Fim?

folhas no chão no jardim dos professores junho 2011

Os primeiros seis meses foram de encanto. O segundo semestre foi de choque cultural (sim, por mais estranho que seja, o choque se deu tempos depois). O terceiro semestre foi de desconforto*.
Era tempo de pensar em ir embora.

O Mosanblog não será o primeiro nem o último com vida curta. Muitos dos blogs que venho freqüentando desde antes de minha passagem pela África são assim. As pessoas criam o espaço para dividir com o mundo suas impressões desse continente mágico e suas impressões são, muitas vezes, por períodos curtos. Alguns, mesmo depois de deixarem a África, continuam seu trabalho de divulgação. Outros não. Acho que o Mosanblog vai se enquadrar na segunda categoria.

Mas vai continuar no ar, para servir de pesquisa a todos que se interessam pelo assunto. Pelo menos essa é minha intenção, até enquanto o WordPress permitir. Sempre que possível procurei incluir citações, referências e links nos textos, para que as pessoas interessadas em aprofundar seu conhecimento sobre o tema tenham essa oportunidade. Acho que isso é importante, especialmente pela pouca (e, às vezes, equivocada) divulgação que temos normalmente da África.

E devo dizer que, ao visitar as estatísticas do blog, na área administrativa, nada me dava mais alegria do que perceber que quando os diferentes mecanismos de busca da internet direcionavam as pessoas para o Mosanblog, elas encontravam de fato a resposta que procuravam.

Nesse período tanta coisa aconteceu que parece terem sido décadas e não anos. Em Moçambique, assisti a casamentos, despedidas dos mortos, aniversários, celebrações de datas cívicas, rituais… Trabalhei com públicos muito diversos, e tudo isso enriqueceu bastante minha experiência.

O Eduardo fez muita matéria interessante, nos ajudando a conhecer e entender um pouco mais desse mundão que fica sempre tão escondido dos outros continentes. O Guilherme deixou a marca dele por muitos lugares, inclusive no cardápio do Coisa Nossa, que agora tem o Sandes Guilherme. E o Otto passeou por lugares e viu coisas que jamais um cãozinho nascido no meio do cerrado brasileiro poderia sonhar.

Foi muito bom também acompanhar a interação entre os leitores. Muitas vezes, pessoas que eu sei não se conhecerem, trocaram idéias de forma tão leve e descontraída que pareciam todos amigos, participantes de uma confraria qualquer… a confraria dos que se relacionam com África, talvez.

Desde o início do Mosanblog, foram oferecidas mais de 300 colheres de ração para cães que sofreram maltratos, por meio de respostas às pesquisas da Socialvibe, aqui na lateral direita do blog. E espero que os leitores continuem contribuindo com mais cliques, uma vez que o blog vai continuar no ar.

Foram 374 textos publicados. Entre eles, 73 Quintas Quentes, onde ouvimos música de 19 países africanos e também de brasileiros que cantaram a África e na África.

Fico pensando agora no que vou encontrar no retorno ao Brasil (para onde estou a caminho nesse momento) e me vem a certeza de que não vou encontrar nada como estava antes de eu partir, porque, afinal, eu que volto já não sou a mesma.

A verdade é que foi pouco tempo para perdermos as referências, mas também foi tempo demais para as mantermos inalteradas. Era algo que eu precisava viver e agradeço por ter vivido.

* O desconforto foi causado por situações como as descritas na série De como os mulungos sofrem e nos textos Será que paguei propina? e Casei com Moçambique.

A luta continua

Guardei Miriam Makeba para hoje, porque a música que trago é representativa do momento que vivo. Ela canta A Luta Continua e eu parto de Moçambique sabendo que a luta continua. E continuará ainda por muitos anos aqui… Mas parto com a esperança de ter contribuído um pouco para o sucesso dessa luta.

Miriam Makeba foi uma cantora da África do Sul, que viveu entre 1932 e 2008. Foi grande ativista pelos direitos humanos e contra o regime do apartheid. Em 1960 participou no documentário Come Back, Africa, contra o regime separatista sulafricano.

Em 1975, participou da cerimônia de independência de Moçambique. Foi nesse evento que ouviu a frase em português A luta continua, usada como slogan da Frelimo. O evento da independência e a sonoridade de “a luta continua” inspiraram a criação da música, que se tornou um hino dos países africanos oprimidos pela colonização.

My people, my people open your eyes (Meu povo, meu povo, abram seus olhos)
And answer the call of the drum (E ouçam o chamado do tambor)
Frelimo, Frelimo, (Frelimo, Frelimo)
Samora Machel, Samora Machel has come (Samora Machel, Samora Machel chegou)

Maputo, Maputo home of the brave (Maputo, Maputo, casa dos bravos)
Our nation will soon be as one (Nossa nação vai logo ser única)
Frelimo, Frelimo, (Frelimo, Frelimo)
Samora Machel, Samora Machel has won (Samora Machel, Samora Machel venceu)

Mozambique – A luta continua (Moçambique — A luta continua)
A luta continua, continua (A luta continua, continua)
(4 vezes)

And to those who have given their lives (E àqueles que deram suas vidas)
Praises to thee (Orações para vós)
Husbands and wives, all thy children (Maridos e mulheres, e vossas crianças)
Shall reap what you sow (Colham o que vocês semearam)
This continent is home (Este continente é um lar)

My brothers and sisters stand up and sing (Meus irmãos e irmãs, levantem-se e cantem)
Eduardo Mondlane is not gone (Eduardo Mondlane não se foi)
Frelimo, Frelimo, your eternal flame (Frelimo, Frelimo, sua bandeira eterna)
Has shown us the light of dawn (Nos mostrou a luz da alvorada)

Mozambique – A luta continua (Moçambique — A luta continua)
A luta continua, continua (A luta continua, continua)

In Zimbabwe – A luta continua (No Zimbábue — A luta continua)
A luta continua, continua (A luta continua, continua)

In Botswana — A luta continua (Em Botsuana — A luta continua)
A luta continua, continua (A luta continua, continua)

In Zambia — A luta continua (Na Zâmbia — A luta continua)
A luta continua, continua (A luta continua, continua)

In Angola — A luta continua (Em Angola — A luta continua)
A luta continua, continua (A luta continua, continua)

In Namibia — A luta continua (Na Namíbia — A luta continua)
A luta continua, continua (A luta continua, continua)

In South Africa — A luta continua (Na África do Sul — A luta continua)
A luta continua, continua (A luta continua, continua)

Veja mais sobre Miriam Makeba na Wikipedia e no site que sua família mantém.

Nesta última Quinta Quente, deixo a dica de minhas melhores fontes, para quem quiser continuar descobrindo artistas daqui: a rádio RDP África, o programa Moçambique em Concerto, da TVM, com o apresentador Gabriel Júnior, e o site The African Music Encyclopedia.

De como os mulungos sofrem (3)

Este post conta uma história que acabou em 29 de agosto. Conto ainda que com um pouco de atraso, porque acho que é informação importante para quem vai ainda passar pelo mesmo. É a história de meses para se obter a renovação do DIRE: Documento de Identificação de Residente Estrangeiro.

O documento é feito no departamento de imigração e sofreu algumas alterações nos anos que estamos aqui. Quando chegamos era manual. Colocava-se um selo (com um carimbo, claro) e à mão se preenchia dados como a validade. Uma assinatura do funcionário do departamento e pronto. Custava MT 4.000,00, se não me falha a memória.

Em meados de 2010, o processo foi modernizado. O DIRE passou a ser um cartão, semelhante ao bilhete de identidade moçambicano, feito eletronicamente em uma empresa. O departamento de imigração só faz pegar a documentação e encaminhar para a empresa que emite o cartão. O valor subiu, em um primeiro momento, para MT 24.000,00. Como houve muita chiadeira conseguiram baixar e passou a MT 19.000,00, sendo que para os países membros da CPLP (Comunidade dos Países de Língua Portuguesa) ficou em MT 14.400,00.

O custo é mais alto, mas o documento é mais eficiente e mais seguro, o que é extremamente positivo. No entanto, nem todos ficaram satisfeitos… pessoas que trabalham em determinadas salinhas no prédio da imigração ficaram desnorteadas. Antes, suas salas (onde há sempre só uma mesa, para um só funcionário em cada sala) eram sempre visitadas por pessoas que, por uma razão ou por outra, queriam o DIRE sem passar pela burocracia, espera, demora, fiscalização de documentos, etc. etc. etc. A solução estava ali: o funcionário pegava o selo, colava no passaporte, carimbava, preenchia… e quem diria depois que não foi feito tudo como tinha que ser?

Agora já não é assim. Aquele funcionário sozinho naquela salinha de uma só mesa já não pode tanto. Já não é apenas dele que depende o processo. O selo, o carimbo, a assinatura transformaram-se em uma empresa. Não digo que não haja já um esquema da própria empresa para vender DIREs a quem os quer de forma fácil. Mas os envolvidos serão outros. E aqueles que já não estão mais no esquema (pelo menos nesse primeiro momento), estão perdidos. E tentam encontrar outras formas, outros esquemas, desesperadamente…

Quando meu DIRE estava para vencer, dei entrada nos papéis e paguei o valor que me foi informado pelo caixa no balcão. O valor que ele me pediu foi MT 14.500,00. Eu já havia ficado na fila para tirar a fotografia para o documento por muito tempo, tempo que me pareceu ainda mais imenso no calor africano daquele subsolo repleto de gente de todo o mundo. Não havia no local nenhuma tabela de preços exposta. Quando ele, um funcionário público do Estado, falou o valor, entreguei o dinheiro, peguei o recibo e fui embora.

Recibo de 14400 pelo DIRE

Só em casa me dei conta que no recibo diz: MT 14.400,00. Fui lesada em MT 100,00. Já haviam me dito que no tal departamento não se dá troco. Tem que levar o dinheiro trocado ou deixar por lá o que sobrar. Mas eu não sabia que, com olhos de raio-X, o funcionário conseguiria saber que notas eu tinha na carteira e já me pediria o valor que eu pagaria. E, no caso, os olhos de raio-X se enganaram, porque eu até teria dinheiro trocado. Mas e agora? Voltar e dizer que fui enganada? Ele negaria e eu não teria como provar.

Tudo isso foi no dia 11 de maio de 2011. No recibo que me foi entregue dizia que a data para retirada (levantamento, por aqui) do documento seria 26 do mesmo mês. Quando comentei com alguns amigos, riram: “Quinze dias? DIRE? Êêê! Pode esquecer…”

Não esqueci. Dia 27 estava lá. Afinal, naquele momento meu DIRE estava vencido e o recibo que eu tinha em mãos também. Dizia nele que, a partir do dia 26 eu poderia levantar o novo DIRE. Não estava pronto. Então, pedi que o funcionário me entregasse novo recibo ou indicasse (com direito a assinatura e carimbo, claro) por escrito naquele recibo uma nova data. Eu já tinha visto, no primeiro dia que estive lá, uma senhora conseguindo isso. Mas eu só tinha visto o funcionário escrevendo nova data e ela saindo. Não sei como foi a argumentação dela…

Então, comecei a minha: “Quando um policial me parar na rua e pedir os documentos, vou mostrar um passaporte com DIRE vencido e um recibo que diz que eu deveria ter já levantado o novo DIRE. Então, peço que me entreguem novo recibo ou indiquem nova data nesse que tenho, para que o policial não diga que eu é que não vim cá levantar o documento”.

Pedido negado.

Tentei de novo, com um pouco mais de clareza na argumentação: “Meu sr., não preciso contar como são as coisas na rua por aqui… se o policial me parar nessa situação, não vai permitir que eu siga em frente sem me pedir dinheiro”.

Pedido negado com a contra-argumentação de que “os polícias todos sabem que o DIRE está atrasando, porque estamos com esse problema há meses e a chefia de polícia já foi avisada”.

Ainda mais clareza, já quase sem paciência: “Justamente porque eles sabem dessa situação é que andam a parar estrangeiros o tempo todo. Então, me dê o número do seu celular, porque quando o policial me parar eu ligo e o senhor explica a situação”.

“Êêê!? Meu celular? Vai me ligar de noite? Pra falar coisa de trabalho?”

“Se na hora de trabalhar não quer fazer seu trabalho…”

Enfim, a conversa virou discussão e quase saí presa por desacato ao funcionário público quando ele me olhou com aquele olhar e cheguei no nível de clareza de expressar, em tom mais alto do que ele desejava, o que eu achava que precisaria fazer ali para conseguir o maldito carimbo.

Saí sem a prorrogação do prazo oficial e a orientação para que eu voltasse daqui uma semana.

Tecnicamente, fiquei numa situação em que, ou dava dinheiro para o pessoal do balcão carimbar o protocolo e indicar uma nova data, ou dava dinheiro quando um policial me parasse na rua e identificasse que meu documento estava vencido.

Nesse dia, decidi sair do país.

Para minha sorte, nos três meses que durou a espera pelo documento que ficaria pronto em 15 dias não fui parada por nenhum policial. Para meu azar, todas as semanas voltei lá e todas as semanas não havia DIRE pronto e todas as semanas era para voltar na semana seguinte.

Desde que mudou o sistema do DIRE essa história tem se repetido com muitas pessoas. Todos estrangeiros com quem converso sobre o assunto esperaram pelo menos dois meses. A pergunta que fica é, por que, então, eles não dão um prazo mais largo para irmos retirar o documento?

Já contei no texto Descrença que tipo de oportunidade eu buscava quando mudei para Moçambique. Assim como muitas pessoas que aqui estão ou por aqui passaram, vim para contribuir, dar parte do que tinha, oferecer meu conhecimento. Mas não para entregar nada a quem me extorquisse. Ver o estrangeiro como alguém de quem se pode tirar algo, alguém que deve dar vantagem (à força) não é o melhor caminho.

Logo que cheguei, um amigo moçambicano, empolgado com meu conhecimento sobre reciclagem de resíduos sólidos, disse: “com essas informações que você tem, vamos mudar o país”. Eu acreditei, me empolguei com ele e por alguns meses vivi esse sonho. Até perceber que não havia tanto interesse assim na mudança. Afinal, como está, alguém ganha com isso. E esses alguéns não querem mudar o país, porque são pessoas gananciosas e sem limites. Eu não consegui apresentar minhas propostas para quem deveria, as empresas que conheci não colaboraram, o lixo continua nas ruas, as pessoas continuam sem renda, as matérias-primas virgens continuam sendo exploradas, mesmo quando há tanta para ser reciclada.

Os agentes que me atenderam no departamento de imigração, com seu comportamento, deixaram claro que não querem gente como eu em Moçcambique. Eles e outros que cruzaram meu caminho por aqui, como os guardas de trânsito do texto De como os mulungos sofrem (2) ou o agente do correio do texto Será que paguei propina? E como eu não preciso disputar espaço com quem não me quer no seu pedaço, deixo Moçambique. É verdade que com uma certa tristeza no coração por todos que me receberam bem.

Obs.: No meio do processo houve outros detalhes de taxas cobradas a mais e documentos desnecessários que foram pedidos para dificultar o processo na tentativa de se vender facilidade, mas o post já está grande demais e acho que passei o recado.

A viagem do Otto

Quando aceitamos ter um cão (Otto nos foi dado de presente), tínhamos consciência de que estávamos nos responsabilizando por uma vida. E em poucos meses ele deixou claro que tinha se conectado a nós tanto quanto nós a ele. Seu carinho incondicional e sua doçura fizeram com que ele ganhasse peso na família igual ao dos outros membros. A única diferença é que ele é cão e os outros dois são pessoas. Mas todos gozam do mesmo respeito em sua existência.

Explico isso porque algumas pessoas, quando sabem do trabalho que dá viajar intercontinentalmente com um cão, sugerem que o podíamos deixar para trás. Então, espero no parágrafo anterior ter deixado claro que não, não o deixaríamos.

Uma vez feita a opção por nos responsabilizarmos por ele e depois a opção por mudar de país, começa o conhecimento de como é viajar com animais de estimação. Por via aérea, há duas formas: o cão pode ir no porão do avião, em um espaço que as companhias aéreas garantem que é adequado, ao lado das malas, ou com os responsáveis, na cabine, ficando ao pé do dono, em uma caixinha própria para carregar animais, que deve caber embaixo do banco da frente (cada companhia aérea indica as dimensões de suas aeronaves).

Em geral, para ele poder ir na cabine, deve pesar no máximo 5 quilos e ser cão, gato, chinchila ou pássaro (tem que consultar a companhia aérea porque cada uma tem sua regra). Ir no porão é um sofrimento, porque o cão fica muito sem saber o que está acontecendo e nem tem alguém conhecido por perto para acalmá-lo. Sem contar que há inúmeras histórias de companhias aéreas que fazem o transporte de forma inadequada e o animalzinho acaba por morrer de frio.

Como o Otto normalmente consegue se enquadrar nos 5 quilos (está de regime nos últimos meses para isso…), fazemos tudo para tê-lo conosco o tempo todo. Então, uma vez definido o tipo de viagem que ele vai fazer, quando comprar a passagem, deve-se informar a companhia aérea que vai com um animal. Em geral, tem um limite de animais que cada pessoa pode levar e também um limite de animais por vôo. Desta forma, você garante o lugar do seu bichinho e a companhia aérea já garante a cobrança da taxa dela, que está em torno de US$ 150.

Depois começa a organização dos papéis. Cada país tem sua exigência e o melhor a fazer é consultar a embaixada do país de destino e, de preferência, também o ministério da agricultura do mesmo. Em geral, esse é o ministério responsável por essa atividade. Normalmente, é necessário ter um atestado zoosanitário internacional, que tem validade de dez dias. Esse atestado, tanto no Brasil como em Moçambique se adquire da mesma forma: o seu veterinário de confiança faz uma análise clínica do animal e emite um atestado de saúde. Esse atestado deve ser levado ao ministério da agricultura (no Brasil, no Serviço de Vigilância Agropecuária Internacional – Vigiagro), para que seja emitido o certificado zoosanitário internacional.

Aí, é preciso ficar atento aos prazos. O atestado vale por 10 dias a partir da data da análise do veterinário. No Brasil, quando saímos para Moçambique, o ministério da Agricultura no aeroporto de Brasília emitiu o certificado no mesmo dia, então, pudemos fazer tudo na véspera de viajar. Agora, na volta, o veterinário nos alertou que o ministério da Agricultura aqui em Moçambique costuma emitir o documento em três ou quatro dias. Como vamos ficar uns dias em Portugal, para chegar no Brasil ainda dentro do prazo de dez dias tivemos um calendário bem apertado.

Não me lembro quanto custou o certificado no Brasil, quando viemos, mas agora, aqui em Moçambique desembolsamos MT 5.000,00 (quase duzentos dólares), além da consulta com o veterinário. No nosso caso, tínhamos duas companhias aéreas para retornar ao Brasil: South African Airways e TAP. Ocorre que a South African não aceita animais na cabine, de nenhuma espécie ou tamanho. A TAP aceita. Vamos de TAP.

Ir de TAP significa fazer escala em Portugal, que está (pelo menos por enquanto) na União Européia. Aí entra outro fator: para um animal entrar ou passar em trânsito pela União Européia, é preciso ter feito o exame sorológico. Esse tem que ser feito pelo menos trinta dias depois da vacinação e três meses antes da viagem e não é preciso refazer nunca se as vacinas forem dadas sempre em dia.

Esse exame já é mais chatinho. Tem que ser feito em laboratórios autorizados pela União Européia e é um exame de sangue. No Brasil, o Instituto Pasteur, em São Paulo, é o laboratório autorizado. Quando viemos para Moçambique, o veterinário do Otto colheu o sangue em Brasília, encaminhou para o Instituto Pasteur e esse emitiu o certificado. O custo do exame é de R$ 150,00.

Ou seja, é preciso tempo e dinheiro para arrumar toda a papelada. Mas, se tudo for feito com organização, a viagem corre bem, como foi nossa vinda para Moçambique e espero que seja a volta para o Brasil. E todo o trabalho e gasto são compensados por essa carinha linda que divide a casa com a gente.

Otto toma sol na varanda

Consulte o site do ministério da Agricultura para mais detalhes.

Há também diversas empresas que oferecem serviços de transporte de animais. Se procurar no Google, é fácil de achar. Mas sempre é bom conseguir referências com alguém que já tenha tido experiência.

Praia do Bilene

No último fim de semana do Guilherme conosco em Maputo, deixamos que ele escolhesse o passeio que queria fazer. Ele, que adora o mar, escolheu conhecer a praia do Bilene. Era o fim do mês de julho, alto inverno, e eu logo vi que não ia dar praia… mas o entendimento adolescente do mundo é diferente do nosso e na cabeça dele praia era sinônimo de sol e calor. E como o aprendizado adolescente também é diferente, se não fôssemos, ele ia continuar pensando assim. Tem que ver para crer.

Também queríamos conhecer Bilene, praia tão falada por aqui. Vestimos agasalhos e partimos no sábado de manhã, pela Estrada Nacional número 1 (EN1), rumo ao norte. Até o Otto participou…

Passamos o limite da província de Maputo com a província de Gaza e seguimos na mesma estrada até a cidade de Macia, onde pegamos uma pequena estrada à direita, a qual percorremos por mais 30 quilômetros rumo ao Índico.

Esses cerca de 200 quilômetros são percorridos em estrada asfaltada, não duplicada, mas bem boa. No fim da estrada, após duas horas de viagem, a vila Bilene. A famosa praia fica em uma enorme lagoa de água salgada, a lagoa Uembje, que tem 27 quilômetros de extensão e é separada do Oceano Índico por uma estreita faixa de dunas.

Não deu praia. Mas o visual valeu tudo. Por causa da ventania forte típica da proximidade do mês de agosto por aqui, não ficamos muito na praia, mas almoçamos em um restaurante à beira mar e curtimos a bonita vista da enorme lagoa.

Nesse dia entendemos porque no verão tanta gente vai à praia do Bilene: facílimo acesso, água calma e visual maravilhoso, típico dos melhores pontos turísticos praianos do mundo.

praia do Bilene em julho de 2011

Mais sobre a praia do Bilene no blog Crónicas de Maputo, na Wikipedia e no portal do governo da província de Gaza.

Cenáculo da fé

Inaugurado em março de 2011, o Cenáculo da Fé, da Igreja Universal do Reino de Deus (IURD), em Maputo, fica na avenida 24 de julho, 3.108, esquina com avenida Mohamed Siad Barre.

Fachada do Cenáculo da Fé em Maputo

Cidade do Cabo em quatro dias

Conheci a Cidade do Cabo na semana passada. Foram apenas quatro dias, mas muito intensos. A cidade é linda, tem vários passeios obrigatórios e muito diversos um do outro.

E também, estou numa boa altura para dobrar o Cabo da Boa Esperança. Afinal, a cidade é do cabo, por causa dele, o cabo, já chamado também das Tormentas. Inclusive, deu para entender bem porque das Tormentas. Como venta naquela região!

E esse vento define a possibilidade de se fazer alguns passeios muito bons. Então, a grande dica é: desde o primeiro dia que estiver na região tente fazer o passeio a Robben Island e subir de teleférico na Table Mountain.

Robben Island é a ilha onde fica a prisão na qual Nelson Mandela passou 18 anos cumprindo parte de seu confinamento de 27 anos. Chega-se à ilha de barco e muitas vezes o passeio é cancelado por causa do vento forte. No dia que fomos, o guia avisou que estava muito feliz em nos receber, porque durante cinco dias não tinha havido passeios devido às condições climáticas. Depois, o percurso é feito de ônibus.

O grande valor histórico do passeio e essa dificuldade logística-climática fazem com que seja bom comprar o bilhete com antecedência, porque há sempre muita procura. Três semanas antes já é possível fazê-lo pelo site Webtickets. Foi o que fizemos e deu muito certo. Compramos para o primeiro dia que estaríamos lá, pensando no risco de não ir por causa do vento. Mas foi justamente nesse dia que o vento deu uma folga! Cada pessoa paga ZAR 220,00 (R$ 51,65).

A ilha é habitada há milhares de anos. Desde que os holandeses chegaram, no século XVII, passou a ser usada principalmente como prisão. Sua história é de muita tristeza, o que faz o passeio ser de grande reflexão. No século XVII o local abrigou importantes príncipes e xeques da Índia, Malásia e Indonésia, prisioneiros da Companhia Holandesa das Índias Ocidentais por incitarem a resistência contra os dominadores europeus. Os britânicos também enviaram para lá os governantes nativos do povo xhosa. Em 1963, chegaram na ilha Nelson Mandela e outros sete ativistas condenados à prisão perpétua. O lugar serviu ainda como campo de treinamento e defesa durante a II Guerra Mundial e como hospital para pessoas com hanseníase e doenças mentais ou crônicas de 1846 a 1931.

Em 1991, os últimos prisioneiros políticos foram libertados. Desde 1997 a ilha é um museu a céu aberto, sobre todos esses isolamentos. E quem nos conta a história são ex-prisioneiros transformados em guias turísticos. Definitivamente, visitar a África do Sul hoje é aprender muito sobre perdão e não-revanchismo. O nosso guia foi o simpático e divertido Yussif, que na foto aparece de camisa branca e colete, despedindo-se dos turistas.

saída do ônibus em Robben Island

Cela do Mandela em Robben Island

Foto nada original, mas obrigatória da cela do Mandela em Robben Island

pôr do sol na Table MountainO segundo passeio que tem que ser tentado desde o primeiro dia é subir na Table Mountain. Nós só conseguimos encontrar o teleférico aberto e topo da montanha não encoberto por nuvens no último dia. O ideal é ir no pôr do sol, que é lindo visto lá de cima. Mas desde o segundo dia já estávamos conformados em ir a qualquer hora que abrisse o tempo. Deu certo de ser no final da tarde. A subida e a descida podem ser feitas a pé também. Mas às vezes o vento é tão forte, que nem mesmo a pé é possível.

O teleférico da Table MountainO nome significa Montanha da Mesa, porque seu amplo platô (cerca de 3 quilômetros de uma ponta a outra) faz com que a montanha tenha mesmo um aspecto de mesa. O portal do teleférico fica em um ponto já bem elevado, depois de uma estrada cheia de curvas. O ingresso ida e volta no teleférico sai por ZAR 195,00 (R$ 45,80). Ele é redondo, todo fechado e gira. Desta forma, em qualquer lugar que você se posicionar quando entrar, vai ter vista de 360 graus duas vezes durante o trajeto.

Lá de cima ficamos a 1.086 metros de altitude e pode-se ver o Atlântico, a Robben Island nele, o Índico e toda Cidade do Cabo até o Cabo da Boa Esperança. É de tirar o fôlego. Não sei se durante todo o ano é a mesma coisa, mas agora em outubro estava um frio enorme e um vento forte. Mesmo bem agasalhados, logo tivemos que nos abrigar no café.

Eduardo e Sandra no alto da Table Mountain

vista da Table Mountain

Seguindo na linha dos passeios obrigatórios, tem a ida ao Cabo propriamente dito: ponta de terra que entra pelo mar adentro, a 160 quilômetros da cidade. O ideal é fazer dois caminhos distintos para ida e volta, assim se pode conhecer mais a região. Optamos por ir pela costa Atlântica e voltar pela Índica. O passeio é tão lindo que fica impossível estimar um tempo de duração. Depende de quantas vezes você vai parar para apreciar a paisagem, os animais (de macacos a baleias!) e a própria estrada, que é uma escultura em volta das montanhas. Paramos inúmeras vezes. Mas sempre é possível ir no início da manhã e voltar no fim da tarde.

Sandra com Hout Bay ao fundo

Uma das primeiras paradas para curtir a vista

Babuínos na estrada para Cape Point

Macacos na estrada do parque do Cape Point

O auge é o Cape Point. Um parque nacional onde é possível ir até o Cabo da Boa Esperança. Mais uma vez, vento, muito vento. E aqui estão as atormentantes águas do cabo:

Seguimos pela estrada que continuou linda e ainda nos reservou algumas paradas para ver baleias e tubarões e chegamos à pequena Simon’s Town. Na rua principal, uma grande variedade de restaurantes garante uma agradável pausa para o almoço. Depois, uma visita à praia Boulders, onde vive uma colônia de mais de 2.300 pingüins africanos. Divertidíssimo encontrar macacos e pingüins ao longo do mesmo passeio…

Pingüim na África do Sul

Estando nessa região da África é preciso reservar tempo também para visitar uma vinícola. Estivemos na Constantia. Fica mesmo dentro da Cidade do Cabo e é a mais antiga da África do Sul. Depois do tour guiado com explicações sobre a produção do vinho, é possível fazer degustação e passear pelos jardins e vinhedos até o efeito do álcool passar para poder dirigir novamente.

Vinhedos em África do Sul

Ainda tivemos tempo para ir a Stellenbosch e Franschhoek, duas cidades há cerca de 50 quilômetros da Cidade do Cabo. A primeira tem como forte característica as construções em estilo holandês. O centro é de uma típica cidade antiga européia e pode ser explorado a pé em uma hora e meia. Franschhoek tem características mais francesas e é conhecida pela ótima gastronomia. Na rua principal, uma série de restaurantes oferece variados cardápios, com predominância da culinária francesa. Ambas estão também na rota do vinho da África do Sul e há nelas diversas vinícolas para serem visitadas.

Ainda na rota do vinho, mais uma parada, desta vez, histórica, em Paarl, na prisão Victor Verster, onde Mandela estava quando foi libertado em 1990.

estátua de Mandela na frente da prisão onde ele esteve

Estátua de Mandela na frente da prisão Victor Verster

Para os fãs das comprinhas, Cidade do Cabo também não deixa a desejar. No centro da cidade, cercada por bonitos e bem conservados prédios históricos e simpáticos cafés, fica a Greenmarket Square, uma praça que recebe diariamente uma diversificada feira de artesanato. Para os ainda mais consumistas, vale uma visita ao shopping do V & A Waterfront. O Vitoria & Alfred Waterfront trata-se de um projeto de reconstrução do cais de Cidade do Cabo. Há um grande shopping, mais de 80 restaurantes e lanchonetes (muitos com vista para o mar), hotéis, edifícios residenciais e comerciais e é de lá que saem alguns passeios marítimos, como o para Robben Island.

Sei que o texto ficou enorme, mas tudo na Cidade do Cabo merece registro.

E para ler ainda mais sobre essa viagem, visite o ElefanteNews.

Uma referência do Egito

mapa do EgitoEm 11 de dezembro de 2006, ele foi a primeira pessoa de um país árabe a se apresentar em uma premiação do Nobel da Paz. Hakim nasceu em 1962, na pequena cidade Al Minya, no Egito, um país transcontinental, que tem a maior parte de seu território em África, mas também ocupa a península do Sinai, na Ásia.

Hakim cresceu ouvindo música Sha’abi, gênero popular suburbano do Egito, com influências de estilos do Oriente Médio, outros países africanos e também ocidentais. Sha’abi significa popular e, originalmente, referia-se ao folclore e danças nativos do Egito.

Aos 14 anos montou uma banda e tocava música Sha’abi em festas e eventos escolares. A banda se tornou um sucesso. Com o tempo, ele passou a cantar também o estilo Al Jeel, um gênero egípcio mais urbano. O termo Al Jeel significa geração. É como se fosse a música da nova geração.

Na música que vamos ouvir, Aboussoh, é possível notar a influência do batuque africano, em um vídeo de cenas que poderiam ser italianas, interpretadas pela simpatia egípcia de Hakim. Uma delícia!

Eu a beijaria

Pela vida em seus olhos, oh lua, pergunte sobre nós
Ainda se lembra de nós, oh lua, ou já nos esqueceu?
Ah, se eu te alcançasse, oh lua, o que você faria?
Eu correria para ela e a beijaria… O que ela faria? Eu a beijaria
E com desejo eu alcançaria suas mãos e te diria, Oh Deus,

Te prometi em verdade, venha para mim, minha preciosidade
Venha, vamos voltar aos velhos tempos
Dois dias de mel e três de ternura
E um dia como este, e um dia como aquele em que se desprende do sofrimento
Junte suas mãos às minhas, e venha!
Vamos viver a vida sem culpa
Vamos ser felizes os 30 dias do mês
E vou te mimar e te fazer ouvir palavras que a farão perder o sono
Ah, se eu te alcançasse, oh lua, o que você faria?

Eu te amo e te imploro e te mimo
Venha, vamos nos livrar deste peso, e nos amar como no início novamente
Vamos nos apaixonar imediatamente nesse reinício e deixar o fogo aumentar nosso desejo
Com duas palavras e um olhar seu, minhas forças se desmantelam, com um piscar dos seus olhos
Viveremos para nós dois dias de vida
E encontraremos nosso caminho para começarmos a viver

Ah, se eu te alcançasse, oh lua, o que você faria?
Eu correria para ela e a beijaria… O que ela faria? Eu a beijaria

(Tradução retirada do site Dança do Ventre Brasil.)

Mais informações sobre os gêneros musicais do Egito que Hakim canta, no blog Dança do Ventre de Isis Zahara e sobre o cantor na Wikipedia em português e Wikipedia em inglês.

Cidade maravilhosa

Uma cidade erguida entre o oceano Atlântico e enormes montanhas. No centro, ruas estreitas, com edifícios antigos, de séculos atrás, cercadas por grandes avenidas, com edifícios modernos e jardins. À beira mar um delicioso caminho para percorrer sem pressa ou por exercício ou para levar seus cães para um passeio entre o oceano e a cidade. Nos edifícios com vista para o mar, às vezes azulado, outras vezes esverdeado, apartamentos vizinhos a cafés e restaurantes para todas as horas.

Assim é Cidade do Cabo, na África do Sul. A perfeita harmonia entre natureza e urbanização. Estar aqui é uma delícia e só lamento por ter reservado apenas cinco dias para isso.

Cape Town, no nome em inglês, não precisa de estátuas no alto de seus morros, porque as nuvens que os tocam são a melhor combinação que poderia haver.

Em breve, com mais calma, darei outros detalhes sobre esse maravilhoso destino. Agora, tenho que aproveitar cada minuto…

Published in: on 03/10/2011 at 07:20  Comments (6)  
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O moçambicano e a autoestima

Moçambique é um país maravilhoso. Tem belezas naturais inimagináveis, tem fauna e flora riquíssima, tem solo fértil e rico, tem um povo simpático, acolhedor, bem humorado, respeitador. Mas continua com um dos Índices de Desenvolvimento Humano (IDH) mais baixos do mundo. Tem alguns problemas e dificuldades tão entranhados no país, que o brilho de tudo isso que é bom acaba por se apagar.

Depois de conviver e conhecer mais a fundo esse povo e esse país tenho acreditado cada vez mais que o que falta aqui é autoestima. O moçambicano precisa acreditar mais em seu potencial e valorizar o que faz, o que tem, o que é. Vivendo em Maputo, no sul do país, estamos muito perto da fronteira com a África do Sul. Não sei se o mesmo se repete em outros pontos do país, mas aqui chega a ser enervante o quanto o moçambicano valoriza seu vizinho, sem aplicar a ele o mesmo senso crítico que aplica a si próprio.

Sim, a África do Sul é mais rica, tem mais desenvolvimento tecnológico e seu Índice de Desenvolvimento Humano é melhor. Mas a África do Sul está bem longe de ser o exemplo do tudo perfeito que os moçambicanos vêem. Estou hoje em Cidade do Cabo, a quarta cidade que conheço da África do Sul. As outras foram Nelspruit, Joanesburgo e Pretória, sem contar o Kruger Park, que é um mundo à parte.

Em todos esses lugares sofri com atendimento ineficiente, vi lixo na rua (bem menos que em Maputo, é verdade, mas vi), vi favelas, encontrei gente pedindo esmola, convivi com serviços mal feitos e gente sem educação, enfim, vivenciei problemas. Mas quando o moçambicano fala da África do Sul, fala do país perfeito, de cidades sem favelas, do lugar onde todos têm emprego e ganham bem (verdade que ganham mais que em Moçambique, mas gasta-se mais também), do lugar limpo onde o povo não faz xixi na rua.

Ou seja, os moçambicanos tendem a não ver os problemas que também existem (talvez em menor escala) no seu vizinho. E mais: não percebem que os problemas que não existem no vizinho dependem, em muito, da atitude do próprio povo. Quem faz xixi na rua em Maputo? Os postes? Não, o povo. Quem joga lixo a céu aberto? As árvores? Não, o povo. Talvez, falte ao moçambicano perceber que se ele cuidar do que está a volta dele, pode conseguir um ambiente melhor e ter o que tanto acha bonito no seu vizinho.

Isso me lembra muito a atitude de alguns brasileiros com relação aos Estados Unidos. Vivem dizendo que “se fosse nos Estados Unidos não seria assim”, “lá as coisas funcionam”, “lá as pessoas são sérias”… Eu vivi lá e pude ver de perto e sentir na pele que não, não é nada disso…

Talvez se o moçambicano notar o seu valor, as suas cidades bonitas e a sua terra fértil, consiga fazer com que tudo isso seja igual ou melhor do que o que está no vizinho. Falta se perceber capaz, se valorizar e não se deixar abalar por uma fronteira. O mesmo moçambicano que passa o dia na África do Sul sem fazer xixi na rua, o faz quando chega em Maputo. Por quê? Porque “aqui é assim mesmo”. E se cada um resolver que não quer mais que seja?


Obs.: escrevendo este texto, lembrei de um outro, muito bom, escrito pelo Guilherme alguns meses atrás no Na ponta do lápis, chamado Miragem, e da Carta aberta a todo moçambicano e moçambicana, do ‘nando Aidos, publicada aqui no Mosanblog.