Joburg, circuito esportivo

Futebol, críquete e rugbi são os esportes mais populares da África do Sul. O golfe também tem um espaço significativo no gosto dos sul-africanos e campos são encontrados com facilidade em várias cidades.

Mas, apesar de tantas ofertas, o tempo era curto e a nossa visita a Joanesburgo limitou-se aos espaços do futebol. Mais especificamente, aos cenários da Copa do Mundo de 2010.

O Soccer City foi palco da abertura e da final da Copa. Estivemos nos vestiários e no campo que receberam os campeões do mundo de 2010 – os espanhóis. Eduardo já falou sobre nossa visita — e muito bem, como sempre — no ElefanteNews.

Em 1990, o estádio foi escolhido para o primeiro discurso de Nelson Mandela em Joanesburgo após sua saída da prisão. A escolha não foi impensada: o local foi foco de resistência anti-racista e de protestos dos negros durante o apartheid. Em 1993, milhares de pessoas estiveram no mesmo estádio, mais uma vez para uma celebração não esportiva: foram velar o corpo do ativista político Chris Hani, assassinado em frente a sua casa.

Deixo aqui duas fotos, que destacam o desenho do estádio após remodelação para a Copa, inspirado na cerâmica tradicional africana.

Soccer City visto por dentro

fachada do Soccer City

Depois fomos ao Orlando Stadium. Fica no Soweto e abrigou a abertura da Copa de 2010, marcando o início da primeira Copa do Mundo de futebol em continente africano. O estádio foi construído em 1959 para ser a casa do Orlando Pirates FC. Em 2008 foi totalmente remodelado.

fachada do Orlando Stadium

O terceiro estádio da Copa que visitamos em Joanesburgo foi o também histórico Ellis Park Stadium. Fica no centro da cidade. O acesso é complicado em dias normais, imagino só como era durante a Copa. Foi construído em 1928, para jogos de rugbi. Em 1982 foi totalmente reconstruído e modernizado, ainda com o objetivo de atender jogos de rugbi, passando a poder receber cerca de 60 mil torcedores.

Em 1995, o estádio recebeu a final da Copa do Mundo de Rugbi, esporte praticado pelos brancos da África do Sul e odiado pelos negros. Nelson Mandela, presidente do país há alguns meses, apoiou a seleção nacional, o time Springbook, vestiu a camisa, aproximou-se da equipe e mostrou que toda a nação deveria torcer por eles. A história da ascensão de Mandela ao poder e como usou o esporte para unir um povo é contada no filme Invictus.

Sandra na arquibancada do Ellis Park

Assim terminamos nossa visita aos pontos esportivos de nosso interesse (e imagino que seriam os mesmo para muitos brasileiros). Não deixam de ser também visitas históricas e turísticas…

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Pretória em um dia

Apesar de ser pouco conhecida mundialmente, Pretória é a capital da África do Sul. Capital administrativa. Foi fundada em 1855, por Andries Wilhelmus Jacobus Pretorius. A capital legislativa é Cidade do Cabo e a capital judiciária é Bloemfontein. Mas, e Joanesburgo? Apesar de ser mais conhecida e a maior cidade da África do Sul, não é oficialmente uma capital do país. No entanto, acaba por ser a capital financeira.

Pretória é uma cidade compacta, fácil de ser conhecida em um dia. Tem uma parada obrigatória, que é o Union Buildings. Ele abriga a sede do governo da África do Sul e é também residência oficial do presidente do país. Projetado pelo arquiteto Herbert Baker, tem estilo inglês e forma semicircular, com 285 metros de comprimento de uma ponta a outra. Fica no alto de uma colina, seguindo pela Church Street. Lá de cima se pode ver boa parte da cidade. Data de 1910.

jardim do Union Buildings

No alto, o Union Buildings

O que mais impressiona no local é o belíssimo e gigantesco jardim logo à frente do edifício. Ele serve de terraço à construção e se estende até a parte baixa da colina. Muito bem cuidado, abriga diversas espécies da flora local e algumas estátuas alusivas à história do país.

jardim do Union Buildings

edifício Raadsaal

edifício Raadsaal

Depois, tem outro ponto interessante para turistas, que é a Church Square. No centro da cidade, a praça tem em sua volta diversas construções históricas como, por exemplo, a Raadsaal, construída em 1890, que abrigou o parlamento da República dos Bôeres, e o Palace of Justice, construído em 1899, e funcionou como hospital militar britânico até o ano de 1902. No centro da praça, fica a estátua de Stephanus Johannes Paul Kruger, presidente da República Sulafricana de 1881 e 1902.

Nos arredores da cidade, um pouco afastado, está o monumento Voortrekker, que homenageia os pioneiros brancos sulafricanos (especialmente de origem holandesa), que deixaram a Cidade do Cabo em 1830 para fugir dos ingleses. Conhecidos como bôeres, africânderes ou ainda africâners, esses brancos travaram violentas batalhas contra os zulus (povo original da região), até a conquista final do território, em 16 de dezembro de 1938.

Voortrekker

Eduardo e Guilherme em frente ao monumento Voortrekker

O monumento tem 40 metros de altura e base de 40 x 40 metros e foi projetado pelo arquiteto Gerard Moerdyk. Não que o monumento não seja interessante, mas vale mais pela vista do que por qualquer outra coisa. De sua entrada é possível ter uma visão completa de Pretória.

vista de Pretória do Voortrekker

Dentro, é possível ver painéis com a história da colonização sob o ponto de vista dos africâners. Logo ao lado, outra construção, inagurada em 2008, abriga o Heritage Centre: um museu que conta a história dos brancos na África do Sul, a luta entre africâners e ingleses e a conquista gradual do território.

No geral, tanto em uma construção como em outra, o que se vê é a valorização dos pioneiros brancos que chegaram à África do Sul e teriam agido com coragem e bravura. De certa forma, essa parada na viagem ajudou a compreender outra parada, mais adiante, em Joanesburgo, no museu do Apartheid. Na verdade, o regime de segregação de brancos e negros, que se oficializou em 1948, já se desenhava há muito tempo.

Para os fãs de futebol, tem ainda outra parada obrigatória: o estádio Loftus Versfeld, o mais antigo dos estádios da Copa de 2010, inaugurado em 1906. Ele pertence ao time de rugby do Blue Bulls e tem capacidade para receber 51 mil espectadores.

estádio Loftus Versfeld

Guilherme na frente do Loftus Versfeld

Comprinhas no vizinho

Morar perto da fronteira está sendo uma experiência divertida para nós. Pegar o carro e atravessar para outro país é algo muito comum para quem vive aqui em Maputo. Você pode ir para outro país para conhecer o Kruger Park, para comer carne muito boa e barata na Suazilândia ou para fazer compras em Nelspruit, na África do Sul.

Eu não sou muito fã de fazer compras, então, não é isso que me atrai por lá. Mas sempre vale o passeio e, quando se está precisando de alguma coisa, o preço da cidade é compensador. Em geral, as coisas tem preços cerca de 25% mais baixos que em Maputo e a variedade é maior.

Estive lá pela primeira vez em agosto do ano passado, com a amiga Isaura. Fomos durante a semana, porque ela tinha uma consulta médica. Aliás, isso é outra coisa que atrai muitos moradores de Moçambique para Nelspruit. Clínicas com equipamentos mais modernos, médicos muito bem preparados e melhores recursos já estão especializadas em atender pessoal do país vizinho.

Agora, fomos no sábado. Com os amigos Patrícia e Santiago. Foi um passeio de compras e gastronomia. Muita gastronomia… Saímos de casa às 6h e chegamos lá por volta de 8h30. Passamos primeiro no Estádio de Mbombela, construído para a Copa de 2010. Essa parada você pode ler com detalhes no post escrito pelo Eduardo no ElefanteNews.

Depois, café da manhã no Mugg & Bean do I’Langa Mall, o shopping novo. Aliás, as compras acabam por se resumir ao shopping novo e shopping velho, no qual ainda vamos chegar… Uma volta no shopping e, quando nos demos conta, já era mais de meio dia.

Parada para almoçar. Restaurante Mediterranean, no mesmo shopping. Foi perfeito, porque tem sushi e sashimi, que o Eduardo adora e estava sentindo falta de um restaurante do tipo com boa relação custo x benefício. Em Maputo temos duas ou três opções, mas os preços são muito altos para a qualidade e quantidade que oferecem. E para mim e o Guilherme, carne, muita carne bem vermelha.

Além disso, a vista do restaurante é lindíssima. O que é também uma característica da cidade. Pequena e cercada de montanhas, por onde andamos, o cenário é sempre muito agradável. Sem contar com as ruas largas, bem asfaltadas e limpas (mais coisas para a lista do que não se encontra em Maputo).

A sobremesa ficou para o outro shopping. O Riverside. Uma sorveteria chamada Milk Lane, onde nos acabamos nas taças gigantes com muito sorvete e cobertura. Depois, passear por todo o shopping, para fazer a digestão.

No fim do dia, passada no supermercado Spar. Muitos produtos que compramos lá, não são encontrados em Maputo com regularidade. Além disso, o custo mais baixo também atrai.

Fim das compras, hora do jantar. Lá foi o sobrinho matar saudade do McDonald’s. Pronto, já tínhamos feito tudo que não é possível fazer em Maputo, tínhamos nos divertido muito com os amigos, então, já podíamos encarar mais duas horas e meia de estrada para dormir no nosso país de residência.

Para saber mais sobre a cidade, veja também o post Nelspruit, do blog da Nhatinha, e o site oficial da cidade.

Um dia, duas eliminações

Em um só dia os adeptos moçambicanos viram os dois times para os quais estavam torcendo serem eliminados da Copa do Mundo. Como eu contei ontem, os moçambicanos, grandes amantes do futebol, vinham dividindo a torcida entre os times vizinhos da África, além de Portugal e Brasil.

Ontem, nos dois jogos, os dois eleitos restantes: Brasil e Gana. Holanda mandou para casa um Brasil que se perdeu no segundo tempo e, no último jogo do dia, ficamos também sem Gana – sem trocadilhos, porque gana foi o que não faltou ao time africano. O primeiro gol foi lindo e a prorrogação, mostrou que o pessoal tem fôlego, preparo físico e jogo de cintura para brigar bem com os times com tradição em Copa.

Mas não dava para brigar com um jogador que resolveu praticar vôlei e se colocou à frente do gol no último minuto, quando o goleiro já estava vencido, tirando a bola com as duas mãos. Nos pênaltis, Uruguai levou embora a esperança africana de chegar às meias-finais (como falamos semi-finais por aqui) pela primeira vez. Quem sabe esse gostinho não será sentido em terras brasileiras, na próxima Copa?

Cresce o número de adeptos do Brasil em Moçambique

bandeira do Brasil na janela de um prédioJá observei aqui que Moçambique só foi para a Copa do Mundo de futebol no primeiro dia, por meio do músico Júlio Sigaúque, que tocou na abertura do evento.

Mas os moçambicanos gostam muito de futebol. Muito mesmo. Arrisco dizer que é como os brasileiros. Então, eles acompanham todos os jogos da Copa e desde o começo têm seus eleitos.

mão com bandeira do Brasil em carroPor aqui chamam os torcedores de adeptos. Nos primeiros dias, víamos muitos adeptos dos países africanos, de Portugal e do Brasil. Os africanos foram saindo e agora só temos a seleção de Gana. Portugal já está em casa também, mas o Brasil está lá, firme e forte.

bandeira do Brasil no ônibusEntão, os adeptos foram migrando para as equipes que resistiram e agora há cada dia mais manifestações pró-Brasil do que nunca. Basta sair nas ruas para encontrar nossas bandeiras por aí, nas janelas dos prédios, nas casas, nos carros, nas barracas de vendas, nas carroças de frutas, nos ônibus…

bandeiras do Brasil em carroHoje, na hora do jogo com Holanda, as televisões e rádios estarão ligados e o Brasil poderá contar com o reforço moçambicano na torcida.

bandeira do Brasil na carroça de bananas

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