A baixa

A baixa de Maputo vista da parte alta da cidade.

a baixa vista de cima

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Published in: on 26/08/2011 at 08:50  Comments (8)  
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8 ComentáriosDeixe um comentário

  1. Maputo tem magia…. e a baixa também, mesmo que já não seja o centro comercial da cidade.
    Fomos a pé desde o Hotel Rovuma ao mercado, passando pela leitaria da nossa infância (o mesmo cheiro a milkshakes de baunilha, me entrou pelas narinas), mais abaixo,fomos à casa Elefante onde nos quisemos espraiar por tantas capulanas, imaginando mil e um destinos para cada uma.
    Por fim o mercado! passear os olhos pelo colorido, pelos cheiros, pelos cestos de palha, verificar com saudade que o pó de caril já não está ao ar, mas os seus componentes em saquinhos plásticos….
    Meu coração encheu e transbordou de ternura, nesse dia!

    • Que simpático vocês dividirem essas sensações conosco!

      🙂

    • Pois é… eu também senti falta do pó de caril feito pela vendedora. Os diversos ingredientes aos montinhos, a perfumar o ar, misturados à mão… e depois posto num cartucho feito de papel de embrulho…

  2. Linda foto e belas lembranças do Nando!

  3. Vou usar nomes pertencentes às épocas de que vou escrever…

    Esta baixa para mim sempre foi um local curioso.
    Da primeira vez foi quando, em Agosto de 1961 cheguei, no navio Pátria, aos 15 anos, com os meus pais e o meu irmão, mais novo do que eu uns 8 anos.
    Saímos do porto no carro de alguém e imediatamente subimos o que era então a Avenida D.Luis. Tinha 3 faixas para carros, muitas árvores que eu não conhecia, andava-se pela esquerda, o condutor estava no lado errado do carro, e fazia um calor infernal (para mim acabado de chegar da Metrópole). Na Praça Mouzinho de Albuquerque, parecia que me tinha perdido. Circulava-se ainda mais pela esquerda, e a praça tinha, para mim então, círculos a mais por onde transitar. Asustou-me tanto espaço para tão poucos carros… e o calor.
    Ao fim de algum tempo, já no Liceu, ia à baixa passear ou fazer as minhas parcas compras. Metia-me na minha burra e descia a então Elias Garcia a toda a velocidade, em especial no troço que passa junto ao Jardim, então Vasco da Gama.
    Aí a cidade já era uma fonte de riquezas. As livrarias sempre me fascinaram, a Spanos, a Minerva, a Académica, e outras de que não me lembro. Olhava mais do que comprava. Aliás, lia, nas livrarias, mais do que comprava, revistas de aeromodelismo que era a minha fascinação, mas era assim que os livreiros viam os estudantes. Sem dinheiro mas cheios de sonhos e curiosidade. E assim fingiam que não viam aquele abuso.
    Outra vez que me fascinou foi nas cheias de “fim de ano” de 1963 ou 1964. O mar de água, os carros com água pelas portas, as lojas com água até sei lá onde. Parecia o fim de Lourenço Marques. Nem consegui imaginar os estragos que as pequenas lojas sofreram. Mas, dias depois, parecia que o sol inclemente tinha secado tudo e parecia que tudo tinha voltado ao normal. Não sei como, mas tinha.
    Mais tarde, já em 1974, trabalhava eu junto aos Caminhos de Ferro, a baixa fascinava-me só pela sua capacidade de encher de gente logo pela manhã e esvaziar de gente à hora do almoço. Ficavam meia dúzia de gatos pingados nos cafés a saborear a sua bica, a ler o jornal e muitos com um palito ao canto da boca. Logo a seguir ao almoço a baixa fazia a mesma magia. Como que de repente, e sem eu dar conta, enchia-se de novo de gente. Andavam todos apressados, coisa que sempre me foi estranha porque as distâncias não eram grandes e não havia muito para fazer na baixa.
    Já em 2005 a baixa de Maputo mostrou de novo esta capacidade. Noutros tempos a cidade enchia e esvaziava com a esforço de ruidosos machimbombos dos SMV sempre atulhados de gente. Mas agora eram os chapas que dominavam. São menos ruidosos, isso é verdade, e muito mais rápidos, mas nem por isso menos atulhados de gente. Correm para aqui e para alí, sempre cheios de gente.
    Isso me fascinou. De onde vinha e para onde ia tanta gente? Mas nem paravam para responder, só paravam para receber mais um viajante, mesmo quando parecia que já lá não cabia uma mosca.
    Em abril passado essa baixa de Maputo surpreendeu-me de novo pelas mesmas razões. Consegui rehabituar-me ao trânsito pela esquerda, mas as avenidas com 3 faixas ainda me fazem confusão. E o fluxo de gente é mais intenso. Os chapas parecem que nem têm tempo de ir para a oficina, e alguns já perderam a vez de ir para a sucata. Andam todos, os chapas, as gentes, de manhã, a meio do dia, à noite… num rodopio inexplicável.
    Mas de onde vem e para onde vai tanta gente?
    Mesmo sem reposta, e apesar dos edifícios degradados, alguns dos quais, naquele tempo, albergavam uma ou outra loja minha favorita, eu gosto desta baixa. Acho que ainda é maningue nice!
    Kanimambo

    Foto noturna tirada do hotel Cardoso

    Foto noturna tirada do hotel Cardoso

    • ‘nando, fico feliz que uma foto tão simples tenha inspirado tantas lembranças bacanas!

      • Foi mesmo… explodiram… tinham de sair e a foto puxou por elas…
        O Rui Knopfli tinha razão… ser de Moçambique ou ter lá vivido é doença sem cura…

    • “…Aí a cidade já era uma fonte de riquezas. As livrarias sempre me fascinaram, a Spanos, a Minerva, a Académica, e outras de que não me lembro. Olhava mais do que comprava. Aliás, lia, nas livrarias, mais do que comprava, revistas de aeromodelismo que era a minha fascinação, mas era assim que os livreiros viam os estudantes. Sem dinheiro mas cheios de sonhos e curiosidade. E assim fingiam que não viam aquele abuso….”

      Estas palavras do Sr. Nando Aidos a mim também me tocam. Tinha eu também naquele tempo, no meu caso, nos meados dos anos 60 e 70, esse hábito de andar pelas livrarias da baixa apreciar livros expostos e ler um bocado de cada vez. Na “Spanos” descobri os livros espanhóis do Dr. Vander, que tratavam de vários assuntos de saúde sob o ponto de vista de medicina natural.Lembro-me que cheguei a comprar um que falava de “asma” e outro que falava de “matrimónio”. E depois mandei vir outros desta colecção directamente da Espanha, através do “Instituto de Livro e Disco” que foi criado depois da Independência, que nos facilitava mandar livros do estrangeiro e podíamos pagar o valor equivalente em Meticais embora o preço de importação era em dólares americanos.

      Outro sítio que eu gostava de frequentar para ler o jornal, era a vitrina do “Jornal Notícias” na Rua Joaquim Lapa na baixa. Fiquei triste, quando depois da Independência, eliminaram aquela vitrina. Para pessoas como eu que gostava de ler e que não tinha dinheiro para comprar diariamente um jornal, aquela vitrina era uma boa providência.
      Sim, tem razão o Sr. Nando, a baixa tinha o seu próprio fascínio peculiar.


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