Brothers de Cabo Verde

Ramiro e João são os Mendes Brothers, músicos de Cabo Verde, naturais da Ilha do Fogo, que têm sua carreira marcda pela inovação da música de Cabo Verde. Foram pioneiros na revolução musical de caboverdiana chamada Bandera (estilo musical com raízes na ilha do Fogo) e Talaia Baxu. Também têm destaque em ações de promoção da unidade e da paz em África e em todo o mundo.

Foram vencedores do prêmio de música Outstanding World Music Act, da Boston Music Awards, em 1996 Com mais de 150 canções gravadas e 40 álbums produzidos, os Mendes Brothers são um dos principais protagonistas por trás das produções e arranjos modernos da música de Cabo Verde. Desde 1978 residem em Massachussets (EUA), mas nunca perderam os laços com sua terra natal.

Em 2006, receberam as condecorações civis máxima de Cabo Verde: Ordem do Vulcão e Medalha de Mérito, pela sua valiosa contribuição à cultura de Cabo Verde. Como humanitários, os Mendes Brothers têm trabalhado incansavelmente por mais de 20 anos nas regiões mais remotas de África, pelos países Angola, Moçambique, Guiné Bissau e Cabo Verde, promovendo paz e reconciliação através da sua música.

Com mais de 150 canções gravadas, os Mendes Brothers estão entre os protagonistas das produções e arranjos modernos da música de Cabo Verde.

A música que vamos ouvir fala de Angola. Escolhi pelo ritmo deliciosamente africano e pela bonita montagem de imagens de Angola.

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Descanso

Dia desses nos demos o direito de descansar um pouco no bar da piscina do Hotel Cardoso, enquanto apreciávamos a baía de Maputo. A camisa que uso é de Cabo Verde, tecido aparentemente grosso e quente, mas, quando vestimos, não deixa o calor passar, é uma delícia.

Sandra no Hotel Cardoso

Published in: on 24/01/2011 at 21:51  Comments (3)  
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Acordo?

Outro dia li a notícia Português ainda não é igual para todos no jornal O País e fiquei surpresa com algumas informações, como, por exemplo, que Angola e Moçambique ainda não ratificaram o novo acordo ortográfico, que visa homogeneizar as diversas formas de escrever português.

Eu bem estava achando estranho o assunto andar tão fora de pauta por aqui. Os textos são todos escritos sem a aplicação do acordo e eu nunca tinha visto nada na mídia sobre o assunto. Até agora só tinha ouvido comentários de alguns amigos sobre o acordo, observando as dificuldades que essa ou aquela mudança podem causar.

Depois de ler a notícia é que entendi porque o assunto está tão fora de pauta. Moçambique sequer reconhece o acordo. Em Cabo Verde parece que a adoção já está em andamento, ainda que classificada na matéria como “devagar”. São Tomé e Príncipe, Guiné-Bissau e Timor ratificaram mas não iniciaram a aplicação. Apenas o Brasil e Portugal ratificaram e já criaram mecanismos para a implementação.

No Brasil, a nova ortografia entra em vigor no país em 1 de janeiro de 2012. A data é determinada em decreto presidencial de setembro de 2008. Em Portugal, o novo acordo ortográfico entrou em vigor em janeiro de 2009. Mas, até 2015, decorre um período de transição, durante o qual ainda se pode utilizar a grafia atual.

Em entrevista também ao jornal O País, o escritor e jurista Jorge de Oliveira, secretário-geral da Associação dos Escritores Moçambicanos (AEMO), opina que o parlamento de Moçambique já deveria ter aprovado o acordo ortográfico. Ele vê as novas regras do acordo como pontos que “ajudariam muito a crescer em termos de redacção e simplificação da escrita”. Para Jorge, Moçambique está a ficar para trás.

O ministro da Educação de Moçambique, Zeferino Martins, citado na matéria do jornal O País, afirma que “No momento certo, levaremos o assunto ao Conselho de Ministros e à Assembleia da República para aprovação. O nosso objectivo é que os moçambicanos participem suficientemente no debate”. Mas se não se fomenta o debate? Como é que os moçambicanos participarão?

Acesse aqui um guia rápido para a nova ortografia.

10.10.10

No dia 10 do mês 10 do ano de 2010 muitas coisas importantes aconteceram no mundo. Aniversários, encontros, reencontros, prisões, libertações, viagens, novas paixões, o debate dos candidatos à presidência do Brasil na TV e, na China, a confirmação do regresso da cantora caboverdiana Cesária Évora (69 anos) aos palcos. Há cinco meses ela havia sofrido uma cirurgia no coração e desde então não se apresentava.

Sua atuação nesse 10.10.10 foi de pouco mais de meia hora, no Teatro do Exército Popular da Libertação, em Pequim, com seus pés sempre descalços (prática, aliás, adotada por outras cantoras africanas). O concerto fez parte dos eventos do Dia de Cabo Verde na Expo2010.

Cesária Évora nasceu em Mindelo, na ilha de São Vicente, no país-arquipélago Cabo Verde. Ficou conhecida como a “diva dos pés descalços” e é a cantora caboverdiana de maior reconhecimento internacional. Em sua carreira, interpretou diversos gêneros musicais, mas o que mais a marcou foi o morna, gênero popular, tocado com instrumentos acústicos, com letras que falam de tristeza, mágoa e desejos impossíveis de serem realizados.

Desde pequena, Cesária gostava de cantar e fazia apresentações aos domingos na praça principal da sua cidade, acompanhada por seu irmão, Lela, no saxofone. Aos 16 anos conheceu um marinheiro chamado Eduardo que ensinou à Cesária os tradicionais estilos da música caboverdiana como a morna e a coladera.

Ela passou, então, a cantar em bares e hotéis. Aos 20 anos foi contratada como cantora pela companhia de pesca Congelo e passou a apresentar-se, basicamente, em jantares da empresa.

Em 1975, quando Cabo Verde conquistou a independência, Évora ainda não era muito popular e as dificuldades econômicas a fizeram parar de cantar para trabalhar em outras áreas que permitiam o melhor sustento da família. Dez anos afastada de seu próprio dom acabaram por levá-la ao alcoolismo.

Então, encorajada pelo compatriota Bana, realizou concertos em Portugal, onde ele estava exilado. De lá, foi convidada a ir para Paris, onde gravou, em 1988, o álbum “La diva aux pied nus” (a diva dos pés descalços). Aos 47 anos de idade, tornou-se internacionalmente conhecida e aplaudida.

Abaixo, Sodade, uma das mais conhecidas mornas interpretadas por Cesária Évora. Gosto do ritmo quase alegre que chega aos ouvidos ao mesmo tempo que uma letra lírica, quase triste. A letra é em crioulo caboverdiano, fácil de ser compreendida, mas, como encontrei tradução, a publico também.

Quem mostra’ bo (quem te mostrou)
Ess caminho longe? (esse caminho longe?)
Quem mostra’ bo (quem te mostrou)
Ess caminho longe? (esse caminho longe?)
Ess caminho (esse caminho)
Pa São Tomé (para são tome?)

Sodade sodade (saudade, saudade)
Sodade (saudade)
Dess nha terra Sao Nicolau (da minha terra são nicolau)

Si bô ‘screvê’ me (se me escreveres)
‘M ta ‘screvê be (eu escrevo-te)
Si bô ‘squecê me (se me esqueceres)
‘M ta ‘squecê be (eu esqueço-te)
Até dia (até ao dia)
Qui bô voltà (que voltares)

Sodade sodade (saudade, saudade)
Sodade (saudade)
Dess nha terra Sao Nicolau (da minha terra são nicolau)

Aqui, um esclarecedor texto sobre a letra da música.

Conheça o site oficial de Cesária Évora.

Saiba mais sobre a cantora, visitando a Wikipédia.

Veja mais sobre o espetáculo na Expo2010, na Agência AngolaPress.

Veja também o site oficial da Expo2010.

Tubarões africanos

Os Tubarões é o nome de um dos grupos musicais mais representativos de Cabo Verde no período de transição rumo à independência e democracia. Mesmo tendo sido extinto em 1994, sua música permanece viva e ainda é muito reproduzida e apreciada.

Uma das particularidades deste grupo de sete membros é que nenhum deles era músico em tempo integral. Todos tinham profissões paralelas como advogados, despachantes e médicos.

Eles cantam em crioulo caboverdiano, língua originária do arquipélago de Cabo Verde, e usam instrumentos típicos africanos, juntamente com outros, de origem européia, como o saxofone. O resultado é maravilhoso.

Em 1976, iniciam a sua discografia que é encerrada com a extinção do grupo, em 1994:

– Pepe Lopi (1976)
– Tchon di Morgado (1976)
– Djonsinho Cabral (1979)
– Tabanca (1980)
– Tema para dois (1982)
– Os Tubarões (1990)
– Os Tubarões ao vivo ( 1993)
– Porton d’ nôs ilha (1994)

No fim da década de 90, o vocalista Ildo Lobo decidiu dedicar mais tempo à sua carreira como músico e gravou três discos solo. Faleceu em 2004.

BIDA DI GOSSI (VIDA DE AGORA)

Ess bida di gossi bira mariado (A vida agora tornou-se mofina)
‘M firfiri sucuru fitcha (A buscar a vida a noite caiu)
Doedjo na tchon cabeça marian (De joelhos no chão, a cabeça às voltas)
Galo canta ‘m djobé caminho (O galo cantou procurei o caminho)

Ess bida di gossi bira mariado (A vida agora tornou-se mofina)
‘M firfiri sucuru fitcha (A buscar a vida a noite caiu)
Doedjo na tchon cabeça marian (De joelhos no chão, a cabeça às voltas)
Galo canta ‘m djobé caminho (O galo cantou procurei o caminho)

Qui dia lifanti cansa cu sé denti (Quando é que os dentes cansaram ao elefante)
Fidjo cabra ca salta rotcha (O cabrito não saltou na rocha)
Po tchiga casa nha Péma (Eu cheguei à casa da dona Péma)
Osso quebrado corpo mangrado (Osso partido corpo gasto)

Quem catem cabeça ca ta poi tchapéu (Quem não tem cabeça não põe chapéu)
Quem catem dinheiro ca ta gasta tcheu (Quem tem pouco dinheiro não deve gastar muito)
Quess bida di gossi é sim qué fêto (Porque a vida de agora é assim feita)

Quem catem cabeça ca ta poi tchapéu (Quem não tem cabeça não põe chapéu)
Quem catem dinheiro ca ta gasta tcheu (Quem tem pouo dinheiro não deve gastar muito)
Quess bida di gossi é sim qué fêto (Porque a vida de agora é assim feita)

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