Partir mais uma vez

Nascer do sol em África

Enfim, aqui estou eu pela segunda vez em um avião que deixa para trás Moçambique. Foi uma despedida singela, um dia normal, jantar em casa, com alguns amigos, mas não todos. Afinal, em breve vamos nos ver de novo.

O caminho já não parece tão distante. E dessa vez é mesmo menor, sendo que, sem o Otto, não preciso ir via Lisboa. E para pequenas temporadas o Otto pode sempre ficar em casa, tranqüilinho, feliz à minha espera.

A curta estadia também me faz suportar melhor as diferenças que me incomodam e diminui as probabilidades de cenas com as quais eu não sei conviver, como um guarda a pedir dinheiro porque tem fome ou o fato do governo ter aplicado esse ano um aumento significativo (e necessáario) no salário mínimo e algumas empresas onde eu perguntei ainda não estarem praticando. E provavelmente não vão praticar.

Mas a distância de alguns meses fora também ajudou a perceber melhor as mudanças positivas que se deram, como já contei no texto Mudanças acontecem. Devagar… Enfim, acho que encontrei uma fórmula boa para conviver e contribuir com Moçambique: nunca deixá-lo, mas não ficar imersa por muito tempo.

Neste vôo de volta, o que me acompanha é a sensação de que Moçambique não me pertence mais, mas que parte de mim sempre vai pertencer a Moçambique.

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