E vive-se aqui

Na segunda metade do século passado, Moçambique viveu onze anos de guerra pela independência e dezesseis anos de guerra civil. Guerras que nunca chegaram à capital do país, Maputo. Com isso, quero dizer que Maputo nunca foi campo de batalha, mas claro que episódios como esses sempre respingam e seria impossível a capital ficar imune.

Mas, às vezes, olhando à volta, me parece que foi mais que isso. A impressão que dá é de que houve bombardeios aqui mesmo, na rua ao lado, na casa ao lado.

casa com jornal na janela quebrada casa com janela quebradaÉ raro ver um relógio de rua que funcione. A maioria das salas de cinema já não exibe mais. Há uma sala, aliás, que nunca exibiu. São comuns as ruínas que já foram bonitas casas um dia, mas onde ainda moram famílias hoje. Em toda rua há uma janela quebrada de casa ou apartamento substituída por jornais ou plásticos ou nada…

E vive-se aqui.

No tempo parado do relógio da catedral da Sé são sempre duas e quinze

Para sempre seis e dez no relógio da estação de trem

Jimmy Dludlu em Maputo

Amanhã, 30 de setembro, o compositor e guitarrista moçambicano Jimmy Dludlu, lança, em Moçambique, seu mais recente CD, Tonota in Groove, com vários ritmos, como tradicionais moçambicanos, jazz e sons latinos.

Jimmy começou a carreira nos anos 80, interpretando músicas do seu ídolo Wazimbo. Com sua voz doce e muito talento, não foi difícil ganhar vida própria. Logo desenvolveu as habilidades de guitarrista de forma plena e hoje é conhecido como um dos mais versáteis intérpretes do estilo afro jazz.

Radicado há muitos anos na África do Sul, onde fez licenciatura em música, seu primeiro álbum foi lançado em 1997. Tonota in Groove é o sétimo desde então. O lançamento será às 21h, no Franco-Moçambicano, depois de cinco anos sem que Jimmy se apresente em Moçambique. E, para quem não pode estar lá, aqui vai um pouco do som de Jimmy Dludlu.

Veja mais sobre o lançamento de amanhã, em matéria do jornal O País.

P.S. Os ingressos estão sendo vendidos no próprio Centro Cultural Franco Moçambicano e no site www.bilhetesonline.net e custam MT 1.300,00.

Os gatos da EdM

Se eu visse a cena abaixo em qualquer cidade, chamaria na hora o piquete (como dizem plantão por aqui) da empresa de energia…

Mas depois de ter vivido em Maputo tantas histórias onde a própria EdM — Eletricidade de Moçambique fez gambiarras na minha frente, já nem perco meu tempo.

Para conhecer ou lembrar essas histórias leia os posts de 16 de março de 2011, À espera da EdM, e de 26 de março de 2011, A EdM voltou.

CFM entre as mais bonitas do mundo

O prédio que abriga os Caminhos de Ferro de Moçambique em Maputo foi escolhido entre as mais bonitas estações de trem do mundo pela revista Travel+Leisure, de acordo com matéria divulgada no blog Moçambique para todos.

A estação moçambicana foi inaugurada em 1910 e hoje figura na lista das mais belas do mundo ao lado da St. Pancras, em Londres; Sirkeci, em Istambul; Atocha, em Madrid; Estação Central de Antuérpia, na Bélgica; Southern Cross Station, em Melbourne; United Station, em Los Angeles; Penn Station, de Nova Iorque; Michigan Central Station, de Detroit; entre outras.

Fachada da Estação Central dos Caminhos de Ferro de Moçcambique, em Maputo

Estação central de Maputo, na Praça dos Trabalhadores, no início da avenida Guerra Popular

Comer e ver o Índico

vista aérea da avenida Marginal, em MaputoAo longo da avenida Marginal, em Maputo, há vários restaurantes, bares e cervejarias. É um lugar sempre agradável para estar com os amigos e fazer uma refeição ou apenas tomar uma cerveja com petiscos. Afinal, poucas coisas são melhores do que fazer isso à beira do Índico.

Um desses estabelecimentos é a cervejaria Miramar. Com uma esplanada na areia da praia, o lugar tem espaço para 300 pessoas (parte interna e externa) e uma boa variedade de pratos e petiscos.

Nos finais de semana tem música ao vivo e durante a semana, à noite, o telão costuma apresentar jogos de futebol. Com uma decoração simples, o que vale mesmo é a vista do Índico e a boa comida.

A variedade do cardápio permite que o cliente escolha desde café da manhã até pratos completos, passando por sandes (sanduíches) e petiscos. Os destaques ficam para os sandes de bife, chouriço (lingüiça) ou galinha, pão de alho, chamuças e porções de cabeça de lula ou bachalhau desfiado. Entre os pratos, peixe a vapor, espetada de carne e chouriço e espetada de marisco.

Para fazer jus à “cervejaria” no nome, é possível encontrar cerveja de garrafa ou pressão (o nosso chopp) de variadas marcas: Manica, Castle, Heineken, Hunters, Savana, 2M, Laurentina…

E ainda tem uma grande qualidade, não tão comum por aqui: nos finais de semana, a cozinha fica aberta até meia-noite, como diz na publicidade.

Serviço:
O quê? Cervejaria Miramar.
Quando? 2a a 6a, das 9h às 23h; sexta, sábado e domingo, das 9h às 24h.
Quanto? Porção com 4 chamuças: MT 170,00 (R$ 9,50); pão de alho: MT 60,00 (R$ 3,30); cabeça de lula: MT 280,00 (R$ 15,50); bacalhau desfiado: MT 320,00 (MT 17,80); sandes: MT 230,00 (R$ 12,80); peixe a vapor: MT 470,00 (R$ 26,10); espetada de carne e chouriço: MT 350,00 (R$ 19,45); espetada de marisco: MT 450,00 (R$ 25,00); sobremesas: em média MT 160,00 (R$ 8,80); cervejas: entre MT 60,00 e MT 120,00 (R$ 3,30 a R$ 6,60).
Onde? Avenida Marginal, 4.272, Maputo.
Telefone: 82 3193 950/82 3030 690.

Bela mesmo

Há muito ela já não está mais entre nós. Mas sua música e sua beleza angelical continuam sendo referências na cultura de seu país, Togo. Seu olhar quase infantil, seus traços suaves, sua voz afinada, tudo encanta quando ouvimos e vemos Bella Bellow.

Ela morreu em 1975, em um acidente de carro, aos 27 anos — a famosa idade dos bons músicos morrerem —, apesar de não ter sido citada nas listas que poluíram a internet quando Amy Winehouse morreu, recentemente.

Bella vivia o auge da carreira como cantora e compositora e, talvez por isso, tenha ficado ainda mais marcada na história de seu país. Cantava em francês e em ewe, língua local da cidade onde nasceu, Tsévié, próxima da capital do Togo, Lomé.

Sua primeira apresentação internacional foi em 1966, na cidade de Dacar, no Senegal, onde representou Togo no primeiro Festival Mundial de Arte Negra.

Mesmo tão jovem, com menos de dez anos de carreira internacional, Bella Bellow foi muito conhecida na Europa, chegando a se apresentar na mais antiga e famosa casa de espetáculos de Paris, o Olympia, e a gravar com o camaronês Manu Dibango.

Escolhi para vermos aqui a música Zelie por ser um vídeo e não apenas uma apresentação de fotos acompanhando a música, assim podemos apreciar o movimento doce do seu olhar e o seu sorriso meigo.

Leia mais sobre a diva de beleza natural e voz bem afinada no blog Toonadas, no Discogs, no Music Video Wiz e na Wikipedia.

Resultado dos X Jogos Africanos

Outro dia contei aqui que estava a começar a décima edição dos Jogos Africanos, em Maputo. Pois bem, já foram.

Quinze dias passam mesmo voando e nem doeu. Quer dizer, doeu um pouco para aqueles que chegaram a ficar até quatro horas parados no trânsito (e aqui isso não é comum, viu, turma de São Paulo?) por causa da não organização para as provas de rua, como ciclismo e atletismo, por exemplo.

Mas fora um ou outro incidente como esse, até que as coisas foram bem. Aliás, bem melhores do que se esperava. Especialmente, se considerarmos que Moçambique recebeu a missão de sediar os jogos há dois anos, quando da desistência da Zâmbia.

Infelizmente, o país sede conquistou apenas doze medalhas (quatro de prata e oito de bronze) e nenhum ouro ficou em casa. Assim, Moçambique ficou na 24ª posição na classificação final. As medalhas moçambicanas foram para:

– Kurt Couto (Atletismo/400 metros com barreiras) – Prata

– Mirian Corsini (Natação/50 metros costas) – Prata

– Marisa Macie, Linda Mucavele e Lu Ping (Karate-Kata por equipe) – Prata

– Seleção Masculina (Basquete) – Prata

– Vânia Vilhete (Xadrez-Classificação por tabuleiro) – Bronze

– Kelvin Viriato (Taekwondo – Menos 87 kgs) – Bronze

– Luís Sousa, Eric Santos e Eddie Santos (Karate-Kata por equipe) – Bronze

– Maria Elisa Muchavo (Atletismo para pessoa portadora de deficiência – 200 metros) – Bronze

– Maria Mabjaia (Vela-Optimist) – Bronze

– Mussá Tualbudine e Joaquim Lobo (Canoagem/1000 metros C2) – Bronze

– Watch António (Boxe/57 kgs) – Bronze

– Cremildo Artur (Boxe/52 kgs) – Bronze

A grande vencedora foi a África do Sul, que levou para casa 156 medalhas, sendo 61 de ouro, 55 de prata e 40 de bronze.

Veja abaixo quadros com a classificação final.

quadro de medalhas 10 primeiros

10 primeiros colocados nos Jogos Africanos 2011

quadro de medalhas continuação

Continuação do quadro de medalhas dos Jogos Africanos 2011

Tabela retirada do site Sapo.mz.

O tempo que temos é o tempo em que devemos viver

Viver em Moçambique tem me ajudado a ver a vida sob outro ângulo, como não podia deixar de ser. Foi da mesma forma quando saí de quase duas décadas vividas na zona Norte de São Paulo, para a viver na zona Oeste. E depois disso, quando saí do Brasil, para viver nos Estados Unidos. Também mudou completamente o ângulo de visão do mundo quando morei em Brasília. Nunca antes o mar tinha sido algo tão distante para mim. Lembro que achei curioso encontrar uma pessoa já com algumas décadas de vida que nunca tinha visto o mar. Depois, percebi que no cerrado brasileiro isso é mais comum do que meu umbigo imaginava. Em África, a perspectiva é outra ainda. Diferente das anteriores; nem melhor, nem pior.

Cada uma dessas experiências contribuiu para eu entender melhor o mundo, ver o quanto ele é maior do que parecia da janela de casa. Aqui, em Moçambique, aprendi mais do que ver o mundo de um novo ângulo, mas também a viver nele em um outro ritmo. No início, eu achava estranho a matéria do jornal da TV falar de algo que aconteceu há três dias. Afinal, jornal de TV para mim, era o resumo do dia. O que não entrou hoje, se perdeu. Aqui não. Coisas importantes para as pessoas demoram para chegar à sede da emissora, que nem por isso deixa de dar a informação. Dois, três, quatro dias depois. E daí? Quantas vezes, nas ânsia de informar mais rápido, antes do outro, no momento que o fato acontece, os jornalistas não cometem equívocos? Ou então, as notícias saem aquelas coisas sem nenhuma elaboração que tanto estamos acostumados a ver por aí. Texto fraco, sem nexo, nem beleza, mas que saiu rápido.

Com o tempo, aquilo que era estranho passou a ser compreensível. Com mais tempo, passou a ser desejável.

Explico: nas últimas décadas, com novas descobertas tecnológicas e no campo da saúde, a expectativa de vida aumentou. Teoricamente, com mais anos de vida e equipamentos mais modernos que permitem fazer as coisas em menos tempo, um ser humano hoje deveria conseguir fazer coisas que seu avô planejou, mas não teve tempo de vida para fazer. Mas o humano é um ser em busca da frustração eterna. Ele não se contenta com isso. Ele quer fazer o que seu avô não fez e ainda planejar fazer um tanto de coisas que não vai conseguir.

E o pior é que, quando vivemos inseridos nessa roda viva, deixamos de perceber o que estamos fazendo e que mundo estamos alimentando. Não percebemos a dor e o sofrimento ao nosso lado. Não vemos as belezas nem sentimos fundo todas as alegrias. Não percebemos que estamos envolvidos em um sistema que quer, justamente, que não possamos refletir sobre o que fazemos. As pessoas falam quase com orgulho: há cinco anos não tiro férias… não tive um fim de semana livre esse mês… recebo e-mails no celular até quando estou no cinema… ãhn???

Estamos todos virando Zips, como no vídeo abaixo:

Mais incrível é pensar que os prazos curtos e as amarras fortes são criados pelo próprio homem. Claro que aí vem a ganância do chefe, a vontade de enriquecer do dono, a competição do estagiário estúpido. Mas nós somos cada um desses.

Aqui, em África, eu vejo muita coisa ruim. Não estou no paraíso. Mas aqui eu não vejo tantos Zips…

Antes de vir para cá, assisti inúmeras palestras de filósofos e educadores que falam sobre o quanto a vida está corrida, o quanto as pessoas não convivem mais, o quanto os valores do tempo estão distorcidos, o quanto “era bom antigamente” e a platéia (pelo menos 97% dela) ficava encantada, pensando que queriam rever os modelos que estão aplicando, que aquele filósofo está certo… depois saíam do evento e voltavam para suas vidas agitadas, de e-mail no celular, de contato com qualquer lugar do mundo a qualquer hora, até mesmo enquanto dirige, para ganhar tempo. Ganhar tempo?

Aqui, é como se o tempo decorresse mais devagar… Ou será que em outros cantos é que tem estado a correr demais?

E o resultado dessa correria, para além de acabar com a saúde das pessoas, é o fim da criatividade e do surgimento de grandes pensadores. Não temos mais a capacidade de longos raciocínios. Pensamos sempre em respostas breves para questões urgentes e paramos de pensar com elaboração, com longas linhas de raciocínio, que levavam a grandes descobertas.

Para reverter isso, precisamos parar de desejar dias de 30 horas ou semanas de 10 dias, porque eles não vão acontecer. Nossa loucura não vai mudar a rotação da Terra. Por outro lado, se vivermos em um ritmo menos acelerado, talvez consigamos chegar a descobertas que vão tornar nossas vidas melhores e até nosso trabalho mais rentável. Temos que aprender a viver no tempo que temos e fazer dele o mais produtivo e, de preferência, criativo possível.

Published in: on 19/09/2011 at 22:36  Comments (9)  
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Quatro filmes de um festival

Acabou a 6a edição do Dockanema e consegui assistir apenas quatro filmes, sendo que um deles foi Os Fuzis, do Ruy Guerra, diretor homenageado do ano.

Depois, assisti Robert Mugabe… what happened? (Robert Mugabe… o que aconteceu?), que retrata a ascensão e perda de controle do presidente Robert Mugabe, do Zimbábue. Há 30 anos no poder, já foi condenado como terrorista e nomeado cavaleiro pela rainha Elizabeth. Um homem de contradições, em um país também assim, dentro de um continente mais assim ainda, de um planeta que nem se fala… O filme é baseado em entrevistas, quase todas com alguns dos camaradas de Mugabe.

O terceiro foi Tambores, do qual já tinha falado um pouco no post Tambores do mundo em Maputo. Filmado em seis países, o documentário mostra como o tambor está presente em sociedades tão distintas e é um instrumento democrático, usado em diferentes situações, por diferentes tipos de pessoas e que pode ser feito de forma tradicional, utilizando materiais rústicos, ou com materiais sintéticos. O melhor do filme é guardado para o final, quando… bom, final de filme não se conta, não é? Mesmo sendo documentário. Procurem assistir e surpreendam-se também.

No último dia do festival, fui compreender um pouco mais das difíceis relações políticas na África, no documentário An African Election (Uma eleição africana), que retrata as eleições presidenciais de 2008 no Gana, que foram para o segundo turno e, no final, com um resultado muito difícil de ser apurado, a comissão eleitoral acabou optando por um terceiro turno em um dos distritos do país. Lembra muito a eleição de George Bush em 2000, que foi definida depois de muita recontagem de votos na Flórida.

Recomendo todos os que vi e lamento pelos que não vi… mas ainda vou procurá-los por aí, porque sei que a seleção do Dockanema costuma ser de boa qualidade.

O leão do Zimbábue

O cantor Thomas Mapfumo é conhecido como o Leão do Zimbábue pela sua imensa popularidade e também, em especial, pela grande influência política que exerce por meio de sua música. Foi ele, por exemplo, o criador do estilo musical que se tornou bastante popular, chimurenga.

Nos anos sangrentos da libertação do seu país e, depois, nos anos de profundas crises econômicas, sociais e políticas, Mapfumo usou sua música para denunciar injustiças, falar sobre questões históricas e culturais e desnudar fatos escondidos pelos jornais sob censura do governo do presidente Robert Mugabe.

Em 2000, as condições no Zimbábue ficaram ainda mais difíceis, devido às políticas violentas do presidente Mugabe e as músicas de Mapfumo foram banidas de todas as rádios. O músico optou por sair do país e foi viver nos Estados Unidos. Mas, apesar do risco, Mapfumo continuou retornando regularmente ao seu país natal, uma vez por ano, para fazer um show de fim de ano. Isso aconteceu até 2004, quando ele sentiu que a coisa estava ficando perigosa demais e deixou de ir.

Mapfumo começou a cantar em 1955, aos 10 anos. Durante sua adolescência, quando seu país vivia a luta pela libertação que transformaria a Rodésia em Zimbábue, Mapfumo atuava como artista itinerante, que o fez ter contato com diversas regiões. Suas músicas passaram a refletir as preocupações das pessoas com as quais ele se encotrava, as privações da vida rural, a indignação com o colonizador.

Foi nesse momento que ele desenvolveu a música que chamou de chimurenga. Os guerrilheiros de seu país que lutavam pela libertação eram chamados chimurenga que, em chona significa luta, conflito. A música chimurenga refletia os anseios da nação negra da Rodésia.

Em 1980, ele celebrou a independência do país que passaria a chamar Zimbábue, sob o som de chimurenga, ao lado dos novos líderes do país. No entanto, Mapfumo esteve sempre ao lado do povo. Ele ficou conhecido por cantar músicas em prol da revolução libertadora, mas suas músicas falavam mesmo era de justiça social e liberdade cultural.

Quando os líderes da libertação transformaram-se em governantes corruptos e que misturavam o conceito de nação com o de sua própria casa, quando perderam os limites do poder, quando passaram a também subjugar o povo como os colonizadores, Mapfumo seguiu coerente. Em 1989 lançou a canção Corrupção. No ano seguinte, cantou Jojo, onde ele avisa os jovens sobre os perigos da política no país em que estão.

Foi nessas circunstâncias que as condições para ele ficaram insustentáveis e Mapfumo teve que deixar o país. Mas sua arte continua lá. E ele continua ativo. Seu CD mais recente, Exílio, foi lançado em 2010.

Escolhi apresentar Jojo, pela força da letra.

Nyaya dzenyika Jojo chenjera (Cuidado com as questões poíticas)
Ndakambokuyambira Jojo chenjera (Eu te aviso, Jojo)
Siya zvenyika Jojo unozofa (Deixe a política, você pode morrer)
Nyaya dzenyika idzi (Essas questões políticas)
Jojo siyana nazvo Aiiwa-iwa Jojo, (Deixe essas questões políticas)
Jojo unozofa Aiiwa- iwa (Jojo, não morra pelo país)
Jojo usafire nyika Aiwa-iwa (Jojo, você pode morrer)
Jojo unozofa aiwa iwa (Jojo, você pode ser vítima de feitiçaria)
Jojo unoroiwa aiwa iwa (Você vai ser vítima de feitiçaria)
Jojo unozofa aiwa iwa (Você pode morrer)
Mwana wenyu akaenda musingafungire (Alguém pode morrer inesperadamente)
Zvenika apondwa musingafungire (Alguém pode ser assassinado inadvertidamente)
Takambokuudza siya zvenyika (Nós avisamos você)
Nhasi tiri kuchema shamwari zvenyika (Hoje nós choramos por nossos amigos)
Saka ndati kwauri (Então, eu digo)
Zvino Jojo siyana nazvo (Deixe essas coisas para lá)
Ndati zvenyika Jojo chenjera (Eu digo tome cuidado, Jojo)
Ndakuyambira Jojo chenjera (Eu estou avisando você)
Vazhinji vakaenda pamusana penyika (Muitos já pereceram)
Vakawanda vakapondwa (Jovens foram assassinados)
Vadiki vakapondwa pamusana penyika (Morrendo pelo país)
Vadiki vakapondwa pamusana penharo (Morreram porque eles não ouviram)
Vana mai vanochema pamusana penyika (O povo está chorando)
Mhuri dzakatsakatika pamusana penyika (Famílias estão sofrendo)
Saka ndati kwauri shamwari yangu (Então, eu digo)

(Letra retirada daqui)

Conheça o site oficial de Thomas Mapfumo e veja mais sobre o artista na Wikipedia.

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