Dockanema homenageia Ruy Guerra

As exibições públicas da 6ª edição do Dockanema — Festival do Filme Documentário de Moçambique — começam hoje, 10 de setembro. O Dockanema 2011 contará com 80 filmes, dos quais cerca de metade são de produção africana. O site do evento — que, aliás, está muito bom — é o http://dockanema.wordpress.com/. Há um post só com o catálogo da 6ª edição do evento, onde é possível ver a resenha de cada filme.

E o festival de 2011 ainda tem um componente mais importante para nós brasileiros: homenageia o cineasta Ruy Guerra, moçambicano de nascimento, mas um dos maiores autores do cinema brasileiro, consagrado como um dos fundadores do Cinema Novo no Brasil.

Para além de trazer Ruy Guerra de volta a Moçambique, o Dockanema será uma oportunidade de contato com o cineasta, durante palestra no Centro Cultural Brasil-Moçambique (Av. 25 de setembro, 1.728), no dia 15 de setembro, às 18h, e também com sua obra: hoje, 10 de setembro, o filme Os Fuzis será apresentado, às 19h30, no Centro Cultural da Universidade Eduardo Mondlane (av. Agostinho Neto, 926); dia 17 de setembro, às 18h, de novo no Centro Cultural Brasil-Moçambique, será apresentado A Queda. Os dois filmes receberam Urso de Prata no Festival de Berlim. O primeiro em 1964 e o segundo em 1977.

Ruy Guerra recebeu vários outros prêmios e reconhecimentos internacionais. Filmou em França, Brasil, Espanha, Cuba, México, Portugal e Moçambique. Ele conhece cinema sob todos os aspectos. Antes de ser um diretor consagrado, foi câmara, fotógrafo, ator, roteirista e documentarista.

Roteiro

Ruy Guerra nasceu na atual cidade de Maputo em 1931. Na juventude, em Moçambique, foi ativista contra o colonialismo e o racismo, o que lhe valeu problemas com as autoridades. Seus pais resolveram enviá-lo para Portugal, mas lá foi preso, por motivos políticos, logo na sua chegada. Depois viveu em Paris e, em 1958, seguiu para o Brasil onde se fixou.

Mas nunca deixou Moçambique para trás. Com a independência do seu país natal, Ruy Guerra passou a colaborar na criação de uma cinematografia moçambicana. Pela sua mão, importantes figuras do cinema internacional participaram, no quadro do Instituo Nacional de Cinema, na formação de operadores de câmera, técnicos de som, roteiristas, produtores e realizadores do nosso país.

Para além do cinema, andou por outras artes. Escreveu e dirigiu obras teatrais, foi autor de letras de canções de sucesso (muitas na voz de Chico Buarque) e produziu espectáculos com os maiores nomes da música popular brasileira. Também é poeta, escritor e jornalista.

programação Dockanema 2011

P. S.: O bilhete custa MT 50,00 por sessão ou MT 500,00 para todo o festival. A entrada é gratuita para estudantes e pessoas até 26 anos.

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Votei hoje e votarei amanhã

entrada CCBM Nesse domingo, 31 de outubro, voltei ao Centro Cultural Brasil Moçambique, aqui em Maputo, para votar no segundo turno das eleições presidenciais. E nos próximos dias vou votar mais uma vez, agora pela internet, para o Conselho de Representantes de Brasileiros no Exterior (CRBE).

O conselho é formado por 16 brasileiros radicados no exterior e tem como objetivos manter a interlocução entre os brasileiros que vivem fora do país e o governo brasileiro e assessorar o Ministério de Relações Exteriores na definição de políticas em favor das comunidades brasileiras no exterior. A representação é regional, sendo quatro representantes para cada uma das seguintes regiões geográficas: 1 – Américas do Sul e Central; 2 – América do Norte e Caribe; 3 – Europa; 4 – Ásia, Oriente Médio, África e Oceania. Logo, aqui em Maputo elegemos representantes da região 4. Cada eleitor vota em um candidato de sua região, não necessariamente seu país.

O conselho é uma demonstração de respeito aos cidadãos que, por inúmeras razões e, às vezes, obrigações, têm que se afastar de sua terra natal, mas não deixam de fazer parte dela. Com o conselho, mesmo enquanto moro em outro país, sinto-me incluída e com possibilidade de ter minhas opiniões consideradas. O CRBE foi lançado durante a II Conferência “Brasileiros no Mundo”, realizada em outubro de 2009, e instituído pelo decreto n° 7.214.

Os requisitos para se candidatar ao conselho foram: a. ter mais de 18 anos; b. viver no mínimo há três anos na região geográfica que pretende representar; c. não possuir antecedentes criminais; d. declarar estar em condições de exercer as funções de Conselheiro do CRBE. Os membros eleitos exercerão mandato de dois anos, com possibilidade de reeleição.

O acesso à página de votação para as eleições do CRBE estará disponível no portal Brasileiros no Mundo, a partir da zero hora (horário de Brasília) do dia 1º de novembro, até a meia-noite (horário de Brasília) do dia 9 de novembro de 2010.

Para votar, o brasileiro deve ter mais de 16 anos, residir no exterior e informar, obrigatoriamente, os seguintes dados no formulário eletrônico do sistema de votação: a) cidade e país, com campo facultativo para estado/província; b) nome completo; c) e-mail; e d) um número de documento oficial brasileilro (passaporte ou CPF ou título de eleitor no exterior ou matrícula consular registrada pelo Consulado da área em que reside, quando aplicável).

Moçambique tem três candidatos: Domingas Almeida de Moraes Faiane, Gabriel Limaverde e Rose Baiana (Rosemeire Cerqueira dos Santos).

Veja aqui a lista completa dos candidatos em todo o mundo.

Confira também o Regimento do Conselho de Representantes de Brasileiros no Exterior.

Missão cumprida

Hoje fui ao Centro Cultural Brasil Moçambique, onde fica a seção 501 da Zona 1, em Maputo. Aqui, 463 brasileiros estão inscritos para votar, como você vê na matéria que o Eduardo Castro fez para a agência Brasil e já publicou no ElefanteNews. Fui exercer meu direito e dever de votar. Agora, como dizem por aqui “já está”.

fachada do Centro Cultual Brasil Moçambique

No caminho, lembrei de um antigo apresentador da rádio Bandeirantes, Antônio Carvalho (1946 – 2008), que sempre repetia em seu programa: “somos todos crianças”. E, diante desse mundão do qual nada sabemos, somos mesmo. Então, às vezes, se faz necessário sermos tratados como tal.

Muita gente reclama da obrigatoriedade de votar, argumentando que se é democracia de verdade, deveria ser escolha de cada um. Pois bem, se não quer votar, não pode por motivos religiosos ou qualquer outra razão, vá até a urna e anule seu voto ou deixe em branco, ou, não vá, mas tenha o trabalho de justificar. É como quando o pai e a mãe, por mais democráticos e liberais que sejam, obrigam seus filhos a fazer algumas coisas que as crianças não querem. Coisas básicas como escovar os dentes ou não comer só salgadinhos, mas alguma comida saudável de vez em quando. Quem não passou por isso na condição de criança? Então, conforme-se, é para o seu próprio bem. Quando formos adultos, talvez possamos compreender.

Enfim, Sérgio

Outro dia contei aqui que tentamos assistir ao filme Sérgio, durante o 5º Dockanema – Festival do Filme Documentário de Moçambique, e, quando chegamos na porta da sala de exibição descobrimos que a programação havia mudado e não teria Sérgio naquele dia. Ontem, dia 16 de setembro, voltamos ao Centro Cultural Brasil-Moçambique, para assistir Sérgio. O filme começou e, dez minutos depois, sentimos umas gotas caindo do céu (a exibição era no pátio do Centro Cultural, a céu aberto). Chuva.

Não, não quero fazer inveja para o pessoal do Brasil, especialmente meus parentes e amigos de São Paulo e Brasília, que estão sofrendo com a seca, mas é verdade, aqui chove. E tinha que chover bem na hora do documentário mais esperado por mim durante toda a semana. Nos abrigamos até o pessoal da exibição decidir o que fazer. Então, nos levaram para uma sala de projeção pequena, mas capaz de abrigar todos os presentes da noite.

Depois de todas essas tentativas do destino de nos fazer desistir, enfim, assistimos ao documentário que conta a história do brasileiro Sérgio Vieira de Mello, diplomata brasileiro e alto comissário para direitos humanos da Organização das Nações Unidas (ONU), que para muitos de nós só ficou conhecido depois de morrer em um atentado no Iraque, em agosto de 2003.

O documentário começa com a reação de Sérgio ao convite para ir para o Iraque: aceita a missão como um bom soldado e com a esperança de fazer algo positivo para as pessoas que lá estão.

Ao longo da narrativa do atentado e tentativa de resgate do diplomata ainda vivo até a divulgação de sua morte, são retratados momentos de sua vida e de sua atuação incansável pela garantia dos direitos humanos.

São impressionantes as imagens do momento do atentado, quando estava sendo realizada uma conferência de imprensa no prédio da ONU e o cinegrafista, outro herói dessa história, não perdeu o senso de profissionalismo e continuou a registrar tudo que se passava.

Também impressiona ver como o escritório de Sérgio Vieira de Mello desaparece no espaço em questão de segundos. Entristece perceber um brasileiro alvo direto de um atentado. Especialmente um brasileiro que podia contribuir para a renovação das Nações Unidas, que havia dedicado sua vida a países como Cambodja, Timor Leste, Indonésia e, por dois anos, Moçambique. Mas, infelizmente, ele foi confundido com o que representam as Nações Unidas nesses lugares: uma cobertura para ações dos Estados Unidos e uma estrutura hiperburocrática de pouca eficiência.

E, mesmo dentro desse mamute pré-histórico, ele era um eterno otimista e fazia a parte dele com primazia. Sérgio foi o cordeiro em pele de lobo.

Abaixo, um trailer do documentário, para fazer vontade de ver inteiro. Infelizmente, não encontrei legendado. Então, é só para os falantes de língua inglesa:

Informações técnicas: o documentário é dirigido por Greg Barker, tem 94 minutos de duração e foi baseado no livro O Homem que queria salvar o mundo. Uma Biografia de Sergio Vieira de Mello, de Samantha Power, editado no Brasil pela Companhia das Letras.

Na apresentação durante o Dockanema, o ponto negativo fica para a exibição apenas em inglês. Um filme sobre um brasileiro, apresentado em um país de língua oficial portuguesa, no centro cultural Brasil-Moçambique, merecia o carinho de uma legenda, até para atingir maior público. Mas a escolha do filme para participar do evento é ponto positivo que supera todo o resto.

O Dockanema acontece até 19 de setembro. Clique aqui para visitar o site oficial do evento, onde é possível encontrar toda a programação e resumo dos documentários.

Kinshasa Symphony

Nesta segunda-feira, 13 de setembro, saímos de casa para ir ao Centro Cultural Brasil-Moçambique, participar do 5º Dockanema – Festival do Filme Documentário de Moçambique. Chegamos lá, pagamos MT 100,00 por dois ingressos e fomos informados que o filme previsto para o horário, Sérgio – um cidadão do mundo, não seria exibido. Havia um outro no lugar, do qual ainda não tínhamos ouvido falar.

Consultamos o programa e vimos que no mesmo horário, no Teatro Avenida, logo ali do lado, passaria Kinshasa Symphony. Pegamos nosso dinheiro de volta, corremos e chegamos no comecinho.

mapa Congo KinshasaO documentário alemão, de 95 minutos de duração, dirigido por Martin Baer e Claus Wischmann, mostra a montagem de uma orquestra sinfônica na cidade de Kinshasa, capital e maior cidade da República Democrática do Congo. A resenha do filme trata uma orquestra sinfônica como “um dos mais complexos sistemas de cooperação humana alguma vez inventado”. E é assim mesmo que aparece no documentário.

O filme é bastante interessante, porque retrata como pessoas comuns, comuns mesmo, sem conhecimento de música clássica ou do idioma alemão, dedicam-se, em meio a todas as suas tarefas para a sobrevivência diária, para durante uma noite apresentarem-se cantando em alemão e tocando a nona sinfonia de Beethoven majestosamente.

Fachada Teatro Avenida

Teatro Avenida: Av. 25 de setembro, 1.179, Maputo

Clique aqui para visitar o site oficial do evento, onde é possível encontrar toda a programação e resumo dos documentários.

Semana dos documentários em Maputo

Começou no dia 10 de setembro a 5ª edição do Festival do Filme Documentário de Moçambique, o Dockanema. Os filmes estão sendo exibidos em seis espaços de Maputo até o dia 19 de setembro. Ontem, fomos ao Mama Africa, da produtora brasileira CineVideo, com direção de Alê Braga, filmado em dez países do continente africano.

Clique aqui para visitar o site oficial do evento, onde é possível encontrar toda a programação e resumo dos documentários.

O preço por sessão é MT 50,00. Há também o bilhete de trânsito livre Dockanema, que pode ser comprado por MT 500,00. A entrada é livre para estudantes e jovens até 26 anos.

marca Dockanema-2010

Abaixo, os endereços dos locais de exibição dos filmes:

Centro Cultural Brasil-Moçambique: Av. 25 de setembro, 1.728.
Faculdade de Letras e Ciências Sociais: Universidade Eduardo Mondlane – Campus Principal.
Teatro Avenida: Av. 25 de setembro, 1.179.
Cinema Scala: Av. 25 de setembro, 1.514.
Cine-teatro Gilberto Mendes: Travessa do Varieta, 21 – 57.
Cinema Xenon: Av. Julius Nyerere, 776, r/c.

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