A educação e eu

Tenho poucas lembranças de minha infância. Todas muito vagas. Dentre essas poucas, vejo-me brincando de escolinha. Eu, professora. Os alunos eram imaginários. Adorava aquilo.

No entanto, no final do período escolar, ao escolher a profissão fui para outro caminho. E, mais tarde, larguei esse caminho para trilhar outro, mas ainda não a docência. É fato que ao longo do tempo fui professora em empregos paralelos, aqui e ali. Ensinei português para estrangieros quando morei nos Estados Unidos e inglês a brasileiros, no Brasil. Também participei de algumas ações em projetos de alfabetização de jovens e adultos. Mas nunca foi minha atividade principal.

Mesmo assim, minha paixão de criança pela educação nunca apagou. Meu primeiro voto para presidente da República foi para Leonel Brizola, que empunhava a bandeira da educação. Li muito Paulo Freire e fiz vários cursos rápidos na área.

Agora, parece que finalmente vou me render ao destino e minha ocupação principal será relacionada à educação.

Tenho tabalhado há alguns meses na Associação Chance, que realiza diversos projetos de inserção social em Moçambique. Vou continuar esse trabalho porque a área social é o que oxigena meu corpo. Mas vou também encarar um grande desafio com a educação: ser diretora de um estabelecimento de cursos técnicos e profissionalizantes.

Será inaugurada em Maputo, Moçambique, a Academia de Comunicação. logomarca Academia de ComunicaçãoVamos oferecer oportunidade de qualificação profissional com instrutores do mercado local e internacional, para que um número cada vez maior de moçambicanos tenha acesso às novas tecnologias de informação e conhecimento das melhores técnicas profissinais na área de comunicação.

Espero, com sinceridade, contribuir com o país e seus ciadãos nesse momento de desenvolvimento. Afinal, como sabemos, a educação é a base para que tudo dê certo e as pessoas tenham melhor qualidade de vida.

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Recomeço

As manifestações que tomaram conta dos noticiários, conversas e vida das pessoas nos três primeiros dias de setembro (veja aqui) deram uma trégua. Nesse sábado as pessoas retomaram a rotina, sempre mais lenta aos finais de semana, e puderam ir às compras, almoçar ao ar livre, visitar amigos enfermos (foi nosso caso no que se refere ao amigo Ricardo Botas, como conta o Eduardo no ElefanteNews)

Há informação de que na segunda-feira voltem a paralisação e as manifestações. Terça-feira, 7 de setembro, é feriado por aqui: Dia dos Acordos de Lusaka, quando o governo português e a Frelimo (Frente de Libertação de Moçambique) assinaram o acordo, em Lusaka (na Zâmbia), que punha fim à guerra colonial e de libertação. Popularmente, o dia também é conhecido como Dia Vitória ou Dia da Paz. Que seja!

Mas, independente do que serão os dias futuros, como aprendemos com Miriam Makeba, a luta continua. No caso, a luta de cada um, no seu dia-a-dia. A minha, nesse sábado, foi muito interessante, porque promoveu uma volta no tempo há alguns anos e deu um estímulo de esperança.

Certa vez eu peguei uma estrada não duplicada, em Teresina, a capital de um estado brasileiro chamado Piauí, segui até chegar a uma estrada de terra, onde entrei e, depois de alguns quilômetros, cheguei a Caraúbas do Piauí. Ali começava um dos capítulos de maior realização da minha vida profissional, onde eu vi que era possível a mudança positiva na vida de pessoas já sem esperança.

Nesse sábado, peguei uma estrada não duplicada, em Maputo, a capital de Moçambique. Seguimos até chegar a uma estrada de terra, onde entramos e, depois de alguns quilômetros, chegamos a um povoado quase isolado do mundo a sua volta.

Esse dia é um marco, como foi aquele em Caraúbas do Piauí. Um marco de mudança na vida das pessoas e na minha, com certeza. Aqui, como lá, vi pessoas carentes de informação e de contato com quem quisesse contribuir com a mudança e não apenas se fazer valer da situação, vi casas sem acesso à água potável, sem energia elétrica, sem casas de banho (banheiro). Aqui, como lá, não vi casas nem gente sem dignidade, porque as pessoas que encontrei são todas dignas. Inclusive, dignas de nossa atenção, de nossa preocupação, de nossa dedicação, de nosso olhar.

Abaixo, um pouco do que encontrei agora.

Província de Maputo 4 de setembro 1

Província de Maputo 4 de setembro 2

Província de Maputo 4 de setembro 3

Província de Maputo 4 de setembro 4

Província de Maputo 4 de setembro 5

Província de Maputo 4 de setembro 6

Província de Maputo 4 de setembro 7

Vou trabalhar com essas pessoas e com outras que ainda não conheci. Você vai acompanhar aqui no Mosanblog e em poucos anos vai ver o quanto a mudança é possível.

O que encontrei em Caraúbas do Piauí e o que está acontecendo por lá, você vê no site do programa Movimento Solidário, desenvolvido pela Federação Nacional das Associações do Pessoal da Caixa (Fenae), onde tive o imenso prazer de trabalhar até vir para Moçambique.

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