Reconciliação

Primeiro apresentei aqui no Mosanblog, o Wazimbo, depois, o José Mucavele, mas o que eu não sabia, é que eles não se falavam. E o motivo da discórdia era justamente a música Nwahulwana, que eu apresentei na voz do Wazimbo.

Pois outro dia, foi no programa Moçambique em Concerto, do Gabriel Júnior, que soube do desentendimento entre os dois. E soube exatamente porque o Gabriel promoveu a reconciliação dos artistas.

Os dois eram amigos antes mesmo de serem artistas. Quando as carreiras avançaram, passaram a ser parceiros. No entanto, quando a música Nwahulwana ficou famosa, brigaram por questões de direitos autorais. A briga durou cerca de dez anos.

Mas graças à iniciativa conciliadora do Gabriel, que corajosamente levou os dois ao programa para conversarem, a paz reinou. “Zé é uma luva para as minhas mãos e um sapato para os meus pés, por isso lamento pela situação que sempre me entristeceu, pelo que lhe peço desculpas”, disse Wazimbo ao vivo no programa. A resposta foi que Wazimbo é “único músico que sabe interpretar minhas composições”, disse Mucavele.

O programa contou ainda com a participação por telefone do ministro da Cultura, Armando Artur, convidado por Gabriel para acompanhar a reconciliação. O ministro marcou encontro pessoal com os dois músicos e o apresentador para celebrar momento tão importante para a cultura moçambicana.

E a dupla já prometeu apresentar, em breve, novas músicas compostas por Mucavele e interpretadas por Wazimbo. Aguardamos ansiosamente.

Veja mais sobre a reconciliação em notícia do jornal O País.

Inauguração da Academia de Comunicação

Dia 7 de fevereiro iniciaram as aulas na Academia de Comunicação. As primeiras turmas estão quase todas cheias e já temos novos cursos com inscrições abertas. Foi um dia muito feliz para mim, porque vejo na Academia uma possibilidade de eu realmente contribuir com alguma mudança para o desenvolvimento de Moçambique. Afinal, vamos formar pessoas, qualificá-las para o mercado de trabalho, contribuir para a geração de renda delas. Por conseqüência, vamos contribuir também para o aperfeiçoamento e conhecimento de novas técnicas por parte das próprias empresas de comunicação. Pelo menos, é isso que pretendemos.

E o primeiro dia de aula terminou com uma festa nas instalações da escola. DJ Gugu animou o pessoal e ainda contamos com a presença de músicos como Elsa Mangue e Deny. Esteve lá também o amigo e apoiador de sempre Gabriel Júnior, que animou o ambiente e fez a apresentação do evento. Aliás, o ambiente estava cheio de amigos. As fotos que vocês vão ver abaixo foram tiradas pela querida Isaura. Aproveito a oportunidade para agradecer a todos que lá estiveram.

Para quem quiser fazer uma visita, fica a dica: a Academia de Comunicação está na Av. Ho Chi Min, 677, em Maputo.

Published in: on 09/02/2011 at 22:25  Comments (49)  
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A voz suave de Moçambique

Uma das primeiras cantoras que eu ouvi quando cheguei em Moçambique, em abril de 2010, foi a de Anita Macuacua, no programa do Gabriel Júnior, Moçambique em Concerto. Sua voz suave, sua interpretação marcante e sua simpatia nunca mais saíram de minha cabeça.

No entanto, eu não encontrava a música que queria apresentar aqui na nossa Quinta Quente, Kanimambo Mama (Obrigada mamãe).

Jovem, Anita Macuacua valoriza a tradição cultural moçambicana e canta o estilo marrabenta de forma encantadora. Também valoriza o changana, idioma local do sul de Moçambique.

Para minha alegria, outro dia conheci Anita pessoalmente, no programa do próprio Gabriel, do qual eu tenho participado porque a Academia de Comunicação, onde trabalho, patrocina um quadro (mas isso é assunto para outro post).

Lá ela cantou Kanimambo Mama, deu uma entrevista onde mostrou ser uma pessoa simples e realizada com as coisas boas que conquistou. Anita também se apresentou alguém sem rancores ou ressentimentos, mas não escondeu sua repugnância por pessoas do meio artístico que usam de critérios nada técnicos para favorecer alguns artistas, chegando a praticar assédio sexual. Na saída, ainda cometeu a gentileza de me prometer um DVD com o clipe da música. Promessa cumprida, publico agora a música, com a devida autorização da simpática intérprete.

Saiba mais sobre Anita em notícia do jornal O País.

Não temos mais Malangatana

– Tem um Malangatana aí?
– Infelizmente, não temos mais.

Houve um tempo que havia a nota de cinco mil meticais em Moçambique. Essa nota foi desenhada pelo famoso pintor Malangatana, um ícone da cultura moçambicana. As pessoas nas ruas quando queriam saber se a outra tinha dinheiro referiam-se ao nome do artista. A história me foi contada hoje, pelo apresentador de televisão Gabriel Júnior, ao relembrar os vários momentos da vida de Malangatana, que faleceu nesta quarta-feira, 5 de janeiro de 2011, às 3h30, em Portugal.

Malangatana Valente Ngwenya nasceu no distrito de Marracuene, ao lado de Lourenço Marques, hoje Maputo. Seus primeiros quadros foram vendidos na década de 60. Estudos formais, fez só até a terceira série. Aos 11 anos já começou a trabalhar.

Artista completo, fez cerâmica, tapeçaria, gravura e escultura, foi poeta, ator, dançarino e músico. Mas foi pelas pinturas que ficou mais conhecido. Foi nomeado Artista pela Paz, pela Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura).

Chegou a ficar 18 meses preso pela PIDE (Polícia Internacional e de Defesa do Estado), acusado de pertencer à Frelimo (Frente de Libertação de Moçambique). Foi libertado por não se conseguir provar vínculo à resistência colonial.

Mas a sua ligação com o momento político do país sempre foi clara, tornou-se famoso mundo afora justamente pelos retratos que fez da guerra pela independência em Moçambique. Em suas pinturas, até o fim, retratou o cotidiano e muitos rostos. Às vezes tristes, às vezes alegres. Sempre com cor, muita cor.

Moçambique respira Malangatana

Em Maputo, sua arte está em todo canto. Nas paredes Ministério do Interior, nas instalações da Unesco e em grandes painéis do Museu de História Natural, como vemos nas fotos tiradas durante visita que eu e o Eduardo Castro fizemos.

Painel de Malangatana no Museu de História Natural a

rostos de Malangatana no Museu de História Natural

Veja mais no ElefanteNews, na Agência Brasil, no site Lux.pt e no Moçambique para Todos.

Feliz 2011, África

No início de dezembro de 2010, o programa Moçambique em Concerto, da TVM, foi apresentado ao vivo (ou em directo, como dizemos aqui) da província da Zambézia, mais especificamente de sua capital, Quelimane. No final, o apresentador Gabriel Júnior brindou a todos os espectadores com uma linda surpresa, com o grupo moçambicano Os Garimpeiros e um show de luzes protagonizado pela platéia.

Vale pela cena, pela letra, pela música e, claro, pela iniciativa do Gabriel. Achei que combinava com a última Quinta Quente do ano.

Que 2011 produza boas notícias por aqui.

Poetisa musical

Na verdade, ela é cantora e poetisa. Eu a vi pela primeira vez no programa Moçambique em Concerto, do Gabriel Júnior, na TVM (Televisão de Moçambique) no último domingo, dia 19 de setembro. Adorei o que vi e ouvi. Boa música, boa voz, simpatia… Depois fui ao seu site oficial, conheci melhor e não tive dúvidas que gostaria de apresentar Tânia Tomé aqui no espaço Quinta Quente no Quinto.

Tânia Tomé recebeu seu primeiro prêmio aos 7 anos de idade, como melhor voz em um concurso internacional organizado em Moçambique pela World Health Organization (WHO). Logo adotou também a arte da poesia, tendo estreado em um sarau aos 13 anos de idade, onde representou o poeta José Craveirinha e tocou piano para acompanhar a própria declamação.

Aos 17 anos, saiu de Moçambique, sua terra natal, rumo a Portugal para cursar faculdade de Economia. Mas a arte não a deixou. Lá teve experiências com canto, declamação e televisão, além de fazer parte de movimentos culturais. Ainda em Portugal, participou de uma antologia Palop (Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa), com outros jovens desses países, onde teve 10 poemas de sua autoria.

Em 2009 lançou o DVD Showesia, onde faz o casamento de suas artes principais: música e poesia. São mais de 27 poemas cantados e declamados, com dança, música, canto e poesia.

Abaixo, ela canta uma música de amor, em BiTonga, um dos idiomas falados em Moçambique: Nhi ngugu Haladza (Eu te amo).

Zenguela ngi luvane
Gu ganela monho wango
Gu vaha lipangone
Nhi ngu gu gu
Zenguela ngi luvane
Gu ganela monho wango
Gu vaha lipangone
Nhi ngugu Haladza
Ungu welengueza monho wango
Nha gu uga
Nha gu ona ue
Nha gu g ala la
Ungu welengueza monho wango
Nha gu uga

Nha gu ona ue
Nha gu g ala la
Zenguela
Zenguela ngi luvane
Gu ganela monho wango
Guva Guva Guva G uva há Limpagone
Nhi ngu gu, nhi ngu gu,
Nhi ngu gu haladza
Ungu welengueza monho wango
Nha gu uga
Nha gu ona ue
Nha gu g ala la

Veja mais nos sites Tânia Tomé e Showesia.

Praia em casa

Já comentei aqui que, apesar de não gostar de entrar no mar, tenho gostado muito de admirá-lo em Moçambique. E agora posso apreciar um pedacinho dele dentro da minha casa.

Não, não mudamos para um lugar de frente para o mar. Mas o amigo-chefe-parceiro Gabriel Júnior esteve na província de Nampula na semana passada e trouxe uma linda lembrança de Nacala, região onde ficam algumas das mais lindas praias de Moçambique.

artesanato com conchas, de Nacala

Published in: on 22/09/2010 at 09:39  Comments (2)  
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