Tão perto, tão diferente

Sempre que vamos à baixa da cidade, vemos, do outro lado da baía de Maputo, o Catembe. É um município praticamente rural, que fica isolado pela baía e por florestas. Movidos pela curiosidade de pisar no Catembe e ver Maputo a partir do outro lado, resolvemos ir até lá para almoçar no domingo.

A forma mais prática e rápida é pegar a balsa (batelão, como chamam aqui) na avenida 10 de novembro. Quando estávamos quase entrando na balsa, o Eduardo lembrou de perguntar se do outro lado íamos encontrar máquinas para sacar dinheiro, porque estávamos sem. Tínhamos apenas o suficiente para a balsa ida e volta. Fomos alertados que não havia. Então, voltamos correndo para pegar algum dinheiro para o almoço e entramos na balsa.

Nos pouco mais de 10 minutos que durou a travessia da baía fui pensando no que ia encontrar… um lugar onde não se tem máquina para levantar dinheiro? Soou estranho, especialmente considerando a curtíssima distância de Maputo. Quando cheguei lá entendi. É rural, rural mesmo. As construções são quase todas de caniço (palhotas), havendo poucas casas de tijolo, que estão especialmente na beira da praia. Algumas dessas construções tem arquitetura antiga, indicando que podem ter sido casa de veraneio na época da colônia. Não tem asfalto nas vias e mal tem vias. Identificamos duas.

Cidade de Catembe

Ao sair da balsa, entramos na segunda via à esquerda e andamos um pouco no chão batido de terra. Logo depois de um posto policial, que fica à esquerda, vimos uma placa para o restaurante do Diogo. Eu havia lido referências ao restaurante na internet e, como já tínhamos ido um pouco adiante e não tínhamos encontrado muito sinal de grandes opções e nosso carro não é dado a aventuras do estilo 4×4, resolvemos ficar por ali mesmo.

Entramos à esquerda na rua, ao lado do quiosque Mabuye e em frente a um posto de gasolina que me pareceu desativado, mas pode ter sido só impressão por ser domingo. Paramos o carro ao lado do restaurante e fomos andar um pouco na praia. Entrar na água, nem pensar, porque estava gelada. Sim, o inverno chegou por aqui.

O passeio na areia foi marcado pela tristeza da sujeira. Todo tipo de lixo (até tubo de pasta de dente) jogado na areia. Muito desagradável. Mas quando erguíamos a cabeça, a vista de Maputo e da baía era reconfortante.

barcos pesqueiros com Maputo ao fundo

De volta da caminhada, paramos no restaurante para almoçar. Naquele momento, apenas curtimos a boa comida e o local muito agradável, com mesas ao ar livre e uma linda vista de Maputo.

vista do restaurante do Diogo para Maputo

Só quando fui escrever este texto e fiz alguma pesquisa na internet, descobri que o tal restaurante tem fama e história. Pelo que li em matéria do jornal Notícias, cujo link pode ser encontrado logo abaixo, o local é bastante freqüentado por residentes de Maputo e diz-se que lá são encontrados os melhores camarões da região. De fato, Guilherme e Eduardo comeram e se deram bem. Eu, por conta da alergia, fiquei no frango e também saí feliz.

Não encontramos Diogo, o dono do local, mas fomos bastante bem atendidos pelos empregados que lá estavam. No final, pedimos a conta e, por curiosidade, perguntei: aceita cartão de crédito ou débito? Não, nenhum. Como também não vi máquinas de sacar dinheiro pela cidade, ainda bem que tínhamos feito a pergunta antes, em Maputo. Ou passaríamos a tarde lavando pratos e descascando camarões para pagar…

Esplanada com mesas no restaurante do Diogo

O ponto A no balão vermelho indica o restaurante do Diogo

Serviço:
O quê? Restaurante do Diogo.
Quando? Todos os dias, das 7h às 21h.
Quanto? Sandes (sanduíche) de fiambre (presunto): MT 30,00 (R$ 1,50); meio frango na brasa com batata, salada e arroz: MT 240,00 (R$ 12,00); prato com uma dúzia de camarão com batata, salada e arroz: MT 100,00 – camarão pequeno, MT 150,00 – camarão médio ou MT 180,00 – camarão grande (R$ 5,00, R$ 7,50 e R$ 9,00, respectivamente); 1 dose (porção) de lulas: MT 150,00 (R$ 7,50); dose extra de batata, salada ou arroz: MT 25,00 (R$ 1,25); refresco (refrigerante): MT 20,00 (R$ 1,00); cerveja: MT 50,00 (R$ 2,50); vinho Casal Garcia: MT 350,00 (R$ 17,50).
Onde? No Catembe, é só perguntar pelo restaurante do Diogo ou seguir as indicações que coloquei no texto.
Telefones: 82-390-8400 ou 82-585-3257.

Mapa do Catembe e Baía de Maputo

Balsa
Saída de Maputo sempre na hora cheia, saída do Catembe na meia-hora (pelo menos aos domingos, durante a semana parece que tem mais freqüência).
Das 6h às 22h todos os dias é garantido. Parece que tem algumas saídas mais tarde também.
Veículo ligeiro com motorista custa MT 360,00 (R$ 18,00)
Pessoa extra no carro ou a pé paga MT 5,00 (R$ 0,25), o mesmo que um transporte coletivo na cidade de Maputo.

Leia aqui a matéria do jornal Notícias sobre o Diogo do Restaurante.

Veja também o post Uma aventura no Catembe, do blog Crónicas de Maputo, de João Nogueira.

Indico ainda a leitura de textos interessantes sobre o Catembe no Viajar Moçambique.

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3 ComentáriosDeixe um comentário

  1. Bonita a vista de Maputo do outro lado! Também iria de frango porque de mar eu só gosto do sal, na comida, claro rssss. A primeira vez que você postou os “comes e bebes” fiquei encantada com os preços, olhando o valor em real, mas agora que sei o valor do salário mínimo por aí, acho tudo tão caro! 😦

  2. Sabia que estão descobrindo uma vacina para alergia de camarão? Mas acho que voce não vai querer tomar essa vacina

    • Ah, não vou mesmo. Não sinto a menor falta de comer algo cujo sabor nunca me agradou…

      Bjs.

      Sanflosi.


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