E vive-se aqui

Na segunda metade do século passado, Moçambique viveu onze anos de guerra pela independência e dezesseis anos de guerra civil. Guerras que nunca chegaram à capital do país, Maputo. Com isso, quero dizer que Maputo nunca foi campo de batalha, mas claro que episódios como esses sempre respingam e seria impossível a capital ficar imune.

Mas, às vezes, olhando à volta, me parece que foi mais que isso. A impressão que dá é de que houve bombardeios aqui mesmo, na rua ao lado, na casa ao lado.

casa com jornal na janela quebrada casa com janela quebradaÉ raro ver um relógio de rua que funcione. A maioria das salas de cinema já não exibe mais. Há uma sala, aliás, que nunca exibiu. São comuns as ruínas que já foram bonitas casas um dia, mas onde ainda moram famílias hoje. Em toda rua há uma janela quebrada de casa ou apartamento substituída por jornais ou plásticos ou nada…

E vive-se aqui.

No tempo parado do relógio da catedral da Sé são sempre duas e quinze

Para sempre seis e dez no relógio da estação de trem

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3 ComentáriosDeixe um comentário

  1. Sempre gostei da chamada no ElefanteNews: “já passou pelo Mosanblog hoje? Clique e veja Moçambique pelos olhos da Sandra”. Este post é a síntese perfeita para a chamada que o Eduardo fez!!! Bjs

  2. Sandra, linda cabeça você tem!
    Gostei muito das suas observações e das fotos.
    Parece que em algum lugar alguém tem um dedo persistente nos ponteiros do tempo.
    E assim os relógios cumprem a sua função, que é, sempre foi e será, respeitar as indicações desse dedo.
    Cujo dono se desconhece.

  3. Não é para ser desmancha prazeres, contraditório ou xato (ou chato, dependendo do acordo ortográfico que escolherem), mas, a guerra civil, permitam-me a insistência, não foi guerra civil.
    Foi uma guerra dos senhores da tal “guerra fria” em que Moçambique foi um frágil peão desse aborto civilizacional (a tal da guerra fria).
    Pronto. Deitei cá para fora esta pressão que me aflige (problema meu, né?) cada vez que se fala de guerra civil em Moçambique (e outros sítios).
    Mas entendo também que é assim que lhe começaram a chamar por conveniência, que é assim que lhe chamam e que é por esse nome que toda a gente sabe do que se está a falar.

    Sandra, obrigado por tolerar este safado…


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