Hino nacional

Em uma semana de comemorações cívicas (7 de setembro foi Dia da Vitória) como a que estamos vivendo, nada melhor na área musical do que conhecer o hino nacional. No caso, o de Moçambique, cuja letra e música foram aprovadas pela Assembléia da República em 30 de abril de 2002 e constam na lei 13/2002, publicada oficialmente em 3 de maio de 2002. Então, nessa Quinta Quente, o hino de Moçambique.

Abaixo, a letra, retirada do site da República de Moçambique:

Na memória de África e do Mundo
Pátria bela dos que ousaram lutar
Moçambique o teu nome é liberdade
O sol de junho para sempre brilhará

Moçambique nossa terra gloriosa
pedra a pedra construindo o novo dia
milhões de braços, uma só força
ó pátria amada vamos vencer

Moçambique nossa terra gloriosa
pedra a pedra construindo o novo dia
milhões de braços, uma só força
ó pátria amada vamos vencer

Povo unido do Rovuma ao Maputo
colhe os frutos do combate pela Paz
cresce o sonho ondolado na bandeira
e vai lavrando na certeza do amanhã

Moçambique nossa terra gloriosa
pedra a pedra construindo o novo dia
milhões de braços, uma só força
ó pátria amada vamos vencer

Moçambique nossa terra gloriosa
pedra a pedra construindo o novo dia
milhões de braços, uma só força
ó pátria amada vamos vencer

Flores brotando do chão do teu suor
pelos montes, pelos rios, pelo mar
nós juramos por ti, ó Moçambique:
nenhum tirano nos irá escravizar

Moçambique nossa terra gloriosa
pedra a pedra construindo o novo dia
milhões de braços, uma só força
ó pátria amada vamos vencer

Moçambique nossa terra gloriosa
pedra a pedra construindo o novo dia
milhões de braços, uma só força
ó pátria amada vamos vencer

Vale a lembrança: No texto intitulado Momento Cívico, que escrevi anteriormente nesse blog, falei sobre a bandeira, outro símbolo nacional. E no dia 7 de setembro, Dia da Vitória, mostrei o emblema da República, no texto Independências.

Anúncios

Não chegaram mais mensagens de ninguém

A greve deflagrada nos primeiros dias de setembro em Moçambique por meio de mensagens de texto nos celuares parece ter chegado ao fim. É verdade que o fato de hoje ser uma segunda-feira espremida entre o fim de semana e o feriado de 7 de setembro (sim, aqui também é feriado, devido à assinatura do acordo que garantiu a independência de Moçambique) ajudou a acalmar os ânimos. Nem todos voltaram a trabalhar o tempo todo, mas a vida vai sendo retomada aos poucos.

No rádio, ouço agora (meia-noite da segunda-feira) na RDP África a notícia que o governo suspendeu o serviço de mensagens pelos celulares. De fato, não se consegue mandar mensagens. Ao se tentar, recebe-se a mensagem “falha no envio” e seu texto fica lá na caixa de saída. No segundo dia de paralisações eu bem pensei que essa seria a forma de quebrar a estratégia do movimento. Pode até ser que o governo tenha pensado o mesmo e feito.

Na rádio, não informaram de onde vem a notícia ou se é apenas uma dedução das pessoas após tentarem passar mensagens e não conseguirem. Mas tanto pode ser uma solicitação do governo, como pode ser falha na infraestrutura das empresas, que nunca tinham operado com tantas mensagens simultaneamente.

Imagino que ficaremos sem saber, porque o governo não iria confirmar caso tivesse tomado tal atitude. Iria?

Enfim, o que sei é que hoje ninguém conseguiu enviar mensagens…

Se quiser mais dados sobre o movimento nessa segunda-feira, veja o que Eduardo publicou no ElefanteNews.

Recomeço

As manifestações que tomaram conta dos noticiários, conversas e vida das pessoas nos três primeiros dias de setembro (veja aqui) deram uma trégua. Nesse sábado as pessoas retomaram a rotina, sempre mais lenta aos finais de semana, e puderam ir às compras, almoçar ao ar livre, visitar amigos enfermos (foi nosso caso no que se refere ao amigo Ricardo Botas, como conta o Eduardo no ElefanteNews)

Há informação de que na segunda-feira voltem a paralisação e as manifestações. Terça-feira, 7 de setembro, é feriado por aqui: Dia dos Acordos de Lusaka, quando o governo português e a Frelimo (Frente de Libertação de Moçambique) assinaram o acordo, em Lusaka (na Zâmbia), que punha fim à guerra colonial e de libertação. Popularmente, o dia também é conhecido como Dia Vitória ou Dia da Paz. Que seja!

Mas, independente do que serão os dias futuros, como aprendemos com Miriam Makeba, a luta continua. No caso, a luta de cada um, no seu dia-a-dia. A minha, nesse sábado, foi muito interessante, porque promoveu uma volta no tempo há alguns anos e deu um estímulo de esperança.

Certa vez eu peguei uma estrada não duplicada, em Teresina, a capital de um estado brasileiro chamado Piauí, segui até chegar a uma estrada de terra, onde entrei e, depois de alguns quilômetros, cheguei a Caraúbas do Piauí. Ali começava um dos capítulos de maior realização da minha vida profissional, onde eu vi que era possível a mudança positiva na vida de pessoas já sem esperança.

Nesse sábado, peguei uma estrada não duplicada, em Maputo, a capital de Moçambique. Seguimos até chegar a uma estrada de terra, onde entramos e, depois de alguns quilômetros, chegamos a um povoado quase isolado do mundo a sua volta.

Esse dia é um marco, como foi aquele em Caraúbas do Piauí. Um marco de mudança na vida das pessoas e na minha, com certeza. Aqui, como lá, vi pessoas carentes de informação e de contato com quem quisesse contribuir com a mudança e não apenas se fazer valer da situação, vi casas sem acesso à água potável, sem energia elétrica, sem casas de banho (banheiro). Aqui, como lá, não vi casas nem gente sem dignidade, porque as pessoas que encontrei são todas dignas. Inclusive, dignas de nossa atenção, de nossa preocupação, de nossa dedicação, de nosso olhar.

Abaixo, um pouco do que encontrei agora.

Província de Maputo 4 de setembro 1

Província de Maputo 4 de setembro 2

Província de Maputo 4 de setembro 3

Província de Maputo 4 de setembro 4

Província de Maputo 4 de setembro 5

Província de Maputo 4 de setembro 6

Província de Maputo 4 de setembro 7

Vou trabalhar com essas pessoas e com outras que ainda não conheci. Você vai acompanhar aqui no Mosanblog e em poucos anos vai ver o quanto a mudança é possível.

O que encontrei em Caraúbas do Piauí e o que está acontecendo por lá, você vê no site do programa Movimento Solidário, desenvolvido pela Federação Nacional das Associações do Pessoal da Caixa (Fenae), onde tive o imenso prazer de trabalhar até vir para Moçambique.

%d blogueiros gostam disto: