Mulheres Africanas no Brasil

Já falei aqui que voltar a Moçambique é muito bom; fácil como voltar para casa. Mas, desta vez, não fui a Moçambique, o país é que veio até mim e trouxe todo o continente com ele. Tive o prazer de ir à pré-estréia do filme Mulheres Africanas – a rede invisível, da Cinevideo Produções.

Foi uma sensação muito boa, ao ver as primeiras cenas, identificar Moçambique. Perceber que aquela mulher, aquela casa, aqueles gestos, aquele céu… só podiam estar em Moçambique. Era o que um dia já foi a minha casa e, no fundo, sempre será.

O filme (em cartaz de 8 de março a 8 de abril de 2013 no Circuito Itaú de Cinema em Brasília, São Paulo, Porto Alegre, Curitiba e Rio de Janeiro) é um documentário que apresenta a trajetória de mulheres africanas.

São retratadas grandes líderes locais, reconhecidas mundialmente por sua atuação em diversas áreas, e também mulheres comuns, que, assim como as demais, fazem toda a diferença no rumo que tomam suas famílias, seus países, seu continente.

O documentário é guiado por entrevistas com Graça Machel – esposa de Nelson Mandela e ativista moçambicana -, Leymah Gbowee – recebeu o Nobel da Paz em 2012 por sua luta pela libertação da Libéria da tirania e conquista da democracia -, Sara Masasi – empresária mulçumana da Tanzânia de grande destaque no mundo de negócios por sua criatividade e ousadia na gestão -, Nadine Gordimer – sul-africana e prêmio Nobel de Literatura em 1991 – e Luisa Diogo – atual deputada de Moçambique e ex-primeira ministra do país.

Elas são apresentadas como a base norteadora da organização política, econômica, comunitária e cultural africana. E quem já viveu por lá sabe o quanto, de fato, as mulheres têm papel de protagonismo nas grandes decisões daquelas nações.

Mulheres Africanas é um documentário sem ousadias artísticas, com entrevistas estáticas e até um pouco formais, dentro de um roteiro quadradinho, que se desenvolve conforme passa pelos diversos países, como a própria Cinevideo já fez em trabalhos anteriores. Mas a falta de criatividade é compensada pela maravilha de vermos a África retratada no cinema, em importantes cidades brasileiras. Além disso, o filme foge totalmente do clichê de mostrar a África da fome, pobreza, desnutrição e Aids (Sida).

Para quem não tem a oportunidade de atravessar o Oceano Atlântico e ver de perto o cotidiano da mulher africana, é imperdível. Mesmo que o continente africano não esteja entre seus interesses prioritários, considere a possibilidade. Afinal, o documentário é, antes de tudo sobre mulheres, sobre valores e sobre sociedade.

Ficha Técnica:
Diretor: Carlos Nascimbeni
Produção: Mônica Monteiro
Roteiro: Carlos Nascimbeni
Gênero: Documentário
Duração: 80 minutos

Semana dos documentários em Maputo

Começou no dia 10 de setembro a 5ª edição do Festival do Filme Documentário de Moçambique, o Dockanema. Os filmes estão sendo exibidos em seis espaços de Maputo até o dia 19 de setembro. Ontem, fomos ao Mama Africa, da produtora brasileira CineVideo, com direção de Alê Braga, filmado em dez países do continente africano.

Clique aqui para visitar o site oficial do evento, onde é possível encontrar toda a programação e resumo dos documentários.

O preço por sessão é MT 50,00. Há também o bilhete de trânsito livre Dockanema, que pode ser comprado por MT 500,00. A entrada é livre para estudantes e jovens até 26 anos.

marca Dockanema-2010

Abaixo, os endereços dos locais de exibição dos filmes:

Centro Cultural Brasil-Moçambique: Av. 25 de setembro, 1.728.
Faculdade de Letras e Ciências Sociais: Universidade Eduardo Mondlane – Campus Principal.
Teatro Avenida: Av. 25 de setembro, 1.179.
Cinema Scala: Av. 25 de setembro, 1.514.
Cine-teatro Gilberto Mendes: Travessa do Varieta, 21 – 57.
Cinema Xenon: Av. Julius Nyerere, 776, r/c.

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