção nacional aqui), mas é uma representação importante. Na festa de abertura da Copa do Mundo da Fifa na África do Sul, a apresentação da canção oficial do evento contará com o som da guitara de Júlio Sigaúque (foto). Moçambicano, radicado em Cidade do Cabo, África do Sul, participa da banda Freshlyground, que acompanha a cantora Shakira no hino do mundial.de: Discogs website

Freshlyground é hoje um dos grupos de maior sucesso na África do Sul e tem entre seus integrantes, além do moçambicano, um zimbabweano e sul africanos. A música que vão tocar ao lado da colombiana Shakira é Waka Waka – Dessa vez é pela África. A letra pede a união dos povos africanos para mostrarem ao mundo um continente que mudou para melhor.

O refrão é parecido com o de uma famosa música camaronesa do grupo Golden Voices e, de acordo com entrevista que Júlio Sigaúque deu ao site @ Verdade, ele foi escrito por Zolani Mahora, a líder da banda Freshlyground, e tem versos em Xhosa, a língua nativa dela. São frases de incentivo e auto-afirmação.

Aqui, alguma tradução que consegui na internet para o refrão:
Tsamina mina zangalewa (De onde você vem?)
Tsamina mina eh eh (Venha)
Waka waka eh eh (Faça isso)

Abaixo você vê o vídeo-clipe de Waka Waka:

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