De volta

Visitar um lugar ao qual você já pertenceu é sempre uma surpresa. Na preparação da viagem e durante o percurso Brasília – Maputo, eu sempre me pegava pensando como seria chegar aqui novamente, depois de mais de seis meses. A resposta: foi fácil como voltar para casa.

O curioso é que quando se vive em muitos lugares a casa vai sendo sempre um pouco de cada um, o que mais gostamos de cada um… assim é Maputo, cheio de coisas que gosto muito. Amigos, lugares, hábitos, comidas, pessoas desconhecidas que geram empatia só por te olhar.

Passar pela imigração e falar meu primeiro kanimambo (obrigada em changana) depois de meses, foi divertido. Achei graça até nos jovens nas ruas vendendo de tudo, como corrente com coleira para cães, mas “que também pode ser para o marido”, como sugeriu o vendedor. E se você não quer a coleira, tem o spray para não sei o que, o triângulo para carro, o macaco para trocar pneu… de tudo. O importante é você deixar com ele uns meticais para o almoço. “Tenho fome, patroa”.

E agora lá vou eu, procurar um menino de colete amarelo, que há em cada esquina, para comprar dele crédito para o celular e poder fazer contato com os amigos, avisar que cá estou. E sei que vou engrenar na conversa com o vendedor, saber de que província vem, que vida leva, quais seus sofrimentos. Assim é Moçambique. As pessoas – até as menos sociáveis – estão sempre a se relacionar, a conversar, a não perceber o tempo passar.

Por outro lado, é curioso ver a vida aqui com distanciamento, não sendo mais parte, não sendo mais peça da engrenagem. De certa forma, te impõe menos culpa, mas alguma urgência. A certeza de que vou ficar por pouco tempo, dá a sensação de que esse pouco tempo tem que render muito. Fazer o máximo para contribuir com quem cruzar o meu caminho. Mas já tem outra certeza que marca esse primeiro retorno a Moçambique: a de que é apenas o primeiro. Outros, muitos, virão.

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