Sibongile Khumalo

Considerada um tesouro nacional pelo ícone sul-africano, Nelson Mandela, Sibongile Khumalo estudou ópera e jazz, já se apresentou na Europa acompanhada de orquestra sinfônica e hoje é um dos símbolos da África do Sul.

Sibongile começou a se interessar pela música ainda criança, no bairro do Soweto, em Joanesburgo, quando aos oito anos de idade, seu pai, professor de música, a levou a aprender violino, canto, interpretação e dança. Mais velha, continuou a seguir a trilha do pai e estudou música em duas universidades: University of Zululand e Wits University.

Com uma imensa habilidade musical, ela interpreta uma grande variedade de gêneros, dos sons sul-africanos aos europeus e americanos. Em 1993 ganhou o prêmio Jovem Artista do Standard Bank, no Festival Grahamstown. No ano seguinte, apresentou-se na posse do presidente Nelson Mandela e também no seu aniversário de 75 anos. Essas informações me fizeram observar que tenho gosto musical parecido com o de Mandela. 😉

Sobre Sibongile, eu poderia escrever aqui mais umas cem linhas e não teria contado tudo de seu trabalho e seu conhecimento musical. Mas como a Quinta Quente pede música, vamos logo a ela. Em Mayihlome, o tema que vamos ouvir, ela fala que devemos nos preparar para lutar contra a Aids, com armas como educação sobre Aids, para enfrentar a devastação causada pela doença. Mayihlome, literalmente, significa armas.

No site music.org.za, é possível ler mais sobre a artista (em inglês).

Parece também que em breve a artista vai ter um site (quando escrevi o post ainda estava em construção).

Anúncios

Imprensa livre

Uma das coisas que já fiz muitas vezes foi participar de entrevistas coletivas, como jornalista. Quase todas foram no Brasil, onde os jornalistas muitas vezes aproveitam uma entrevista de um assunto para abordar outro, que esteja mais em voga no momento. Algumas vezes, os jornalistas até abusam dessa prática, ignorando o assunto que os levou ali e fazendo só perguntas sobre o outro tema, que, teoricamente, teria mais interesse público.

Por um acaso desses que não têm explicação, outro dia assisti a uma entrevista coletiva de um diretor da empresa moçambicana de celulares Mcel. Eu estava lá de platéia, pessoa comum… A entrevista era sobre um patrocínio que vão fazer aos Jogos Africanos 2011. É como o Panamericano para nós aí das Américas…

Um dia antes da entrevista, os contatos via Mcel estavam impraticáveis. Quando se mandava mensagem de texto, essa voltava ou era enviada dez vezes. As ligações não eram completadas. No próprio dia da entrevista ainda estava muito mal… com poucas ligações conseguindo ser completadas.

Na tal entrevista, foi anunciado que a Mcel oferecia para a organização dos jogos três mil aparelhos celulares de diversas marcas e trinta Blackberries, além de 15 mil chips (aqui chamados de giros iniciais). Ao final das declarações do diretor comercial da Mcel, foi aberto espaço para os questionamentos dos jornalistas. Não sem antes ser avisado que os jornalistas poderiam “fazer perguntas afeitas ao tema abordado nas declarações”.

Então, os jornalistas assim o fizeram. A empresa tem mais de 3,8 milhões de clientes em todo o país (Moçambique tem cerca de 21 milhões de habitantes), abocanhando 66% do mercado (dados retirados do site da Mcel). Nas últimas 30 horas esses clientes tinham tido suas comunicações totalmente prejudicadas. E os jornalistas ficaram perguntando como seria o uso dos celulares nos jogos, quais os critérios de entrega dos celulares e dos créditos, o que seria feito dos celulares depois dos jogos…

Todas essas perguntas eram pertinentes, claro. Mas custava muito alguém perguntar: quando todos esses novos 3 mil aparelhos, todas essas novas 15 mil linhas passarem a funcionar ao mesmo tempo no início de setembro, vamos ter problemas de comunicação como os que estamos experimentando nas últimas 30 horas?

Ninguém perguntou! Como se estivesse tudo bem, como se a empresa que atende quase quatro milhões de pessoas estivesse funcionando às maravilhas.

E essa situação não é inédita. Estamos aqui há pouco mais de um ano e já tivemos essa dificuldade de comunicação uma meia dúzia de vezes. O que eu não sei se é comum é ter uma coletiva dando sopa em um momento crítico desses.

Moçambique é tido como um país diferenciado na África, por ter uma imprensa livre, que não sofre censuras nem retaliações. Mas também, a uma imprensa dessas, não se pode dar uma tartaruga para tomar conta, porque há de fugir…

Imperdível

Podem reservar espaço nas agendas!

Lembram da Tânia Tomé? Foi uma das minhas primeiras — e muito boas — impressões aqui em Moçambique.

Pois bem, ela agora me avisa que vai estar em terras brasileiras e leva temas ainda inéditos.

Antes, de 2 a 9 de julho vai estar no XXI Festival Internacional de Poesia de Medelin, na Colômbia. O evento é um dos maiores festivais de poesia no mundo. A Tânia é convidada como cantora e poetisa.

Depois, desembarca no Rio de Janeiro, onde vai apresentar poemas no Teatro do Sesi, no dia 14 de julho. No dia 15, fará uma sessão de música acústica no mesmo teatro, onde se apresentará também ao piano.

Em sua rápida passagem pelo Brasil, a artista ainda vai encontrar tempo para visitar a livraria Kitabu, para cantar e mostrar seu livro de poesias. O encontro deve ser no dia 12, no fim da tarde.

Tânia está neste momento pensando na preparação de mais um álbum de música e irá aproveitar a viagem para encontrar os músicos Guilherme Silva, Grecco Buratto e outros com os quais estabeleceu contato recentemente, para estudar a possibilidade de gravar alguns temas de música no Brasil.

Tânia Tomé no Brasil
Teatro do Sesi
14 e 15 de julho de 2011, das 12h às 13h.
Entrada gratuita (sujeita à lotação) e classificação etária livre.
Endereço: Av. Graça Aranha, 1 – Centro/RJ.
Telefone: 21-2563-4168
Bilheteria: 21-2563-4163

Livraria Kitabu
12 de julho de 2011, às 18h30.
Rua Joaquim Silva, 17 – Lapa/RJ.
Tel: 21- 2252-0533

Obs: como as agendas podem sofrer alterações, sugiro entrarem em contato com os respectivos locais antes de se dirigirem para lá.

Saiba mais sobre a artista visitando os sites Tânia Tomé e Showesia.

Feriado sim, religioso não

Mais um feriadão no Brasil e aqui não. Por acaso, aqui até tem um feriadinho, em pleno sábado…

Amanhã, 25 de junho é dia da Independência de Moçambique, que se deu em 1975. Esse é o único feriado da semana. Aqui, como o estado é laico de verdade, não tem essa de comemorar data com nome de cristo ou qualquer outra referência religiosa, como em outros ditos estados laicos.

Alegre e positiva

Ela nasceu na cidade de Tete, em 1985. O contato com a vida artística se deu primeiro como bailarina, na escola primária e depois em academias, onde fazia dança contemporânea e tradicional moçambicana. Por cerca de oito anos Liloca foi bailarina do músico McRoger e há cerca de cinco anos iniciou sua carreira como cantora. Paralelamente, também arriscou ser apresentadora de um programa de televisão, o Remexe.

Em 2007 Liloca lançou o seu primeiro CD: Tic Tac – onde estás?, que lhe rendeu o prêmio Revelação no Ngoma Moçambique. Em 2009 lançou o álbum Magnífica, referindo-se a ela mesma. E ela é um pouco isso mesmo. Ou, se nem todos concordam, o que importa é que ela tem a habilidade de se achar magnífica, o que é sempre bom, mostra que tem auto-estima em alta, que acredita nela mesma, que se gosta. Coisa boa de ver. Isso se reflete na alegria de seus vídeos e de sua apresentação, sempre descontraída e muito animada.

Nas músicas, ela fala de amor, da vida cotidiana, da luta social que o povo trava todos os dias e de seu país. E é justamente uma música que enaltece Moçambique que vamos ouvir abaixo.

Leia entrevista da cantora ao site Mbila.

Veja também matéria do portal Maputo.co.mz.

Encontro de culturas

Uma polonesa (polaca, como dizem aqui) deu uma festa na casa dela um sábado desses. Convidou gente de diversas nacionalidades. O convite foi o mesmo para todos: “Sábado vamos reunir uns amigos lá em casa. Esperamos você lá às 20h”.

Os ingleses chegaram às 20h. Seguidos dos poloneses que chegaram uns cinco minutos depois. Entre 20h30 e 21h chegaram italianos.

Às 23h, os poloneses já estavam saindo (“afinal, a dona da casa tem uma filha bebê, não seria adequado ficar até mais tarde”, “os donos da casa não têm empregada, precisariam ainda arrumar a casa”…) e encontraram na escada, a chegar, os moçambicanos.

Assim é a divertida vida em uma capital, sempre com muitas nações, hábitos e culturas convivendo.

O anjo branco

Com 678 páginas, divididas em três partes (Paraíso, Purgatório e Inferno), o livro o Anjo Branco (editora Gradiva) é daqueles nos quais um capítulo chama o outro e quando a história acaba o leitor pede mais.

O autor José Rodriges dos Santos conta a história de seu pai, um médico que não escolhia pacientes, nem tratava melhor ou pior a nenhum deles (branco, negro, doutor, guerrilheiro, soldado, capitão, rico, pobre…). Ação difícil de ser colocada em prática nos anos de guerra pela libertação em Moçambique.

A história mostra o sentimento humanitário que o médico carregava e que deveria estar dentro de todos os que exercem a medicina. Só alguém com esse sentimento acima de tudo teria sido capaz de criar o Serviço Médico Aéreo na distante província de Tete, na colônia Moçambique, em meados do século XX.

Romance baseado em fatos reais, boa parte do livro se passa em Portugal, do nascimento do médico em Penafiel até sua formatura no Porto. Na seqüência, mostra o trabalho do médico em Moçambique, na década de 1960, primeiro em Xai Xai, depois em Tete. O ápice da história é o massacre de Wiriyamu.

O livro nos faz refletir sobre como o exército português conseguiu fazer com que os portugueses que viviam nas cidades em Moçambique ficassem alheios por muito tempo à guerra que acontecia no país. Sempre acreditando que as manifestações anticolonialistas seriam controladas e não passariam disso: manifestações. Triste é ver no fim do livro com que métodos o exército pretendia controlar a guerrilha…

Mas, para além da descrição histórica de um dos fatos mais importantes da guerra da independência em Moçambique, que foi o massacre de Wiriyamu, todo o cenário político, social e econômico presente no livro é de grande valia para o leitor, desde a vida em Portugal durante a Segunda Guerra Mundial até o cotidiano dos portugueses que viviam nas colônias africanas.

Em entrevista ao Jornal de Notícias o autor afirma que quis “escrever um romance como nunca tinha sido escrito sobre a guerra colonial e os portugueses em África”. Parece que conseguiu. E da melhor forma.

Para quem está em Moçambique, a história do anjo ensina sobre o passado, ajuda a compreender o presente e faz refletir sobre o futuro. Para quem não está, é uma forma de chegar mais perto.

O Anjo Branco pode ser encontrado em livrarias de Portugal por cerca de € 24,00 ou de Moçambique por cerca de MT 1.400,00. No Brasil, encontrei na Livraria Cultura online, por R$ 77,65.

—————————————————————————–

Veja aqui a sinopse do livro.

Leia mais sobre a obra no blog da Vania, no Uma biblioteca aberta e no Sugestão de Leitura.

Cena adequada

Uma tarde dessas, em um parque chamado Jardim dos Professores

Democracias

Nos dias 7 a 9 de junho de 2011 aconteceu em Angola um encontro dos partidos que lutaram pela independência nos cinco países africanos de língua portuguesa. Reuniram-se representantes do Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC), Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV), Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA), Frelimo (Frente de Libertação de Moçambique) e Movimento de Libertação de São Tomé e Príncipe – Partido Social-Democrata (MLSTP/PSD).

O encontro marcou os 50 anos da criação da Conferência das Organizações Nacionalistas das Colônias Portuguesas (CONCP), criada em Marrocos para troca de experiências entre as lideranças dos partidos que conduziam a luta pela independência nos países africanos de expressão portuguesa. Ao final do encontro foi definido como novo alvo de combate desses países o subdesenvolvimento nos seus Estados.

Mas o que me chamou mesmo atenção nesse encontro foi perceber que dos cinco partidos presentes, quatro estão no poder. Apenas o MLSTP/PSD é oposição, em São Tomé e Príncipe. As independências se deram há mais de 30 anos. Nesse tempo, houve eleições nos países, reconduções dos governantes ao cargo, troca de governantes. No entanto, essa troca foi quase sempre dentro dos mesmos partidos. Não soa estranho? E isso se repete em vários países da África, não só nos que tiveram colonização portuguesa.

A única exceção desses citados está em Cabo Verde, onde o partido da oposição ganhou eleições, assumiu sem precisar colocar a faca no pescoço de ninguém e depois o PAICV ganhou eleições e voltou ao poder pela força do voto.

É verdade que só posso falar pelo que vejo em Moçambique e, mesmo assim, é visão de rés do chão, de quem não está no meio político para saber de fato o que se passa. Só sei o que vejo nas ruas. E, para ser sincera, o que vejo por aqui é uma oposição muito fraca. Fraca no sentido de não serem hábeis politicamente. Entretanto, se olharmos para quem está no poder… seriam estes mais capazes que os outros?

Não consigo ter convicção de que se fosse a oposição (representada aqui com mais presença pela Renamo – Resistência Nacional Moçambicana) no poder as coisas estariam piores ou melhores. Mas o que sei é que por aqui sempre ficam muitas dúvidas sobre os resultados das eleições. Claro que oposição sempre grita, diz que não perdeu, mas não é só isso.

Pessoas que conhecem um pouco mais a fundo os meandros políticos moçambicanos explicam que houve muita confusão, muito voto anulado que não precisava e outros tantos contabilizados sem condições de o serem. Dizem que talvez a Frelimo não tivesse perdido as eleições passadas, por exemplo, mas o resultado seria muito mais apertado. Isso significaria um ganho de terreno para a oposição que a Frelimo não quer que seja demonstrado.

Houve quem já me explicasse também que os organismos internacionais aqui presentes não têm interesse em ver outro partido assumir porque, bem ou mal, a Frelimo tem seguido suas cartilhas e contribuído de alguma forma para o desenvolvimento do país (ainda que a passos de cágado). Outro no lugar seria um enigma e talvez desse um trabalho que não querem ter. Então, esses organismos podem acabar por fazer vistas grossas para muitas situações questionáveis nas eleições moçambicanas.

O que eu vejo é que, apesar de termos eleições em todos esses países, com partidos de oposição efetivamente concorrendo e observadores internacionais a acompanhar, só vamos poder dizer que são realmente democracias consolidadas quando viverem alternância de poder sem derramamento de sangue. Ou seja, quando ocorrer com mais freqüência na África o que se deu em Cabo Verde: um partido da oposição vence porque faz melhor campanha e conquista mais votos, então assume o governo porque o partido derrotado entende que assim deve ser quando se perde a eleição.

Enquanto isso não acontece, temo que os demais países sigam outros exemplos e ainda se viva por aqui situações semelhantes a que vimos recentemente em Costa do Marfim, quando o presidente no poder simplesmente se recusou a admitir a derrota na eleição.

Percebo que os povos africanos ainda não têm uma percepção profunda do que é ser independente e viver em democracia e acabam por aceitar uma nova situação de dependência, agora daqueles que lutaram pela liberdade do país.

Ou seja, os líderes que estão nos governos hoje, muitas vezes, foram os que lutaram pela independência, lá nos anos 60 e 70 do século passado. A visão que passam é de que o povo continuaria colonizado e subjugado se não fosse sua dedicação e sua luta. Mas, o que eles não entendem é que, quando se luta pela liberdade, o prêmio é nada além da liberdade. Ficar no poder para sempre para usufruir de direitos e benécies muitas vezes questionáveis diminuem a grandeza da luta do passado.

Leia mais detalhes sobre o encontro dos partidos que lutaram pela independência nos países de língua portuguesa na África na agência Angola Press e no blog Cidadania da CPLP.

Leia sobre a situação política pós eleição em 2010 na Costa do Marfim, no site SIC Notícias.

Em visita

Outro dia recebi um e-mail interessante de uma outra blogueira que conheci em Maputo, a Renata. Ela estava para sair de férias e convidava as pessoas que ela conhece aqui a não deixar o blog dela, o Nhatinha.com, parado. Ou seja, queria que os amigos fizessem Guest Posts (textos convidados).

Assim como outros, topei a parada e enviei para ela um texto falando justamente sobre blogs de Moçambique. Minha visita foi publicada ontem e agora convido os leitores do Mosanblog a visitarem o texto clicando aqui.

%d blogueiros gostam disto: