Cinema em Moçambique

Fomos ao cinema em Maputo pela primeira vez. Já tínhamos assistido a alguns filmes aqui, durante o Dockanema, mas, por coincidência, nenhum tinha sido em sala de cinema propriamente. Agora, fomos assistir ao filme O último voo do flamingo.

O destaque ficou para a sala Xenon (na avenida Julius Nyerere, 776). Enoooorme. Sala do tipo que não existe mais no Brasil há umas duas décadas, pelo menos. Com direito a lugares no balcão e tudo mais. Cabem ali umas 400 pessoas, seguramente. Compramos pipoca e, ao som de uma tenebrosa campainha, que mais parecia coisa de filme de terror anos 50, entramos na gigantesca sala. Apagam-se as luzes, uma propagandazinha e, pronto, começa o filme. Eduardo comentou: não tem trailer. Pois é…

No meio do filme… INTERVALO. Gente, fantástico! Eu nunca tinha ido em cinema com intervalo. O amigo Pedro, que estava conosco, disse que em Portugal havia isso até algum tempo atrás, mas já faz muitos anos que não há. Pausa de sete minutos para repor a pipoca, fumar, ir ao banheiro ou ficar lá mesmo, a apreciar os trailers!

Adorei. Soubemos depois que sempre é assim aqui e que todas as salas são grandes como essa.

cartaz do filme O último voo do flamingoO filme? Bem, o filme é baseado no livro de mesmo nome, do escritor Mia Couto. Uma ficção sobre os tempos pós guerra, em que soldados da ONU (Organização das Nações Unidas), os conhecidos capacetes azuis, estiveram em Moçambique na missão de manutenção de paz. O romance narra estranhos acontecimentos de uma pequena vila imaginária, Tizangara.

A direção foi do moçambicano João Ribeiro, formado em cinema em Cuba e em Moçambique e que, com esta obra, faz sua estréia no longa-metragem. A adaptação do texto foi feita por Gonçalo Galvão Teles. Entre os atores, a brasileira Adriana Alves, além de Alberto Magassela, Carlo D’Ursi, Cláudia Semedo e Elliot Alex.

Não li a obra original, mas fiquei com a impressão de ser daqueles casos em que o livro é melhor que o filme. Louvo a intenção da produção, mas Mia Couto é mesmo muito literário… há frases no filme, que percebemos terem sido transportadas literalmente do livro, onde devem fazer efeitos incríveis, mas que no cinema ficam perdidas. Além disso, os atores não ajudam lá muita coisa. Os melhores são Cláudia Semedo e Elliot Alex, mas não conseguem salvar o filme. Mas a história é muito boa, então, podes conhecê-la sorvendo do maravilhoso texto de Mia Couto. Por outro lado, o filme vale pelas imagens de Moçambique. Foi filmado aqui pertinho de Maputo, em Marracuene.

Mapa de Marracuene

Quanto vale:
– entrada de cinema: MT 120,00 (R$ 5,60)
– pipoca: MT 45,00 (R$ 2,10)
– refrigerante 600 ml: MT 45,00 (R$ 2,10)
– livro O último voo do Flamingo: R$ 29,90 pelo Submarino.

Observação: os horários das sessões no Xenon são 15h, 18h e 21h.

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Semana dos documentários em Maputo

Começou no dia 10 de setembro a 5ª edição do Festival do Filme Documentário de Moçambique, o Dockanema. Os filmes estão sendo exibidos em seis espaços de Maputo até o dia 19 de setembro. Ontem, fomos ao Mama Africa, da produtora brasileira CineVideo, com direção de Alê Braga, filmado em dez países do continente africano.

Clique aqui para visitar o site oficial do evento, onde é possível encontrar toda a programação e resumo dos documentários.

O preço por sessão é MT 50,00. Há também o bilhete de trânsito livre Dockanema, que pode ser comprado por MT 500,00. A entrada é livre para estudantes e jovens até 26 anos.

marca Dockanema-2010

Abaixo, os endereços dos locais de exibição dos filmes:

Centro Cultural Brasil-Moçambique: Av. 25 de setembro, 1.728.
Faculdade de Letras e Ciências Sociais: Universidade Eduardo Mondlane – Campus Principal.
Teatro Avenida: Av. 25 de setembro, 1.179.
Cinema Scala: Av. 25 de setembro, 1.514.
Cine-teatro Gilberto Mendes: Travessa do Varieta, 21 – 57.
Cinema Xenon: Av. Julius Nyerere, 776, r/c.

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