Para onde vão os europeus?

A crise econômica na Europa tem provocado alguns fenômenos interessantes na relação daqueles países com o mundo emergente e até o nem tanto. No Brasil, vimos a reação dos espanhóis quando nós anunciamos a aplicação da regra de reciprocidade para entrada de visitantes da Espanha. Afinal, diversos brasileiros estavam sendo barrados para entrar naquele país se não tivessem comprovação de recursos financeiros mínimos, local para estadia e passagem de volta. Tudo que o Brasil passou a fazer foi exigir o mesmo. Teve gente que falou: bobagem, deixa os espanhóis entrarem aqui. Não concordo. Se não podemos entrar lá, porque vamos abrir as portas e o coração para uns falidos metidos? Reciprocidade neles!

Agora, em Moçambique, estou a ver com meus próprios olhos um fenômeno que alguns amigos já tinham comentado: todos os dias chegam mais e mais portugueses tentando um lugar ao sol africano. Nos três primeiros meses de 2012 chegaram 2.500 portugueses só em Moçambique. Ê, pá! Mas afinal, que a terra subdesenvolvida parece estar melhor que a deles…

Na Europa já não há dinheiro nem empregos. Na África falta mão-de-obra qualificada, especializada em demandas modernas. Aí que os filhos da terra, que tiveram que sair quando da independência de Moçambique nos anos 70, estão agora a regressar, a vir ter aqui o que já não conseguem em terras de colonizadores.

Particularmente, acho bonita a mistura de gentes e acho saudável a troca de experiências e culturas. Só me preocupa quando vejo portugueses que aqui chegam cheios de preconceito, a reclamar dos diferentes hábitos de higiene (ou falta deles), educação e habilidades de raciocínio de alguns moçambicanos, como se de onde vêm não existissem pessoas com as mesmas dificuldades.

Reclamam por tudo e por nada, sem considerar que o diferente pode ser também certo, sem levar em conta diferenças culturais e, ainda, esquecem-se que seus antepassados, quando aqui chegaram contribuíram para deixar o povo moçambicano em tais condições, depois de séculos de dominação, a subjugá-los, humilhá-los e dar a eles maus exemplos. Que venham, mas não para isso de novo. Percebam que agora o que podem querer é uma parceria com os moçambicanos para todos crescerem juntos e aproveitarem as vantagens dessa terra maravilhosa.

Após escrever esse texto, li um e-mail que recebi da amiga e fiel leitora do Mosanblog Lucia Agapito, creditado ao escritor Isaac Asimov. O texto pode nem ser dele, como muitas vezes acontece nas coisas que circulam na internet e, dado ao precário acesso à internet que os dias cheios em Maputo têm me deixado, não fiz a pesquisa. Mas isso não é o mais importante e sim o conteúdo, que cabe bem para situações que vejo no dia a dia em Maputo: pessoas que não percebem a existência de diferentes inteligências e habillidades e se consideram superiores aos outros sem perceber que há muitas coisas que esses outros fazem e elas não seriam capazes. Será um melhor que o outro ou estamos todos aqui para nos completar?

Afinal, o que é inteligência?

Quando eu estava no exército, fiz um teste de aptidão, solicitado a todos os soldados, e consegui 160 pontos. A média era 100. Ninguém na base tinha visto uma nota dessas e durante duas horas eu fui o assunto principal. (Não significou nada – no dia seguinte eu ainda era um soldado raso da KP – Kitchen Police).
Durante toda minha vida consegui notas como essa, o que sempre me deu uma idéia de que eu era realmente muito inteligente. E eu imaginava que as outras pessoas também achavam isso.
Porém, na verdade, será que essas notas não significam apenas que eu sou muito bom para responder um tipo específico de perguntas acadêmicas, consideradas pertinentes pelas pessoas que formularam esses testes de inteligência, e que provavelmente têm uma habilidade intelectual parecida com a minha?
Por exemplo, eu conhecia um mecânico que jamais conseguiria passar em um teste desses, acho que não chegaria a fazer 80 pontos. Portanto, sempre me considerei muito mais inteligente que ele. Mas, quando acontecia alguma coisa com o meu carro e eu precisava de alguém para dar um jeito rápido, era ele que eu procurava. Observava como ele investigava a situação enquanto fazia seus pronunciamentos sábios e profundos, como se fossem oráculos divinos. No fim, ele sempre consertava meu carro.
Então imagine se esses testes de inteligência fossem preparados pelo meu mecânico. Ou por um carpinteiro, ou um fazendeiro, ou qualquer outro que não fosse um acadêmico. Em qualquer desses testes eu comprovaria minha total ignorância e estupidez. Na verdade, seria mesmo considerado um ignorante, um estúpido.
Em um mundo onde eu não pudesse me valer do meu treinamento acadêmico ou do meu talento com as palavras e tivesse que fazer algum trabalho com as minhas mãos ou desembaraçar alguma coisa complicada eu me daria muito mal.
A minha inteligência, portanto, não é algo absoluto mas sim algo imposto como tal, por uma pequena parcela da sociedade em que vivo.
Vamos considerar o meu mecânico, mais uma vez. Ele adorava contar piadas. Certa vez ele levantou sua cabeça por cima do capô do meu carro e me perguntou: “Doutor, um surdo-mudo entrou numa loja de construção para comprar uns pregos. Ele colocou dois dedos no balcão como se estivesse segurando um prego invisível e com a outra mão, imitou umas marteladas. O balconista trouxe então um martelo. Ele balançou a cabeça de um lado para o outro negativamente e apontou para os dedos no balcão. Dessa vez o balconista trouxe vários pregos, ele escolheu o tamanho que queria e foi embora. O cliente seguinte era um cego. Ele queria comprar uma tesoura. Como o senhor acha que ele fez?”
Eu levantei minha mão e “cortei o ar” com dois dedos, como uma tesoura.
“Mas você é muito burro mesmo! Ele simplesmente abriu a boca e usou a voz para pedir”.
Enquanto meu mecânico gargalhava, ele ainda falou: “Tô fazendo essa pegadinha com todos os clientes hoje.”
“E muitos caíram?” perguntei esperançoso.
“Alguns. Mas com você eu tinha certeza absoluta que ia funcionar”.
“Ah é? Por quê?”
“Porque você tem muito estudo doutor, sabia que não seria muito esperto”.
E algo dentro de mim dizia que ele tinha alguma razão nisso tudo.
(tradução livre do original “What is inteligence, anyway?”)

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74 ComentáriosDeixe um comentário

  1. Cecile Kyenge é a primeira mulher negra a integrar governo italiano
    Dom, 28 de Abril de 2013 00:05

    http://www.rm.co.mz/index.php?option=com_content&view=article&id=8998:cecile-kyenge-e-a-primeira-mulher-negra-a-integrar-governo-italiano&catid=81:internacional&Itemid=198
    __________________

    O DESCONHECIMENTO OU A IGNORÂNCIA QUE ALGUNS PORTUGUESES TÊM DA REALIDADE MOÇAMBICANA OU AFRICANA EM – É DEVERAS ESTARRECEDOR, PERIGOSO E VENENOSO (pode envenenar desnecessariamente relações desses portugueses com os povos desses países)

    Vejamos alguns exemplos que demonstram esse DESCONHECIMENTO “PERIGOSO” por parte de certos portugueses – (comentários à volta da nomeação de uma negra de origem africana no governo italiano):

    Orlando Nogueira • Quem mais comentou

    Será que poderiamos ver o mesmo em Africa???? Enquando houver o complexo de inferioridade não haverá confiança…e complexo de inferioridade é o que ha em terras africanas. Deixem o complexo de inferioridade, o tempo da colonização ja foi. Não se esqueçam que escravatura também houve na europa…na america do sul…na Ásia…
    Responder • 1 • Curtir • Seguir publicação • Domingo às 12:05

    Orlando Nogueira • Quem mais comentou

    Eu espero que os Moçambicanos tambem sigam o exemplo de Itália. Para sua informação os italianos são os mais racistas da europa.
    Responder • 1 • Curtir • Domingo às 11:58

    Orlando Nogueira • Quem mais comentou

    Venha a Portugal ver as oportunidades que todos tem, sem cor ou religião…..e deixe de ter complexo de inferioridade e dê um passo em frente. Se não deixar de ter complexo de inferioridade nunca mais será feliz amigo.
    ___________
    Meu comentário:

    No caso de Moçambique: HÉLDER MARTINS, JACINTO VELOSO, ARANDA DA SILVA, JOÃO FERREIRA, JOSÉ CABAÇO, etc. – TODOS esses e outros são BRANCOS de etnia portuguesa, que foram ministros e vice-ministros, etc. no governo moçambicano pós independência.
    PRAKASH RATILAL, MAGID OSMAN, etc. – Esses de etnia indiana que foram também foram ministros. Mesmo hoje ainda há brancos e indianos ministros e em outros altos de governação.

    Uma pergunta é pertinente: Não será esse DESCONHECIMENTO ou IGNORÂNCIA da parte de muitos portugueses da realidade moçambicana e africana uma das causas que geram MAL-ENTENDIDOS e consequentemente atiça “XENOFOBIAS reais ou imaginárias” entre esses portugueses e africanos?

  2. Meu comentário introdutório:
    Reagindo eu ao artigo acima mencionado que fala de “XENEFOBIA CONTRA PORTUGUESES…” – achei interessante um outro artigo da LUSA que pinta um quadro TOTALMENTE DIFERENTE daquela apresentada pela Sandra Rodrigues: “BUSCANDO NOVA VIDA EM MOÇAMBIQUE” de 1/04/2013:
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    24/02/2013
    Xenofobia contra portugueses e estrangeiros em Moçambique
    http://macua.blogs.com/moambique_para_todos/2013/02/xenofobia-contra-portugueses-e-estrangeiros-em-mo%C3%A7ambique.html#comment-6a00d83451e35069e2017ee9e7b33a970d
    Sandra Rodrigues
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    01/04/2013
    BUSCANDO NOVA VIDA EM MOÇAMBIQUE
    “Filhos da crise” portuguesa

    http://macua.blogs.com/moambique_para_todos/2013/04/buscando-nova-vida-em-mo%C3%A7ambique.html
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    GOSTEI, GOSTEI, GOSTEI deste artigo.

    Muito bom artigo! Muito bom artigo!. Muito bom artigo!

    Este artigo é uma resposta RETUMBANTE para OS ETERNAMENTE NEGATIVOS anti-moçambicanos, que pululam pelo mundo fora, cheios de frustrações e desapontamentos CRÓNICOS e descarregam isso tudo contra Moçambique.

    Muito obrigado LUSA por trazer TESTEMUNHOS VIVOS E REAIS daqueles portugueses que estão aqui, no terreno, no dia a dia a vivenciar a realidade moçambicana.

    Digo, muito obrigado a todos estes portugueses POSITIVOS e trabalhadores; e quero dar o meu HOYO-HOYO caloroso. Gostei dos vossos ELOGIOS SINCEROS para o nosso país Moçambique e o nosso povo:
    _____________

    – “Diana …“atraída” pelo clima positivo de Moçambique. Hoje, aos 22 anos, gere pastelarias do pai.. e o meu pai já vive cá há anos, vim viver com ele” e “estou a trabalhar nas empresas que ele já tinha”, conta a nova emigrante.”

    Meu comentário:
    Elogio o pai da Diana que NÃO FUGIU DE MOÇAMBIQUE mas ficou aqui connosco a passar as mesmas dificuldades de um país pobre, pelos “erros socialistas”, falta de quadros qualificados e flagelado pela guerra dos 16 anos – UM ELOGIO A ESTE PORTUGUÊS visionário e vejam que a filha agora está a beneficiar dessa ATITUDE POSITIVA do pai dela.
    _____________
    “Há menos de dois meses, o português João Ricardo, formado em Publicidade e Marketing, aterrou pela primeira vez em Moçambique, no âmbito do Inov-Contacto, um projecto governamental de estágio no estrangeiro, seguro do que pretende.
    “O meu horizonte é ganhar dinheiro” e “providenciar um bom final de vida para os meus pais, que já fizeram muito para mim. Está na hora de inverter os papéis”, diz.”

    Meu comentário:
    Gostei de como falou este português: “O MEU HORIZONTE É GANHAR DINHEIRO”. Falou muito bem Sr. João Ricardo. Agora há alguns hipócritas que chegam aqui e começam a dizer: “Vim ajudar, vim ajudar, vim ajudar Moçambique. Porque até eu podia ter ido para um outro país, mas vim para Moçambique porque ajudar, ajudar, ajudar Moçambique” – PURA HIPOCRISIA. É assim, mesmo Sr. João, bonitas palavras, gostei: directo, sincero e verdadeiro: “O MEU HORIZONTE É GANHAR DINHEIRO”. Nada de falsos embelezamentos hipócritas! Que Português digno e honrado – sem hipocrisia!
    ___________
    “Apesar das dificuldades do mercado”, Joana de Sá olha para “os moçambicanos como pessoas abertas, hospitaleiras, uma população com um potencial de encantamento e empatia muito alto, o que é extremamente agradável para qualquer pessoa que chega ao país”.”

    Meu comentário:
    Muito obrigado, Sra. Joana de Sá pelos elogios aos moçambicanos:
    – “PESSOAS ABERTAS”…- E eu digo: como podem ser XENÓFOBAS este tipo de pessoas? NÃO HÁ XENEFOBIA CONTRA OS PORTUGUESES EM MOÇAMBIQUE

    – “…HOSPITALEIRAS…” – E eu digo: nunca a HOSPITALIDADE foi amiga da XENEFOBIA.

    – “…EMPATIA MUITO ALTA…” – Por favor, me digam”: Como pode uma população com EMPATIA deste nível, ser XENÓFOBA ? NÃO HÁ XENOFOBIA em Moçambique!

    – “…o que é extremamente agradável para qualquer pessoa que chega ao país”.” – Há XENOFOBIA onde é “EXTREMAMENTE AGRADÁVEL para qualquer que chega ao país”?

    Indubitavelmente, não há XENEFOBIA NENHUMA de moçambicanos contra os PORTUGUESES. É propaganda MALICIOSA de uns frustrados e alguns deles nem vivem em Moçambique, alimentam os seus “vícios de alcoólatras irreversíveis” por andarem a beber o “malcoado” de certa imprensa moçambicana “fabricante” de “malcoado informativo”.

    PORTANTO, FICA DITO: NÃO EXISTE NENHUMA XENEFOBIA CONTRA OS PORTUGUESES EM MOÇAMBIQUE, embora uma pequena minoria de portugueses recém-chegados, inadaptados que transformam a sua INADAPTAÇÃO em XEFONOFOBIA de moçambicanos contra os portugueses.

    • Sorry! Corrijo: em vez “acima mencionado” e “abaixo mencionado”

  3. Afinal o que é inteligência?
    ____________________
    NTCHUVA ou NTXUVA – UM JOGO TRADICIONAL MOÇAMBICANO (AFRICANO) AJUDA BRASILEIROS E PORTUGUESES NA APRENDIZAGM DE MATEMÁTICA
    _____________
    Para além dos números: a matemática em um contexto atual .
    http://cmais.com.br/para-alem-dos-numeros-a-matematica-em-um-contexto-atual
    Uma descoberta na África

    Quando estava nos EUA, através de um acordo entre a UNESCO e a universidade, Ubiratan e outros professores foram convidados para realizarem pesquisas na África. O local escolhido era a República do Mali. Assim, Ubiratan passou a visitar o país a cada dois, três meses, onde passava alguns dias estudando.

    Ao voltar para o Brasil, o professor fez de tudo para continuar com este trabalho na UNICAMP. Conseguiu. Foram dez anos neste projeto. “Quando eu chegava lá, eu ficava vendo os trabalhos dos alunos, mas depois de uma semana a gente não aguentava mais trabalhar tanto. Aí eu tinha tempo livre e tinha alunos excelentes que conheciam muito bem a cultura do país deles. Nesse tempo eles passavam a me dar aula de cultura africana”, lembra o professor.

    Assim, Ubiratan teve contato com a cultura científica do Mali, cujo império foi riquíssimo nos séculos XII e XIII. O professor, que era um bom conhecedor da matemática europeia, base de suas pesquisas, teve contato com uma nova matemática, a africana. Esta matemática trazia uma nova concepção, uma nova filosofia que estava escondida já que não obteve o sucesso colonial da europeia. “Eu vi que existia uma matemática própria daquele contexto social. Daí nasceu a idéia de uma etnomatemática. O etno quer dizer sistema cultural”, conta Ubiratan. …..
    ___________________
    http://www.controversia.com.br/blog/jogo-milenar-africano-auxilia-no-aprendizado-de-matemtica/
    Jogo milenar africano auxilia no aprendizado de matemática
    Posted on 22/04/2010 by Ricardo |

    RAQUEL DO CARMO SANTOS
    O mancala, jogo milenar africano, foi empregado junto a crianças com dificuldades no aprendizado da matemática com bons resultados. Em sua dissertação de mestrado apresentada na Faculdade de Educação (FE), a psicóloga Letícia Pires Dias comparou dois grupos de crianças com e sem dificuldades na disciplina e constatou, por meio de estatísticas, uma evolução no cumprimento das etapas pelos participantes. “Cada vez mais o jogo é introduzido nos contextos escolares por despertar o interesse pelo conhecimento de forma lúdica”, explica a psicóloga.
    _____________
    o projecto – O Ouri eo Desenvolvimento do Pensamento Matemático
    http://ouri.ccems.pt/docs/projecto.pdf

    Ministério da Educação — Direcção Regional de Educação do Centro Escola Secundária com 3.º CEB da Batalha
    Centro de Competência “Entre Mar e Serra” O Ouri e o desenvolvimento do pensamento matemático

    1 – Repensar a aprendizagem Matemática O insucesso dos alunos portugueses na disciplina de Matemática tem sido uma constante. Estas dificuldades, para além de comprovadas com os resultados dos últimos exames nacionais do 12º ano,foram igualmente reveladas e divulgadas pelo PISA,um estudo organizado pela OCDE e que envolveu 32 países e 256 mil estudantes. Em Matemática, Portugal partilha o penúltimo lugar da classificação, a par da Polónia, Itália, Grécia e Luxemburgo. Apenas o México fica atrás. Portugal fica 41 pontos aquém da média.
    ________________________
    2 – Aprender matemática com o OURI

    2.1 – O que é o OURI?

    O Ouri pertence a uma família de jogos de tabuleiro designados por Mancala. …..

    Hoje, joga-se o Mancala em quase todas as regiões africanas. O nome varia de país para país e até detribo para tribo, com algumas variantes, embora as regras, no essencial, sejam as mesmas. Há regiões africanas onde se jogam variantes em tabuleiros com vários buracos e sementes em número proporcional aos buracos.
    _____________________

    O Ouri apresenta profundas raízes filosóficas. Neste não há sorte envolvida, mas exclusivamente raciocínio lógico.
    ___________________

    Algumas versões são mais complexas do que o xadrez, já que se neste uma peça é movida de cada vez, no Ouri, em todas as suas versões são movidas diversas peças de cada vez, modificando constantemente a configuração do tabuleiro.

    Estes jogos são, aparentemente, muito simples, mas não basta saber as suas regras para se saber jogar. Requerem cálculo, reflexão e muita prática, pois é necessário saber escolher com segurança, entre as hipóteses possíveis que se oferecem em cada jogada, bem como, prever os ataques do adversário. Por esta razão, são considerados como jogos eruditos,de habilidade ou de destreza.
    _________________________________

    COMENTÁRIO:

    – NTCHUVA É “SUPERIOR” AO XADREX EM DESENVOLVER CAPACIDADES MATEMÁTICAS?

    – O QUE É QUE É ISSO?

    – COMO, NTXUVA, INVENTADO POR PRETOS “BRAÇAIS” QUE NÃO “PENSAM” PODE SER TÃO VALIOSO ASSIM?

    MAIS UMA VEZ FICA PROVADO E MAIS QUE PROVADO QUE AS TESES RACISTAS QUE PRECONIZAM QUE: “O PRETO NÃO “PENSA”, SÓ O “BRANCO É QUE PENSA”, ENQUANTO QUE, O “PRETO ESTÁ PREDISTINADO A SER UM SIMPLES BRAÇAL” – SÃO TESES FALIDAS. TESES FALIDAS CUJO OBJECTIVO É MANTER O PRETO SUBSERVIENTE E O BRANCO DOMINADOR (como era na abolida escravatura). A escravatura acabou mas os princípios ideológicos no qual se sustentava ainda estão bem vivos e a ser aplicados por um certo sector de racistas incorrigíveis, para justificar o domínio duma raça sobre a outra.

    Mais uma vez é pertinente lembrar que: “HÁ UM TEMPO DETERMINADO PARA TUDO DEBAIXO DO SOL…” – disse um rei sábio da antiguidade.

    • Sorry, Corrijo:
      “predistinado” para “predestinado”;
      “os princípios ideológicos no qual se sustentava” para “os princípios ideológicos nos quais se sustentava”

      • Sorry corrijo: “xadrex” para “xadrez”

  4. Moxambikanoj xao rikoj maj n xbem aprvtr a nxa rkza

    • Concordo consigo Dércia Mary. Relato aqui alguns exemplos:

      É um facto conhecido que há muitos moçambicanos no chamado “negócio informal” e que portanto não entram nas estatísticas formais que têm uma situação financeira melhor do que muitos que estão formalmente empregados. Um amigo meu contou o caso de um moço, vendedor de maça em Tete na Ponte Samora Machel. Como a ponte estava em reparação e aquele meu amigo estava na bicha à espera de atravessar, teve tempo de conversar com aquele moço vendedor de maças. Comprou uma maça e depois perguntou ao moço quantas caixas de maça vende por dia. Fazendo umas contas muito simples, o meu amigo ficou ESTUPEFACTO com o volume monetário daquele negócio simples e informal. Depois de fazer seus cálculos rápidos ele diz ao moço: “Você deve fazer por mês tanto dinheiro…”. Aquele moço respondeu que sim, e que tinha mais do que aquele valor mencionado pelo meu amigo. O moço diz: “Esse dinheiro aí! Eu tenho mais do que esse dinheiro em casa”. O meu amigo aconselhou o moço a abrir uma conta bancária e depositar o dinheiro em vez de guardar um volume tão alto de dinheiro em casa em condições tão precárias. E ele acompanhou o moço e lhe ajudou a abrir uma conta bancária. Para qualquer observador não atento aquele moço podia parecer um “desempregado coitado sofrendo com falta de emprego formal” – quando ele era relativamente “RICO” em comparação com muitos formalmente empregados

      E em que tipo de casa vivia aquele rapaz, vendedor de maças, que tinha muito dinheiro guardado em casa? “Vivia numa casa de construção precária” – diz o meu amigo que foi ver a casa onde o rapaz vivia.

      E como ele há muitos moçambicanos assim. Lembro-me dum caso, no tempo em que Djalma Lourenço era Governador de Gaza (lí na imprensa nessa altura). Ele, o governador estava visitando uma zona recôndita, lá da Província e encontrou um homem “POBRE RICO”. “RICO” porque tinha cerca 800 cabeças de gado e era grande produtor agrícola e “POBRE” porque vivia em casebres rudimentares (palhotas) com a sua numerosa família (era um polígamo). Djalma Lourenço ficou atónico: “Como é que um tão “RICO” continuava a viver naquelas condições precárias como “POBRE”? O homem respondeu ao Governador que naquela zona alguém que se atravesse a viver de maneira diferente do resto da população colocava-se na situação de ser “VÍTIMA DE FEITIÇARIA” pela parte de outros habitantes da zona – por isso que ele não queria ser diferente. Djalma Lourenço deu-lhe um ultimato: “Da próxima que eu visitar esta zona não te quero ver mais a viver nestas condições… Quero vir encontrar aqui uma casa de alvenaria, porque tu tens posses para poder fazer isso” Não sei se Djalma Lourenço voltou a visitar aquela zona e nem sei se o homem construiu a tal casa de alvenaria.

      Temos acompanhado pela imprensa, o desapontamento da 1ª. Dama da República (Sra. Maria de Lurdes Guebuza), nas visitas que tem feito às localidades mais recônditas nos distritos, onde encontra crianças mal nutridas, homens e mulheres mal vestidos mas que têm muito gado bovino ou caprino, que pura e simplesmente conservam e eles continuam a passar fome, nudez e a dormir em condições precárias – quando podiam vender uma parte do seu gado para satisfazer aquelas necessidades. Uma pessoa desprevenida poderia pensar que está perante “POBRES ABSOLUTOS” quando na realidade está perante pessoas, não direi “RICAS”, mas que estão numa situação muito melhor do que muitos assalariados, mas preferem viver como “POBRES ABSOLUTOS”, alegando “falta de emprego formal”, “medo da feitiçaria” – se levarem uma melhor um pouco mais melhor. Temos visto a 1ª. Dama a aconselhá-los a vender uma parte do gado para melhorarem o seu nível – porque afinal ainda ficam com muito gado para criarem.

      (PARECE, PARECE, PARECE que Guebuza, em PARTE, tem razão quando diz que a “POBREZA ABSOLUTA ESTÁ NA CABEÇA DE CERTOS MOÇAMBICANOS” (entendo que ele quer dizer falta de iniciativa de certos moçambicanos que morrem de fome, vivem mal com “A RIQUEZA” nas suas próprias mãos. Será uma questão cultural?)

  5. Moçambicano vai chefiar Fundo da ONU para Agricultura e Alimentação em Portugal
    Qui, 21 de Março de 2013 00:12

    O moçambicano Hélder Muteia foi indicado para chefiar o escritório da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) em Portugal, após ter ocupado o cargo de representante da agremiação nos últimos dois anos e meio no Brasil.

    Com um currículo que reúne passagens por cargos como o de ministro da Agricultura e Desenvolvimento Rural, de vice-ministro das Pescas e de chefe do Departamento Técnico de Avicultura e deputado do Parlamento, em Maputo, Muteia reconhece que terá um novo desafio a partir de agora, com atribuições diferentes das que assumiu no Brasil e na representação da Nigéria, anos antes.
    Ele prometeu desenvolver um trabalho conjunto com a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), revelando que os países que integram a comunidade vão criar uma plataforma de cooperação para actuarem, conjuntamente, no combate à fome nessas regiões, segundo a Agência do Brasil. (RM-Moçambique)

    http://www.rm.co.mz/index.php?option=com_content&view=article&id=8184:mocambicano-vai-chefiar-fundo-da-onu-para-agricultura-e-alimentacao-em-portugal&catid=3:breves&Itemid=370
    ————————————
    Uns comentaristas, pelos vistos uns racistas “velados” de Portugal da categoria dos que dizem: “OS BRANCOS É QUE PENSAM e os PRETOS É QUE SÃO OS BRAÇAIS”- comentaram o seguinte:

    João Calado Antunes • Quem mais comentou • Quarteira, Faro, Portugal
    esta noticia não esta certa alguma coisa esta a falhar.

    Arlindocaminho Caminho • Lisboa
    O que é que está a falhar?
    ____________________

    Meu comentário:

    Só espero que OS PORTUGUESES preparem UMA ENXADA, UMA CHARRUA, TALVEZ UMA JUNTA DE BOIS, UMA PÁ, UMA PICARETA, etc. para o “BRAÇAL” PRETO AFRICANO MOÇAMBICANO Hélder Muteia que “vai CHEFIAR o escritório da Organização da Nações para Agricultura e Alimentação (FAO) em Portugal”; pois vai mesmo precisar dessa ferramenta toda, senão como irá fazer o seu trabalho “BRAÇAL” como PRETO que é destinado a ser “BRAÇAL”?

    Uma coisa é certa, como disse um rei sábio da antiguidade: “HÁ UM TEMPO DETERMINADO PARA TUDO DEBAIXO DO SOL…”.

    – Houve tempo dos “imperialismos” continentais – passou
    – Houve tempo das “monarquias absolutas”- passou (aqui e acolá ainda há pequenos resquícios)
    – Houve tempo das “ditaduras” políticas e militares (fascistas, socialistas, comunistas, etc. – passou (um e outro talvez ainda persista, mas muito enfraquecidos)
    – Houve tempo da ESCRAVATURA directa, extremamente DESUMANA e DEGRADANTE – passou (talvez ainda persistam outros tipos de ESCRATURA “VELADA”.
    – Houve o tempo dos RACISMOS LEGAIS – “Discriminação legal nas Américas, no APARTHEID, nas colónias africanas, etc. (O último bastião do RACISMO DIRECTO E LEGAL – o APARTHEID caiu na África do sul).
    – Os tempos dos “COLONIALISMOS” Europeus pelo mundo fora também terminou.

    AINDA FALTA, AINDA FALTA, AINDA FALTA O FIM DOS RACISMOS “VELADOS”. O FIM DOS RACISMOS TIPO: “BRANCO PENSANTE E O PRETO BRAÇAL” TAMBÉM ESTÁ A SER COMBATIDO EM TODO O MUNDO.
    – E AGORA ESTÁ ENFRAQUECIDO, POR ISSO QUE É UM “RACISMO VELADO”, UM “RACISMO ENVERGONHADO” – TEM VERGONHA DE SE EXPOR DIRECTAMENTE e se manifesta nos “compartimentos” fechados dos grupos sociais racistas.

    – AINDA HÁ UNS RACISTAS “KU KLUX KLAN ENCAPUZADOS” mas com a sua acção muito limitada. É por isso que UM “PRETO BRAÇAL” de um pais ex- colónia Portuguesa vai CHEFIAR um escritório muito importante lá mesmo dentro do país do antigo colonizador – PORTUGAL. E os racistas estão em alvoroço e dizem: “ALGO ESTÁ A FALHAR”. Eu concordo com eles “ALGO ESTÁ A FALHAR NAS CABEÇAS DELES” e não querem reconhecer isso para poderem ir ao médico para serem tratados, eles sofrem duma doença “MENTAL” de difícil cura porque eles não querem admitir que estão “MENTALMENTE DOENTES”.

    Sem dúvida tinha razão, esse sábio da antiguidade: “HÁ UM TEMPO DETERMINADO PARA TUDO DEBAIXO DO SOL…” (Rei Salomão – Eclesiastes 3: 1-9)

  6. ‘A FALTA …DE EDUCAÇÃO … DE CERTOS MOÇAMBICANOS’ – que irrita certos portugueses….
    —————
    Sanflosi disse:

    “Só me preocupa quando vejo portugueses que aqui chegam cheios de preconceito, a reclamar dos diferentes hábitos de higiene (ou falta deles), educação e habilidades de raciocínio de alguns moçambicanos, como se de onde vêm não existissem pessoas com as mesmas dificuldades.”
    —————-
    Sim, é verdade, há muitos moçambicanos mal-educados, mas são POUCOS os moçambicanos (duvido que haja um pelo menos) que se rivalizariam EM FALTA DE EDUCAÇÃO com MUITOS PORTUGUESES MUITO MAL- EDUCADOS como este ALTO DIRIGENTE POLÍTICO PORTUGUÊS QUE SE MOSTROU ALTAMENTE MUITO MAL-EDUCADO num ambiente extremamente solene, como é UM BANQUETE DE ESTADO:
    —————–
    Citação¨

    “No banquete de Estado na Ponta Vermelha, os militares de ambos os lados confraternizaram e como acontece com quem viveu a guerra, trocavam impressões sobre ela. Na minha mesa, próxima da Mesa de Honra estava comigo o general Sousa Meneses, militar brioso que nos combatera, respeitando no possível, o “Código de Honra”. Como chefe das operações e ainda coronel, servira sob Kaúla a quem abominava.

    Samora e Eanes conversavam acerca de operação de resgate do Mataca detido pelos portugueses na base Tenente Valadim, Mavago. Na época comandava a base Ramalho Eanes, ainda tenente, creio. Samora disfarçado de muçulmano, entrou na base como indo para as orações na mesquita. A prisão onde se encontrava o Mataca fazia paredes-meias com a mesquita. Cavou-se um buraco na parede, vestiu-se o Mataca e saiu-se da base. Durante a conversa Samora perguntou-me algo, já não me recordo o quê, relacionado com a operação e respondi.

    Nesse momento um alto dirigente civil (deliberadamente omito o nome), IGNORANDO O AMBIENTE, A DELICADEZA E O OBJECTIVO DA VISITA, diz em VOZ BEM ALTA que se ouviu em toda a Sala das Índias, onde decorria o BANQUETE: “”CONVERSA DE CASERNEIROS””.

    A SALA ficou GELADA. OS DOIS PRESIDENTES LEVANTARAM-SE E SAÍRAM.

    Um coronel português diz-me: “”DEVIAM ENFIAR UMA BAIONETA PELO… DESSE GAJO! “”

    Dias depois Eanes retribui o BANQUETE, desta feita no Polana.

    O mesmo personagem, quando discursava o Presidente Eanes, começou a FAZER COMENTÁRIOS DESAGRADÁVEIS, à oração do seu Chefe de Estado. Samora não pôde conter-se e disse-lhe: “”CALE-SE!” Calou-se.

    Terminado o BANQUETE e estando alguns de nós numa saleta atinente para tomar o café, ele dirigiu-se ao Presidente Samora e perguntou-lhe: “”O QUE FARIA SE NÃO ME CALASSE?””

    Samora respondeu: “”MANDAVA-O PRENDER PARA LOGO O EXPULSAR do meu país. AQUI RESPEITAMOS UM HÓSPEDE, SOBRETUDO QUANDO CHEFE DE ESTADO EM VISITA A MOÇAMBIQUE. SE QUER DESRESPEITAR O SEU PRESIDENTE, FAÇA-O NA SUA TERRA.””

    Por aqui ficou o incidente. … Já várias vezes me encontrei com essa personalidade e com quem mantenho relações amistosas, visitamo-nos em casa.” – Fim da citação
    ————-
    (do livro: “Participei, Por Isso Testemunho”- de Sérgio Vieira” – págs. 540, 541)
    _____________________________________________________
    Comentário:

    – Não foi uma CRASSA FALTA DE EDUCAÇÃO deste alto dirigente português num AMBIENTE daqueles?

    – Não foi EMBARAÇOSO E VERGONHOSO para o Chefe de Estado Português ter na sua delegação oficial um MAL-EDUCADO DE TAMANHA ENVERGADURA?

    – É esta a “CIVILIZAÇÃO” que vieram ensinar aos “pretos atrasados” de África?

    – Se em pleno Séc. XX um alto dirigente político se comportou desta maneira DESEDUCADA E VERGONHOSA, atropelando as normas mais rudimentares de CIVILIZAÇÃO – num AMBIENTE TÃO SOLENE E FORMAL, como se comportavam os seus antepassados “CIVILIZADORES” da África em séculos que já lá vão, em ambientes nada solenes e nem formais? Daí podemos concluir que espécie de “CIVILIZADOS” eles produziram nesses “longos” séculos de dominação colonial. Então, por que se irritam hoje ao voltarem e encontrarem os seus “alunos” aplicando bem as lições de “CIVILIZAÇÃO” que aprenderam deles? (Sinflosi: “…depois de séculos de dominação, a subjugá-los, humilhá-los e dar a eles maus exemplos.”)

    Portanto, os portugueses que vêm a Moçambique e se irritam com a FALTA DE EDUCAÇÃO DOS MOÇAMBICANOS parece que têm um outro problema – talvez sofram daquilo que um português (O CEO da Newshold, Mário RamireS), lá mesmo em Portugal disse: “…PORTUGAL SOFRE DE UM “COMPLEXO EX-COLONIALISTA” – (http://sol.sapo.pt/inicio/Sociedade/Interior.aspx?content_id=65465)

    Felizmente, sabemos que há muitos portugueses honrados e muito bem educados, mas INFELIZMENTE também sabemos, que há MUITOS portugueses MUITO MAL-EDUCADOS que não honram o bom nome do DIGNÍSSIMO POVO PORTUGUÊS.

    Miguel

  7. Uma empresária PORTUGUESA ACONSELHA aos portugueses que emigram para Moçambique:

    “Portugueses devem SER HUMILDES …”
    _________

    “Portugueses em Maputo destacam qualidades de Moçambique como país de emigração

    Por Agência Lusa, publicado em 10 Jun 2012 – 15:08
    http://www.ionline.pt/mundo/portugueses-maputo-destacam-qualid...

    “A comunidade portuguesa está muito bem vista cá. Penso que Moçambique é um país de brandos costumes. O mais importante é perceberem (os portugueses emigrantes) que isto é um país estrangeiro, que não é Portugal”, disse à Agência Lusa, Elsa Santos, proprietária de um centro empresarial.
    Assinalando a “simpatia” e a “generosidade” do povo moçambicano, Elsa Santos sublinhou que os portugueses que escolham como destino de trabalho Moçambique devem trazer “boa vontade e pensarem que têm pelo menos dois anos para se adaptarem” ao país.
    “Para eles se adaptarem, têm de se entender muito bem com os moçambicanos. O moçambicano é humilde. Se eles forem humildes como eles, vão longe”, disse a empresária portuguesa.
    …..
    ______________
    Meu comentário:

    Lendo os comentários dos portugueses que “postaram” comentários debaixo deste tema: “Portugueses em Moçambique”, transpareceu-me que certos portugueses são EXTREMAMENTE SENSÍVEIS a comentários feitos por uma brasileira sobre as atitudes negativas de certos portugueses em relação a Moçambique, de tal maneira que ficam tão furiosos e quais “TOUROS IBÉRICOS” atacam a pessoa em vez de se concentrarem no que ela diz (e pior ainda se essa pessoa for uma BRASILEIRA).

    Neste contexto achei que estes “TOUROS IBÉRICOS” talvez receberiam com mais calma e concentração um conselho vindo duma PORTUGUESA, portanto uma “IBÉRICA” como eles e assim sejam induzidos a meditar e a mudar essas suas atitudes negativas em relação a Moçambique e aos moçambicanos.

    Em suma: PORTUGUESES SEJAM “HUMILDES” em Moçambique e deixem de ser ARROGANTES e assim “IRÃO LONGE” aqui – doutra maneira criarão dissabores para si mesmos, para os moçambicanos e até com outros estrangeiros que vivem em Moçambique.

  8. “DOAÇÃO” DE CABORA A MOÇAMBIQUE

    O Sr. Antero Carvalho disse:

    “… A srª vive em Moçambique, pois esclareço-a: Se tem água potável e energia elétrica, deve agradecer a Portugal, sabe Porquê? A barragem de cahora bassa, foi construída por Portugal, financiada por Portugal, feita com tecnologia e know-how português e depois, não podendo Moçambique pagar os encargos que assumiu, Portugal doou-a ao povo Moçambicano, isto já Portugal estava envolvido nesta crise…
    __________
    “AFINAL O QUE É INTELIGÊNCIA” e “PORTUGUESES EM MOÇAMBIQUE”

    Gostei da combinação que a Sanflosi fez destes dois temas e gostaria de usar essa combinação interessante como base do meu raciocício ao comentar o que o Sr. Antero escreveu sobre a “DOAÇÃO” da Barragem de Cabora Bassa ao povo moçambicano pelo Governo Português.
    __________
    É muito interessante ouvir do Sr. Antero Carvalho que a Barragem Cabora Bassa foi “DOADA” a Moçambique pelo Governo Português. Como moçambicano e beneficiando desta gigantesca obra-prima de alta tecnologia de ponta – que atesta a INTELIGÊNCIA PORTUGUESA – estou altamente grato ao Governo Português por esta generosíssima DOAÇÃO a Moçambique.

    O que me intriga a mim, é que nunca li em nenhuma parte que Moçambique e Portugal tenham alguma vez feito um acordo para “DOAÇÀO” da referida Barragem a Moçambique. O Sr. Antero afirma que a tal “DOAÇÃO” foi feita por Portugal devido à “incapacidade” de Moçambique “pagar os encargos que assumiu”. Em nenhum momento, alguém do Governo Português falou de “DOAÇÃO” de Cabora Bassa a Moçambique, nem mesmo o então Primeiro Ministro Português, José Sócrates, falou em “DOAÇÃO” no dia da assinatura do Acordo de Reversão da Barragem para a contraparte moçambicana, nos Paços de Município de Maputo. Nem o Presidente da República de Moçambique se referiu a “DOAÇÃO” de Cabora Bassa a Moçambique no discurso que proferiu na mesma ocasião.

    Algumas perguntas pertinentes aqui se levantam:
    1- Quais são esses “encargos que (Moçambique) assumiu” que não pode pagar? Em que Protocolo estão consignados?
    2- Como é que essa dívida foi contraída?
    3- De quem é a responsabilidade dessa dívida?

    A origem da “dívida de 2,5 biliões de dólares”:

    Maputo, 29 Nov 07 (AIM) – “…A sabotagem impediu a venda de energia da HCB a África do Sul durante cerca de duas décadas, facto que influenciou negativamente a dívida de Moçambique a Portugal, que chegou a ser estimada em 2,5 biliões de dólares…”
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    Segunda-feira, 11 Fevereiro, 2013
    SADC HOJE Vol 10 No.4, Fevereiro 2008
    BIBLIOGRAFIA: Jornal Público, ed. Porto, 27 de Novembro de 2007:

    “Tentativas anteriores para a transferência as acções falharam devido a complexidade das negociações, mudanças de governos em Portugal, e os 16 anos de guerra civil em Moçambique que resultou em danos severos à infra-estrutura de transmissão quando ao antigo movimento rebelde, Renamo, destruír centenas de postes de transmissão para África do Sul.
    O que significou que a HCB permaneceu sem fazer lucros visto que não poderia vender energia ao seu maior cliente, a empresa sul-africana de energia, Eskom. Porque ficava sem vender a HCB enterrava-se em mais dívidas e o Estado português acabou reclamando que a empresa devia ao seu tesouro mais de US$2 biliões. Moçambique não podia ser feito responsável pela dívida e daí o novo arranjo.”

    ____________
    Resumindo: A “dívida de 2,5 de dólares não estava no Protolo inicialmente assinado entre Moçambique e Portugal. A “dívida” foi ocasionada pela incapacidade da HCB em fornecer energia ao seu principal cliente, a África do Sul, devido à sabotagem de “centenas de postes de transmissão para a África do Sul; pela “complexidade das negociações” e pelas “mudanças de governos em Portugal”.
    Nestas circunstâncias quem devia ser responsabilizado? “Moçambique não podia ser feito responsável” diz o Jornal Público, ed. Porto, 27 de Novembro de 2007.
    ____________

    Importa aqui lembrar que mesmo a dívida relacionada com a construção da Barragem de Cabora Bassa não era para ser paga pelo Governo moçambicano a Portugal. Portugal continuaria a “reter o controle da barragem” por um “período de 3 anos” até que os lucros da sua operação pagassem a referida dívida de construção da mesma ao Estado Português:

    Maputo, 29 Nov 07 (AIM) – “Visto a construção ter terminado em 1974, durante a transição de Moçambique para independência, Portugal reteve controle da barragem. A estrutura accionária dava 82 porcento das acçõs à Portugal na Hidroeléctrica de Cahora Bassa (HCB).
    Quando a HCB iniciou as operações em 1975, o novo governo de Moçambique a a sua contra-parte portuguesa tinham um acordo de que as acções seriam transferidas logo que a dívida feita na construção da ponte fosse paga, estimada na altura para um período de três anos.”
    __________

    MOÇAMBIQUE PAGOU OU NÃO PAGOU A “DÍVIDA ASSUMIDA” pela REVERSÃO DA BARRAGEM DE CABORA BASSA PARA MOÇAMBIQUE?

    BIBLIOGRAFIA: Jornal Público, ed. Porto, 27 de Novembro de 2007:

    “O NOVO arranjo dá a Moçambique 85 porcento da HCB, transformando-se no maior accionista, enquanto Portugal passa a deter 15 porcento. O custo final foi de US$950 milhões pagos como compensação pela reconstrução pós-guerra civil e manutenção da barragem.
    Uma soma de US$250 milhões foi paga em 2006 com fundos do Orçamento de Estado, enquanto US$700 foram um empréstimo de um consórcio canadiano, Calyon, e o banco português, BPI, sendo que o empréstimo sera pago através de futuros ganhos.” – BIBLIOGRAFIA: Jornal Público, ed. Porto, 27 de Novembro de 2007
    _________
    http://africanos.eu/ceaup/index.php?p=g&n=59:

    A 27 de Novembro de 2007, no entanto, a Hidroeléctrica de Cahora Bassa passou oficialmente para a posse do Estado Moçambicano, após o Governo ter efectuado, no dia anterior, o último pagamento (470 milhões de euros) devido a Portugal, para que Moçambique obtivesse uma participação de 85% na barragem (antes, detinha apenas 15%). A transacção movimentou um total de 640 milhões de euros, e apenas foi possível mediante um empréstimo bancário internacional (pagável em prestações, ao longo dos próximos 15 anos).
    _______
    COMO REAGIU O GOVERNO PORTUGUÊS À DESTRUIÇÃO DOS BENS DO ESTADO PORTUGUÊS EM MOÇAMBIQUE PELA GUERRA DA RENAMO E DO APARTHEID?

    Sérgio Vieira disse:
    “Quando eu dirigia o Ministério da Agricultura, em 1982, na Namaacha, diante da mulher e dos filhos mataram um trabalhador português (morto pelos agentes sul-africanos do Apartheid)… Fizemos, nós mesmos, a transladação dos corpos para Portugal e organizamos lá os funerais, face à INDIFERENÇA de Lisboa. Infelizmente o Governo Português NUNCA REAGIU ao assassinato dos seus cidadãos e à destruição dos bens do Estado Português, caso das LINHAS DE CABORA BASSA. Diga-se que o Governo Português, durante todo este longo período, manteve uma atitude pública de SILÊNCIO, RECUSANDO CONDENAR CRIMES de Pretória..talvez, porque não ESPERANDO NUMA POSSÍVEL DESTRUIÇÃO DO PODER MOÇAMBICANO, OS COLONOS PUDESSEM RECUPERAR AS POSIÇÕES ANTERIORES? “ – (do livro : “Participei, por isso testemunho – Sério Vieira – pág. 460)

    Do mesmo livro de Sérgio Vieira, pág. 544:
    “… o Presidente Mário Soares… manteve…uma ATITUDE AMBÍGUA em relação ao Apartheid e à RENAMO. Havendo solicitado à Procuradoria-Geral da República Portuguesa uma opinião se podia agir contra esta organização, em virtude de HAVER RAPTADO E ASSASSINADO CIDADÃOS PORTUGUESES e DESTRUI BENS DO ESTADO PORTUGUÊS, NADA FEZ, embora o aviso da Procuradoria…” – (Pág. 544, Participei, por isso testemunho, Sérgio Vieira)

    Ainda do livro Sérgio Vieira, pág. 545:
    “O haver-se encerrado o dossiê HCB e SATISFEITOS OS PAGAMENTOS DEVIDOS a Portugal terminou o último capítulo do dossiê colonial … NADA DEVEMOS A PORTUGAL”.
    ______________
    Concluindo:

    Causas de inoperância da Cabora Bassa por 32 anos:

    – “Tentativas anteriores para a transferência as acções falharam devido a complexidade das negociações, mudanças de governos em Portugal.”

    – O Governo Português DELIBERAMENTE deixou de defender os cidadãos e bens de Portugal em Moçambique (Barragem de Cabora Bassa), talvez “ESPERANDO NUMA POSSÍVEL DESTRUIÇÃO DO PODER MOÇAMBICANO, PARA OS COLONOS PODEREM RECUPERAR AS POSIÇÕES ANTERIORES”.
    _______

    “AFINAL O QUE É INTELIGÊNCIA”

    Os portugueses sempre menosprezaram a capacidade e a INTELIGÊNCIA dos moçambicanos para negociar INTELIGENTEMENTE com Portugal – pensavam que com as suas manobras “INTELIGENTES” podiam ludibriar os incautos e inexperientes moçambicanos: obrigá-los a pagar a Portugal uma dívida de 2,5 bilhões, criada pela NEGLIGÊNCIA deles, com fins inconfessáveis como, por exemplo, maquinar a manutenção ETERNA DO COLONIALISMO PORTUGUÊS com chantagens numa suposta dívida choruda a Portugal. INTELIGENTEMENTE os moçambicanos não caíram na armadilha portuguesa e o Governo Português foi FORÇADO pela INTELIGÊNCIA negocial moçambicana a admitir que “MOÇAMBIQUE NÃO PODIA SER FEITO RESPONSÁVEL” pela tal “dívida” provocada, como já demonstrado pelas evidências, pelos próprios sucessivos e instáveis governos portugueses (não conseguiam dar andamento normal às negociações – cada vez que entrava um novo governo voltava-se para a “estava zero” e assim passaram 32 longos anos sem nenhum resultado palpável).

    Quando o Sr. Antero Carvalho vem falar aqui de “DOAÇÃO” da Barragem de Cabora Bassa a Moçambique pelo Governo Português, depois que Moçambique pagou o que foi acordado com Portugal para a Reversão de Barragem a Moçambique, NÃO É ISSO UM INSULTO À NOSSA INTELIGÊNCIA e DIGNIDADE de moçambicanos?

    Khanimambo

    Miguel

    • Desculpem-me. Corrijo: meu raciocicio = meu raciocínio; Protolo =Protocolo;
      destrui bens=destruido bens.

      Khanimbanbo
      Miguel

  9. “Na Itália PORTUGUÊS É SINÓNIMO DE LADRÃO”?

    Ouvi isto hoje, dia 27 de Janeiro de 2013, de Portugal e da boca de um português da “SOS RACISMO” através da RTP-África – numa conversa sobre o “racismo” em Portugal. Se tivesse ouvido isso a partir de um meio de comunicação moçambicano ou brasileiro talvez não me tivesse impressionado bastante – mas ouvir isso da boca de um português dizer: que os portugueses na Itália são vítimas de racismo ao ponto de a palavra “PORTUGUÊS SER SINÓNIMO DE LADRÃO”, me deixou muito estupefacto – quase não acreditava que no que ouvia, isto é, a existência de tais manifestações de racismo crasso entre os próprios europeus brancos e ainda, por cima, todos latinos.

    Não foi agradável ouvir isso assim como não é agradável, para mim, ouvir ALGUNS portugueses rotularem os moçambicanos de “preguiçosos, LADRÕES, ignorantes, etc., etc. etc.,. Ao ouvir isso até me pareceu que ALGUNS desses portugueses por sofrerem tais manifestações de racismo nesses países europeus, quando chegam em África encontram um campo propício para “descarregarem” as suas frustrações de vítimas de racismo.

    Abaixo TODO O TIPO DE RACISMO!
    (Não importa de quem procede ou para quem é direccionado!)

    • CORRIJO: Eu disse dia 27 – engano queria dizer: Hoje dia 28 de Janeiro de 2013.
      Miguel

  10. […] Resposta ao post do blog, de uma cidadã brasileira infame sobre Portugal e os Portugueses – https://mosanblog.wordpress.com/2012/07/09/para-onde-vao-os-europeus/#comment-1709 […]

  11. Resposta ao post do blog, de uma cidadã brasileira infame sobre Portugal e os Portugueses – https://mosanblog.wordpress.com/2012/07/09/para-onde-vao-os-europeus/#comment-1709
    Cara Srª proprietária do blog.
    Com todo o respeito, pois considero que ao deixar aqui uma mensagem, é como ser convidado a sua casa, mas uma casa em que todos somos convidados a entrar, pois permite-se comentários não só sobre si e sobre a sua nacionalidade, como também, com pouco ou nenhuma propriedade (entenda-se conhecimento de causa), fala sobre assuntos históricos e culturas que desconhece.
    Vejo que é a exma. srª cidadã Brasileira que tem pairando um pouco pelo mundo, não se sabe a fazer o quê, termina aterrado em território Moçambicano. Achando-se no direito que criticar uma nação inteira (Portugal), só porque um ou outro dos seus cidadãos até possa ter as características que aponta. Mas recordo-lhe que mesmo sendo nação pequena, ainda somos mais de 10 milhões e não se deve generalizar.
    Não se deve generalizar, como nós nunca generalizamos, ao ser o país da europa de melhor recebeu o povo irmão (Brasileiro), ou quando recebeu, junto com os seus retornados, os povos das ex-colónias africanas, fugidos da guerra civil que se deu com a descolonização no pós 25 de Abril de 1974. Veja que quem o afirma, eu, tem toda a propriedade para o afirmar, pois eu sou cidadão nascido em Angola, filho de país portugueses e com meios-irmãos Angolanos, Portugueses e Brasileiros. Eu sei o que foi sofrer pela ignorância a que o povo português estava relegado depois do 25 de Abril de 74, quando descriminava os seus próprios cidadãos que regressavam ao seu país – os chamados retornados. Mas como eu depois de crescer, me tornei liberto dessa mesma ignorância que desculpabiliza tais atos, nunca critiquei esse povo que nunca teve acesso à cultura que lhe poderia permitir ver mais além de tais atos discriminatórios cometidos nessa época.
    É certo, cara Srª, cidadã brasileira, que haverá alguns portugueses com comportamentos pouco dignos ou até pouco adequados à humildade com que todo o ser dotado de sabedoria deveria viver, mas recordo-lhe que a forma como ofende e atinge de forma genérica toda uma nação, não é certamente um ato de alguém dotado dessa tal sabedoria que releva os aspetos e atos que advêm da ignóbil ignorância de alguns cidadãos, mas sim, tal atitude, denota características formadas nessa mesma matriz que acusa serem nossas.
    Recordo que Portugal recebeu nos últimos 20 anos mais imigrantes Brasileiros do que qualquer outro pais do mundo, recordo-lhe que raros foram os casos de discriminação e nesses poucos, em todos eles, a sociedade portuguesa em geral, sempre soube que advinham da ignorância de quem os tentava perpetuar. Digo, tentava, porque nunca, em caso algum, ficou algum desses altos por corrigir.
    Recordo também, visto a sua ignorância, atingir as áreas técnicas económico-financeiras que Portugal é o principal investidor em Moçambique e nos restantes países africanos de expressão Portuguesa, assim como o maior doador de fundos monetários para o desenvolvimento de Moçambique, a par com o fato de ser o pais estrangeiro de mais contribui para a melhoria das condições sociais, sanitárias e de infraestruturas de Moçambique, através de OMG´s, voluntários e organismos governamentais.
    Recordo também que Portugal, foi um país que no âmbito do FMI e do Banco Mundial, apoio a recuperação do Brasil durante as várias décadas em que o seu país passou por processo de resgate bem mais complicados que Portugal vive na atualidade. Eu próprio, nos anos 90, ajudei em território Brasileiro, o seu país a siar desse cenário de crise. Provavelmente quando v. exa. viajava pelo mundo, muitos cidadãos de outros países, entre os quais Portugueses deram o seu contributo para que o país irmão saísse dessa crise. Veja que nessa época, cheguei a ser assaltado e ofendido na rua, no Brasil e deixe-me dizer que nunca o contei a ninguém fora do contexto brasileiro, pois não pretendia que a falta de conhecimento dos europeus, levasse a uma generalização por causa de um ou outro ato isolado.
    Portugal foi um dos países que gerou a pressão que levou ao perdão da divida externa do seu país, recorda-se? Como também ultimamente, perdoou divida a Moçambique, Angola e outros países Africanos de expressão Portuguesa, alguns desses atos de perdão de divida, já estávamos com dificuldades em Portugal. Mas sabe, é isso que faz do meu país um país de gente nobre e de um tamanho que transcende o seu entendimento, pois a srª não sabe o que é dar o que não se tem. É isso que me orgulha de ser Português, pois mesmo esses meus compatriotas que não têm a tal educação que acusa, nunca colocaram em causa qualquer ajuda, nesses momentos.
    A srª vive em Moçambique, pois esclareço-a: Se tem água potável e energia elétrica, deve agradecer a Portugal, sabe Porquê? A barragem de cahora bassa, foi construída por Portugal, financiada por Portugal, feita com tecnologia e know-how português e depois, não podendo Moçambique pagar os encargos que assumiu, Portugal doou-a ao povo Moçambicano, isto já Portugal estava envolvido nesta crise. Assim, este povo e este país de onde partem alguns dos seus cidadãos na procurar de trabalho, continuou a doar, mesmo o que não tem, para um povo irmão que menos tem ainda.
    Acusa a srª injustamente um povo, porque alguns poucos cidadãos, por má educação advinda da ignorância, têm comportamentos inadequados, julgando assim todo um povo e toda a nação Portuguesa. A única desculpa que V. Exa. tem, é a mesma que deveria leva-la a medir as palavras – a sua enorme ignorância, sobre uma nação e um povo a que muitos países devem quase tudo, entre os quais o seu (Brasil) e também Moçambique.
    Desejo que a forma cuidada como escreve e versa sobre tantos temas, se faça coerente com a sabedoria necessária ter quando nos dirigimos e retratamos realidades que mal conhecemos. Na verdade pretendo afirmar, pois creio que não entenda a expressão última, que, desejo que a sua ignorância, oculta na forma como retoricamente teoriza, se dissipe ou então, faça o que manda a sabedoria – cale-se.
    Um cidadão nascido e filho da mãe Africa, criado por um pai Portugal e que ama o seu país Brasil.

    • Sr. Antenor, primeiramente, obrigada por sua visita ao Mosanblog.
      Sobre seus comentários, só posso dizer que, apesar de falarmos a mesma língua, parece que o senhor percebe pouco o que escrevo. Eu não tratei no texto do comportamento de uma nação, mas de “portugueses que aqui chegam cheios de preconceito, a reclamar dos diferentes hábitos de higiene (ou falta deles), educação e habilidades de raciocínio de alguns moçambicanos”. Especifiquei bem de quem falava. Os que chegam com outras intenções são bem-vindos e não são objeto deste texto.
      Nem vou entrar na questão político-financeira, porque suas afirmações referentes ao FMI e Banco Mundial mostram o quanto sua visão da situação mundial é restrita e isso fica claro quando afirma que as referidas instituições apóiam algum país a se recuperar economicamente. Sobre o assunto, recomendo a leitura do artigo de Paolo de Renzio e Joseph Hanlon, do departamento de Política e Relações Internacionais da Universidade de Oxford, na Inglaterra, escrito em 2007, sob o título original Contested Sovereignty in Mozambique: The Dilemas of Aid Dependence, cujo link encontra-se no texto Lembra do FMI no Brasil? Ele está aqui em Moçambique…
      Também não vou entrar no mérito de sua indelicadeza ao chamar de infame alguém que nem conhece e, pelo que noto pelas suas diversas falhas de dedução, não se deu ao trabalho de ler mais do que um texto de sua autoria para entender o contexto.
      Por fim, observo que uma pessoa que pressupõe conseguir avaliar todo o conhecimento que outra tem das coisas apenas por um texto que lê dela não é exatamente alguém com propriedade para falar em generalizações.

      • Agradeço o seu esclarecimento, Sr. A. Carvalho, entretanto tenho a acrescentar o seguinte pormenor:

        Entendo perfeitamente que Portugal ACEITOU DE LIVRE E EXPONTÂNEA VONTADE perdoar a dívida moçambicana a Portugal – o que muito aprecio e agradeço.

        O ponto é que estava eu assistindo ao Telejornal da RTP quando vi e ouvi o Ministro Português do pelouro a ser “ATACADO” pelos jornalistas portugueses por causa deste perdão. E então o Ministro teve que lhes esclarecer que o perdão “NÃO TINHA SIDO INICIATIVA DE PORTUGAL mas do CLUBE DE PARIS”. Então pela maneira como o Ministro respondeu aos jornalistas portugueses (pelos vistos nada satisfeitos com esta medida) deixou transparecer que Portugal foi “FORÇADO” pelos “PATRÕES FINANCEIROS” do mundo a aceitar perdoar a dívida de Mocambique dentro do quadro dos interesses desses “PATRÕES FINANCEIROS DO MUNDO”. (Talvez eu tenha interpretado mal a reacção do Ministro, mas foi essa a Impressão com que fiquei.)

    • POR QUE EMPRESAS PORTUGUESAS INVESTEM TANTO EM MOÇAMBIQUE ? – CARIDADE? FAVOR? PENA DE MOÇAMBIQUE?

      RAZÕES DE INVESTIMENTOS PORTUGUESES EM MOÇAMBIQUE, QUE O SR. ANTERO CARVALHO NÃO MENCIONOU:
      ___________
      Operações em Moçambique e Angola salvam CGD

      A DETERIORAÇÃO da economia portuguesa por conta da crise global e na zona euro, em particular, levou mais um banco luso a apresentar prejuízos de cerca de 400 milhões de euros pelo segundo ano consecutivo.

      Maputo, Segunda-Feira, 18 de Fevereiro de 2013:: Notícias
      Trata-se do banco público Caixa Geral de Depósitos (CGD), sócio maioritário do Banco Comercial e de Investimentos (BCI), em Moçambique, que teve um resultado líquido negativo de 394,7 milhões de euros em 2012, penalizados pelo reforço de provisões para fazer face a perdas com crédito. No ano anterior os prejuízos atingiram 488,4 milhões de euros.

      A CGD é o segundo banco português a registar prejuizos, depois do privado Millennium BCP, sócio maioritário do Millennium Bim, em Moçambique, que teve perdas de 1.219 milhões de euros, em 2012. Em contrapartida, as operações em Moçambique, Angola e Polónia registaram um lucro líquido de 236 milhões de euros.
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      Caderno de Economia e Negócios

      FINANÇAS – Millennium BCP com prejuizo
      O BANCO português Millennium BCP, sócio maioritário do Millennium Bim, em Moçambique, fechou o último ano (2012) com prejuízos de 1.219 milhões de euros, em linha com o estimado por uma ‘poll de analistas.
      ………
      No mesmo documento, citado pelo diário “Económico”, o banco esclarece ainda que realizou “dotações para imparidade de crédito relacionadas com a subsidiária na Grécia que ascenderam a 702,4 milhões de euros em 2012, comparando com 89,5 milhões de euros em 2011”. Em contrapartida, as operações na Polónia, Moçambique e Angola registaram um lucro líquido de 236 milhões de euros.
      ___________
      Empresas portuguesas em Moçambique duplicaram – Dinheiro Vivo

      http://www.dinheirovivo.pt/Economia/Artigo/CIECO057441.html
      A crescer cerca de 8% ao ano e com uma classe média que começa a ganhar poder de compra, “há entusiasmo em relação a Moçambique, e não é passageiro. É um entusiasmo seguro num país que também olha para Portugal como um mercado de oportunidades”, garante o presidente da AICEP, Pedro Reis.
      “É o país da moda”, confirma o CEO da Sociedade para o Financiamento do Desenvolvimento (Sofid), Diogo Araújo. “Mas também porque o governo moçambicano soube aproveitar as oportunidades que surgiram, tornando-se muito competitivo”. A crise dos pagamentos às construtoras em Angola, por exemplo, assustou muitas empresas, que decidiram virar-se para um mercado mais previsível, com regras mais definidas. “A perceção é de que em Moçambique se respira um ambiente favorável aos negócios. A estabilidade política, e uma gestão macroeconómica e financeira prudente têm permitido ao país obter um reconhecimento positivo por parte das instituições políticas e financeiras internacionais.
      _________________
      Portugueses procuram o futuro em Moçambique | Rádio Moçambique

      http://www.rm.co.mz/index.php?option=com_content&view=...
      A crise económica em Portugal coincidiu com um aumento do interesse dos investidores por Moçambique. O país tem tido um dos melhores desempenhos de crescimento de África nos últimos anos, e o carvão e as recentes descobertas de gás suscitaram uma atenção sem precedentes sobre si.
      _______________
      Mercado moçambicano é ‘fantástico’ para exportações portuguesas – Santana Lopes

      Qua, 23 de Maio de 2012 19:00

      As exportações portuguesas para Moçambique cresceram 95 por cento no primeiro trimestre de 2012, relativamente ao mesmo período do ano anterior, revelou hoje o embaixador de Portugal em Maputo, Mário Godinho de Matos.

      Em 2011, as exportações portuguesas para Moçambique cresceram 44 por cento, para 217 milhões de euros, sendo este o segundo mercado mais relevante entre os países africanos de língua portuguesa, acrescentou Godinho de Matos.
      _________
      MEU COMENTÁRIO:
      POR QUE EMPRESAS PORTUGUES INVESTEM CADA VEZ MAIS EM MOÇAMBIQUE?

      1. Em Moçambique são lucrativas, enquanto que em Portugal acumulam prejuízos;
      2. Em Moçambique há ambiente favorável para negócios;
      3. Em Moçambique há estabilidade política;
      4. Em Moçambique há uma gestão macroeconómica e financeira prudente;
      5. Em Moçambique já há “uma classe média que começa a ganhar poder de compra”.
      6. Mercado moçambicano é ‘fantástico’ para exportações portuguesas”
      7. Etc… etc… etc…

      PORTANTO NÃO É POR FAVOR, NEM POR BONDADE, NEM POR PENA, NEM POR FILANTROPIA QUE AS EMPRESAS PORTUGUESAS INVESTEM EM MOÇAMBIQUE – É NEGÓCIO E NEGÓCIO LUCRATIVO.

    • PERDÃO DA DÍVIDA MOÇAMBICANA A PORTUGAL – De quem é a “INICIATIVA DE PERDOAR”?

      O Sr. Antero Carvalho disse:

      “Como também ultimamente, perdoou divida a Moçambique, Angola e outros países Africanos de expressão Portuguesa, alguns desses atos de perdão de divida, já estávamos com dificuldades em Portugal.”

      O QUE O SR. ANTERO CARVALHO OMITIU:
      ______

      http://www.agencia.ecclesia.pt/cgi-bin/noticia.pl?id=61868

      Moçambique: Portugal formaliza perdão de dívida avaliada em 249 milhões de euros

      Teixeira dos Santos lembrou, ainda assim, que o “reescalonamento e perdão da dívida” de Moçambique “não é uma iniciativa bilateral de Portugal”, mas sim “uma iniciativa da comunidade internacional” a que o país se associa.

      “Portugal associa-se com todo o gosto a esta iniciativa da comunidade internacional, dos países mais desenvolvidos, no âmbito do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Banco Mundial (BM) para aliviar os países pobres altamente endividados”, disse.
      Redacção/Lusa
      ___________

      Meu comentário:

      Como moçambicano e que portanto beneficio, duma maneira ou doutra, deste perdão da dívida, só tenho muito a agradecer ao Governo Português por este acto de misericórdia.

      Entretanto, é pertinente perguntar:

      Por que OMITIU o Sr. Antero Carvalho que o “reescalonamento e perdão da dívida” de Moçambique “NÃO É UMA INICIATIVA BILATERAL DE PORTUGAL”, mas sim “uma iniciativa da comunidade internacional” ?

      • Caro Sr. Miguel, caso não entenda o que significa “…não se um ato unilateral, mas sim da comunidade internacional…” passo a explicar-lhe:
        No âmbito de uma operação concertada da comunidade internacional e julgo que coordenada pelo FMI e Banco Mundial, foi acordado que os vários países CREDORES de Moçambique, extinguiriam o crédito que tinham sobre o país. Nesse sentido, vários países ACEITARAM PERDOAR a divida que Moçambique tinha perante eles. Um desses países foi Portugal, onde este perdão foi de livre e espontânea vontade, com o único objectivo de ajudar o país irmão.
        Espero que tenha entendido, caso continue com alguma dúvida, é só colocar, pois estarei perfeitamente disponível para lhe prestar a si ou a qualquer outra a quem persista.
        Cumprimentos.

    • AINDA SOBRE CABORA BASSA:

      MAIS OMISSÕES (DELIBERADAS?) DO PREZADO SR. ANTERO CARVALHO:

      – QUAIS FORAM AS PRINCIPAIS MOTIVAÇÕES DO ESTADO PORTUGUÊS AO CONSTRUIR CABORA BASSA?
      – FORNECER ENERGIA E ENERGIA ELÉCTRICA AOS MOÇAMBICANOS?
      – QUEM MAIS PARTICIPOU NA CONSTRUÇÃO ALÉM DAS EMPRESAS PORTUGUESAS?
      __________________
      O Sr. Antero Carvalho disse:
      “A srª vive em Moçambique, pois esclareço-a: Se tem água potável e energia elétrica, deve agradecer a Portugal, sabe Porquê? A barragem de cahora bassa, foi construída por Portugal, financiada por Portugal, feita com tecnologia e know-how português…”
      _________________

      Implicações militares

      Todos os factores envolventes representavam óbvio e enorme risco: a sua implantação em território de guerra, à curta distância de duzentos quilómetros da permeável fronteira com a Zâmbia, os seiscentos quilómetros que a separavam do porto de desembarque dos materiais, a Beira, e os oitocentos quilómetros da linha de transporte da energia em território moçambicano, com seis mil postes de suporte.

      Acresce que a energia produzida pela barragem não poderia ser gasta em Moçambique, por falta de capacidade industrial instalada, e não era indispensável ao seu principal destino, a África do Sul, pois este país possuía fontes alternativas. Em resumo, Cahora Bassa era desnecessária enquanto produtora de energia, era de duvidosa viabilidade como empreendimento económico e a sua construção e exploração apresentava elevados riscos.

      As duas partes do conflito entenderam a construção da barragem como desafio que decidiria a sorte da guerra, pois, para o regime português, ela representava a afirmação da sua vitalidade e, mais do que isso, a transmissão para o exterior da certeza de poder vencer aquela guerra. Politicamente, daria a imagem de Portugal forte, capaz de motivar apoios internacionais e atrair investimentos económicos, que se traduziriam em compromissos políticos. Para a Frelimo, a construção da barragem e a sua normal exploração acarretariam a imagem de fraqueza e de incapacidade de controlar o terreno e as populações. Pior do que isso, o seu êxito poderia ser acompanhado pela instalação de cerca de um milhão de colonos brancos no vale do Zambeze, o que alteraria decisivamente o meio humano da zona em que o movimento actuava.
      Significativamente, na primeira entrevista que deu como presidente da Frelimo, Samora Machel, ainda em 1970, e antes de Kaúlza de Arriaga desencadear a Operação Nó Górdio, afirmou que o impedimento da construção da barragem continuava a ser o principal objectivo da Frelimo.

      Cahora Bassa foi, assim, transformada no objectivo decisivo que materializava a vitória do atacante ou do defensor.

      Implicações militares – Guerra Colonial :: 1961-1974
      http://www.guerracolonial.org/index.php?content=401
      _______________________

      “Na segunda metade do século XX Portugal pretendia assegurar a sua continuidade em África a todo o custo, travando guerras em três frentes (Angola, Guiné e Moçambique) e engendrando formas de dinamizar a colonização em larga escala através de grandes empreendimentos. A barragem de Cahora Bassa (HCB) é disso exemplo.”

      Artigo_Cahora_Bassa.doc
      http://www.omrmz.org/index.php/repositorio-bibliografico/categ..
      (Pág.1)
      ___________________
      “A construção do empreendimento de Cahora Bassa representava a continuação da presença portuguesa em Moçambique e, num plano de análise geopolítica, a África do Sul tinha todo o interesse nesta possibilidade – com a crescente condenação internacional do apartheid, e com o aumento das acções de guerrilha do movimento de oposição African National Congress (ANC), a África do Sul via com bons olhos a existência de um Estado-tampão entre a sua fronteira e a dos restantes Estados “negros”. Porém, a decisão final cabia a uma instituição que não demonstrava qualquer interesse em Cahora Bassa: a Electricity Supply Comission (ESKOM) , responsável pelo fornecimento de mais de 90% de toda a electricidade na África do Sul, não pretendia garantir as suas reservas através do estabelecimento de uma relação de dependência externa. Nacionalismo de Salazar”

      Artigo_Cahora_Bassa.doc
      http://www.omrmz.org/index.php/repositorio-bibliografico/categ..
      (Pág.4)
      ____________
      “Consórcio, financiamento e construção

      A mobilização empresarial para a constituição de consórcios iniciou-se em 1966. O consórcio responsável pela construção de Cahora Bassa deveria apresentar competências correspondentes a todas as fases da obra – engenharia civil, engenharia electro-mecânica, conversão e transmissão de corrente
      eléctrica – e deveria igualmente garantir os riscos financeiros envolvidos. A ZAMCO – Zambeze Consórcio Hidroeléctrico (consórcio heterogéneo de empresas de diversas nacionalidades – alemãs, francesas, sul-africanas, italiana, sueca e portuguesa) foi a seleccionada.”

      Artigo_Cahora_Bassa.doc
      http://www.omrmz.org/index.php/repositorio-bibliografico/categ..
      (PÁG.5)
      ____________________
      “O projecto da construção da Barragem e o início da sua construção deram-se no momento errado e por motivos errados – o colonialismo português estava na sua fase derradeira e a obra pretendia ser o grande trunfo para que ele perdurasse. Alimentou-se a ilusão de que, não se conseguindo vencer a Frelimo pelas armas, a iríamos vencer com a barragem que, além do mais, iria irmanar os interesses coloniais portugueses e os regimes racistas da África do Sul e da Rodésia/Zimbabwé.”

      http://agualisa6.blogs.sapo.pt/1114063.html
      ____________
      No caso em apreço, a construção da barragem criou uma barreira natural contra o avanço dos guerrilheiros moçambicanos, estando também associada à criação de novos colonatos destinados No caso em apreço, a construção da barragem criou uma barreira natural contra o avanço dos guerrilheiros moçambicanos, estando também associada à criação de novos colonatos destinados a atrair população oriunda de Portugal para o vale do Zambeze e, assim, travar a luta armada em curso em Moçambique.

      •Paulo Pimenta – Advogado – paulo.pimenta@pdalawfirm.com ; PIMENTA, DIONÍSIO E ASSOCIADOS – Sociedade de Advogados

      _____________

      MEU COMENTÁRIO:
      QUAIS ERAM ENTÃO OS OBJECTIVOS DA CONTRUÇÃO DA HCB?
      1. “Portugal pretendia ASSEGURAR A SUA CONTINUIDADE em África”
      2. Para o APARTHEID interessava a existência dum “ESTADO TAMPÃO” contra o ANC.
      3. “…iria IRMANAR OS INTERESSES coloniais portugueses e os regimes racistas da África do Sul e da Rodésia…”
      4. “…CRIAÇÃO DE NOVOS COLONATOS destinados a atrair população oriunda de Portugal para o vale do Zambeze”. e, assim, TRAVAR A LUTA ARMADA em curso em Moçambique.
      5. “…fornecer energia a BAIXOS CUSTOS à África do Sul…”

      QUEM MAIS PARTICIPOU NA CONSTRUÇÃO E FINANCIAMENTO DA HCB?
      6. “. A ZAMCO – Zambeze Consórcio Hidroeléctrico (consórcio heterogéneo de empresas de diversas nacionalidades – alemãs, francesas, sul-africanas, italiana, sueca e portuguesa) foi a seleccionada.”

      (Então NÃO FOI EXCLUSIVAMENTE “financiada por Portugal, feita com tecnologia e know-how português…” – como pretende fazer passar (deliberadamente?) o prezado Sr. A. Carvalho)

      CONCLUINDO:
      ESSES FORAM OS INTERESSES SUPERIORES QUE MOTIVARAM PORTUGAL E O APARTHEID A CONSTRUIR A HCB E NÃO ALGUM INTERESSE PARA BENEFICIAR COM ÁGUA E ENERGIA AO POVO MOÇAMBICANO COMO TENTA DAR A ENTENDER (DELIBERADAMENTE?) O NOSSO PREZADO SR. ANTERO CARVALHO.

      ((Não tenho nada contra os portugueses, mas pura e simplesmente interessam-me os FACTOS HISTÓRICOS, pois gosto de HISTÓRIA e principalmente da HISTÓRIA DE MOÇAMBIQUE)

      Khanimambo

      Miguel

  12. Por que é que os portugueses em Moçambique são insatisfeitos?
    —————
    Texto de Sara Vale • 25/04/2012 – 10:48 –
    p3.publico.pt/actualidade/sociedade/2857/por-que-e-que-.
    Sara Vale é “copywriter” a viver em Maputo
    ——————————-
    Excerto:
    “Será pela mesma razão que já nos queixávamos em casa? Será que sofremos de uma crise adolescente estrutural e não nos libertamos do estigma do coitadinho? Ou será antes porque não temos casas com vista para o mar e assim, vemos melhor o que se passa na terra?”
    Será que os portugueses são diferentes dos outros estrangeiros que cá vivem? Será que sofremos de uma crise adolescente estrutural e não nos libertamos do estigma do coitadinho?
    ———————————

    Outro dia, uma amiga de uma amiga, uma austríaca com uma confortável posição de topo na UNIDO, a Organização das Nações Unidas para o Desenvolvimento Industrial, colocou uma questão que dá que pensar. Entre golos de cerveja quente e um ritmo “reggae” africano, a rapariga-quase-senhora (tem mais de 10 anos de carreira nas Nações Unidas) disse no seu inglês perfeito:

    — Por que é que os portugueses a viver em Moçambique estão mais insatisfeitos com o país do que as pessoas de outras nacionalidades?

    Foi como se a música parasse e a cerveja 2M voltasse a gelar. Se considerarmos que ela falava de uma amostra significativa de uma população de mais de 20 mil portugueses a viver aqui, por que raio é que isto é assim? Ou, melhor, por que raio os estrangeiros nos vêem assim?

    Pus-me a pensar em todas as conversas que tive com moçambicanos, portugueses e estrangeiros nos últimos meses, sobre crise, estados de espírito, choques culturais e pratos exóticos. A conclusão nenhuma cheguei. Lá pensei mais e decidi colocar os pensamentos no “word”.

    Será que os portugueses que vivem aqui são diferentes dos outros estrangeiros que cá vivem? Sim. Será que a diferença está na vivência? Talvez. Considerando todos os “backgrounds” económicos, culturais e outros que tais, porque será que nos queixamos tanto da terra que nos acolheu?

    Será pela mesma razão que já nos queixávamos em casa? Será que sofremos de uma crise adolescente estrutural e não nos libertamos do estigma do coitadinho? Ou será antes porque não temos casas com vista para o mar e, assim, vemos melhor o que se passa na terra?

    As perguntas sucediam como cerejas. Então, como portuguesa que sou, vestindo todos estes males e questionando outros tantos, lá respondi com uma estória:

    — No século XVI, nós, portugueses, tivemos um rei muito jovem, de seu nome Dom Sebastião. Toda a população tinha uma enorme fé na sua força física e intelectual, mas o pobre desapareceu numa batalha em Marrocos (nome mais fácil de decorar que Alcacer-Quibir). Até hoje, estamos à espera que ele volte.

    — Oh, “really”?

    — Sim.

    Relembro o meu avô, que nunca me deixou mal, nem mesmo com perguntas difíceis. “Avô, antes de eu ir para África, diga-me uma coisa. Todos nos queixamos imenso de como está Portugal agora, com a crise. Mas isto alguma vez esteve bem?”. A resposta foi um sorriso cúmplice, apoiado num abanar de cabeça da esquerda para a direita.

    Sorri para a austríaca, com um encolher de ombros, como quem diz: ”Nós somos assim mesmo”. E a música voltou a tocar.
    ___________

    Meu comentário:
    Quando a Sanflosi publicou este tema : “Europeus..” parece que alguns portugueses achavam que era um artigo tendencioso de uma brasileira para atacar os portugueses em Moçambique, conforme pude notar em certos comentários de portugueses neste blog.
    Este artigo da Sara Vale é um testemunho claro de que, afinal, não se trata de uma campanha de brasileiros e moçambicanos contra a vinda dos portugueses a Moçambique – eles, CERTOS portugueses, sofrem duma “doença” social qualquer que não sei qual é o nome mas cujos “sintomas” são bem evidentes: INSASTIFAÇÃO, MURMURADORES, DESCONTENTES, BOATEIROS E EXCESSIVAMENTE CRÍTICOS PARA COM A REALIDADE MOÇAMBICANA.

    • Pois é, Miguel, o importante é sempre ressaltar que se trata de CERTOS portugueses. Infelizmente, em número maior do que gostaríamos, mas não são todos.
      O que eu notei nesta minha mais recente visita à Moçambique é que há mesmo muitos que sofrem dessa “doença” que parece ser hereditária e há outros ainda que carregam mágoas de parentes que deixaram Moçambique no momento da independência, quando havia guerra entre os dois países. Muitas vezes, os que hoje estão em África nem viveram o momento, mas carregam as dores de seus parentes mais velhos, que aí estavam.
      O que se precisa notar, com urgência, é que os tempos são outros.
      Abraços.

  13. Uma noticia publicada na RM-online (Radio Mocambique):

    “Moçambicano preside ao Bureau de Estudantes Europeus de Tecnologia
    Seg, 23 de Abril de 2012 02:04”

    “Mário Firmino Nzualo, estudante do Instituto Superior Técnico de Lisboa (IST), foi sexta-feira eleito presidente do Bureau de Estudantes Europeus de Tecnologia (BEST), numa sessão eleitoral anual havida em Paris.
    O BEST é a maior organização de estudantes de tecnologia na Europa, com três mil membros de 30 países e mais de um milhão de estudantes.
    Mário Firmino Nzualo, estudante de Engenharia de Telecomunicações no IST, foi eleito quase por unanimidade pelo colégio eleitoral composto pelos 91 núcleos regionais do BEST, dos quais 83 participaram no escrutinio e 78 votaram a favor e seis votaram em branco. O novo lider continental do BEST vai tomar posse em Junho para um mandato de um ano.
    Mário Firmino Nzualo, presentemente a frequentar o nível de mestrado em comunicações em rede no IST, começou a sua carreira no BEST em 2010, quando foi eleito presidente da organização na região de Lisboa, tendo durante o ano de 2011 desempenhado as funções de embaixador continental, promovendo a missão e objectivos da agremiação na Europa.
    O presidente eleito do BEST já recebeu várias distinções académicas no IST, considerado a mais reputada instituição de Engenharia de Portugal, incluindo o prémio de melhor estudante do ano lectivo de 2009. É o primeiro africano a ocupar o lugar de líder máximo desta prestigiada associação estudantil europeia.”
    _____________________

    A Sanflosi:

    “…Só me preocupa quando vejo portugueses que aqui chegam cheios de preconceito, a reclamar dos diferentes hábitos de higiene (ou falta deles), educação e habilidades de raciocínio de alguns moçambicanos,…”
    _________________

    Meu comentário:

    Sem comentário.

    A notícia acima citada é elucidativa demais, que dispensa qualquer comentário, para responder a alguns desses portugueses preconceituosos e racistas que reclamam da “falta” de “educação e habilidades de raciocínio de… moçambicanos.”

    Khanimambo Sanflosi

    Miguel

  14. Moçambicano preside ao Bureau de Estudantes Europeus de Tecnologia
    Seg, 23 de Abril de 2012 02:04

    Mário Firmino Nzualo, estudante do Instituto Superior Técnico de Lisboa (IST), foi sexta-feira eleito presidente do Bureau de Estudantes Europeus de Tecnologia (BEST), numa sessão eleitoral anual havida em Paris.
    O BEST é a maior organização de estudantes de tecnologia na Europa, com três mil membros de 30 países e mais de um milhão de estudantes.
    Mário Firmino Nzualo, estudante de Engenharia de Telecomunicações no IST, foi eleito quase por unanimidade pelo colégio eleitoral composto pelos 91 núcleos regionais do BEST, dos quais 83 participaram no escrutinio e 78 votaram a favor e seis votaram em branco. O novo lider continental do BEST vai tomar posse em Junho para um mandato de um ano.
    Mário Firmino Nzualo, presentemente a frequentar o nível de mestrado em comunicações em rede no IST, começou a sua carreira no BEST em 2010, quando foi eleito presidente da organização na região de Lisboa, tendo durante o ano de 2011 desempenhado as funções de embaixador continental, promovendo a missão e objectivos da agremiação na Europa.
    O presidente eleito do BEST já recebeu várias distinções académicas no IST, considerado a mais reputada instituição de Engenharia de Portugal, incluindo o prémio de melhor estudante do ano lectivo de 2009. É o primeiro africano a ocupar o lugar de líder máximo desta prestigiada associação estudantil europeia.(RM)
    _____________________

    A Sanflos dissei:

    “…Só me preocupa quando vejo portugueses que aqui chegam cheios de preconceito, a reclamar dos diferentes hábitos de higiene (ou falta deles), educação e habilidades de raciocínio de alguns moçambicanos,…”
    _________________
    Meu comentário:

    Sem comentário.

    A notícia acima citada é elucidativa demais, que dispensa qualquer comentário, para responder a alguns desses portugueses preconceituosos e racistas que reclamam da “falta” de “educação e habilidades de raciocínio de… moçambicanos.”

    Khanimambo Sanflosi

    Miguel

  15. Turismo – Portugueses formam empresários de hotelaria

    ESPECIALISTAS portugueses vão, a partir deste Janeiro, dar formação técnica a pequenos empresários de hotelaria e turismo da Ilha de Moçambique, em Nampula, visando criar um programa designado “Rede Casas”. |»
    Maputo, Sexta-Feira, 11 de Janeiro de 2013:: Notícias

    ____________

    Meu comentário:

    Muito KHANIMAMBO a estes especialistas PORTUGUESES que vêm a Moçambique para contribuir para o DESENVOLVIMENTO de Moçambique (e não para ressuscitar velhos estereótipos de um passado colonial inglório e degradante para nós moçambicanos que todos – portugueses e moçambicanos – gostaríamos de esquecer para sempre e olharmos para frente com dignidade e respeito mútuo)

    Miguel

  16. Home Notícias Outras Notícias Oito portugueses impedidos de entrar em Moçambique por problemas de vistos

    Oito portugueses impedidos de entrar em Moçambique por problemas de vistos
    Ter, 08 de Janeiro de 2013 18:10
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    Oito portugueses foram impedidos de entrar, na segunda-feira, em Moçambique por irregularidades a nível de vistos, tendo regressado no mesmo voo em que se faziam transportar, disse hoje à Lusa o vice-cônsul de Portugal em Maputo.

    Segundo António Pinheiro, seis membros do grupo tinham visto turístico, mas pretendiam trabalhar em Moçambique, enquanto outros dois portugueses não tinham bilhetes de regresso para Portugal.

    As autoridades moçambicanas decidiram, por isso, recambiá-los no mesmo voo da TAP em que chegaram a Maputo.

    “Temos alertado os portugueses que se deslocam a Moçambique, ou que pretendam ir a qualquer parte do mundo, para se informar junto das embaixadas sobre as normas” dos respectivos países, disse António Pinheiro.

    (RM/Lusa)
    _______________
    Meu comentário:

    Não tenho nenhum comentário a favor ou contra estas medidas.

    Só me lembrei do que vi um dia na RTP.:

    Uma grande empresa portuguesa de produção industrial de alface, em Portugal com falta de mão-de-obra portuguesa, teve que importar trabalhadores asiáticos (tailandeses?), porque pura e simplesmente os portugueses não querem fazer aquele tipo de trabalho e isto mesmo em TEMPO DE CRISE. Será arrogância? Falso orgulho? Não estou contra a vinda de portugueses para Moçambique – que venham – só que este tipo de atitude: de os portugueses, em Portugal, mesmo em TEMPO DE CRISE não quererem fazer um certo tipo de trabalho, levanta suspeitas sobre que tipo de trabalho vêm fazer em Moçambique – posições de chefia? Ser capataz para vigiar e controlar os “preguiçosos, atrasados, ladrões” trabalhadores locais?

  17. A Sanflosi disse:

    “…Só me preocupa quando vejo portugueses que aqui chegam cheios de preconceito, a reclamar dos diferentes hábitos de higiene (ou falta deles), educação e habilidades de raciocínio de alguns moçambicanos, como se de onde vêm não existissem pessoas com as mesmas dificuldades.
    Reclamam por tudo e por nada, sem considerar que o diferente pode ser também certo, sem levar em conta diferenças culturais e, ainda, esquecem-se que seus antepassados, quando aqui chegaram contribuíram para deixar o povo moçambicano em tais condições, depois de séculos de dominação, a subjugá-los, humilhá-los e dar a eles maus exemplos.”
    _____________________

    Meu comentário:
    QUAL TEM SIDO O RESULTADO DESTAS ATITUDES NEGATIVAS DESSES PORTUGUESES “CHEIOS DE PRECONCEITOS… QUE RECLAMAM POR TUDO E POR NADA”? Por favor, queira ler a seguinte notícia:
    _____________________
    (da: Imensis Notícias Moçambique -Quarta-feira, 2 de Janeiro de 2013)

    Ministra do Trabalho expulsa administrador de Banco em Maputo
    2012/01/19

    A ministra do Trabalho, Maria Helena Taipo, interditou, na última quarta-feira, e com efeitos imediatos, o direito ao exercício de trabalho na República de Moçambique a José Alexandre Maganinho Ribeiro, de nacionalidade portuguesa, que desempenhava as funções de administrador da empresa MozaBanco.

    A decisão surge na sequência de `mau comportamento na relação com os trabalhadores moçambicanos, em violação dos princípios plasmados na Constituição da República e demais leis vigentes no país´, segundo revela o comunicado do Ministério do Trabalho.

    De acordo com o mesmo comunicado, o cidadão em causa vinha proferindo palavras injuriosas aos seus colaboradores nacionais, incluindo actos de racismo e, por vezes, `obrigando-os a trabalharem até às 02h00 de madrugada sem direito a descanso, nem remuneração.´

    `Este comportamento constitui violação do princípio do direito à honra, bom nome e integridade moral´, conforme o estabelecido na Constituição da República. Por outro lado, este comportamento viola o preceituado na legislação laboral que estabelece que `o empregador deve respeitar e tratar com correcção e urbanidade o trabalhador, bem como proporcionar a este boas condições físicas e morais no local de trabalho´…

    fonte: O País (Jornal)

    • Estive a ler atentamente todos os comentários que deixou, peço desculpa, não represento o povo Português, mas acho lamentável que ainda que ainda haja certos Portugueses retrogradas e presos num passado inglório!! Faço parte de uma geração que pouco tem a ganhar em ficar em Portugal. Os políticos, empresários deram cabo do futuro da minha geração, apesar de sermos considerados por muitos como a geração mais qualificada da história de Portugal não existe trabalho nem oportunidades para por em prática esses conhecimentos. Além do mais, em certos casos, somos obrigados a trabalhar de borla para obter experiência ou para ingressar nas ordens profissionais.

      Sou natural de uma ilha (Madeira) em tempos a colónia do Ouro branco (açúcar). Encontrei este Blogue por acaso, queria saber mais sobre Moçambique, não apenas a nível profissional, mas como é viver em Moçambique. O meu interesse não é tirar ou roubar o lugar a ninguém, mas sim aprender novas culturas, hábitos, comidas e novas linguagens de arquitectura pois essa é a minha arte. Obrigado e continue a escrever e a expor tudo e todos.

      • Edgar, conforme eu já disse aqui em algum lugar, felizmente, não são todos os portugueses que chegam com essa mentalidade retrógrada nas ex-colonias. Há os que percebem o valor de se estar nesses lugares e contribuem de várias formas.

        Fico feliz que tenhas encontrado o Mosanblog e espero que ele contribua na sua busca por informações.

        Abraços.

        Sandra.

  18. “Afinal, o que é inteligência?”
    _________________________________________

    (Citando do Jornal Noticias de Maputo – 2/1/2013):

    “Ciência e Ambiente

    Teste de QI é “altamente enganador”

    INVESTIGADORES da Universidade Western do Canadá e do Museu de Ciências de Londres realizaram um estudo em que demonstram que medir a inteligência humana baseando-se apenas num teste standard de Quociente Intelectual (QI) é “altamente enganador”.
    Maputo, Quarta-Feira, 2 de Janeiro de 2013:: Notícias

    Mais de 100 mil participantes de todo o mundo foram submetidos – on line – a testes de memória, raciocínio, atenção e capacidade de planeamento. Responderam também a questões acerca dos seus estilos de vida. Os resultados estão publicados na revista “Neuron”.

    “O objectivo era analisar se realmente se podem medir capacidades cognitivas de uma pessoa com apenas um factor”, explica Adam Hampshire, investigador do Instituto de Cérebro e Mente da Universidade Western.

    Os investigadores não acreditam que apenas o número de QI possa representar a capacidade que um indivíduo tem para recordar, raciocinar e pensar. Os resultados sugerem que os testes de QI que são utilizados há várias décadas têm “falhas básicas”, pois não têm em consideração a natureza complexa do intelecto humano.

    A equipa desenhou uma série de testes com base em dados de estudos prévios realizados com scanners cerebrais. Assim, os investigadores criaram tarefas para medirem uma ampla variedade de capacidades cognitivas.

    “Quando se analisa esta ampla variedade de capacidades cognitivas, as variações na execução dos participantes podem explicar-se em três componentes distintas: memória a curto prazo, raciocínio e habilidade verbal”, explicam os investigadores.

    Para confirmarem os resultados, 16 participantes foram submetidos a ressonâncias magnéticas funcionais. Pôde, assim, observar-se as diferenças nas capacidades cognitivas e traçar-se um mapa das conexões neuronais envolvidas na actividade cerebral.

    Os três componentes da capacidade cognitiva que se tinham achado previamente correspondiam a três padrões distintos de actividade neuronal. “Os resultados desmentem de uma vez por todas a ideia de que uma só medida como o QI não é suficiente para captar todas as diferentes capacidades cognitivas que existem entre as pessoas”, diz Roger Highfield, um dos autores do estudo.”

  19. Moçambique: MITRAB nega licença de trabalho a cidadão português

    Sáb, 29 de Dezembro de 2012 22:31(da Radio Mocambique – online)

    Ministério do Trabalho, na pessoa da ministra Maria Helena Taipo, acaba de indeferir o pedido de concessão de licença de trabalho em Moçambique para um estrangeiro de nome Victor Miguel Viana da Silva,que pretendia trabalhar na empresa Intercampus-Estudo de Mercados, Lda.

    De acordo com um comunicado de imprensa do MITRAB, a Intercampus pretendia contratar o cidadão, de nacionalidade portuguesa, para desempenhar as funções de director de processamento de dados, posto para o qual é possível encontrar solução interna.

    Por outro lado, o nível de escolaridade ostentada pelo candidato considera-se abaixo da oferta que o país tem neste momento.

    Segundo o mesmo documento, estas exigências constam da Lei do Trabalho em vigor no país, nomeadamente nos artigos 31 e 33, que recomendam às empresas a integrarem trabalhadores nacionais nas diversas áreas de maior complexidade técnica, administrativa ou gestão, bem como a contratação de expatriados somente quando internamente não se encontre resposta em termos de candidatos qualificados para o posto requerido.

  20. Estrangeiro impedido de trabalhar no país

    A MINISTRA do Trabalho, Helena Taipo, decidiu indeferir o pedido de concessão de licença de trabalho em Moçambique ao cidadão português, Victor Miguel Viana da Silva.
    Maputo, Sexta-Feira, 28 de Dezembro de 2012:: Notícias

    A empresa Intercampus-Estudo de Mercado pretendia contratá-lo para desempenhar as funções de director do Processamento de Dados, actividade que dentro de Moçambique encontra resposta, para além de que o nível de escolaridade ostentada pelo candidato está abaixo da oferta que o país tem neste momento.

  21. POBREZA – UMA DAS CAUSAS DE PRECONCEITOS RACIAIS…

    Óscar Monteiro falando de preconceitos raciais de CERTOS PORTUGUESES no tempo colonial, na então Lourenço Marques, diz:

    “Os brancos mais difíceis eram os da Malhangalene: pedreiros, polícias e carpinteiros, cujos filhos nos atiravam pedras e nos chamavam nomes. Este fenómeno do RACISMO EXACERBADO DOS BRANCOS POBRES está hoje mais que identificado. Eu vim a conhecê-lo , pela história da Argélia, o RACISMO VIRULENTO dos “petits blancs”, dos BRANCOS POBRES.”

    (do livro: “De todos se faz um País”, 1ª. Edição Nov/2012 – pág. 21, paragrafo 2 – de Óscar Monteiro)
    _____________
    MEU COMENTÁRIO:

    Será que Óscar Monteiro era vítima de preconceitos raciais de COLONOS PORTUGUESES porque era intelectualmente “inferior” aos brancos? De maneira nenhuma! Diz ele:

    “A regra era entrar na escola com 7 anos ou no ano em que se fazia sete anos, o que era o meu caso. Entrei, pois, com seis anos. Mas, logo nos primeiros dias, a professora se apercebeu de eu estava adiantado e propôs um mecanismo especial de exame de passagem, antes do Natal. Assim, aos seis anos, encontro-me na segunda classe, maldição que me acompanha toda a vida: aos 9 anos no liceu, aos 16 anos na Universidade, aos 20 anos no quinto ano de Direito…”

    Sendo assim tão INTELIGENTE, por que era racialmente discriminado? A causa era a sua cor da pele:

    “Além do mais eu era atípico – um indiano ESCURO com cabelo liso – “”Eu já vi muitos pretos””, disse-me uma menina no Porto, “”mas nunca vi um preto com cabelos lisos””, o que passou a ser uma forma de chamamento e brincadeira entre nós: o preto de cabelos lisos.”

    Então fica bem claro que uma das causas de preconceitos raciais que ALGUNS DESSES PORTUGUESES – que fogem da CRISE (ou POBREZA) lá na Europa e vêm para Moçambique – é a POBREZA que lhes intimida e para se protegerem do medo que eles têm da POBREZA refugiam-se nos PRECONCEITOS RACIAIS.

  22. ORIGEM DO “PRECONCETO DOS PORTUGUESES”…

    Do livro “Moçambique, Identidades, Colonialismo e Libertação” – pág. 39, parágrafo 2 – (autor: João Luís Cabaço), veja a seguinte trecho:

    “O antropólogo português Jorge Dias, no seu “Relatório”(*) ao governo colonial sobre a pesquisa de campo que efectuava em Moçambique, preocupava-se com a inoperância da política de “assimilação” constatando que, “”para o comum dos europeus mantem-se a mentalidade colonialista, que considera o negro como MÃO-DE-OBRA BARATA e não procura assimilá-lo. No momento em que o PRETO TEM DIREITO A MESMO SALÁRIO QUE O BRANCO, JÁ NINGUÉM O QUER, mesmo que seja UM BOM OPERÁRIO. Daqui sucede que pretos assimilados têm de ocultar por vezes a sua situação jurídica, para conseguirem arranjar trabalho como um indígena vulgar”.
    ___________
    (*). (Relatório de um governador de Angola (1885) que Davidson toma de B.D. de Wheeler, Angola Londres, 1971, p.102)
    _______________________________________________

    Meu comentário:

    Segundo o acima citado donde procede o PRECONCEITO de certos PORTUGUESES?

    1 – O Preto deve ser mantido “no seu lugar” como “MÃO-DE-OBRA BARATA”.

    2 – O Preto “NÃO DEVE TER O MESMO SALÁRIO QUE O BRANCO.

    3 – A partir do momento em que OPRETO TEM DIREITO A MESMO SALÁRIO QUE O BRANCO, JÁ NINGUÉM O QUER” – em outras palavras o PRETO NUNCA DEVE PENSAR QUE PODE SE IGUALAR AO BRANCO e para isso há que lembrá-lo constantemente da “sua inferioridade inerente”, mesmo que seja um trabalhador capaz, competente e inteligente.

    • Correcção: gafe: “veja a seguinte trecho.” : Correcto: “Veja o seguinte trecho.”

  23. PORTUGUESES NA ”AUTO-DESTRUÇÃO” DE MOÇAMBIQUE?

    Levanta-se esta pergunta a propósito daquilo que aconteceu durante as primeiras conversações de 1984, mediadas pelos sul-africanos do apartheid, para se pôr fim à guerra em Moçambique entre o governo moçambicano e a Renamo – e a afirmação de alguns portugueses agora de que “o país se auto-destruiu”.

    Jacinto Veloso, então negociador principal delegação governamental moçambicana, nessas conversações mediadas pelo então regime branco sul-africano do apartheid, em Pretória, na África do Sul em 1984, escreveu o seguinte:

    “… Os militares sul-africanos espalharam a ideia que eram os PORTUGUESES DESCONTENTES que tinham criado um corpo de mercenários para executar o apoio logístico à Renamo: ““Nós não estamos envolvidos nesse apoio. Isso SÃOS OS PORTUGUESES que querem reaver as propriedades nacionalizadas pela Frelimo””, dizia-nos a título confidencial a “military intelligence”.””

    …”Até finais de Setembro de 1984, mantivemos as negociações com o governo sul-africano. Quer Pik Botha, como ministro dos Negócios Estrangeiros, quer o ministro da Defesa Magnus Malan garantiram-nos que estavam a fazer tudo para cessar as hostilidades contra Moçambique, tendo assegurado que a Renamo aceitava Samora Machel como Presidente da República, o que implicitamente significava reconhecer o Estado moçambicano e o governo da Frelimo.”

    …”No dia 1 de Outubro, eu e a minha delegação voámos para Pretória com mandato para assinar os documentos necessários que conduzissem ao fim da guerra e ao estabelecimento da paz em Moçambique. ..”

    … “Os documentos finais prevendo o fim das hostilidades seriam assinados por uma delegação e logo depois pela outra. Isto nunca chegou a suceder. …”

    …”No âmbito destas negociações e contactos, no dia 8 de Outubro viajámos de novo para Pretória. Ali ficámos até dia 11, uma estadia prolongada do que prevíamos. “

    “Quando íamos assinar a declaração do fim das hostilidades, fomos informados que EVO FERNANDES TERIA RECEBIDO UMA CHAMADA TELEFÓNICA DE LISBOA, DO ENTÃO MINISTRO DA DEFESA, MOTA PINTO, DIZENDO QUE NÃO DEVERIA ASSINAR TAL DOCUMENTO.”

    “Era o famoso telefonema de Lisboa! … Mais uma vez, os militares sul-africanos deixavam transparecer que os PORTUGUESES É QUE NÃO QUERIAM O CESSAR FOGO.”

    (alguns excertos do livro de Jacinto Veloso “MEMÓRIAS EM VOO RASANTE” – págs.: 183 a 186.)
    _____________
    Meu comentário:

    Embora Jacinto Veloso, neste relato, coloque a ênfase nas manobras dos serviços secretos militares sul-africanos do regime do apartheid, para CULPAR OS PORTUGUESES pelo fracasso das negociações de 1984, esta conotação do ENVOLVIMENTO DE PORTUGUESES NESSE FRACASSO – para nós que na altura acompanhávamos as notícias das negociações e ansiosamente esperávamos pelo fim iminente da guerra, e entretanto chega uma notícia de que tudo fracassou por causa de um telefonema de LISBOA, duma autoridade do Governo Português – isto levanta a seguinte SUSPEIÇÃO:

    “ATÉ QUE PONTO UMA CERTA CAMADA PORTUGUESA PARTICIPOU NA “AUTO-DESTRUIÇÃO” DE MOÇAMBIQUE?”

    • Correcção: gafe: “auto-destrução” – Correcto: “auto-destruição”

  24. Ainda sobre: “Afinal o que é inteligêngia?”

    EM PORTUGAL : “DONAS DE CASA MELHORES ECONOMISTAS DO QUE MUITOS DOUTORES ECONOMISTAS” – (Dr. Medina Carreira)

    Gostei de ouvir o Dr. Medina Carreira, numa recente entrevista, sobre a crise económica em Portugal, , passada num dos Canais das Televisões Portuguesas – dizia ele: ‘…Em questões de gestão económica, muitas donas de casa são melhores do que muitos doutores…’

    Ouvimos nas RTPs Portuguesas discussões acirradas sobre quem é culpado pela actual crise económica em Portugal: Doutores Socialistas contra Doutores Centristas, Doutores Comunistas e Bloco da Esquerda contra Doutores Socialistas e Centristas, etc. etc. etc… Doutores culpam a Alemanha pela crise, chamam a alemã Angela Merkel de “Hitler”. Acham que é “humilhante” submeter-se aos ditames da FMI… Em manifestações públicas e greves vemos dísticos a chamar o actual Primeiro Ministro, Coelho, de “ladrão”, etc….etc…etc…

    Ao ver e ouvir tantas discussões e debates de doutores divergentes em relação a como resolver a crise financeira portuguesa, às vezes eu me pergunto: “Será que existe uma faculdade de economia para socialistas, uma outra faculdade de economia diferente para Centristas, outra faculdade de economia para Centristas, outra faculdade de economia para Comunistas e Bloco de Esquerda…?”

    Hoje mesmo, no noticiário das 20:00h, na TVM, acabei de ouvir um trecho da palestra hoje proferida pelo ex-Presidente Brasileiro, Lula da Silva, no “Centro de Conferências Joaquim Chissano” em Maputo: ‘Os países desenvolvidos têm receitas económicas “eficientes” para o “3º. Mundo”, mas quando a crise financeira chega nos seus países já não sabem como evitá-la ou resolvê-la.’

    Em outras palavras os países desenvolvidos ocidentais são “altamente inteligentes” para assessorar e ensinar os atrasados do ‘3º. Mundo’, mas não são assim tão “inteligentes” para “inteligentemente” resolverem a sua própria pobreza e crises económicas.

    Vêm a correr para o Terceiro Mundo, fugindo da crise e da pobreza, lá na Europa, e quando chegam aqui começam a chamar os africanos de “sujos, burros e preguiçosos” . É deveras interessante esta espécie de “inteligência altamente desenvolvida”.

    “Afinal o que é inteligêngia?”

  25. A “BURRICE” DOS MOÇAMBICANOS…. QUE ABORRECE CERTOS PORTUGUESES…..
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    A SANFLOSI DISSE:

    “… Só me preocupa quando vejo portugueses que aqui chegam cheios de preconceito, a reclamar dos diferentes hábitos de higiene (ou falta deles), educação e habilidades de raciocínio de alguns moçambicanos, como se de onde vêm não existissem pessoas com as mesmas dificuldades….”
    ___________
    Meu comentário:

    Certos portugueses sofrem de terríveis “complexos de inferioridade”, que lhes atormentam a psique, e para se aliviarem desses tormentos desenvolveram outros complexos – “complexos de superioridade” em relação aos negros. Daí que não suportam sentir-se numa posição de igualdade em relação aos negros.

    O que me espantou, quando estive em Portugal em 1985, foi ouvir portugueses, em todos os lados onde estive, a se queixarem: “PORTUGAL ESTÁ NA CAUDA DA EUROPA… PORTUGAL ESTÁ NA CAUDA DA EUROPA…. PORTUGAL ESTÁ NA CAUDA DA EUROPA….”. Ao ouvir essas lamentações de “inferioridade” de Portugal em relação ao resto da Europa, uma “CARICATURA” se formou na minha mente:

    -“ OS EUROPEUS: Portugueses, Franceses, Espanhóis, Ingleses, etc., estavam todos numa paragem para pegaram um trem que lhes levaria a um destino chamado “DESENVOLVIMENTO”. O trem chega e todos os outros Europeus entram dentro do trem, mas o Português fica fora. Os outros Europeus ficam preocupados e chamam: “Português, Português, Português, vamos embora!…vamos embora!… o trem já apitou!…vás perder o trem!!!” O Português responde: “Já venho, só que não posso largar este preto aqui… se eu largar este preto, ele vai começar a pensar que é gente…não posso largar este preto aqui, ele tem que ficar aqui embaixo bem dominado….senão ele pode começar a pensar que é gente…”

    De todas as potências imperiais coloniais, Portugal foi a última FORÇADA A CONTRAGOSTO a abandonar a África . Não cabia no pensamento colonialista português pensar em um dia libertar o preto: “porque Portugal perderia a sua grandeza e a sua razão de ser e os pretos colonizados começariam a pensar que são “gente”. Por isso, que até hoje continuam com esses preconceitos de superioridade racial e intelectual em relação aos negros das antigas colónias portuguesas.

    E, assim o trem partiu e o Português ficou atrás, não chegou ao destino “DESENVOLVIMENTO” , porque não queria largar o preto dominado, senão o preto pensaria que já era “gente”.

    Moçambique tem agora muitos quadros qualificados (ainda não suficientes, é claro), que são muito apreciados e valorizados no exterior, como por exemplo em Qatar, onde alguns deles ocupam posições de destaque, como engenheiros, supervisores, etc. Mas aqui dentro de Moçambique, para alguns Portugueses “complexados”, o moçambicano é um “atrasado mental” sem cura.
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    Moçambicanos constroem edifício económico do Qatar

    Maputo, 13 Nov. (AIM) – O robusto crescimento económico que o minúsculo Estado do Qatar, país do Médio Oriente, está a registar é fruto de uma conjugação de forças de pessoas de vários quadrantes do mundo, incluindo moçambicanos, que sabiamente emprestam o seu saber para o rápido desenvolvimento daquele país.

    Os moçambicanos (engenheiros e operários), mão-de-obra qualificada, formada pela fábrica de fundição de alumínio Mozal, a semelhança do patriarca Abraão, aceitaram o desafio de abandonar o convívio dos demais amigos e familiares no país de origem em busca de uma promessa naquele país do Golfo Pérsico.

    Segundo as estimativas baseadas no cálculo dos próprios concidadãos naquele país, são ao todo 99 trabalhadores moçambicanos que, todos os dias, rasgam a camisa e derramam o seu suor nos fornos da Qatar Aluminium (Qatalum), garantindo uma produção anual estimada em 585 mil toneladas meta que pretende alcançar, quando a recém instalada fábrica atingir a sua plenitude produtiva.

    Os 99 trabalhadores (oito por cento da força) da Qatalum, juntamente com as respectivas esposas e filhos, menores de 18 anos de idade, perfazem um universo estimado em pouco mais de 400 concidadãos, que gozam de um elevado prestígio dado o valioso contributo que o saber moçambicano empresta ao crescimento da economia qatariana.
    ….
    As conquistas económicas do Qatar não marginalizam aqueles que, a custa de muito sacrifício, dão o seu contributo, e o testemunho disso foi a construção de um luxuoso condomínio no bairro de “Mesaieed”, com residências de rés-do-chão e primeiro andar para os concidadãos moçambicanos naquele país.

    Os quadros moçambicanos na Qatalum acreditam que o “know how” adquirido durante os anos de experiência na área de alumínio e o avançado nível de desenvolvimento do Qatar podem constituir uma mais valia para o país, que procura formas inovadas de combater a pobreza em que se encontra.

    Luís Cossa, supervisor de produção da redução…..
    ——————-
    (Moçambicanos constroem edifício económico do Qatar — Portal do …
    http://www.portaldogoverno.gov.mz/…/mocambicanos-c... – 13 nov. 2010 – Maputo, 13 Nov. (AIM)

    • Correcção: gafe: “…para pegaram um trem…” : Correcto: “…para pegarem um trem…”

  26. Desejo comentar, mais uma vez, sobre as seguintes declarações do Sr. Tiago Kardoso:

    – “Os portugueses não deixaram Moçambique no estado em que está.”
    – “O país … auto-destruiu-se com a subsequente guerra civil fomentada pelo clima de Guerra Fria de que penso já ouviu falar.”
    __________________

    Para comentar estas declarações do Sr. Tiago Kardoso, gostaria de fazer mais uma citação, desta vez tirada do livro de FERNANDO AMADO COUTO, intitulado: MOÇAMBIQUE 1974 – O FIM DO IMPÉRIO E O NASCIMENTO DA NAÇÃO (1ª. Edição, Junho 2011)

    Pág. 324, Nota de rodapé no. 427:

    “ A situação económica do país, na altura da independência, era GRAVÍSSIMA. Não refeita do choque do petróleo de 1973, da SAÍDA MACIÇA DE TÉCNICOS (que começou muito antes do 25 de Abril), AGRAVADA pelos meses de CAOS SOCIAL que se viveram até à proclamação da independência, com a FUGA DE CAPITAIS e de EQUIPAMENTOS”.
    _____________

    Em que situação os portugueses deixaram Moçambique?:

    1 – Numa “SITUAÇÃO ECONÓMICA GRAVÍSSIMA”;
    2 – SEM NENHUNS “TÉCNICOS QUALIFICADOS –
    (os únicos técnicos qualificados eram os próprios portugueses
    que abandonaram em massa o país);
    3 – Um “CAOS SOCIAL”;
    4 – “FUGA DE CAPITAIS;
    5 – “FUGA DE EQUIPAMENTOS”.
    _____________

    MEU COMENTÁRIO:

    Com todos estes problemas todos, acima alistados, que na sua maioria foram provocados pelos próprios portugueses, como é que os portugueses que agora retornam a Moçambique querem vir encontrar aqui um “paraíso”? É como se você cortasse pernas a alguém e depois você ficasse de longe a rir, dizendo: “Vejam lá, aquele gajo não consegue andar sozinho sem mim ….”

    Olhando para trás e tendo em mente esses 5 (cinco) pontos mencionados pelo FERNANDO AMADO COUTO e os efeitos nefastos da guerra de “desestabilização” – (também em parte fomentada por um certo grupo de portugueses )- até, pode-se dizer que foi um grande “MILAGRE” Moçambique estar no estado em que está hoje – devia estar pior ainda. O governo pós-independência teve que tomar medidas muito drásticas para tentar formar em tempo recorde um certo número de quadros qualificados moçambicanos para assim colmatar a gravidade da situação. Lembramo-nos da famosa “GERAÇÃO 8 DE MARÇO”, da qual procedem muitos dos técnicos, professores universitários, dirigentes do governo e de empresas em Moçambique que asseguraram o país para não cair no precipício e colapso sociais.

    Hoje, olhando para trás pode-se dizer: “Foi bom que técnicos e dirigentes qualificados portugueses se “mandaram”, porque assim se abriu uma oportunidade “forçada” para que os moçambicanos aprendessem a “caminhar” com os seus próprios pés (embora amputados). E assim, os portugueses quando agora voltam encontram um país, que sim, está em dificuldades, mas está caminhando e os pode acolher de volta – como um bom anfitrião que o moçambicano sempre foi e o próprio Vasco da Gama testemunhou isso, quando chamou moçambicanos de “…TERRA DE BOA GENTE…”

  27. “Afinal, o que é inteligência?” –

    COMO OS PORTUGUESES NOS AJUDARAM A DESMISTIFICAR O MITO DA SUPERIORIDADE INTELECTUAL DOS BRANCOS EM RELAÇÃO AOS NEGROS.
    ___________
    Sanflosi disse:
    “Afinal, o que é inteligência?”
    “… Só me preocupa quando vejo portugueses que aqui chegam cheios de preconceito, a reclamar dos diferentes hábitos de higiene (ou falta deles), educação e habilidades de raciocínio de alguns moçambicanos, como se de onde vêm não existissem pessoas com as mesmas dificuldades….”
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    COMO OS PORTUGUESES NOS AJUDARAM A DESMISTIFICAR O MITO DA SUPERIORIDADE INTELECTUAL DOS BRANCOS EM RELAÇÃO AOS NEGROS.

    Ironicamente, os próprios portugueses assim como o próprio Colonialismo Português, em certa medida, nos ajudaram a DESCOBRIR A FALÁCIA DO MITO DE QUE OS PRETOS NÃO SÃO INTELIGENTES OU SÃO MENOS INTELIGENTES DO QUE OS BRANCOS.

    Como é que os portugueses nos ajudaram neste sentido?

    Veja esta citação do livro de Joaquim Alberto Chissano (ex-Presidente da República de Moçambique): “Vidas, Lugares e Tempos” – págs.:92, 93.:

    “Na escola também ajudávamos os menos avançados. Na lição em que eu (como da primeira adiantada) tive de ajudar o Madureira a ler, a ilustração era de laranjas porque falava de “estas apetitosas laranjas”. Que lia sempre “estas APOTOTOSAS laranjas”. O que era agravado pelo defeito da língua que o impedia de pronunciar os “esses” e “j” como dever ser. MAS A MIM O QUE ME INTRIGAVA ERA QUE UM JOVEM PORTUGUÊS, DONO DA LÍNGUA, NÃO PUDESSE DIZER “apetitosas” quando podia soletrar correctamente “a-pe-ti-to-sas”. Quando lhe dizia “então vamos”, ele repetia ”APOTOTOSAS”. Eu não tinha complexos na altura, mas este facto DESCOMPLEXOU-ME AINDA MAIS. A dificuldade de pronunciar palavras portuguesas e a capacidade de aprender NÃO DEPENDIA DA COR DA PELE.”

    Casos como o contado pelo Joaquim Alberto Chissano são contados por muitos outros moçambicanos pretos que tiveram alguns colegas de carteira brancos portugueses com grandes dificuldades de aprendizagem na própria língua deles. Eu lembro-me de alguns, na minha turma da quarta classe, que chegavam a fazer cerca de 20 erros de ortografia num simples ditado de uma lição de português enquanto, que eu, um preto que só falava português na sala de aulas, fazia 2 ou 3 erros no mesmo ditado. Mesmo, hoje, vemos na RTP, no programa “…BOM PORTUGUÊS…” , portugueses que não sabem, por exemplo, coisas simples, como: o uso do “ss” ou do “ç” em certas palavras, etc. NISTO TUDO, OS PORTUGUESES NOS AJUDARAM E AINDA NOS AJUDAM A DESMISTIFICAR O MITO DA SUPERIORIDADE INTELECTUAL DOS BRANCOS EM RELAÇÃO AOS NEGROS.

    Outra coisa que o Colonialismo Português fez que nos ajudou também a DESMISTIFICAR O MITO DA SUPERIORIDADE INTELECTUAL E CIVILIZACIONAL DOS BRANCOS EM RELAÇÃO AOS NEGROS, foi o que Sérgio Vieira relatou no seu livro “PARTICIPEI, POR ISSO TESTEMUNHO” , pág. 95:

    “Quando o regime português decidiu, nos anos cinquenta, enviar colonos agricultores para o Vale do Limpopo, fê-lo com uma visão mesquinha. Trouxe o camponês sem terra do Norte de Portugal, cultivando com uma enxada ou na melhor das hipóteses com uma junta de bois, ANALFABETO e que recebia, umas horas antes de desembarcar do paquete no cais do Gorjão, em Lourenço Marques, um par de sapatos que usava pela primeira vez na vida. Muitos trocavam o pé esquerdo pelo direito, para gáudio dos que assistiam, incluindo os indígenas. Vieram para ocupar o Vale do Limpopo, onde agricultores negros, já possuíam e cultivavam com tractor. Eles haviam frequentado as escolas da Missão Presbiteriana ou Metodista, haviam trabalhado na África do Sul, onde aprenderam novas técnicas, como Mateus Sansão Mutemba, Comandante Machel, Chambal, entre outros. Quando o Governo lhes confiscou as terras, para as entregar aos colonos, inviabilizou a evolução para uma agricultura mecanizada e de modernidade. Do ponto de vista da técnica e da produtividade, o colonato representou um recuo em relação ao que os naturais já faziam….”
    “Usurparam o processo endógeno de progresso que já existia.
    Salazar e o seu tipo de fascismo, e talvez com mais precisão ruralismo reaccionário, abominavam a modernidade e o progresso, diferindo nisso de Franco, Mussolini e Hitler. Considerava o ANALFABETISMO E A MISÉRIA DO CAMPO, relações feudais na metrópole e quase esclavagistas nas colónias como VALORES A PRESERVAR…”
    ——–
    Resumindo: A dificuldade de aprendizagem da língua portuguesa que certos portugueses brancos tinham, conjugado com a vinda de colonos analfabetos, incivilizados, sujos (alguns deles só tomavam banho 1 ou 2 vezes por semana) – NISTO TUDO, OS PORTUGUESES NOS AJUDARAM E AINDA NOS AJUDAM (agora com a RTP-Internacional) A DESMISTIFICAR O MITO DA SUPERIORIDADE INTELECTUAL E CIVILIZACIONAL DOS BRANCOS EM RELAÇÃO AOS NEGROS. Neste respeito posso dizer com toda a sinceridade: “MUITO OBRIGADO PORTUGUESES!”
    ____________
    Nota: Na RTP-Internacional, podemos ver imagens de Bairros degradados em Portugual, que reclamam por obras de manutenção (Bairro Alto, Alfama, etc.), portugueses vivendo em condições muito precárias lá mesmo em Portugal, e isto tudo, mesmo antes da actual crise financeira.

  28. “O RACISMO PORTUGUÊS PIOR DO QUE O APARTHEID …”

    (Do livro: “Vidas, Lugares e Tempos” (2010)– de Joaquim Alberto Chissano”, págs.200,201):

    “…O racismo em Moçambique, nos anos quarenta e cinquenta, era, quanto a mim, pior que o Apartheid na África do Sul. A lei dizia que não havia segregação. Portugal era uno e indivisível, era inter-racial, et. Mas tudo estava bem separado.

    Bairros de caniço para preto, bairros indígenas chamados mesmo assim desta maneira, “Bairro Indígena”, caderneta indígena diferente do Bilhete de Identidade de branco, escola primária para preto, acesso ao ensino secundário dificultado para o preto e ingresso quase impossível ao Liceu até 1951. Acesso a posições bem remuneradas no funcionalismo público, onde era difícil encontrar um contínuo negro. O preto era servente. O branco era contínuo. Um vestia farda branca e outro vestia farda de caqui. Um mandava varrer e o outro varria ou limpava o chão e os vidros. Um mandava carregar e o outro carregava o fardo.

    Quando os portugueses se defendiam, diziam que não havia racismo, o que havia era diferenças de instrução. Eram diferenças económicas. Os pretos é que eram preguiçosos.

    Na África do Sul, Apartheid significava desenvolvimento separado. Mas havia desenvolvimento. Não muito, mas havia. Havia escolas primárias e secundárias para pretos, universidades para pretos, clubes, cinemas e teatros para pretos, universidades para pretos. Havia negros iniciados em comércio. Igrejas com pastores negros. O nível era inferior ao das instituições de brancos, mas havia instituições que funcionavam e criaram os líderes negros como Albert Lithuli, Cotana, J B Max, Goven Mbeki, Nelson Mandela, Oliver Tambo, Walter Sisulo, Duma Nokwe, Bispo Desmond Tuto e outros grandes líderes com alta formação académica.

    Recordo-me de excursões que alunos e professores negros de escola secundárias de negros realizavam para Lourenço Marques onde passavam uma semana ou duas de férias. Vinham todos os alunos com uniformes escolares de meter inveja. Tocavam as suas flautas, as músicas negras da África do Sul do momento os “Sokikianes” e os “Jaivings”. Exibiam a sua cultura e falavam as suas línguas que eles aprendiam a escrever na escola, além do inglês.

    Em Moçambique todos éramos iguais perante a Lei, mas havia tribunais para uns e para outros, o administrador é que o tribunal. Deportação para São Tomé e Príncipe era só para indígena, o trabalho forçado era feito só para o indígena.

    Durante o tempo em que vivi no Xai-Xai, vi muita gente a trabalhar na contribuição braçal ou gente de Xibalu a arranjar estradas, a puxar o “Ndhindhasi”, (a grande roda de betão que compactava as estradas).

    Todos eram negros. Os “contratados”, homens de “xibalu” que eu via nas plantações de semente de cana-de-açúcar, no Xinavane eram todos negros. A distribuição de semente de arroz e de algodão para a sua cultura forçada era feita só aos indígenas. E o indígena tinha de apresentar e vender obrigatoriamente por cada medida de semente distribuída umas tantas múltiplas medidas predeterminadas de arroz ou algodão colhidas. Não importava considerar se houve praga, seca ou chuva a mais. Se não apresentasse arroz suficiente, era punido com palmatória para que confessasse onde teria escondido o resto para a sua alimentação. A alimentação do indígena era secundária. Ele tinha de vender primeiro do Instituto do Arroz e só tinha o direito de comer o excedente comprovado. Mas também não podia recusar-se a cultivar arroz ou algodão. Tinha de receber a semente. Um crédito forçado.”
    _______________
    Meu comentario: Lendo o que Chissano escreveu aqui e comparando com os preconceitos actuais de alguns portugueses que retornam a Moçambique, dá para entender que muitos dentre eles ainda mantêm a matriz colonial bem gravada nos seus subconscientes , e cada vez que vêm um preto por perto, ressuscitam todos aqueles preconceitos próprios de um colonialismo retrógrado.

  29. Sanflosi disse”

    “Só me preocupa quando vejo portugueses que aqui chegam cheios de preconceito, a reclamar dos diferentes hábitos de higiene (ou falta deles), educação e habilidades de raciocínio de alguns moçambicanos, como se de onde vêm não existissem pessoas com as mesmas dificuldades.”

    A pergunta que eu sempre levanto é:
    – Por que certos portugueses têm esta atitude para com os pretos?

    Investigando a resposta achei interessante uma observação feita pelo Tinhorrão:
    lusofolia: A origem do fado é Brasileira?
    lusofolia.blogspot.com/…/origem-do-fado-b.
    “…
    ÉPOCA – Os portugueses não se revoltam com sua afirmação de que o fado é brasileiro?
    Tinhorão – Os portugueses têm má consciência em relação aos negros. Admitem que se misturaram com os africanos nas colônias, mas não tocam no assunto quando se trata de Portugal. ….
    …”
    ____________________________________________________

    Tinhorrão descobriu que “os portugueses têm má consciência em relação aos negros.” Esta “má consciência dos portugueses para com os negros” é o que parece originar os “preconceitos, reclamar sobre falta de higiene, educação e habilidades de raciocínio de alguns moçambicanos, como se de onde vêm não existissem pessoas com as mesmas dificuldades.”

    Quando alguém põe-se a reflectir sobre esta “má consciência dos portugueses em relação aos negros” é que: para alguns deles (os portugueses) a única posição do negro é ser “escravo”, isto é, subalterno, que não tem inteligência e que precisa de ser dominado pelo homem branco para poder servir para alguma coisa na sociedade. Para esses, o preto quando não é “escravo” não serve para nada..

    Lembremos do que se passou aquando da abolição da escravatura. Os pretos foram pura e simplesmente despedidos pelos seus senhores como homens “livres”, que nem serviam para serem trabalhadores assalariados. Foram, pura e simplesmente entregues à sua sorte sem possibilidade de se empregarem para ganharem algum dinheiro para sua subsistência. E no lugar deixado vago pelos “escravos libertados” admitiram outros europeus – na sua sua maioria emigrantes italianos – que estavam fugindo da pobreza extrema que então grassava na “desenvolvida, civilizada, altamente inteligente e limpa” Europa. Os recém-chegados europeus eram assalariados e ainda por cima era-lhes dado uma porção de terra que podiam cultivar por conta própria. O negro “livre” não servia absolutamente para nada, nem para ser um simples assalariado.

    E o que é que fizeram com os índios? Esses tiveram a pior sorte ainda. Visto que eles,os índios, não se conformavam com a escravatura, nem com a dominação do homem branco e nem com as doenças do homem branco – a maioria deles sucumbiram (foram dizimados quer nas lutas e pelas doenças) e hoje nem constituem a maioria do povos das Américas (são minorias nas suas próprias terras).

    Em suma, para alguns portugueses, o PRETO SÓ SERVE COMO “ESCRAVO” ou para algo não muito longe disso. O preto precisa ser lembrado constantemente dessa sua ”condição inerente de inferioridade”, porque senão pode começar a pensar que é “gente”, quando ainda está na “Idade da Pedra”. E esta doutrina (a inferioridade intelectual do negro) é tão constantemente “martelada” e repetida que com tempo, através de “reflexos condicionados”, muitos dentre nós negros acabamos assumindo como se isso fosse verdade e nos resignamos e aceitamos essa condição de “inferioridade intelectual” e daí perdemos a nossa auto-estima, repito muitos de nós negros perdemos a nossa auto-estima. Perdemos a nossa auto-estima que não vai ser fácil levantá-lo em muitos dos negros que até se acham “amaldiçoados” por Deus, como “raça desfavorecida e inferior.” Alguns até chegam a apontar a “maldição” de Canaã um dos filhos de Cam na Bíblia como se aplicando aos negros.

    É como aquele indivíduo sugestionável que o hipnotizador vai-lhe repetindo e convencendo que está fazendo muito frio e ele sucumbe a esta sugestão que acaba tremendo de “frio” num ambiente bem quente. Interessa a alguns portugueses continuar com esta “hipnose” da “inferiorização do preto” para facilitar e justificar o retomar do seu domínio económico, social e até político. Daí essa “má consciência portuguesa para com os negros” descoberta pelo Tinhorrão.

  30. Os portugueses retornam a Moçambique….

    Falando ainda sobre a volta dos portugueses a Moçambique talvez seja primeiro pertinente perguntar: Por que saíram de Moçambique? Mas, parece que a melhor resposta, mais do que ninguém, só pode ser dada por eles próprios. Mas o que importa aqui realçar, é que não foi racismo dos pretos moçambicanos contra os brancos portugueses que os obrigou a saírem daqui. Porque se assim fosse, como se explica a seguinte situação relatada por Mariano Matsinha (alto quadro da Frelimo e do Governo moçambicano), no seu livro recentemente publicado?
    _________________________
    (Do livro: “Um Homem, mil exemplos: A Vida e a Luta de Mariano A. Matsinha” – p.17 par. 3,4,):
    A (entrevistador).: A dada altura no executivo moçambicano só existiam dois negros: Joaquim Chissano e Graça Machel. Que comentário?
    MM (Mariano Matsinha).: É verdade! Isso ninguém pode negar! Uma vez critiquei isso em foro próprio, mas aparentemente não fui compreendido. O que eu defendi foi que existisse um certo equilíbrio em termos de representatividade. É certo que os camaradas de raça branca e mestiços tinham tido a possibilidade de se formarem. Todavia, isso não devia impedir que se desse oportunidade aos camaradas de raça negra. Disse aparentemente porque, apesar de ter sido vaiado num encontro a que me referi acima pelos camaradas, os mesmos camaradas, finda a reunião, comentavam que eu tinha razão. Enfim…” (Fim da citação)
    __________________________

    Na sua última edição o Jornal Sul-Africano “Rand Daily Mail” publicou uma entrevista de Samora Machel para aquele jornal. Algures nessa entrevista Samora elogiava os brancos boers sul-africanos por terem sempre optado pela africanidade. Eles, os boers, se assumem como africanos, daí chamarem a si mesmos de afrikaaners e a sua língua de afrikaans. Mas no que diz respeito aos portugueses são muito poucos os que assumiram a sua africanidade (dentre eles, muitos nasceram, cresceram e viveram aqui até à independência, portanto são naturalmente moçambicanos brancos africanos.). Ser africano não significa necessariamente ser preto (há brancos africanos e pretos africanos)

    O governo anti-racista de Samora não podia, de maneira nenhuma, expulsá-los numa base racial, afinal de contas, como Mariano Matsinha diz na citação acima mencionada, numa dada altura muitos brancos estavam no governo como: Ministros, directores nacionais, altos dirigentes nas diversas instituições do novo estado moçambicano (não confundir com o governo de transição antes da independência).

    Independentemente de que razões pessoais os portugueses evoquem como motivo para a sua saída massiva, o que fica claro é que na sua maioria foi por pura precipitação. Uma parte deles, pura e simplesmente, não estava preparada psicologicamente para conviver com um governo dirigido por negros, embora esse mesmo governo tivesse muitos altos dirigentes brancos moçambicanos (e outros portugueses brancos que continuaram a trabalhar em Moçambique como “cooperantes” no âmbito de cooperação com o governo português). O colonialismo fascista português não lhes tinha preparado para essa realidade, e assim se “mandaram” – não aceitaram ser africanos (embora muitos na realidade o fossem. Daí a superioridade dos boers em relação aos portugueses neste ponto). Alguém dirá: “mas os boers são racistas!”. Que novidade há nisso? Há pretos racistas, tribalistas e regionalistas, assim como também há portugueses racistas, tribalistas e regionalistas, portanto o racismo dos boers não é exclusividade só deles.

    Achei interessantes, quando ainda mais novo (na década 60), os comentários dos mineiros moçambicanos em relação à atitude dos boers para com os pretos e à atitude dos portugueses para com os pretos. Costumavam dizer:

    “A bunu a li na mhaka ni munhu wa ntima – kumbe u ni mova, kumbe mpahla yo saseka, kumbe u dyondzile ngopfu – a bunu a li vaviseki ha swona; kambe amaputukezi a va lavi ku vona munhu wa ntima a li ni ntchumu.” (O bóer não se incomoda com o que o negro tem – quer seja um carro, boa roupa ou estudos – mas os portugueses não podem ver o preto com algo. (Isto me lembra aquela história de um administrador colonial português que em João Belo (agora Xai-Xai arrancou o carro do pai da Artemiza Franco, só porque ele era preto, e portanto não devia ter carro – conforme contado por ela num programa de televisão). (Claro que não eram todos os portugueses que tinham essa atitude mesquinha, o mesmo pode-se dizer dos boers – nem todos são racistas).

    Isto, faz-me lembrar o relato do famoso músico moçambicano António Marcos (Mayengane) feito num filme sobre os “Mabulu”, que há poucos anos, foi passado na TV5 Francesa e posteriormente na RTP-Africa, onde ele conta que no tempo colonial comprou um fato; mas tinha que andar sempre com a factura da compra do mesmo num dos bolsos do fato, porque sempre que usava o fato a polícia e os sipaios coloniais lhe interpelavam para lhe interrogarem sobre o seu fato e tinha que justificar com aquela factura a compra do mesmo. (O racismo do bóer não se baixava tanto até este nível. O colonialismo português se gabava do seu não-racismo, de igualdade entre brancos e pretos nos territórios do seu domínio, enquanto que por outro lado praticava, contra os negros, um dos racismos mais baixos e mais dissimulados de que há registo na história.)

    Felizmente, houve uma minoria branca portuguesa que ficou aqui em Moçambique e uma minoria branca moçambicana que também fez o mesmo. Passaram connosco aqui as mesmas dificuldades próprias de uma nação a emergir dos escombros do colonialismo fascista português e da guerra de “desestabilização” ou “guerra civil” (conforme a preferência de cada um), que semeou a morte, o sofrimento e a miséria no povo moçambicano; participaram e ainda continuam a participar para o desenvolvimento de Moçambique. Estão aqui não porque “querem fazer um favor ou ajudar” aos negros. Estão aqui porque assumem que esta é também sua terra. Que atitude nobre!

    Ainda me lembro que, uma vez, conforme li da “Revista Tempo” nos anos 80, o então Presidente da República Joaquim Chissano participou numa conferência exclusiva com empresários portugueses aqui em Maputo, e um deles abordou o Presidente Chissano em língua Changana e conversaram nesta língua. E daí o Presidente Chissano elogiou aquele empresário português por ele se identificar com a cultura e com povo moçambicano ao ponto de falar fluentemente a sua língua sem precisar de mudar de sua nacionalidade portuguesa. Há portugueses dignos como este que merecem o nosso respeito e consideração.

    PORTANTO, NÃO HÁ AQUI NENHUM RACISMO PARA COM OS PORTUGUESES DA PARTE DA MAIORIA DE NÓS MOÇAMBICANOS, (embora alguns portugueses cheguem aqui e comecem a insultar, a menosprezar, a chamar de “ignorantes”, “preguiçosos”, “ladrões” aos moçambicanos e daí quando há uma reacção se achem vitimas de racismo – estão a se auto-vitimizar).

  31. Os Europeus retornam…..

    Falando ainda sobre a volta dos portugueses a Moçambique talvez seja primeiro pertinente perguntar: Por que saíram de Moçambique? Mas, parece que a melhor resposta, mais do que ninguém, só pode ser dada por eles próprios. Mas o que importa aqui realçar, é que não foi racismo dos pretos moçambicanos contra os brancos portugueses que os obrigou a saírem daqui. Porque se assim fosse, como se explica a seguinte situação relatada por Mariano Matsinha (alto quadro da Frelimo e do Governo moçambicano), no seu livro recentemente publicado?

    (Do livro: “Um Homem, mil exemplos: A Vida e a Luta de Mariano A. Matsinha” – p.17 par. 3,4,):
    A (entrevistador).: A dada altura no executivo moçambicano só existiam dois negros: Joaquim Chissano e Graça Machel. Que comentário?

    MM (Mariano Matsinha).: É verdade! Isso ninguém pode negar! Uma vez critiquei isso em foro próprio, mas aparentemente não fui compreendido. O que eu defendi foi que existisse um certo equilíbrio em termos de representatividade. É certo que os camaradas de raça branca e mestiços tinham tido a possibilidade de se formarem. Todavia, isso não devia impedir que se desse oportunidade aos camaradas de raça negra. Disse aparentemente porque, apesar de ter sido vaiado num encontro a que me referi acima pelos camaradas, os mesmos camaradas, finda a reunião, comentavam que eu tinha razão. Enfim…”

    Na sua última edição o Jornal Sul-Africano “Rand Daily Mail” publicou uma entrevista de Samora Machel para aquele jornal. Algures nessa entrevista Samora elogiava os brancos boers sul-africanos por terem sempre optado pela africanidade. Eles, os boers, se assumem como africanos, daí chamarem a si mesmos de afrikaaners e a sua língua de afrikaans. Mas no que diz respeito aos portugueses são muito poucos os que assumiram a sua africanidade (dentre eles, muitos nasceram, cresceram e viveram aqui até à independência, portanto são naturalmente moçambicanos brancos africanos.). Ser africano não significa necessariamente ser preto (há brancos africanos e pretos africanos).

    O governo anti-racista de Samora não podia, de maneira nenhuma, expulsá-los numa base racial, afinal de contas, como Mariano Matsinha diz na citação acima mencionada, numa dada altura muitos brancos estavam no governo como: Ministros, directores nacionais, altos dirigentes nas diversas instituições do novo estado moçambicano (não confundir com o governo de transição antes da independência).

    Independentemente de que razões pessoais os portugueses evoquem como motivo para a sua saída massiva, o que fica claro é que na sua maioria foi por pura precipitação. Uma parte deles, pura e simplesmente, não estava preparada psicologicamente para conviver com um governo dirigido por negros, embora esse mesmo governo tivesse muitos altos dirigentes brancos moçambicanos (e outros portugueses brancos que continuaram a trabalhar em Moçambique como “cooperantes” no âmbito de cooperação com o governo português). O colonialismo fascista português não lhes tinha preparado para essa realidade, e assim se “mandaram” – não aceitaram ser africanos (embora muitos na realidade o fossem. Daí a superioridade dos boers em relação aos portugueses neste ponto). Alguém dirá: “mas os boers são racistas!”. Que novidade há nisso? Há pretos racistas, tribalistas e regionalistas, assim como também há portugueses racistas, tribalistas e regionalistas, portanto o racismo dos boers não é exclusividade só deles.

    Achei interessantes, quando ainda mais novo (na década 60), os comentários dos mineiros moçambicanos em relação à atitude dos boers para com os pretos e à atitude dos portugueses para com os pretos. Costumavam dizer:

    “A bunu a li na mhaka ni munhu wa ntima – kumbe u ni mova, kumbe mpahla yo saseka, kumbe u dyondzile ngopfu – a bunu a li vaviseki ha swona; kambe amaputukezi a va lavi ku vona munhu wa ntima a li ni ntchumu.” (O bóer não se incomoda com o que o negro tem – quer seja um carro, boa roupa ou estudos – mas os portugueses não podem ver o preto com algo. (Isto me lembra aquela história de um administrador colonial português que em João Belo (agora Xai-Xai arrancou o carro do pai da Artemiza Franco, só porque ele era preto, e portanto não devia ter carro – conforme contado por ela num programa de televisão). (Claro que não eram todos os portugueses que tinham essa atitude mesquinha, o mesmo pode-se dizer dos boers – nem todos são racistas).

    Isto, faz-me lembrar o relato do famoso músico moçambicano António Marcos (Mayengane) feito num filme sobre os “Mabulu”, que há poucos anos, foi passado na TV5 Francesa e posteriormente na RTP-Africa, onde ele conta que no tempo colonial comprou um fato; mas tinha que andar sempre com a factura da compra do mesmo num dos bolsos do fato, porque sempre que usava o fato a polícia e os sipaios coloniais lhe interpelavam para lhe interrogarem sobre o seu fato e tinha que justificar com aquela factura a compra do mesmo. (O racismo do bóer não se baixava tanto até este nível. O colonialismo português se gabava do seu não-racismo, de igualdade entre brancos e pretos nos territórios do seu domínio, enquanto que por outro lado praticava, contra os negros, um dos racismos mais baixos e mais dissimulados de que há registo na história.)

    Felizmente, houve uma minoria branca portuguesa que ficou aqui em Moçambique e uma minoria branca moçambicana que também fez o mesmo. Passaram connosco aqui as mesmas dificuldades próprias de uma nação a emergir dos escombros do colonialismo fascista português e da guerra de “desestabilização” ou “guerra civil” (conforme a preferência de cada um), que semeou a morte, o sofrimento e a miséria no povo moçambicano; participaram e ainda continuam a participar para o desenvolvimento de Moçambique. Estão aqui não porque “querem fazer um favor ou ajudar” aos negros. Estão aqui porque assumem que esta é também sua terra. Que atitude nobre!

    Ainda me lembro que, uma vez, conforme li da “Revista Tempo” nos anos 80, o então Presidente da República Joaquim Chissano participou numa conferência exclusiva com empresários portugueses aqui em Maputo, e um deles abordou o Presidente Chissano em língua Changana e conversaram nesta língua. E daí o Presidente Chissano elogiou aquele empresário português por ele se identificar com a cultura e com povo moçambicano ao ponto de falar fluentemente a sua língua sem precisar de mudar de sua nacionalidade portuguesa. Há portugueses dignos como este que merecem o nosso respeito e consideração.

    PORTANTO, NÃO HÁ AQUI NENHUM RACISMO PARA COM OS PORTUGUESES DA PARTE DA MAIORIA DE NÓS MOÇAMBICANOS, (embora alguns portugueses cheguem aqui e comecem a insultar, a menosprezar, a chamar de “ignorantes”, “preguiçosos”, “ladrões” aos moçambicanos e daí quando há uma reacção se achem vitimas de racismo – estão a se auto-vitimizar).

  32. Essa bosta de Blog é para cagar em cima dos portugueses? Que racismo às avessas vem a ser isso?

    • Caro sr. Ricardo Martins Soares, se consideras o Blog como tal sinônimo que a ele deu, pode não visitar mais. No entanto, devo ressaltar que a última coisa que o Mosanblog pretende é … (prefiro não repetir tal desonrada palavra) em cima nem de portugueses nem de qualquer outra nacionalidade. Meu texto apenas exprimiu algo que encontrei em Moçambique quando lá estive em julho de 2012, assim como fiz em todos os textos que escrevi quando vivia em Moçambique nos anos de 2010 e 2011. Infelizmente, encontrei mais maus portugueses nesta minha última visita do que bons.
      Conforme respondi ao sr. Domingos, que muito educadamente aqui se expressou, peço desculpas se pesei demais a mão nesse texto e exagerei os comentários fazendo parecer que todos os portugueses que se dirigem a Moçambique são “merecedores de reparos”, como diz.
      No entanto, meu principal intuito foi demonstrar a mudança de “tipos” que anda aterrando em Moçambique. Em dois anos que vivi em Maputo, conheci muitos estrangeiros (portugueses e de outras nacionalidades) boa gente, que queriam e querem, porque muitos lá ainda estão, contribuir com Moçambique, sem o espírito do colono. O que me assustou foi que nesses poucos dias que estive agora em julho de 2012 encontrei uma nova leva que está chegando, cheia de preconceitos, idéias atrasadas e colonialistas, maus modos, pouca educação, nenhuma polidez…
      Quanto aos comentários feitos por outras pessoas, afirmo que o Mosanblog é democrático e permite que os outros se expressem. Isso não significa que eu concorde com os conceitos expressos pelos leitores, nem mesmo com certos vocábulos que usam.
      Atenciosamente.
      Sandra.

      • Sr. Ricardo Martins Soares, seu novo comentário foi excluído. Quando o senhor conseguir se expressar sem palavras de baixo calão, seus comentários voltarão a ser publicados. Os leitores do Mosanblog não merecem tamanha deseducação.
        Att.

        Sanflosi.

      • Sanflosi disse:

        “Só me preocupa quando vejo portugueses que aqui chegam cheios de preconceito, a reclamar dos diferentes hábitos de higiene (ou falta deles), educação e habilidades de raciocínio de alguns moçambicanos, como se de onde vêm não existissem pessoas com as mesmas dificuldades.”

        Gostei de ver esta observação da Sanflosi. Isto me lembrou o que tinha lido num artigo do Livro de Sérgio Vieira: “PARTICIPEI, POR ISSO TESTEMUNHO” – Pág. 502, páragrafos 3-8:

        “Portugal e, por arrasto, os colonos, viviam como uma sociedade sofrendo de um autismo agudo.
        A oposição, porque portuguesa, não estava imune ao mal. A oposição de um modo geral, não conhecia a situação colonial por muitas e variegadas razões, incluindo, sobretudo, a compartimentação prevalecente entre as diversas raças e camadas sociais nas colónias.
        Norton de Matos, republicano, liberal e mação, nas suas MEMÓRIAS descreve a sua SURPRESA AO DESCOBRIR QUE UM COZINHEIRO SEU CHORAVA PORQUE LHE MORRERA O FILHO, e conclui, afirmando a SUA ENORME DESCOBERTA sobre o CARÁCTER HUMANO DO NEGRO, chorar um filho fazia do negro um ser humano!
        A ideologia colonial assentava no pressuposto da SUPERIORIDADE DO COLONIZADOR E SUA RAÇA porque, ao afirmar o contrário, punha em causa o edifício ético que justificava o próprio colonialismo e, por isso mesmo, o TRATAMENTO DOS NATIVOS COMO SUB-HUMANOS. Considerar-se o negro com um ente, por definição, PREGUIÇOSO, SUJO, INDOLENTE, INCAPAZ DE APRENDER, UM ANIMAL SEXUAL que cobiçava as brancas, fazia parte do ideário colonial e em toda a parte, não apenas nas colónias portuguesas. A negra não passava de uma feiticeira que através de ‘mezinhas e de lubricidade inerente à raça’ arrancava os incautos esposos brancos às alvas esposas.
        Levou tempo e discussões aturadas para que a Igreja de Roma RECONHECESSE A ALMA DO NEGRO, susceptível de receber o baptismo, porque Deus também o fizera ‘à sua imagem e semelhança’
        Os liberais da monarquia ou da I República assumiam ‘o fardo do homem branco, civilizar os povos nativos e atrasados.’

        Alguns moçambicanos ao constatarem que muitos dos portugueses que agora “retornam” a Moçambique ainda estão imbuídos da mentalidade acima exposta que sempre caracterizou os colonizadores portugueses, se perguntam: “SERÁ QUE NÃO ESTAMOS PERANTE O PRENÚNCIO DE UMA NOVA COLONIZAÇÃO PORTUGUESA?” (Até o músico Chitsondzo tem uma música alusiva a esta questão: ‘Va vuya a Maputukezi, va vuya a Vamadji, va vuya vaDjarimana, va vuya vaAmericano…tivoneleni vana va Moçambique.’)

      • Sanflosi disse:
        “Na Europa já não há dinheiro nem empregos. Na África falta mão-de-obra qualificada, especializada em demandas modernas. Aí que os filhos da terra, que tiveram que sair quando da independência de Moçambique nos anos 70, estão agora a regressar, a vir ter aqui o que já não conseguem em terras de colonizadores.”

        “FALTA DE MÃO-DE-OBRA QUALIFICADA, ESPECIALIZADA EM DEMANDAS MODERNAS”
        Esta estória de “falta de mão-de-obra qualificada” aqui em Moçambique é verdade e é interessante. É interessante quando se pensa que os portugueses que agora voltam vão suprir essa “falta de mão-de-obra”. É interessante porque essa mão-de-obra qualificada portuguesa, uma vez já esteve aqui e constituia a maioria absoluta de mão de obra qualificada aqui em Moçambique. Mas um ponto importante que precisa ser lembrado é que essa mão-de-obra portuguesa pura e simplesmente FUGIU, ABANDONOU, e até sabotou maliciosamente equipamentos em fábricas. Mesmo essa fuga ou abandono, para uma parte desses portugueses, era já em si uma sabotagem premeditada, como quem diz: “Vamos ver como esses pretos vão se arranjar sem nós. Eles não têm quadros nenhuns tecnicamente capazes de manter o País a funcionar e as fábricas e empresas a funcionar”
        _________
        Do livro: “Um Homem, mil exemplos – A vida e a de Luta de Mariano de Araújo Matsinha”
        (recentemente lançado em Maputo), pág.: 86, parágrafo 1:
        “Sofremos sabotagens literalmente dolosas e provocatórias perpetradas por alguns cidadãos portugueses. Chegaram a pôr açúcar e ou areia nas máquinas e outros equipamentos, nos tubos, e, elas gripavam… O PAÍS TEVE PREJUÍZOS INCALCULÁLEIS…”
        _________
        Alguns pensam e divulgam a falsa ideia de que os portugueses ou os brancos foram expulsos em 1975 e 1976 de Moçambique. Nem os portugueses e nem os brancos como tal foram expulsos, a não ser alguns sabotadores e insultadores racistas que tiveram que ser dados o famoso “24/20” (24 horas e 20kg de carga pessoal) ultimato, para abandonarem o país.
        Há portugueses brancos que ficaram em Moçambique e estão aqui até hoje: alguns como ”cooperantes” e outros que não abandonaram as suas empresas e negócios. Outros brancos portugueses adoptaram a nacionalidade moçambicana e ficaram aqui como moçambicanos que são. Importa aqui lembrar que o primeiro governo de Moçambique (não me refiro ao governo de transição) depois da Independência tinha tantos brancos que até certos pretos se sentiam incomodados com isso. Até mesmo delegações moçambicanas, que iam participar em algumas reuniões continentais aqui em África, tinham tantos brancos que os outros africanos até chegavam a perguntar que afinal nesse Moçambique são brancos ou são pretos.
        Mesmo durante a guerra colonial, soldados portugueses capturados pela guerrilha eram bem tratados e depois entregues à Cruz Vermelha Internacional que até mesmo eles se perguntavam como era aquilo possível. Durante as conversações para o fim da guerra e subsequente independência de Moçambique consta que a Frelimo entregou 400 soldados portugueses capturados durante a guerra e Portugal não conseguiu entregar nenhum guerrilheiro capturado (tinham sido todos mortos pela infame PIDE). Aqui alguém pode perguntar.: “Quem é racista, afinal de contas?”
        Então fica claro que nunca houve e não há aqui nenhum racismo de moçambicanos para com os brancos ou para com os portugueses, como tenta fazer crer o Sr. Ricardo Martins Soares, quando diz: “Que racismo às avessas vem a ser isto?”
        Agora uma pergunta é pertinente:
        – Com que atitude volta esta mão-de-obra portuguesa qualificada? Não voltarão a fugir “sabotando” Moçambique como fizeram em 1975/1976? Será que essa mão-de-obra qualificada portuguesa, está voltando num contexto de cooperação governo-governo ou governo-empresa, de maneiras que quando terminarem os seus contratos se sintam seguros de que não vão perder os seus empregos? Porque se eles se sentirem inseguros concerteza que não vêm a Moçambique para preparar mão-de-obra moçambicana. Eles vêm para garantirem a sua sobrevivência e aí nunca estarão interessados em que haja uma mão-de-obra moçambicana qualificada. Para eles os pretos moçambicanos serão sempre “ignorantes”, “preguiçosos” e “ladrões” (assim garantirão o seu emprego e sua permanência para sempre aqui.)

        Por fim dizer:
        Que venha essa mão-de-obra portuguesa qualificada, ela é bem vinda. Mas que não venham racistas, sabotadores dissimulados, arrogantes, descontentes, mal-humorados, murmuradores, boateiros. Khanimambo

  33. Acho interessante essa de uma camada de portugueses e outros acharem que os negros nao sao inteligentes.
    Vejamos esta: “um branco sul-africano queria ir a busca de diamantes numa terra desertica em Kimbeley (deserto do Kalahari).
    Primeiro tinha que estabelecer um ponto estrategico de partida – a viagem seria longa e dificil no deserto. Primeiro precisava de agua suficiente para tal. Andou a espiar com binoculos durante um certo a um casa de khoisan na zona donde queria partir para essa missao espinhosa. Descobriu um sitio donde os bosquimanes bebeu agua com um cano espetado no chao – onde por sinal – passava uma corrente subterranea.
    Vedou o local com rede e colocou um cao e construiu uma casa. O casal de bosquimanos ja nao tinha onde beber agua. Pediam ao branco permissao para beber daquela mas ele nao lhes permitia, ate que a mulher do bosquimano sucumbiu de sede e morreu.
    Mas, eis que o esperto do branco pede ao bosquimano para lhe mostrar o caminho para chegar ao sitio dos diamantes – onde outros brancos ja tinham ido e tinham sucumbido ate a morte no clima austero do deserto. O bosquimano conhecia o lugar, embora fosse distante e aceitou ajudar o homem branco a chegar ao sitio. A unica condicao que o bosquimano exigiu foi um carneiro, para ele comer antes da partida. O branco acedeu e deu um carneiro para o bosquimano comer e depois partiram para a longa viagem
    Depois o branco transportou bidoes de agua, que ia enterrando estrategicamente pelo caminho e assinalando com um pau enterrado para identificar facilmente o lugar e abastecer-se de agua quando voltasse ja com diamantes.
    Chegaram no local dos diamantes, o branco encontrou as ossadas dos seus conterraneos falecidos e uma saqueta com diamantes. Tendo terminado o seu trabalho o bosquimano deixou o homem branco e voltou. So que na volta o bosquimano adiantou-se e foi desenterrando os bidoes de agua e entornando a agua no chao. E ele nem precisava de beber aquela agua, conhecia uma maneira de sobreviver no deserto.
    O branco na volta ia encontrando os bidoes vazios e por fim sucumbiu pela sede e morreu.
    Agora a pergunta e: “Quem era mais inteligente? O bosquimano ou homem branco, que menosprezou a inteligencia daquele bosquimano?

  34. Cara amiga,

    Pertencendo eu a essa geração de tuguinhas descrita, confirmo que realmente a educação e a visão do mundo é mesquinha, desconfiada e (o pior) euro-cêntrica (gosto de a apelidar de “geração CEE”). África não merece muita dessa gente que o que ganhou em educação (profissional) falta-lhe ainda em educação (pessoal), para já não falar da perda do laço que (sempre) existiu entre Portugal e aquela nossa (não de posse) África.

    No entanto não gostei muito do seu tom. E passo a explicar porquê. O brasileiro tem uma certa tendência para trazer ao de cima a herança colonial sempre que um português tropeça num degrau da escada. Gostava de saber o que os antigos governadores, navegadores e comerciantes portugueses têm a ver com essa gentinha que chega a terra de outrém cheia de medo e preconceito. Como já a vi a comentar acima, conheceu bons exemplos (tugas e não só), logo não vejo a necessidade de generalização. A outra razão pela qual não gostei muito do tom foi que, sendo a senhora brasileira, devia saber um pouco mais; é que a senhora é descendente de colonizadores; e que não foram expulsos, antes fundaram um país em terra de índio (que não tem noção de posse, como decerto sabe) e auto-denominaram-se de “brasileiros”. Não só isso, mas insistindo no tom, acabou por abusar no tom negro da pintura. Os portugueses não deixaram Moçambique no estado em que está. Penso que a senhora deve saber, mas Moçambique (tal como Angola, e, a, na altura, União Sul-Africana) era considerado dos países economicamente mais pujantes da África subsariana. O país ficou ligado à máquina durante a guerra colonial e auto-destruiu-se com a subsequente guerra civil fomentada pelo clima de Guerra Fria de que penso já ouviu falar. Já li algures no seu blog (sou leitor e gosto muito do que escreve) que na altura da descolonização a taxa de alfabetização nacional era de 4%. E, disse bem, era um privilégio dos brancos e da elite negra. Logo, de condenar. No entanto, na mesma altura, a taxa de alfabetização em Portugal era de menos de 20%! Talvez me possa informar da mesma taxa no Brasil em 1975, e talvez possamos continuar a partir daí a falar sobre benefícios e prejuízos dos tempos coloniais e sobre como as elites, sejam elas brancas, negras ou amarelas, são sempre as mais beneficiadas.

    Com o meu comentário só pretendo reflectir. Não quis defender gente mal-educada da minha terra, nem o tempo colonial, nem ofender o Brasil ou a senhora. Só espero que a senhora não se lembre automaticamente dos navios negreiros e dos pelourinhos e dos engenhos e das chicotadas de que ouviu falar na escola da próxima vez que um Manoel espirrar perto de si.

    Gosto muito dos seus posts.
    Tiago

    • Tiago, muito obrigada pela visita e pela valiosa contribuição que aqui deixou para reflexão não apenas da autora do blog, mas de todos que aqui visitarem.
      Abraços.

    • Os portugueses deixaram Mocambique Portugues bonito mas deixaram Mocambique negro, do canico, onde as fezes dos negros eram manuseados em baldes que espalhavam um cheiro de fezes quando manuseados nas noites pelo pessoal negro da Camara Municipal. Os brancos na cidade cimento nao defecavam em baldes, tinham casas com casas de banho decentes. tinham casas de alvenaria, tudo bonito para eles. Mas os pretos -99,999% – tinham a cidade de canico, de baldes de fezes, ruelas mal cheirosas. desordenadas.
      Do livro do antigo Presidente de Mocambique Joaquim Alberto Chissano (Vidas, Lugares e Tempos, pag.126, paragrafo 3) vou citar um pouco:
      “Continuando a minha caminhada, embora aqui fosse dificil continuar a correr, nao fosse chocar-me com as pessoas idosas com tinha de me cruzar pelos caminhos apertados, penetrava la para o interior da cidade de canico (ou cidade de lata). Ali respirava a brisa quente de um ar “perfumado” com o cheiro das fezes humanas que emanava dos baldes mal escondidos das retretes de canico. Ja nao era um cheiro nauseabundo, porque embora era demasiado forte, o remedio era acelerar o passo com a respiracao interrompida ate um espaco fresco. Este era o ar natural do “canico”.
      A minha residencia estava la…..”
      Este e o Mocamque Negro (dos Pretos) que os Portugueses
      deixaram “perfumado” de fezes de pretos, na “cidade de canico”, onde, nos negros viviamos. O interessante e que os brancos portugueses parecem nao conheciam esse mundo preto.
      Agora voltam, e teem que viver com os pretos aqui na cidade de cimento e ai se queixam porque a “cidade deles – os brancos portugueses esta estragada, esta suja, esta degradada. Mas parece que nao custa nada – ao chegaram aqui agora que estao voltando – era so daram meia-volta e voltarem para a suas bem
      “limpas”, bem “organizadas” cidades portuguesas la em Portugal.

      Quem nos ensinou, quem nos habituou a viver com “fezes”, com mau cheiro, com a desorganizacao da “cidade de canico” onde, 99,999% de nos pretos, viviamos no tempo colonial, foram eles – os portugueses. Portanto se durante todo o tempo que estiveram aqui nao “conheceram” essa realidade da vida dos 99,999% de negros no tempo colonial, o problema e deles. Eo interesseante e que ate muitos negros “assimilados” – como e o caso do entao menino Joaquim Chissano, filho de pai assimilado (isto e um preto -“branco”).

    • O Sr. Tiago Kardoso diz:
      “Os portugueses não deixaram Moçambique no estado em que está.”
      Muito bem! Então em que estado os portugueses deixaram Moçambique em 1975?
      Por favor queira ler a seguinte citação, talvez nos ajude a ver em parte em que estado os portugueses deixaram Moçambique na altura da Independência deste país:

      Tag Archives: Mozambique
      Why are the Portuguese Returning to Mozambique?
      September 13, 2012 All Africa, Southern Africa No comments

      A recent article on CNN.com highlighted the fact that the Portuguese are returning to Mozambique and Angola because of the worsening economic crisis in Europe. I know most African countries preached reconciliation and forgiveness after Independence from their colonial powers but I think this needs to be highlighted.
      When Mozambique received its independence in 1975 from the Portuguese it was supposed to be a joyous time but it was not entirely. The people were happy to obtain political freedom but the Portuguese of course were not so happy because they were losing some of their power. The Portuguese who were living in Mozambique decided to destroy all the infrastructure they has built as a form of retaliation towards the Africans seeking independence.

      Mozambique is a former Portuguese colony and when the Portuguese left they put sugar in all the plumbing systems and machinery therefore taking the country back to the Stone Age. Adding petrol to the fire the South African government sponsored MNR bandits to destabilize the independent government killing many people who would have been valuable members of society. If that was not enoughMozambique has been hit by cyclones and wild weather which has hampered the development and progress of the nation.

    • Kardoso disse:
      “…Os portugueses não deixaram Moçambique no estado em que está…”
      Sim, tem razão o Sr. Kardoso, os portugueses não deixaram Moçambique no estado em que está:
      -Quando os portugueses deixaram Moçambique, os pretos não tinham tantos carros como os que têm agora ao ponto de não encontrarem espaço suficiente para parqueá-los e terem que usar os passeios para tal, por exemplo aqui na cidade de Maputo.
      Isto faz-me recordar um acontecimento no tempo colonial contado pela Sra. Artemiza Frank, que se deu na Cidade de João Belo ( agora Xai-Xai): O pai dela, o Sr. Frank, era mineiro e tinha adquirido um carro na África do Sul (um cadilac) e trouxe para casa. Não era normal um negro ter carro naquela altura. Para o administrador português de João Belo era pura e simplesmente inadmissível e inconcebível que um negro pudesse ter um carro e ainda mais um cadilac. Colonialista racista, primário, de modos nada civilizados, pura e simplesmente arrancou o carro do preto, sem mais nem menos. (Este era o Moçambique que os portugueses deixaram onde pretos não deviam nem ter um carro.)

      Moçambique que os portugueses deixaram não tinha a majestosa “PONTE ARMANDO EMÍLIO GUEBUZA” no rio Zambeze. Moçambique que os portugueses deixaram não tinha tantas UNIVERSIDADES e outras Instituições de Ensino Superior em todo o País, onde os pretos moçambicanos estão se formando. Moçambique de então não tinha tantos hospitais, tanto pessoal médico negro, tantas enfermeiras negras, tantos engenheiros negros, etc…(ainda não são suficientes é claro).
      -Hoje vemos muitos negros construindo suas bonitas casas de alvenaria (e casas de caniço estão desaparecendo). Não havia uma moderna fundição de alumínio como uma Mozal onde a maioria dos trabalhadores qualificados são pretos. Não havia uma Sasol, explorando o gás de Temane em Inhambane e tendo pessoal preto moçambicano qualificado a trabalhar. Não tinha Kenmare em Moma explorando as areias pesadas com muitos pretos moçambicanos qualificados a laborar. Não tinha pilotos pretos moçambicanos na aviação como os tem agora. Moçambicanos pretos até nas zonas rurais podem beneficiar-se do financiamento dos 7 milhões a juros simbólicos para aliviar a pobreza. Hoje temos a Barragem dos Pequenos Limbombos, a Barragem de Corumane, etc., etc. – que não foram deixados pelos portugueses. (E muitas outras tantas coisas, etc.,etc.,etc.).

      -Sim, há muito que os pretos ainda têm que aprender em termos de urbanidade; há muito que os pretos têm que melhorar. Mas partindo da ignorância, do analfabetismo, da discriminação racial, a que os pretos moçambicanos foram votados pelo pior colonialismo de todos os tempos, pode-se dizer com segurança que o Moçambique Preto progrediu sobremaneira desde a saída dos portugueses. Mas o Moçambique exclusivo, restrito dos brancos colonialistas portugueses esse realmente está degradado.

    • Tiago Kardoso disse:
      “…Os portugueses não deixaram Moçambique no estado em que está…”

      O Sr. Tiago Kardoso tem razão, os portugueses não deixaram este Moçambique no estado em que está hoje. PORTUGAL NÃO DEIXOU PRETOS CAMPONESES MILIONÁRIOS quando saiu, MAS HOJE EXISTEM.

      Do Jornal Domingo de 10 de Junho de 2012 de Maputo, págs. 20 e 21:
      “PAIS – DESENVOLVIMENTO RURAL
      ANGÓNIA: O RECANTO DOS MILIONÁRIOS ANÓNIMOS.
      “…FORTUNAS NAS MÃOS DE RICOS QUE VIVEM COMO POBRES”
      O momento de trambolhão dos funcionários de todos estes balcões acontece quando abrem as portas e recebem um idoso maltrapilho, com a aparência por arrumar, carregando um enorme saco sujo e velho, com o português a sair-lhe pela boca a “marretadas”, e a dizer “Bom dia, quero depositar o meu dinheiro.
      Até o novo administrador do distrito, Joaquim António Chirene, teve um desses baques quando entendeu entrar no balcão em Dómue, no norte de Angónia…: “No balcão estava um ancião a ser atendido que trazia um enorme saco de ráfia bem velho e sujo. Acredite que chegamos de manhã e só fomos atendidos ao começo da tarde, porque os funcionários do balcão estavam a contar o dinheiro que aquele ancião tinha para depositar. Era muito dinheiro. Nunca tinha visto algo de género”, conta.
      Dionísio Fungane, gerente do Banco Terra… conta que apareceu um homem de meia-idade que transportava um saco no qual tinha notas e mais notas para depositar. “Contamos o dinheiro e eram 750 mil meticais e este nem sequer foi o maior depósito que fizemos. Tem gente que vem com muito mais.”
      Belmira Ricardo, do Banco Oportunidade de Moc. (BOM), também teve uma dessas surpresas. “Recebemos um cliente… Contamos…600 mil meticais. Quando concluímos…disse que voltava pouco depois”. …poucas horas …retornou para mais um depósito: tinha notas que totalizam 800 mil meticais.”, revela.
      ‘…Serra Meque Smith, um jovem agricultor não se cansava de indicar os bens móveis que adquiriu com os rendimentos de sua machamba de 25 hectares.: ”Trabalho no campo há 15 anos e…comprei cinco camiões. O último custou 950 mil meticais e paguei cash, meu irmão…”

    • O Sr. Tiago Kardoso disse:
      “O país … auto-destruiu-se com a subsequente guerra civil fomentada pelo clima de Guerra Fria de que penso já ouviu falar.”

      Aqui uma pergunta é pertinente:
      – O país autodestruiu-se ou foi destruído por uma guerra criada e fomentada a partir do exterior, usando mo (por certos sectores da comunidade portuguesa, pelo regime ilegal de Ian Smith na Rodésia e pelo regime racista bóer de Pretória)?
      ________________
      (da Wikipedia Enciclopedia Livre):
      “Imediatamente a seguir à independência, alguns militares (ou ex-militares) portugueses e dissidentes da FRELIMO instalaram-se na Rodésia, que vivia uma situação de “independência unilateral” não reconhecida pela maior parte dos países do mundo. O regime de Ian Smith, já a braços com um movimento interno de resistência que aparentemente tinha algumas bases em Moçambique, aproveitou esses dissidentes para atacar essas bases.”
      _______________
      Home Mia Couto Mia Couto e a paz em Moçambique: “O retrato oficial de guerra civil é falso”
      Qui, 21 de Junho de 2012 01:02
      Como foram esses 20 anos de paz para o país, politicamente e socialmente? Para falar da paz é preciso falar da guerra. Tivemos uma guerra atípica, não era uma guerra civil, embora hoje se dê esse nome. Não foi uma parte do povo que se revoltou contra outra, tão pouco foram etnias. A guerra nasceu fora do país, de uma agressão externa, que depois se converteu num certo grau de violência interna.(Entrevista de Mia Couto. Radio Moçambique)
      _____________________________
      (de Macua.blogs.com/…/separatistas_na htlm):
      “Neste contexto, seria difícil a sustentabilidade de uma RENAMO de volta à GUERRA sem o apoio da extinta Rodésia e da África do Sul do Apartheid e do Governo português através do DINFO, serviços secretos da Marinha adstrita ao Ministério de Defesa de Portugal, de onde foi criada para destabilizar e dividir Moçambique.”
      _______________
      (Cronologia – BNI – Banco Nacional de Investimento – http://www.bni.co.moz./…/cronologia.aspx)
      1976 -Lourenço Marques passa a chamar-se Maputo.
      É criada a Renamo- Resistência Nacional Moçambicana, um grupo resistente ao partido Frelimo formado por oficiais brancos da Rodésia.
      1980 – Depois do colapso do regime da Rodésia a Renamo é apoiada pela África do Sul.
      ______
      Resumindo estas poucas fontes:
      Guerra de desestabilização da Renamo: Foi criada e fomentada por: “alguns militares portugueses”, regime minoritário e ilegal de Ian Smith da Rodésia;e da “Africa do Sul do Apartheird”.

    • O Sr. Tiago Kardoso disse:
      “O país … auto-destruiu-se com a subsequente guerra civil fomentada pelo clima de Guerra Fria de que penso já ouviu falar.”

      Aqui uma pergunta é pertinente:
      – O país autodestruiu-se ou foi destruído por uma guerra criada e fomentada a partir do exterior, usando moçambicanos (por certos sectores da comunidade portuguesa, pelo regime ilegal de Ian Smith na Rodésia e pelo regime racista bóer de Pretória)?

      (macua.blogs.com/moambique_para…/364/ – )
      Fundação da RENAMO: Máximo Dias acusado de deturpar a história(2). Mais um esclarecimento enviado pelo Autor de “A OPÇÃO PELA ESPADA”
      Fundação da RENAMO: Máximo Dias acusado de deturpar a história (2)
      Mais um esclarecimento enviado pelo Autor de “A OPÇÃO PELA ESPADA” sobre a Fundação da Renamo que parece ter sido esquecido por todos os seus componentes:
      Muitos estavam a dormir ou procurando acumular benesses com a saída dos portugueses enquanto a História ia sendo construída e agora, por vaidade ou cobiça, pretendem pegar uma carona no trabalho alheio. Chega de mistérios, de procurar chifres em cabeça de cavalo! Não se trata de um filme de aventura, repleto de grandes momentos. Apenas homens inconformados com a triste situação de um país adoptivo e com coragem suficiente para reagir a tal. Os fundadores da Resistência estão vivos em sua maioria e devem estar em Portugal, pois do grupo original de oito combatentes, seis eram portugueses, um “misto” moçambicano e eu.
      Os primeiros contactos foram entre ex-comandos da FNLA que, oriundos de Moçambique, se refugiaram na Rhodesia e eu, retornado ao Brasil. As cartas são de Junho de 1976. O primeiro panfleto que leva o nome da Resistência foi dactilografado e rodado em “estênsil”, formato A4, pelo Guedes, português, funcionário do governo rhodesiano e lançados pela primeira vez em Moçambique no combate onde Rui foi ferido gravemente e capturado. A data de sua captura, que não me recordo, mas que foi amplamente divulgada, marca aproximadamente um mês de vida da Resistência Moçambicana. Combatentes do primeiro grupo que foram importantes em sua criação : Manuel Godinho e Póvoa, ambos portugueses e provavelmente residindo em Portugal, além do Guedes, responsável pelos contactos em Salisbury e com o Brasil. E sinto muito, já que nossa Resistência, criada guerreira e que assim deveria continuar, perdeu-se nos meandros das políticagens corruptas e vaidades pessoais.
      Descrevo aqui como foi o “histórico e misterioso”nascimento do nome do Movimento: um brasileiro sentado na varanda da Coimbra Boarding House, em Salisbury, bebendo sua segunda cerveja Lion e pensando no texto do primeiro panfleto…E nunca vi, nem por perto, o actual presidente da Renamo. Não fez parte dos fundadores, todos portugueses ou descendentes, com dois africanos incorporados, cedidos pelos rhodesianos. Após o fracasso da primeira missão, André juntou-se ao grupo e logo se destacou entre os demais pela sua capacidade de liderança. Mas sem o apoio do Special Branch, que vigiava nossos passos e depois nos abrigou nada conseguiríamos, aliás como toda guerrilha, inclusive a Frelimo, que tinha a Tanzânia como sua “Rhodésia”.
      E para não ser confundido com a escumalha que pega carona na história, uma olhada mais detalhada na foto da capa de “A opção pela espada” pode ser mais esclarecedora: na fronteira Rhodésia-Moçambique, estou à frente de meu grupo, seguido de meu segundo em comando. Podem identificá-lo? É o bravo André, que assumiria com minha saída e impulsionaria o Movimento. Atrás dele, dois portugueses, Alex e Silva; depois, os dois africanos do Special Branch. E é só. A História tem que ser feita de verdades, boas ou más, para evitar que, em se mantendo omissões ou mistérios, permitam que aventureiros dela tentem lançar mão…
      Pedro Marangoni

    • O Sr. Tiago Kardoso diz:
      “Os portugueses não deixaram Moçambique no estado em que está.”
      Muito bem! Então em que estado os portugueses deixaram Moçambique em 1975?
      Por favor queira ler as seguintes citações, talvez nos ajudem a ver, em parte, em que estado os portugueses deixaram Moçambique na altura da Independência deste país:

      Do livro: “Um Homem, mil exemplos – A vida e a de Luta de Mariano de Araújo Matsinha”
      (recentemente lançado em Maputo), pág.: 86, parágrafo 1:

      “Sofremos sabotagens literalmente dolosas e provocatórias perpetradas por alguns cidadãos portugueses. Chegaram a pôr açúcar e ou areia nas máquinas e outros equipamentos, nos tubos, e, elas gripavam… O PAÍS TEVE PREJUÍZOS INCALCULÁLEIS…”

      Pelo acima exposto alguém pode perguntar: “Em que estado os portugueses deixaram Moçambique?”
      Moçambique ficou mais bonito e mais desenvolvido com essas sabotagens? Ou agora Moçambique está-se recuperando dessas sabotagens e doutras piores que a Guerra da Renamo (também fomentada e apoiada por certos portugueses) causou a Moçambique?:
      ________________
      Correio da Manhã – 2 Novembro 2004 –
      TRIBUNA
      Coluna de João CRAVEIRINHA joaocraveirinha@yahoo.com.br
      ACHEGA ÀS ELEIÇÕES 2004
      Em Moçambique, a seguir à Independência, inicia-se uma sangrenta “guerra civil” que duraria cerca de 16 anos (1976/1992).
      O Movimento da Resistência mais tarde RENAMO seria “inventado” por portugueses coloniais contra a Independência dos “pretos” da Frelimo. Nesse envolvimento subversivo contra o novo Estado Moçambicano, seriam comuns os nomes entre outros, dos portugueses Jorge Jardim, Orlando Cristina, Moreno e Arlindo Malosso muito activo no 7 de Setembro 1974 contra a Independência. Arlindo Malosso, teria sido um dos pioneiros na criação da chamada Resistência que daria origem à RENAMO. Participaria nos contactos com os serviços de Defesa e Segurança da Rodésia e bóeres da África do Sul como intermediário da mesma MNR – RENAMO. Todavia inteligentemente a RENAMO (antes Movimento da Resistência), através de André Matadi MATSANGAÍSSA ex – comandante da Frelimo na Beira, tira partido desse ódio anti-Frelimo dos portugueses, servindo-se deles, até conseguir uma certa autonomia pendendo mais para os rodesianos de Ken Flowers do CIO – serviços secretos de Ian Smith. Após a morte de Matsangaíssa a Renamo depende da logística (e comandos) dos serviços secretos militares do general bóer, Magnus Malan, concentrados em Phalaborwa perto do Kruger Park, na direcção de Gaza / Maputo.
      _______________________________

  35. Adorei o seu Blog, vou em Agosto para Moçambique e os seus posts são verdadeiramente educativos, gostei e subscrevi.
    Não gostei deste post em particular, existe algum preconceito de fundo da sua parte, obviamente que haverão portugueses que sejam merecedores de reparos, mas de certeza não serão todos.
    É verdade que nestes dias sofremos uma severa crise que nos força a procurar o sustento noutras paragens, mas já o fizémos noutras alturas e regra geral os emigrantes portugueses são casos de sucesso, talvez mesmo no seu país.
    Até à pouco tempo atrás antes da crise eclodir, recebemos aqui neste cantinho emigrantes de diversos países desde os países do leste da europa até ao próprio Brasil.
    Lembro-me bem dos primeiros emigrantes brasileiro chegando em meados da década de oitenta, eram recebidos com curiosidade e, não poucas vezes, de braços abertos, quase como cada um deles fosse uma estrela de novela (acredite era ssim mesmo no início, não exagero),
    Como dizemos por cá à gente boa e má em toda a parte, mas preconceitos aos emigrantes portugueses vindos de um brasileiro(a), parece-me profundamente injusto!
    Desejo contudo que continue a postar as suas impressões sobre Moçambique, que são bem pitorescas e divertidas, um curso intensivo de integração.
    Tudo de bom para si.

    • Domingos, muito obrigada por seu comentário e por suas visitas ao Mosanblog.
      De antemão peço desculpas se pesei demais a mão nesse texto e exagerei os comentários fazendo parecer que todos os portugueses que se dirigem a Moçambique são “merecedores de reparos”, como diz.
      Conforme eu respondi no comentário de Suite51, logo abaixo, nos dois anos que vivi em Maputo, conheci muitos estrangeiros (portugueses e de outras nacionalidades) boa gente, que queriam e querem, porque muitos lá ainda estão, contribuir com Moçambique, sem o espírito do colono.
      O que me assustou foi que nesses poucos dias que estive agora em julho de 2012 encontrei uma nova leva que está chegando, cheia de preconceitos, idéias atrasadas e colonialistas…
      Mas sabendo que alguém tão simpático como o senhor está a chegar por lá logo em Agosto, já me vejo a sorrir de novo, por perceber que os portugueses gente boa também estão a seguir o caminho para Moçambique neste momento.
      Abraços e boas idas para a África.
      Sandra.

      • Quanto a essa historia de os portugueses que voltam se chatearem com a imundicie e a destruicao de Mocambique pelos mocambicanos negros, tenho uma cena a contar:
        Um dia, ainda la, no tempo colonial, estava eu num machibombo (autocarro) publico (SMV – Servicos Municipalizados de Viacao), e uma senhora branca portuguesa diz a uma “mamana” mocambicana (senhoras pretas nao eram senhoras – eram “mamanas”) : “Chega-te para la, que essa tua capulana cheira mal! E a “mamana” responde: “Esta capulana, que a senhora diz que esta e cheira mal, cobri com ela ontem ao teu marido”. A senhora branca portuguesa ficou imediatamente bem caladinha, nao disse mais nenhuma palavra.
        Quando se trata de pretos – para uma certa camada de portugueses – sao sujos, malcheirosos, burros, preguicosos, etc. mas quando se trata de sexo – ai as pretas ja sao boas, sensuais, apetititosas, etc.
        E interessante notar como os trabalhadores mocambicanos na Africa do Sul sao considerados os melhores trabalhadores tanto pelos portugueses que tem la negocios assim como pelos proprios Managers das minas e mesmo farmeiros boers.
        A coisa fica mal quando e aqui dentro de Mocambique. Este tipo de atitude foi sempre o prenuncio, a base, o “foreplay” para justificar uma colonizacao ou escravizacao.
        Vasco da Gama chegou aqui e foi bem recebido, isto e, civilizadamente bem recebido, que ate chamou gente mocambicana de “Inhambane, Terra de Boa Gente”. Vasco da Gama nao encontrou mocambicanos pretos “perdidos” em Africa ao ponto de dizer que os “descobriu”. Ele e que estava perdido a procura do caminho maritimo para “India”.
        E depois ficaram aqui, dizendo que vinham “civilizar os pretos atrasados”, afinal essa “civilizacao” era escravidao, mante-los a viver no “canico , desorganizado, malcheiroso com baldes de fezes. ESSE FOI O MOCAMBIQUE DOS PRETOS NO TEMPO COLONIAL. Era isso desenvolvimento dos negros? Era isso civilizacao dos negros pelos portugueses?

  36. Fiquei contente quando voltou, mas afinal nem deu para aquecer o lugar…
    Quando vim para Maçombique, o Mosanblog foi para mim um escape de informação sobre Maputo (tão rara nesta blogosfera) e o incentivo para que eu própria escreve-se o meu blog.
    Também eu sou “vitima” da crise europeia…vinda para este belo país desbravar terreno para uma empresa que, em Portugal, já viu dias melhores.
    Qual não foi o meu espanto quando chego aqui e vejo o quão mal os portugueses estão “rotulados”…e infelizmente com alguma razão.

    Cabe-me a mim e a uma nova geração de Tugas que chegam diariamente, mudar os factos e a história desta relação “dificil” entre portugueses e moçambicanos. Nós que só conhecemos um Moçambique livre, que não conhecemos colónia alguma e que chegamos a este país com a consciência de que não é o nosso e só respeitando o povo, a sua cultura e o seus hábitos iremos vingar aqui…
    Não é fácil as diferenças…mas desengane-se quem vier com o espirito de “colono”…depressa volta para casa.

    Até á próxima visita.

    http://www.suitecinquentaeum.blogspot.com

    • Que bom receber sua mensagem. Nos dois anos que vivi em Maputo, conheci muitos estrangeiros com a sua visão, felizmente, querendo contribuir e sem o espírito do colono. Mas nesses poucos dias que estive agora em julho de 2012 fiquei assustada com essa nova leva que está chegando, cheia de preconceitos, idéias atrasadas e colonialistas… Tomara cheguem mais pessoas como você. Para o bem de todos!

    • A Suite 51 disse:

      “Qual não foi o meu espanto quando chego aqui e vejo o quão mal os portugueses estão “rotulados”…e infelizmente com alguma razão.”

      Gostei da maneira ou do tom como fala esta portuguesa. Eu, também fiquei muito espantado, quando em 1985 fui a Portugal para cumprir um estágio profissional de 2 meses (1 no Porto e 1 em Lisboa). O que me espantou muito foi ouvir e sentir uma reacção extremamente negativa da parte dos portugueses de Portugal em relação aos portugueses “retornados” das Colónias. Nunca tinha pensado que os portugueses pudessem ter um sentimento extremamente “tribalista” (“tribo” europeia e “tribo” das colónias) e “regionalista” como aquela que observei. A sorte deles, pensei eu, é que todos têm a mesma cor (branca), falam a mesma língua (portuguesa), têm a mesma nacionalidade (portuguesa) e têm os mesmos nomes e apelidos (portugueses), porque doutro modo, pelo que ouvi e senti, não me teria admirado se tivessem ocorrido escaramuças entre os dois grupos (naturais e “retornados”).

      E para ilustrar isso vejam esta cena que se deu lá mesmo em 1985, aquando da visita de Samora Machel a Portugal (1ª. Visita): Estava ele (Samora) caminhando e cumprimentado o povo que se tinha aglomerado ao longo da estrada, quando se depara com um grupo de portugueses “retornados” (a “tribo” das colónias) a vaiá-lo. Samora, no seu estilo característico de frontalidade, se aproxima do grupo e diz: “Vocês, se têm algum problema, que voltem lá para Moçambique e vamos lá conversar”. Qual foi a reacção dos portugueses não “retornados”? Bateram palmas e gritaram: ‘Sim, Samora, leve-os de volta lá para África, porque estão nos causando problemas aqui. Vai com eles. Muito bem, é isso mesmo, leve-os de volta para África.’

      Mesmo aqui em Moçambique alguns dos que se irritam com a vinda de alguns destes portugueses mal-humorados, com a cultura de descontentes e sempre murmuradores – são outros portugueses moçambicanos e outros portugueses de nacionalidade portuguesa que aqui ficaram no tempo da Independência até hoje. Por que se irritam estes portugueses que aqui ficaram? Por que alguns deste grupo recém-chegado ou “retornado” vem com atitudes de sabichões, mal-humorados, criticando isto e aquilo, lamentando que no tempo deles as coisas estavam às mil maravilhas, que têm ideias para solucionar tudo e mais alguma coisa. Se são assim tão sabichões, civilizados, desenvolvidos como arvoram ser porque não ficam lá em Portugal para ajudar o seu país a sair da crise por usarem essa sua profícua sabedoria. O que vemos nos noticiários da RTP são manifestações intermináveis, greves constantes, guerra de palavras uns contra os outros. Uma vez num noticiário da RTP um turista japonês lá em Portugal perguntou: “Como querem resolver a crise com manifestações e greves em vez de trabalharem duramente para estancar a crise?”

      São benvindos os verdadeiros portugueses. Há muitos bons portugueses: optimistas, positivos, amigáveis, que só querem trabalhar sem “confusionar” ninguém. Esses são benvindos. Hoyo-Hoyo Vamadji. Hoyo-hoyo Maputukezi.
      _________________
      (“Hoyo-hoyo” = benvindos. “Vamadji” = Portugueses nas línguas Tsonga [Ronga,Changana,Xitswa], Chope e Bitonga)
      (Portugueses moçambicanos = moçambicanos brancos de origem portuguesa)

  37. O seu blog está cheio de acusações contra as políticas, comportamentos e burocracias praticadas por moçambicanos. Não foi por isso que você saiu daí? O dinheiro está-se acabando na europa, mas parece que no brasil você não se aguenta também.

    • Juana, você toca num aspecto importante, que é a liberdade de expressão em Moçambique. Mesmo com todas as críticas que fiz e faço a algumas práticas locais, nunca tive qualquer problema ou sinalização de censura ou desconforto com minhas análises. Isso é um bom sinal, de uma democracia que está verdadeiramente se consolidando, coisa rara em África.
      Agora, é claro que essas coisas que eu sempre tenho ressaltado no Mosanblog incomodam. A convivência com tais aspectos é complicada mesmo. Mas os motivos pelos quais eu deixei Moçambique foram outros.
      Com relação ao Brasil, as coisas por aqui estão definitivamente muito boas. Felizmente, estamos vivendo anos dourados e a justiça social está se fazendo a cada dia mais presente em nossas vidas.

  38. É. É assim mesmo. Existem mesmo alguns africanos que fazem o caminho inverso: vão para a colonia, depois vão para outra colonia ainda mais rica, depois voltam para a colonia inicial, e depois vão para outros paizes ex-colonizados… é o mundo global😀

  39. Nossa, qdo comecei a ler o texto pensei que iria incluir no comentário essa questão da existência de diferentes inteligências e habillidades e que derrubam por terra a arrogância de muitos que se consideram superiores aos outros, examente lembrando do texto do Asimov (?)
    Meudeusdocéu, fiquei até assustada com a nossa sintonia!!!! Mas de qualquer forma, é claro que você deu o recado de forma primorosa e ILUSTRATIVA rsss. Também tenho birra dessa permissividade dos países, notadamente o Brasil em muitos casos, quando a reciprocidade, via de regra, não se faz . Se não me querem em suas terras, por que vou recebê-los nas minhas? É isso aí: Moçambique deve se impor aos mulungos!


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