Outro Kruger

Há alguns dias voltamos ao Kruger Park. Já tinham nos falado que nesta época do ano era muito bom de ir porque, sendo o auge da seca, os animais ficam mais concentrados nas poucas áreas cheias dos rios e lagos e as folhagens não atrapalham a visualização. Dito e feito, vimos muitos bichos, muita quantidade de alguns (como o Eduardo já contou no ElefanteNews) e durante o dia todo.

É incrível a diferença da paisagem entre o que vimos em abril e agora em agosto de 2011.

Manada de elefantes avistada no meio da densa vegetação em abril

Manada de elefantes avistada no meio da densa vegetação em abril

A paisagem de agosto

A paisagem de agosto

Com esse vazio de árvores e seguindo o caminho do rio foi possível encontrar os chamados “big five” (cinco grandes animais da região): leão, elefante, rinoceronte, leopardo e búfalo, além de girafas, impalas, zebras, muitos macacos e outros que nem sei o nome. A diferença para menos ficou apenas por conta dos pássaros. São mais de quinhentas espécies de aves que podem ser encontradas no parque, mas desta vez vimos muito menos que da anterior.

Leopardo - ou chita, vejam comentário do Nando neste post - camuflado no meio da mata seca

Leopardo - ou chita, vejam comentário do Nando neste post - camuflado no meio da mata seca

Manada de búfalos atravessa estrada entre os carros

Manada de búfalos atravessa estrada entre os carros

Café da manhã de elefante

Café da manhã de elefante

Outra coisa legal é que, por conta da seca, há poucos lugares onde os animais encontram vegetação boa para se alimentar. Então, mesmo que parem 20 carros para assisitir o bicho se alimentando, ele não se intimida e fica lá mesmo. Teve um elefante, que ficamos quase 15 minutos assistindo como ele derrubava os galhos da árvore e como os quebrava com a pata da frente e depois pegava com a tromba para colocar na boca.

Para quem vai de Maputo, o Kruger fica a duas horas, contando já que se vai perder meia hora na fronteira (saída de Ressano Garcia). Dessa vez, entramos e saímos pelo portão Crocodile Bridge, o que nos fez entrar uns 20 minutos antes do que se fôssemos pelo portão Malelane, como da primeira vez. O custo de entrada para duas pessoas em carro próprio foi de ZAR 360,00 (trezentos e sessenta rands, que correspondem a R$ 84,00). Os horários do parque variam de acordo com a época do ano: de abril a setembro abre às 6h, de outubro a março abre 5h30. De maio a julho fecha às 17h30; março, abril e de agosto a outubro fecha às 18h; de novembro a fevereiro fecha às 18h30.

Veja sobre nossa viagem de abril, no post Finalmente, Kruger.

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Finalmente, Kruger

No dia que completamos um ano da chegada em Moçambique (que aconteceu em 16/04/2010), fomos ao nosso primeiro safari. Afinal, como era possível estar em África por tanto tempo sem ter feito ainda um safari, não é mesmo?

A expedição foi no Kruger Park, o mais antigo da região e um dos mais famosos do mundo. A reserva foi criada em 1898, pelo então presidente sul-africano Paul Krüger. O parque como se conhece hoje é de 1926 e tem uma área de 20.000 km², entre África do Sul (a oeste e a sul), Moçambique (a leste) e Zimbabwe (a norte). Em seu território vivem os chamados “big five” (cinco grandes animais da região): leão, elefante, rinoceronte, leopardo e búfalo, além de girafas, impalas, hipopótamos e muitos outros. São mais de quinhentas espécies de aves, 112 de répteis e 150 de mamíferos.

Saída de casa às 5h20. Chegada na fronteira pouco depois das 6h. Carimba daqui, carimba dali e saímos de Moçambique. Anda um pouco, carimba daqui, carimba dali e entramos na África do Sul. Às 8 horas entramos no Kruger pelo portão de Malelane.

O passeio não foi com guia, nem em carro do parque. Tem essa possibilidade, mas optamos por ir sozinhos, seguindo as indicações no mapa que o atendente da entrada do parque fez. Para entrarmos três pessoas com carro próprio pagamos ZAR 540,00 (R$ 125,00). Não sei exatamente quanto foi por pessoa e quanto é a taxa do carro.

Lá dentro, há a estrada principal, em asfalto, cuja velocidade máxima é de 50 km/hora, estradas secundárias, de terra, cuja velocidade permitida é 40 km/hora. Mas, muitas vezes, andamos a muito menos que isso, para apreciar melhor os movimentos dos animais.

Logo de início nos impressionamos com a belíssima paisagem. Ao longo do dia entramos por algumas das estradas de terra, quando víamos algo interessante a ser observado. Mas quase todo o tempo nos mantivemos na via principal.

Em pouco tempo já tínhamos visto os famosos impalas (macho com chifre, fêmea sem), que são um dos símbolos do parque.

Macaco com filhote agarrado na barriga, em um restaurante do Krueger

O dia estava fresco, um pouco nublado. Isso fez o passeio ainda mais agradável, porque não tinha o calor africano sobre nós. Perto do meio-dia, pausa para almoçar em uma das áreas de descanso, onde há espaço para acampar, se hospedar em quartos ou bangalôs típicos da região, restaurante, café e loja onde se pode comprar lembranças do parque e artigos de conveniência.

Almoçamos à beira de um rio, onde pudemos apreciar macacos, pássaros e hipopótamos. Após a pausa, voltamos para o carro e seguimos em direção ao portão Crocodile. Não sei se foi o fato da tarde estar fresca, se foi pelo horário ou pelo caminho que fizemos, mas depois do almoço vimos os animais mais interessantes (para mim, pelo menos) e mais ousados. Girafas, zebras, elefantes e macacos literalmente cruzaram nosso caminho.

Elefante derrubando árvore para se alimentar

Zebra vai ao encontro das amigas para almoçar

Pouco depois das 17 horas, passamos pela Crocodile Bridge (ponte do crocodilo) e saímos do parque.

Estrada. Fronteira. Fronteira. Estrada. Antes das 19h estávamos em casa, com a certeza de que o passeio ainda vai se repetir outras vezes.

P.S. No mês de agosto, voltamos ao parque e escrevi o post Outro Kruger.

Nos sites Alma de Viajante e Girafamania é possível ler mais informações sobre o parque e o passeio.

Em matéria do site 360graus.com.br é possível ver um incrível vídeo feito por alguns turistas.

Visite também o site do parque.

Profissão: instalador de vedação para elefantes

Outro dia participei do seguinte diálogo:

blog ElefanteNewsA senhora: — Meu marido viaja muito, a trabalho.
Eu: — Ah, sim? E o que ele faz?
A senhora: — Vedação para elefante.
Eu: — ?????

Em uma fração de segundos, muitas idéias passaram pela minha cabeça. Mas o que era de fato, não. Então, a senhora com quem eu travava o diálogo explicou: são cercas elétricas feitas a uma altura não atingível pelo homem, mas sim pelo elefante. A energia não é suficente para machucar o animal, mas se ele encostar não vai insistir em passar, então, não sai da área que lhe foi destinada. A energia é garantida por meio de painéis solares.

Ela contou ainda que o marido faz vedação também para os Big Five (cinco grandes), que são: leão, elefante, búfalo, leopardo e rinoceronte. Aí, a cerca é até o chão, trançada em losangos grandes.

Em geral, ele trabalha para os parques nacionais, reservas naturais de responsabilidade dos governos dos países. A contratação é feita por licitação (aqui chamada de concurso público) e a manutenção dos equipamentos de energia e das cercas é feita pela administração do parque.

Os elefantes não costumam ser animais violentos, mas, muitas vezes, as vedações são necessárias para garantir que eles não destruam as machambas (plantações) nas aldeias próximas. Depois de meses de trabalho na roça, quando os pequenos agricultores estão quase por colher os frutos de sua dedicação, a visita de um único animal pode acabar com tudo. É o prejuízo de um ano.

O trabalho de vedação para elefantes é feito nesses lugares. São regiões quase sempre sem acesso à rede de água e energia elétrica. Os representantes da empresa responsável dormem em barracas e levam quase todo suprimento necessário para as duas semanas que costumam ficar no local. Depois voltam para a cidade e outra equipe vai para o local. Assim se revezam até o fim do trabalho que, dependendo do tamanho da área a ser cercada pode levar dois anos para ser concluído. Alimentos perecíveis, como carne, são conquistados na própria região, com caça a animais de pequeno porte, por exemplo. Os trabalhadores que montam a cerca são, normalmente, pessoas das próprias aldeias da área, que são treinados pela empresa. Essa costuma ser uma exigência do concurso público, para contribuir com a geração de renda das populações locais.

Vedação para elefante. Taí um trabalho que no Brasil não tem como ser exercido.

Mais sobre o trabalho de vedação para animais em notícias do Parque Nacional das Quirimbas e do Sapo.mz.

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