Angola, Brasil, mundo…

N’Banza Congo é a região de Angola, junto à fronteira com o Zaire (atual República Democrática do Congo), onde nasceu, em 1954, Waldemar Bastos. Que frutífera região! Filho de enfermeiros, Waldemar aos seis anos viajou para Luanda, onde o pai foi ser também organista na Sé Catedral. Foi o espaço para o menino que vivia a cantar e assobiar passar a cantar em público.

Aos 8 anos passou a receber lições de música. Logo passou a fazer parte de um conjunto musical chamado Jovial, que tocava em bailes de finalistas, reveillons, festas de aniversário e o que mais aparecesse. A partir de então fez parte de vários conjuntos e viajou por Angola tocando muitos ritmos: rock, tango, valsa, ritmos africanos e tudo em vários estilos.

Tudo estava lindo até que o artista foi preso pela Polícia Política Portuguesa do Estado Novo (PIDE). O músico afirma que não exercia atividade política, mas não concordava com o regime colonial. Era motivo o bastante.

No início dos anos 80 foi para a Alemanha, onde tinha amigos. Logo depois, foi para o Brasil, onde conheceu cantores como Chico Buarque, João do Vale, Elba Ramalho, Djavan e Clara Nunes, entre muitos outros que haviam estado em Angola nos finais da década de 70, no âmbito do Projeto Kalunga.

No Brasil, Waldemar encontrou a gravadora EMI-Odeon, onde gravou seu primeiro disco, com participação de Chico Buarque, João do Vale, Dory Caymmy e Novelli.

Ainda nos anos 80 foi para Portugal, onde se estabeleceu e gravou seu segundo disco. Nos final da década de 90 foi para os Estados Unidos, onde começou uma carreira internacional a sério, sendo reconhecido como autêntico representante da World Music.

Sua interpretação é marcante, sempre com muita emoção, como a que o levou a compor Coisas da Vida, coisas da Terra, coisas do Homem na época em que esteve preso.

Como exemplo de sua emoção no palco, vamos ouvir Muxima, cuja letra encontrei no blog Casa de África em Lisboa. De acordo com explicação de outro blog, o Casa das Áfricas, a música fala do santuário de Muxima, palavra do idioma Kimbundo que se traduz por coração, onde se deu a fusão de cultos ancestrais com a mensagem católica. Diz a lenda que nesta região, banhada pelo rio Cuanza, no distrito de Bengo, houve duas aparições da virgem Maria, na primeira metade do século XVII.

Muxima

Muxima ue ue, muxima ue ue, muxima
Muxima ue ue, muxima ue ue, muxima
Se uamgambé uamga uami
Gaungui beke muá santana
Kuato dilagi mugibê
Kuato dilagi mugibê
Kuato dilagi mugibê
Lagi ni lagi kazókaua
Kuato dilagi mugibê
Kuato dilagi mugibê
Kuato dilagi mugibê
Lagi ni lagi kazókaua

Veja mais sobre o autor na Wikipedia e visite também o site do artista.

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5 ComentáriosDeixe um comentário

  1. Olá Sandra, acompanho o seu blog há bastante tempo e adoro!

    Estou morando em Maputo há um ano e sou jornalista, agora a procura de novos projetos na área. Se estiverem precisando de alguém…

    Suas dicas musicais são preciosas, aguardo todas com alguma ansiedade. Parabéns pelo trabalho.

    • Olá Renata, tudo bem?

      Obrigada pelas visitas ao blog. É sempre legal ter esse tipo de retorno, para sabermos se o blog está a agradar e por onde anda… 🙂

      Sobre sua busca por projetos como jornalista, sugiro que me encaminhe um currículo pelo e-mail sanflosi@gmail.com para que eu possa divulgar entre meus amigos da área.

      Abraços.

      Sanflosi.

  2. Muito bom e realmente canta com muita emoção. Pena que ainda não estou expert no idioma Kimbundo (rsss) pois mesmo tendo a letra não entendi lhufas hahaha. Mas na canção Velha Chica dá para se ter uma dimensão da sua marcante interpretação. Mesmo em uma apresentção mais lenta, em dueto com Dulce Pontes, em 1999….

    • Então, espero que algum leitor se sensibilize com seu nível intermediário de Kimbundo e nos traga a tradução, porque não consegui encontrar…

      Beijos.

      Sanflosi.

      • :-)Mas há quem diga que a música é para sentir e não entender… E é verdade essa máxima. Mas quem sabe vou melhorando meu aprendizado nas trocentas línguas africanas e passo a entender rssss. Beijos


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