A primeira vez da portuguesa

É sempre divertido ver as pessoas passarem por situações de aperto às quais nós já superamos. Especialmente, se conseguimos rir de nós mesmos quando passamos por tais situações.

Quando cheguei em Maputo agora, minha amiga Sandra estava a me esperar no aeroporto e com ela estava uma portuguesa que chegara minutos antes. A nossa diferença com relação à Moçambique é que eu tinha estado aqui em 2010 e 2011 e ela, apesar de ter nascido em Moçambique, saiu ainda criança e nunca mais voltou.

Assim, ela vai agora explorar um lugar que eu já conheço bem. E vai ter que viver algumas situações semelhantes às que vivi. Por exemplo, é impossível não lembrar como foi minha adaptação à direção com a mão inglesa no trânsito.

Escrevi até os textos Conduzir na mão inglesa não é fácil e Estamos todos ilesos sobre o assunto, afinal, foi um momento marcante para mim. Pois não é que a portuguesa, muito mais corajosa que eu, em seu segundo dia aqui, já se colocou a conduzir? E pegou logo uma pick-up, tamanho muito grande, com marcha manual.

Eu nem tinha me orientado ainda na vida por conta do fuso-horário e da viagem de mais de 15 horas de um dia antes e me aventurei no carro ao lado dela. Primeira viagem e fizemos logo o trajeto Maputo – Matola (cidade vizinha a cerca de 20 quilômetros), no fim da tarde, hora de pico no trânsito.

Vamos lá.

Mas não é que ela se saiu muito bem? Claro que o braço direito bateu na porta do carro umas duas ou três vezes, a procura da marcha. Na primeira vez que isso aconteceu, lembrei logo de uma das coisas que o instrutor da auto-escola mais falava nas aulas que fiz antes de me arriscar sozinha no trânsito (sim, sou desse tipo covarde…): “Quando pegas um carro para conduzir do lado contrário, tens que prestar muita atenção no tamanho carro”.

É muito difíci quem dirige à mão francesa, quando pega um carro à mão inglesa, conseguir perceber seu tamanho para a esquerda, perceber onde termina o carro ao lado do passageiro. Isso é, de fato, uma das coisas mais complexas, porque é fazer seu cérebro ter uma percepção espacial contrária a que está acostumado e é um exercício difícil perceber logo as dimensões do veículo.

Alertei para minha mais nova amiga sobre a importância de estar atenta ao espaço que o carro ocupa à esquerda. Parece que graças à lembrança de alertar isso, não levamos nenhum espelho de carro alheio para casa.

Outra coisa que vi muito no trajeto foi o uso do limpador de pára-brisas. Não, não chovia. Mas a confusão entre a alavanca das setas e a do limpador de pára-brisas é certa. Não conheço uma pessoa que tenha pego carro em mão contrária que não passou por isso.

Também houve a graça de uma destra se sentir fraca para trocar a marcha com a mão esquerda e a dificuldade de entender como arranjar os espelhos.

Mas, fora isso, que considerei mais que normal, e colocando a favor dela estar no segundo dia no país… acho que ela já não oferece perigo nas ruas de Moçambique. Aliás, está a merecer parabéns pela coragem e ousadia.

O outro alerta valioso que dei a ela, depois dos parabéns, foi para tomar muito cuidado a partir do momento que estiver a se sentir confiante. Porque também é muito comum, nessa hora, já tranqüila a achar que domina tudo, entrar na contra-mão e só se dar conta quando vier um carro na sua direção. Fica a dica.

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3 ComentáriosDeixe um comentário

  1. read…

    A primeira vez da portuguesa « MOSANBLOG…

  2. Depois de ler isso — “Pois não é que a portuguesa, muito mais corajosa que eu, em seu segundo dia aqui, já se colocou a conduzir?” — tenho que fazer uma correção: como muito mais corajosa que você???? Tem que ter MUITA coragem pra entrar no carro com ela, isso sim kkkk. Mas concordo com a Pat: você deve ter dado confiança pra ela, por isso a aventura! Bjs

  3. Sua presença deve ter ajudado ela a se sentir confiante. Mas deve ser estranho fazer tudo ao contrário do que estamos acostumados. E é um exercicio muito bom para a mente. Não dirijo nem do jeito normal mas posso tentar outras coisas, pra ver como me sinto. Escrever, ler no espelho e outras doidurinhas…
    Bom te acompanhar… beijos


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