Um ano

Há exatamente um ano, começava a história do Mosanblog, com o post Fonte do Índico, que reproduzo abaixo.

O primeiro texto desse blog é dedicado ao amigo Fábio Graner, que ainda virá nos visitar para também beber da fonte do Índico.

Luar

Noite de lua linda no Índico.

Luar no Índico

Domingo na Costa do Sol

Depois de vários dias de chuva, o domingo acordou seco e ensolarado. Fomos à praia, aqui pertinho, na Costa do Sol, distante de casa não mais que dez minutos.

Eduardo e Guilherme aproveitaram a água quente do Oceano Índico, enquanto eu curtia a brisa do mar debaixo da sombra de uma árvore frondosa e fazia alguns registros fotográficos.

Guilherme e Eduardo Costa do Sol 16 jan 2010

Aniversário da capital

A capital de Moçambique, Maputo, comemora hoje 123 anos. Mas, na verdade, a vila que em 10 de novembro de 1887 foi elevada à categoria de cidade era Lourenço Marques e assim foi chamada até 1976. Logo após a independência do país, várias nomenclaturas foram alteradas, de ruas, de cidades e também da capital Moçambicana.

O nome atual vem do rio Maputo, que delimita a fronteira sul do país. Se no Brasil falamos do Oiapoque ao Chuí, para referenciar aos dois extremos do país, ao norte e ao sul, em Moçambique a expressão é do Rovuma (rio que forma a fronteira norte, com a Tanzânia) ao Maputo.

De Laurenço Marques nos sobrou a Laurentina, cerveja produzida em Moçambique desde 1932, batizada em homenagem à antiga nomenclatura da cidade.

De Maputo, deixo aqui algumas fotos atuais.

Mercado Central de Maputo, na Baixa da cidade

A Baía de Maputo vista da parte alta da cidade

fachada Emose

Fachada da Empresa Moçambicana de Seguros, na avenida 25 de setembro

Trenzinho do City Tour

Trenzinho que faz o roteiro dos principais pontos turísticos da cidade

Fachada do Banco de Moçambique

Banco de Moçambique, na avenida 25 de setembro

O prédio de 33 andares

Na Baixa, fica o prédio mais alto da cidade (até o momento), conhecido como o "33 andares"

Navio no Índico agosto de 2010

Tudo isso banhado pelo Oceano Índico

Veja texto sobre o dia 10 de novembro no blog Moçambique para Todos.

Navegação turbulenta no rio Zambeze

Pelo menos na área das relações internacionais, assim tem sido.

Primeiro, vamos conhecer o tal rio.

rio Zambeze, entre Beira e Quelimane

O rio Zambeze termina entre Beira e Quelimane

Agora, pode se ajeitar na cadeira, porque lá vem a história…

Essa semana, várias vezes acompanhamos nos noticiários daqui matérias sobre a navegação experimental no rio Zambeze praticada pelo governo do Malawi.

No dia 23 de outubro último, o presidente do Malawi, Bingo wa Mutharika, estava em um evento — inauguração do porto de Nsanje — a aguardar uma embarcação que deveria chegar no rio Chire (no mapa abaixo grafado Shire), que banha a parte sul do Malawi e deságua no Zambeze, para depois encontrar o Oceano Índico.

Malawi

No entanto, wa Mutharika ficou na espera. A embarcação esperada tinha sido interceptada ainda em Moçambique. A razão é que o governo moçambicano entende que seu vizinho deveria aguardar o término de estudos de viabilidade e de impacto ambiental da navegação nos rios Chire e Zambeze antes de iniciar as navegações.

Moçambique alega ainda que os presidentes do Zimbabwe e da Zâmbia foram convidados formalmente para o evento em Malawi, enquanto Moçambique, diretamente interessado, recebeu uma nota verbal ao seu Alto Comissariado naquele país, solicitando a confirmação da participação de seu presidente, Armando Guebuza.

Para completar o estrago diplomático, o adido militar da missão diplomática do Malawi em Moçambique, James Kalipinde, encontrava-se na embarcação e teria saído de Maputo sem a devida autorização do Ministério da Defesa Nacional (MDN), procedimento padrão.

O adido militar foi detido pela Polícia da República de Moçambique (PRM), tendo ficado na cidade de Quelimane (província da Zambézia) até o dia seguinte, quando se confirmou que ele era um diplomata.

Por seu lado, o governo do Malawi, na figura do alto comissário em Moçambique, Martin Kansichi, diz estar indignado com a forma como o governo moçambicano trata o processo. Para ele, Moçambique teria quebrado acordo entre os dois países que, pelo entendimento malawiano, previa a realização de uma viagem experimental para provar a navegabilidade dos rios até o porto de Nsanje.

“Existem documentos que comprovam que existe um acordo que prevê a realização de uma viagem experimental. O Malawi é um país que respeita os procedimentos” afirmou Kansichi em matéria do jornal O País. De acordo com o embaixador malawiano, esta viagem experimental não necessita estudo de viabilidade.

Kansichi manifestou-se ainda indignado com declarações do ministro dos Negócios Estrangeiros de Moçambique, Oldemiro Baloi, a respeito do caso. Em entrevista coletiva, Baloi qualificou os malawianos como impacientes e os acusou de estar a forçar o avanço do projeto, sem observar a necessidade dos estudos de viabilidade e de impacto ambiental.

Turbulência histórica

As relações entre os dois países iniciaram na década de 1960, quando o Malawi conquistou a independência. Depois de 1975, independência de Moçambique, o relacionamento ficou tenso, devido às diferenças nas ideologias políticas seguidas por cada um dos países.

No artigo Relações entre Moçambique e Malawi, Saite Júnior explica que Moçambique seguiu a orientação socialista e Malawi era apoiado pelos países capitalistas, tendo também se tornado aliado dos regimes colonial fascista português e do apartheid da África do Sul.

Entre 1976 e 1992 Moçambique viveu sob uma guerra civil e Malawi apoiou a Resistência Nacional Moçambicana (Renamo), contra a Frente de Libertação de Moçambique (Frelimo), movimento reconhecido internacionalmente por ter lutado pela independência do país e negociado com Portugal por meio dos Acordos de Lusaka. A Frelimo foi a força política que assumiu o poder de forma constitucional.

No final do século, no entanto, Moçambique abriu-se ao mercado internacional do ocidente, rendendo-se ao regime democrático liberal e ampliando suas relações diplomáticas. Do outro lado, com o fim do apartheid, o Malawi perdeu o seu aliado estratégico, e devido à posição geográfica, viu-se na obrigação de rever suas relações, para garantir acesso aos corredores de desenvolvimento de Nacala e Beira e poder alcançar o Oceano Índico.

As relações vinham sendo pacíficas até 2009, quando ocorreu o incidente de Ngaúma: agentes da polícia do Malawi invadiram Moçambique e causaram a destruição por completo de um quartel da Força de Guarda de Fronteira do distrito de Ngaúma, na província de Niassa. Meses depois, o presidente malawiano Bingo wa Mutharika, esteve em visita oficial de Estado a Moçambique e o país esperava ouvir um pedido de desculpas oficial, o que não aconteceu. Então, diante do clima tenso, wa Mutharika viu-se obrigado a interromper bruscamente a visita.

Ao longo dos anos, vários outros incidentes foram contabilizados, como o de maio deste ano, quando seis moçambicanos foram condenados à pena de morte no Malawi. Depois de negociações conseguiu-se converter as penas para prisão perpétua.

Ou seja, a relação é complicada e, nesses casos, a atenção deve ser redobrada em qualquer ação ou palavra. Fiquemos atentos.

Tenha mais informações sobre o episódio dessa semana em matéria que o Eduardo Castro fez para a Agência Brasil e publicou no ElefanteNews.

Veja mais em Zambeze: um rio de problemas e incidentes diplomáticos.

Sobre a troca de acusações, leia detalhes em Malawi considera provocatórias declarações de Baloi.

Conheça a posição dos ambientalistas, em matéria divulgada pelo blog Moçambique para Todos intitulada Ambientalistas descartam navegabilidade do Zambeze.

E saiba mais sobre a relação histórica entre os dois países, aqui, no citado artigo de Saite Júnior.

Curtindo o feriado

Ontem (4 de outubro), foi feriado por aqui. Então, saímos de casa sem rumo nem relógio, para curtir a cidade vazia de um fim de semana prolongado. Até que o Índico nos chamou e me aproximei para essa foto.

O dia estava sob medida para meu gosto. Do céu cinza, apenas a claridade, mas não os raios do sol. Vento fresco na cara e mar agitado, que o faz ainda mais bonito.

na beira do mar, em 4 de outubro de 2010

Índico agitado em dia de céu nublado

Otto foi à praia

Ontem, domingo, pela primeira vez, Otto (nosso cão) foi à praia. Aqui mesmo, em Maputo. Colocou suas patinhas nas geladas (estamos no inverno) águas do Índico.

Nada aconteceu como eu imaginava. Ele não fugiu quando as ondas se aproximaram. Está certo que eram ondinhas, mas eram seres que se moviam e ele foge até de papel que voa com o vento na rua! Com as ondas não, continuou a andar, como se nada houvesse. Ele não bebeu da água salgada, nada além daquilo que pulou para dentro da boca dele. No entanto, ele assustou com a areia que entrava pelas narinas cada vez que ele punha em ação o seu aspirador de pó natural, para cheirar toos os milímetros daquele mundo novo. E eu, boba, nem tinha pensado nisso!

Mas foi tudo muito divertido. Ver as patinhas daquele cão do cerrado brasileiro afundando na areia grossa, ele, tão pequenino, se esforçando para andar, seu corpo na água do Índico… foi muito divertido. Vejam um pouco nas fotos que fizemos lá:

Otto andando na areia

Eduardo com Otto na água

Eduardo com Otto na água

Otto com Sandra na praia

Otto com Sandra na praia

Estamos aqui há mais de quatro meses, mas a visita demorou tanto porque eu tenho aversão à praia. Aquela areia me dá a sensação de que sou um bife à milaneza… toda areia do planeta entrando em meus poros… o cheiro da água salgada… não consigo. E como eu fico muito tempo sem fazer essa visita aos oceanos, acabo até me esquecendo como é. Sei que não gosto, mas guardo a idéia de que vai ser suportável. Quando chego lá, ao primeiro pisar na areia, já me arrependo e tenho vontade de ir embora. Há duas semanas foi assim. Tentei, mas a visita não durou sete minutos. Ontem ficamos um pouco mais, pelo Otto. O que a gente não faz por essas criaturas que nos roubam o coração?

Amanhece no Índico

Ainda é madrugada no Brasil, quando o dia amanhece por aqui, em Maputo, Moçambique. O dia chega para nós cinco horas antes do que para os brasileiros.

Dia amanhecendo no oceano índico

E como eu já contei aqui, as atividades começam tão logo o sol desponta, porque cedo ele se vai e o dia acaba e as pessoas dormem, a espera de um novo amanhecer.

Published in: on 18/08/2010 at 18:50  Comments (1)  
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Até tu, Brutus?

Quem me conhece sabe que nunca fui amiga de praia. Sempre troquei um passeio no mar por qualquer outro. Mas agora, morando em Maputo, me pego todos os dias apreciando essa calma maravilhosa que vem do mar.

praia em Maputo

Um dia que eu fico sem essa visão, já sinto falta.

Mar Maputopraia na verticalNavio

Quem te viu, quem te vê…

Published in: on 27/06/2010 at 15:54  Comments (6)  
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Fonte do Índico

O primeiro texto desse blog é dedicado ao amigo Fábio Graner, que ainda virá nos visitar para também beber da fonte do Índico.

Published in: on 25/05/2010 at 17:13  Deixe um comentário  
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