A viagem do Otto

Quando aceitamos ter um cão (Otto nos foi dado de presente), tínhamos consciência de que estávamos nos responsabilizando por uma vida. E em poucos meses ele deixou claro que tinha se conectado a nós tanto quanto nós a ele. Seu carinho incondicional e sua doçura fizeram com que ele ganhasse peso na família igual ao dos outros membros. A única diferença é que ele é cão e os outros dois são pessoas. Mas todos gozam do mesmo respeito em sua existência.

Explico isso porque algumas pessoas, quando sabem do trabalho que dá viajar intercontinentalmente com um cão, sugerem que o podíamos deixar para trás. Então, espero no parágrafo anterior ter deixado claro que não, não o deixaríamos.

Uma vez feita a opção por nos responsabilizarmos por ele e depois a opção por mudar de país, começa o conhecimento de como é viajar com animais de estimação. Por via aérea, há duas formas: o cão pode ir no porão do avião, em um espaço que as companhias aéreas garantem que é adequado, ao lado das malas, ou com os responsáveis, na cabine, ficando ao pé do dono, em uma caixinha própria para carregar animais, que deve caber embaixo do banco da frente (cada companhia aérea indica as dimensões de suas aeronaves).

Em geral, para ele poder ir na cabine, deve pesar no máximo 5 quilos e ser cão, gato, chinchila ou pássaro (tem que consultar a companhia aérea porque cada uma tem sua regra). Ir no porão é um sofrimento, porque o cão fica muito sem saber o que está acontecendo e nem tem alguém conhecido por perto para acalmá-lo. Sem contar que há inúmeras histórias de companhias aéreas que fazem o transporte de forma inadequada e o animalzinho acaba por morrer de frio.

Como o Otto normalmente consegue se enquadrar nos 5 quilos (está de regime nos últimos meses para isso…), fazemos tudo para tê-lo conosco o tempo todo. Então, uma vez definido o tipo de viagem que ele vai fazer, quando comprar a passagem, deve-se informar a companhia aérea que vai com um animal. Em geral, tem um limite de animais que cada pessoa pode levar e também um limite de animais por vôo. Desta forma, você garante o lugar do seu bichinho e a companhia aérea já garante a cobrança da taxa dela, que está em torno de US$ 150.

Depois começa a organização dos papéis. Cada país tem sua exigência e o melhor a fazer é consultar a embaixada do país de destino e, de preferência, também o ministério da agricultura do mesmo. Em geral, esse é o ministério responsável por essa atividade. Normalmente, é necessário ter um atestado zoosanitário internacional, que tem validade de dez dias. Esse atestado, tanto no Brasil como em Moçambique se adquire da mesma forma: o seu veterinário de confiança faz uma análise clínica do animal e emite um atestado de saúde. Esse atestado deve ser levado ao ministério da agricultura (no Brasil, no Serviço de Vigilância Agropecuária Internacional – Vigiagro), para que seja emitido o certificado zoosanitário internacional.

Aí, é preciso ficar atento aos prazos. O atestado vale por 10 dias a partir da data da análise do veterinário. No Brasil, quando saímos para Moçambique, o ministério da Agricultura no aeroporto de Brasília emitiu o certificado no mesmo dia, então, pudemos fazer tudo na véspera de viajar. Agora, na volta, o veterinário nos alertou que o ministério da Agricultura aqui em Moçambique costuma emitir o documento em três ou quatro dias. Como vamos ficar uns dias em Portugal, para chegar no Brasil ainda dentro do prazo de dez dias tivemos um calendário bem apertado.

Não me lembro quanto custou o certificado no Brasil, quando viemos, mas agora, aqui em Moçambique desembolsamos MT 5.000,00 (quase duzentos dólares), além da consulta com o veterinário. No nosso caso, tínhamos duas companhias aéreas para retornar ao Brasil: South African Airways e TAP. Ocorre que a South African não aceita animais na cabine, de nenhuma espécie ou tamanho. A TAP aceita. Vamos de TAP.

Ir de TAP significa fazer escala em Portugal, que está (pelo menos por enquanto) na União Européia. Aí entra outro fator: para um animal entrar ou passar em trânsito pela União Européia, é preciso ter feito o exame sorológico. Esse tem que ser feito pelo menos trinta dias depois da vacinação e três meses antes da viagem e não é preciso refazer nunca se as vacinas forem dadas sempre em dia.

Esse exame já é mais chatinho. Tem que ser feito em laboratórios autorizados pela União Européia e é um exame de sangue. No Brasil, o Instituto Pasteur, em São Paulo, é o laboratório autorizado. Quando viemos para Moçambique, o veterinário do Otto colheu o sangue em Brasília, encaminhou para o Instituto Pasteur e esse emitiu o certificado. O custo do exame é de R$ 150,00.

Ou seja, é preciso tempo e dinheiro para arrumar toda a papelada. Mas, se tudo for feito com organização, a viagem corre bem, como foi nossa vinda para Moçambique e espero que seja a volta para o Brasil. E todo o trabalho e gasto são compensados por essa carinha linda que divide a casa com a gente.

Otto toma sol na varanda

Consulte o site do ministério da Agricultura para mais detalhes.

Há também diversas empresas que oferecem serviços de transporte de animais. Se procurar no Google, é fácil de achar. Mas sempre é bom conseguir referências com alguém que já tenha tido experiência.

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6 ComentáriosDeixe um comentário

  1. […] caminho já não parece tão distante. E dessa vez é mesmo menor, sendo que, sem o Otto, não preciso ir via Lisboa. E para pequenas temporadas o Otto pode sempre ficar em casa, […]

  2. Apesar de tudo estão precisando de Portugal para deixar Moçambique. Estou muito surpreendida.

  3. Ai Otto, nem imaginas a xatice que estás a dar… se soubesses, metias o rabinho entre as pernas, e adoravas os teus “protetores” todos os dias da tua vida, mais seis meses.

  4. Jesusamado, quanta burocracia hein? Mas o que me impressionou mesmo foram os MT 5.000,00!!!!😦

  5. muuuuito importante essas dicas!
    guardei com carinho.
    um beijo sandra, sigo te lendo sempre.

  6. O Otto está lindo. E é bom saber que voces estão quase chegando… Saudades


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