A luta continua

Guardei Miriam Makeba para hoje, porque a música que trago é representativa do momento que vivo. Ela canta A Luta Continua e eu parto de Moçambique sabendo que a luta continua. E continuará ainda por muitos anos aqui… Mas parto com a esperança de ter contribuído um pouco para o sucesso dessa luta.

Miriam Makeba foi uma cantora da África do Sul, que viveu entre 1932 e 2008. Foi grande ativista pelos direitos humanos e contra o regime do apartheid. Em 1960 participou no documentário Come Back, Africa, contra o regime separatista sulafricano.

Em 1975, participou da cerimônia de independência de Moçambique. Foi nesse evento que ouviu a frase em português A luta continua, usada como slogan da Frelimo. O evento da independência e a sonoridade de “a luta continua” inspiraram a criação da música, que se tornou um hino dos países africanos oprimidos pela colonização.

My people, my people open your eyes (Meu povo, meu povo, abram seus olhos)
And answer the call of the drum (E ouçam o chamado do tambor)
Frelimo, Frelimo, (Frelimo, Frelimo)
Samora Machel, Samora Machel has come (Samora Machel, Samora Machel chegou)

Maputo, Maputo home of the brave (Maputo, Maputo, casa dos bravos)
Our nation will soon be as one (Nossa nação vai logo ser única)
Frelimo, Frelimo, (Frelimo, Frelimo)
Samora Machel, Samora Machel has won (Samora Machel, Samora Machel venceu)

Mozambique – A luta continua (Moçambique — A luta continua)
A luta continua, continua (A luta continua, continua)
(4 vezes)

And to those who have given their lives (E àqueles que deram suas vidas)
Praises to thee (Orações para vós)
Husbands and wives, all thy children (Maridos e mulheres, e vossas crianças)
Shall reap what you sow (Colham o que vocês semearam)
This continent is home (Este continente é um lar)

My brothers and sisters stand up and sing (Meus irmãos e irmãs, levantem-se e cantem)
Eduardo Mondlane is not gone (Eduardo Mondlane não se foi)
Frelimo, Frelimo, your eternal flame (Frelimo, Frelimo, sua bandeira eterna)
Has shown us the light of dawn (Nos mostrou a luz da alvorada)

Mozambique – A luta continua (Moçambique — A luta continua)
A luta continua, continua (A luta continua, continua)

In Zimbabwe – A luta continua (No Zimbábue — A luta continua)
A luta continua, continua (A luta continua, continua)

In Botswana — A luta continua (Em Botsuana — A luta continua)
A luta continua, continua (A luta continua, continua)

In Zambia — A luta continua (Na Zâmbia — A luta continua)
A luta continua, continua (A luta continua, continua)

In Angola — A luta continua (Em Angola — A luta continua)
A luta continua, continua (A luta continua, continua)

In Namibia — A luta continua (Na Namíbia — A luta continua)
A luta continua, continua (A luta continua, continua)

In South Africa — A luta continua (Na África do Sul — A luta continua)
A luta continua, continua (A luta continua, continua)

Veja mais sobre Miriam Makeba na Wikipedia e no site que sua família mantém.

Nesta última Quinta Quente, deixo a dica de minhas melhores fontes, para quem quiser continuar descobrindo artistas daqui: a rádio RDP África, o programa Moçambique em Concerto, da TVM, com o apresentador Gabriel Júnior, e o site The African Music Encyclopedia.

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Dia da Independência

Foi ontem, 25 de junho. Comemorou-se em Moçambique os 35 anos que o país deixou de ser colônia de Portugal. É estranho para uma brasileira estar em um país que deixou de ser colônia de Portugal quando eu já era nascida. A independência do Brasil foi algo que estudei na escola, como fato distante, lá do começo de nossa história…

E pensar que Moçambique foi invadido por Portugal dois anos antes o Brasil. Nós, em 1500, eles em 1498. Mais exatamente em 2 de março de 1498, foi quando a armada comandada por Vasco da Gama, completando o contorno da costa africana, aportou nas terras de Moçambique.

Em entrevista a um caderno especial do jornal O País, o ex-presidente de Moçambique, Joaquim Chissano, lembra do período em que foi primeiro-ministro durante o primeiro governo independente, liderado por Samora Machel: “O nosso país, contrariamente a alguns do continente africano, não teve uma experiência de transição com a participação de um governo colonial. Então, tivemos que descobrir como faziam os colonialistas, mas animava-nos a idéia de que não queríamos, pura e simplesmente, herdar do colonialismo, queriamos criar coisas novas”.

O 25 de junho no palco montado na praça da Independência começou com a chegada da tocha da Chama da Liberdade, que nas últimas semanas percorreu as onze províncias (seriam os estados no Brasil) do país. Então, o presidente Armando Guebuza acendeu a pira ao som de 21 salvas de canhão.

Mesmo tendo sido realizadas apenas 35 festas de independência, já fazem diferença positiva em alguns aspectos: após a recepção da Chama da Liberdade, a abertura do evento teve três orações — uma feita pelo arcebispo, outra pelo sheik mulçumano e a última por um pastor protestante. Acho isso positivo, porque, se tem que colocar religião no meio, que se dê direito à pluralidade. Apesar que vou gostar mesmo do dia que não tiver religião envolvida com Estado…

Depois, claro, teve o desfile militar e o desfile civil, com os estudantes de escolas públicas. Essa parte foi bem parecida com o que vemos todos os anos no 7 de setembro no Brasil. Então, ex-combatentes que lutaram pela independência discursaram no palco. E o mais interessante é que os discursos eram alternados com apresentações culturais típicas de cada província. O presidente Guebuza assistindo a tudo, para discursar no final. Gostei de ver o presidente assistindo às manifestações culturais.

E não foi só ele, estavam lá convidados como os presidentes do Zimbabwe, Robert Mugabe, e de Botswana, Ian Khama, os reis do Lesotho, Letsie III, e da Suazilânidia, Mswati III, além de embaixadores e ministros de negócios estrangeiros de dezenas de países que mantém relações diplomáticas com Moçambique.

Após uma tarde de descanso, o dia acabou aqui na frente de casa, no salão de festas da Presidência…

atrás do muro branco, o salão de festas da presidência

Muro do salão de festas da casa do Presidente de Moçambique, visto da janela da sala de nossa casa

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