Embalos da adolescência

Quando eu ia imaginar que muitas das músicas que embalavam os famosos bailinhos que eu frequentei na adolescência eram cantadas por uma nigeriana? Fiquei sabendo essa semana, quando Eduardo comentou que Sade Adu nasceu na Nigéria.

Filha de um nigeriano com uma britânica, Helen Folasade Adu foi viver com a mãe no Reino Unido ainda criança, quando seus pais se separaram. Na adolescência, entrou para uma banda musical (Pride) e logo passou a ser vocalista. Passou não apenas a interpretar, como a compor músicas. E foi nessa fase que escreveu o grande sucesso Smooth Operator. Aos 24 anos passou para uma nova banda, Sade, formada por ex-colegas da banda Pride, que tinha parado de atuar.

In 1986, Sade Adu ganhou o prêmio Grammy Award para melhor cantora revelação.

Suas músicas são suaves, boas para curtir a dois e sua voz macia parece acariciar os ouvidos. Escolhi para ouvir hoje Hang on to your love, mas confesso que fiquei em dúvida entre tantas outras.

Hang On To Your Love (Segure-se ao seu amor)

In heaven’s name why are you walking away (Em nome dos céus, por que você está se afastando?)
Hang on to your love (Segure-se ao seu amor)
In heaven’s name why do you play these games (Em nome dos céus, por que você joga esses jogos?)
Hang on to your love (Segure-se ao seu amor)

Take time if you’re down on luck (Aproveite o tempo se você está com sorte)
It’s so easy to walk out on love (É tão fácil escapar no amor)
Take your time if the going gets tough (Tire um tempo se o caminho fica árduo)
It’s so precious (É tão precioso)

So if you want it to get stronger (Então se você quer que isso fique forte)
You’d better not let go (Melhor não deixar escapar)
You gotta hold on longer (Você tem que esperar mais)
If you want your love to grow (Se quer que seu amor cresça)

Gotta stick together (Vamos ficar juntos)
Hand in glove (De mãos dadas)
Hold tight, don’t fight (Abrace forte, não lute)
Hang on to your love (Segure-se ao seu amor)

In heaven’s name why are you walking away (Em nome dos céus, por que você está se afastando?)
Hang on to your love (Segure-se ao seu amor)
In heaven’s name why do you play these games (Em nome dos céus, por que você joga esses jogos?)
Hang on to your love (Segure-se ao seu amor)

Be brave when the journey is rough (Seja forte quando a jornada é pesada)
It’s not easy when you’re in love (Não é fácil quando você está apaixonado)
Don’t be ashamed when the going gets tough (Não se esconda quando o caminho fica árduo)
It’s not easy don’t give up (Não é fácil não desista)

If you want it to get stronger (Então se você quer que isso fique forte)
You’d better not let go (Melhor não deixar escapar)
You gotta hold on longer (Você tem que esperar mais)
If you want your love to grow (Se quer que seu amor cresça)

Gotta stick together (Vamos ficar juntos)
Hand in glove (De mãos dadas)
Hold tight, don’t fight (Abrace forte, não lute)
Hang on to your love (Segure-se ao seu amor)

In heaven’s name why are you walking away (Em nome dos céus, por que você está se afastando?)
Hang on to your love (Segure-se ao seu amor)
In heaven’s name why do you play these games (Em nome dos céus, por que você joga esses jogos?)
Hang on to your love (Segure-se ao seu amor)

Da da da dee dee da,
da da da dee dee da,
daaa (dee dee daa) Da da da dee dee da,
da da da dee dee da,
daaa (dee dee daa)
Da da da dee dee da,
da da da dee dee da,
daaa (dee dee daa) Da da da dee dee da,
da da da dee dee da,
daaa (dee dee daa)

So if you want it to get stronger (Então se você quer que isso fique forte)
You’d better not let go (Melhor não deixar escapar)
You gotta hold on longer (Você tem que esperar mais)
If you want your love to grow (Se quer que seu amor cresça)

Gotta stick together (Vamos ficar juntos)
Hand in glove (De mãos dadas)
Hold tight, don’t fight (Abrace forte, não lute)
Hang on to your love (Segure-se em seu amor)

In heaven’s name why are you walking away (Em nome dos céus, por que você está se afastando?)
Hang on to your love (Segure-se ao seu amor)
In heaven’s name why do you play these games (Em nome dos céus, por que você joga esses jogos?)
Hang on to your love (Segure-se ao seu amor)

When you find a love – to your love (Quando você encontrar um amor – ao seu amor)
Don’t let it walk away (Não o deixe escapar)
When you find your love – to your love (Quando você encontrar seu amor – ao seu amor)
You’ve got to make it stay – hang on (Tem que fazê-lo permanecer – segure-se)

Hang on to your love (Segure-se ao seu amor)
Don’t let it walk away (Não o deixe escapar)
When you find your love (Quando você encontrar o seu amor)
Got to make him stay (Tem que fazê-lo permanecer)

You’ve got to hang on to your love – to your love (Você tem que se segurar ao seu amor – ao seu amor)
You’ve got to hang on to your love – to your love (Você tem que se segurar ao seu amor – ao seu amor)
Why are you walking away – why are you walking away (Por que você está se afastando? – Por que você está se afastando?)
Why do you play these games – play these games (Por que você joga esses jogos? – joga esses jogos)

Da da da dee dee da (to your love – ao seu amor),
da da da dee dee da,
daaa (to your love – ao seu amor) Da da da dee dee da (to your love – ao seu amor),
da da da dee dee da,
daaa (to your love – ao seu amor)
Hang on to your love (Segure-se ao seu amor)
(Tradução do site Vagalume.)

Visite o site oficial da cantora.

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Published in: on 28/04/2011 at 07:38  Comments (2)  
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Selo branco

Como eu expliquei no post do dia 2 de fevereiro de 2011, O carimbo é muito importante. Aliás, aqui em Moçambique tudo que se refira à burocracia e atos oficiais ganha um valor inacreditável. E nada mais oficial que uma assinatura com um carimbo, não é mesmo?

Engana-se! Um documento com selo branco é o que vale. Descobri recentemente que tem um objeto mais cobiçado pelas empresas que o carimbo. É o Selo Branco. Esse não é qualquer uma que tem. Pelo menos aqui em Moçambique. No Brasil, já vi pela internet que qualquer um pode comprar o tal. É só se dirigir a uma boa loja de carimbos. Para quem não sabe do que se trata, o selo branco nada mais é que uma marca em alto relevo. Ela é feita por uma prensa. E o desenho em relevo pode ser da marca da empresa, de um nome ou de um brasão. (Nossa, um documento com brasão em alto relevo deve ser algo seriíssimo!)

Mas, brincadeiras à parte, pode até não ser tão importante para pessoas mais relaxadas, como eu, que costumam dar mais valor para outras coisas da vida, como ao conteúdo do documento e não ao tanto e o tipo de selos que leva. Mas aqui em Moçambique, onde o culto ao formal e ao oficial é muito forte, é inimaginável o quanto vale um selo branco. Tanto que não é qualquer loja de carimbos que faz. Há algumas autorizadas. E também não se pode fazer selo branco assim, para você que é uma pessoa normal. Só instituições também autorizadas o têm. E com muito dinheiro. A tal prensa custa muito mais que um carimbo.

Mas compensa, porque quando se vê um documento com selo branco, sabe-se logo que é algo de um lugar com muito prestígio. “Dá status para a empresa ter um desses”, explicou-me um moçambicano.

O bom da vida é isso: quanto mais eu vivo, mais aprendo.

Páscoa

Depois de ter vivido no Brasil e nos Estados Unidos, é curioso estar agora em um país onde as celebrações religiosas são exclusivamente religiosas e não comerciais. Até então, natal era dia de trocar presentes e páscoa dia de comer chocolates. Também é dia de viajar, especialmente se alonga o fim de semana. Afinal, não é isso que ensinam os comerciais?

Mas aqui em Moçambique essas datas não são feriados, porque, sendo o Estado laico, não se mistura religião com nação. Você pode ler mais sobre isso no post A semana é santa, mas o estado é laico, do ElefanteNews. Então, na sexta-feira santa, empresas e comércio funcionaram normalmente. A critério dos proprietários, alguns fecharam ao meio-dia.

Quando isso aconteceu, a maioria das pessoas foi para a igreja ou para casa, observar o repouso para reflexão que a data pede. Não foram viajar, aproveitar o feriadão sem nem lembrar o motivo da folga. Nada contra aproveitar folgas. Ao contrário, aproveito todas as minhas com prazer. Mas não acredito que seja honesto usar figuras religiosas como desculpa.

E esse quadro se reflete também no comércio. Ovos e coelhinhos de chocolate não eram vistos em todo canto. Eu só vi em um mercado da cidade, o Shoprite, mesmo assim com poucas opções. A vantagem é que o preço do grama do chocolate não foi para a estratosfera, como costuma acontecer no Brasil. Um coelhinho de chocolate de 100g, custava o equivalente a uma barra de chocolate de 100g.

Não resistimos aos impulsos chocólatras e lá foi o coelhinho para casa

Veja mais sobre datas religiosas em Moçambique no post As quadras festivas em Moçambique.

ONG Power Point

Juntando as informações que escrevi no post exatamente anterior a este, sobre a ONU e os Objetivos do Milênio na África e o comentário que a Tânia Aguiar fez no mesmo texto, lembrei de uma situação que seria engraçada se não fosse triste, mas que existe aqui em África.

Algumas pessoas mais esclarecidas daqui, que conseguem perceber o quanto o mundo investe em não diminuir a pobreza, a miséria, as doenças e tudo de ruim que vivemos, rotulam algumas organizações não governamentais como ONG Power Point. Isso mesmo, o nome daquele programa de computador que ajuda a montar apresentações. Você pergunta se tal entidade faz um bom trabalho e já dizem: “Essa aí? Essa aí, não, essa é ONG Power Point“.

A ONG — Organização Não Governamental — Power Point é uma instituição que arrecada dinheiro de almas bem intencionadas no exterior para executar um projeto em África. Pode ser um projeto sobre saúde, por exemplo, onde as pessoas aprenderiam a importância de consumir água tratada, algo sobre higiene pessoal e prática de sexo seguro. Um consultor bem remunerado vem se instalar em um hotel não menos que três estrelas em Maputo, recebendo em euros ou dólares, e faz contato com alguma comunidade carente que nunca viu escova de dentes, camisinha ou filtro de água. Então, marca um dia para fazer uma palestra para a comunidade.

Todos se juntam debaixo da árvore, prontos para ouvir o que o estrangeiro vai ensinar. O estrangeiro desce de seu jipe alugado 4×4 carregando seu equipamento, liga seu notebook, liga o retroprojetor com bateria ou gerador, abre uma tela e fica lá por uma hora mostrando bonitos slides coloridos de como se deve escovar os dentes, limpar os cabelos, usar camisinha, etc. etc. etc. Claro que ele faz fotos do momento, para poder prestar contas aos doadores dos recursos. Provavelmente, quem faz as fotos é o assistente que também está instalado em Maputo.

Depois, eles vão embora. Se for uma ONG bem intencionada, ainda deixam meia dúzia de camisinhas e escovas de dentes. Em outros casos, nem isso.

De volta ao quarto do hotel preparam um bonito relatório, com muitas fotos, de como as 200 pessoas da comunidade tal foram capacitadas, com workshops e doação de utensílios e não mais terão problemas de higiene pessoal. Ele não conta no relatório, claro, que as pessoas mal falavam português e não entenderam 90% do que ele falou. Também não contam que elas ficaram mais encantadas com as luzes reproduzidas na tela do que com qualquer das imagens lá apresentadas. Ah, não contam, claro, que as camisinhas, escovas, etc. depois de duas semanas já não exisitiriam mais. Enfim, eles prestam contas da viagem e voltam depois de uns dois meses com uma bonita história para contar.

As pessoas da tal comunidade? Ficam lá, cumprindo seu destino, a espera de outro visitante power point.

Published in: on 23/04/2011 at 08:54  Comments (4)  
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A ONU, o milênio e os objetivos

Em junho de 2010, o Secretário-Geral da ONU (Organização das Nações Unidas), Ban Ki-moon, afirmou que suas sucessivas visitas ao continente africano serviam para reforçar sua convicção de que a região irá cumprir as Metas do Milênio. Eu não sei se o camarada é muito mal informado ou muito otimista. Mas, vendo a estrutura da ONU na África, tenho a impressão de que é mal informado.

Claro que tem gente fazendo trabalho sério aqui. Claro que tem funcionário da ONU que entende a realidade onde está. Mas não sei se são muitos. O que eu vejo são grandes estruturas, casas bem localizadas, com dezenas de escritórios, computadores, aparelhos de fax e tudo mais que é necessário para mandar os mais bem elaborados relatórios para o sr. Ban. Os funcionários são muito bem pagos e vivem com uma série de regalias (justo, afinal estão vivendo o sacrifício, não é?). Os carros nos quais eles andam, nem vou comentar…

Enquanto isso, a 30 minutos da capital de Moçambique, crianças morrem de fome e comunidades inteiras são dizimadas pela Aids. Há alguns dias, o ministro da saúde de Moçambique, Alexandre Manguele, disse estar envergonhado com a alta taxa de mortalidade materna no país, estimada em 579 mortes por cada 100 mil nascimentos, de acordo com notícia da Agência Lusa.

Para atingir as metas que a ONU estabeleceu para serem alcançadas até esse início de milênio (ano de 2015), o número teria que cair de 579 mulheres mortas para 250. Apesar de Moçambique vir registrando redução contínua nesse índice (sim, era pior!) e da ONU dizer que o país “tem potencial” para atingir a meta, quem conhece a vida real está preocupado. “A realidade é que a mortalidade infantil continua elevada, a mortalidade materna continua a envergonhar-nos, a prevalência da malária e a tuberculose continuam a preocupar-nos. A desnutrição continua a ser o pano de fundo da maioria das doenças na infância”, por isso, “a saúde está longe daquilo que todos desejamos que seja o nosso país”, reconheceu o ministro, em citação da Agência Lusa.

Há um ano atrás, notícia da Agência de Informações de Moçambique informava que complicações de gravidez e parto matam onze mulheres por dia. Estudo divulgado pelo Ministério da Saúde referia ainda que, em cada mil crianças que nascem vivas por ano, 48 morrem, entre os zero e 28 dias de vida, por razões aliadas a problemas ocorridos durante a gravidez e o parto.

Ao trabalhar em diferentes tipos e tamanhos de projetos sociais, aprendi muitas coisas e uma delas é que relatório de trabalho social não é avaliação de escola, onde você sempre tem que ter bom resultado. O mais importante em um projeto social é o relatório ser transparente e realista. Mesmo que isso signifique dizer que todo o trabalho dos últimos meses não resultou em nada ou até a situação está pior. Afinal, só analisando friamente é que se pode intervir da melhor forma, revendo métodos, ferramentas, pessoal e tudo mais que for preciso para levar o projeto para o caminho certo. Mas, infelizmente, acredito que muitos consultores têm medo de assumir que não estão tendo sucesso e acabam por “maquiar” os dados.

Na matéria da Agência Lusa, o ministro da Saúde de Moçambique ainda observa que “a qualidade dos dados (da saúde) em geral é um assunto que merece uma reflexão”. Na verdade, acho que os dados que chegam ao sr. Ban carecem de ser mais realistas. Afinal, o milênio já está aí!

Os judeus de Uganda

A Quinta Quente de hoje fala de história. Mas tem fundo musical também, claro. A história se passa em Uganda, próximo à fronteira com o Quênia, onde uma tribo inteira converteu-se ao judaísmo no início do século passado. De acordo com a tradição contada na região, o fundador da comunidade hebraica em Uganda, Semei Kakungulu, era realmente um descendente do Rei David e da tribo de Judá.

Perseguidos pela ditadura de Idi Amin, passaram a viver quase que completamente isolados e desenvolveram fortemente uma tradição musical para acompanhar seus ritos religiosos, com características bastante curiosas: as raízes hebraicas da liturgia judaica fundiram-se a ritmos africanos tradicionais e tiveram ainda influência de canções ensinadas por missionários cristãos.

Em 2005, o CD Abayudaya – Music From The Jewish People Of Uganda, lançado pela Smithsonian Folkways Recordings, foi indicado para Melhor Disco de World Music Tradicional no Grammy. De acordo com o site Rua da Judiaria, no dialeto local bantu-luganda yudaya significa judeu, byudaya é o plural (judeus) e abayudaya significa povo judeu. É como essa comunidade de cerca de mil judeus negros que vivem em Uganda se designa.

A música We are happy, que se pode ouvir clicando abaixo, faz parte do CD nomeado para o Grammy.

http://www.youtube.com/watch?v=NVUXyaccyak

Sumos naturais

Uma coisa que sinto muita falta em Maputo é oferta de suco (ou sumo, como chamam aqui) natural. Em quase nenhum restaurante, café ou pastelaria (doceria) é possível encontrar. Em alguns poucos tem o famoso de laranja e em outros menos ainda encontra-se a mistura de laranja com cenoura e, se der sorte, maçã. Mas é muito raro mesmo. Quase sempre tem suco, mas é industrializado. E se você pergunta se tem suco natural, muitas vezes o garçom responde que sim, mas traz a caixinha ou garrafa. Afinal, na embalagem está escrito que é natural…

Em um país com clima tropical, com tantas frutas em todo o território, é uma pena que não aproveitem para tomar bebidas naturais de verdade, frescas. Mas outro dia fui a um restaurante que tem boa oferta de sumos. A comida, confesso, nem me agradou tanto, porque é um tanto apimentada e isso não é para meu gosto. Mas só a possibilidade de escolher entre quatro ou cinco frutas para tomar um suco já me faz trazer o restaurante para o Mosanblog.

O Villa Romana fica no Maputo Shopping Center, na praça de alimentação externa. Ele fica junto a um restaurante árabe, então o cardápio traz pratos das duas nacionalidades, desde tabule e humus até espaguetti à bolonhesa e pizza. Como já avisei: tudo muito picante. Mas, por ficar em uma praça de alimentação de um shopping, também se pode dar uma passadinha por lá só para tomar um suco de manga, ou ananás (abacaxi) ou melancia…

Serviço:
O quê? Restaurante Villa Romana.
Quando? Todos os dias, das 8h às 23h (sextas e sábados fica até meia-noite)
Quanto? Sumos naturais: MT 120,00 (R$ 6,00); tabule: MT 160,00 (R$ 8,00); porção de humus com pão árabe MT 90,00 (R$ 4,50); massas com molho – bolonhesa, napolitano, mariscos: cerca de MT 160,00 (R$ 8,00); pizzas: em média MT 290,00 (R$ 14,50); sorvete: MT 140,00 (R$ 7,00).
Onde? Praça de Alimentação do Maputo Shopping Center.

Animal

Algumas palavras têm diferentes significados, que não tem nada a ver um com o outro. É o caso de manga, por exemplo. Uma fruta e uma parte de uma peça de roupa. Complicado entender como é que isso se deu.

Uma palavra que eu até entendo o raciocínio dos homens para chegar a sentidos tão diferentes, mas nunca concordo é animal. O dicionário Aulete, por exemplo, diz que animal é um ser vivo organizado, com sensibilidade e capacidade de locomover-se, e, ao mesmo tempo, a palavra designa pessoa estúpida ou abrutalhada. Os animais não mereciam isso. Não é justo que seres com sensibilidade e capacidade de organização sejam comparados a humanos estúpidos.

No fim de semana fomos ao Kruger Park. Vimos lá muitos animais. Pela definição do dicionário, todo tipo de animal…

Exemplo de como animais estacionam o carro

Finalmente, Kruger

No dia que completamos um ano da chegada em Moçambique (que aconteceu em 16/04/2010), fomos ao nosso primeiro safari. Afinal, como era possível estar em África por tanto tempo sem ter feito ainda um safari, não é mesmo?

A expedição foi no Kruger Park, o mais antigo da região e um dos mais famosos do mundo. A reserva foi criada em 1898, pelo então presidente sul-africano Paul Krüger. O parque como se conhece hoje é de 1926 e tem uma área de 20.000 km², entre África do Sul (a oeste e a sul), Moçambique (a leste) e Zimbabwe (a norte). Em seu território vivem os chamados “big five” (cinco grandes animais da região): leão, elefante, rinoceronte, leopardo e búfalo, além de girafas, impalas, hipopótamos e muitos outros. São mais de quinhentas espécies de aves, 112 de répteis e 150 de mamíferos.

Saída de casa às 5h20. Chegada na fronteira pouco depois das 6h. Carimba daqui, carimba dali e saímos de Moçambique. Anda um pouco, carimba daqui, carimba dali e entramos na África do Sul. Às 8 horas entramos no Kruger pelo portão de Malelane.

O passeio não foi com guia, nem em carro do parque. Tem essa possibilidade, mas optamos por ir sozinhos, seguindo as indicações no mapa que o atendente da entrada do parque fez. Para entrarmos três pessoas com carro próprio pagamos ZAR 540,00 (R$ 125,00). Não sei exatamente quanto foi por pessoa e quanto é a taxa do carro.

Lá dentro, há a estrada principal, em asfalto, cuja velocidade máxima é de 50 km/hora, estradas secundárias, de terra, cuja velocidade permitida é 40 km/hora. Mas, muitas vezes, andamos a muito menos que isso, para apreciar melhor os movimentos dos animais.

Logo de início nos impressionamos com a belíssima paisagem. Ao longo do dia entramos por algumas das estradas de terra, quando víamos algo interessante a ser observado. Mas quase todo o tempo nos mantivemos na via principal.

Em pouco tempo já tínhamos visto os famosos impalas (macho com chifre, fêmea sem), que são um dos símbolos do parque.

Macaco com filhote agarrado na barriga, em um restaurante do Krueger

O dia estava fresco, um pouco nublado. Isso fez o passeio ainda mais agradável, porque não tinha o calor africano sobre nós. Perto do meio-dia, pausa para almoçar em uma das áreas de descanso, onde há espaço para acampar, se hospedar em quartos ou bangalôs típicos da região, restaurante, café e loja onde se pode comprar lembranças do parque e artigos de conveniência.

Almoçamos à beira de um rio, onde pudemos apreciar macacos, pássaros e hipopótamos. Após a pausa, voltamos para o carro e seguimos em direção ao portão Crocodile. Não sei se foi o fato da tarde estar fresca, se foi pelo horário ou pelo caminho que fizemos, mas depois do almoço vimos os animais mais interessantes (para mim, pelo menos) e mais ousados. Girafas, zebras, elefantes e macacos literalmente cruzaram nosso caminho.

Elefante derrubando árvore para se alimentar

Zebra vai ao encontro das amigas para almoçar

Pouco depois das 17 horas, passamos pela Crocodile Bridge (ponte do crocodilo) e saímos do parque.

Estrada. Fronteira. Fronteira. Estrada. Antes das 19h estávamos em casa, com a certeza de que o passeio ainda vai se repetir outras vezes.

P.S. No mês de agosto, voltamos ao parque e escrevi o post Outro Kruger.

Nos sites Alma de Viajante e Girafamania é possível ler mais informações sobre o parque e o passeio.

Em matéria do site 360graus.com.br é possível ver um incrível vídeo feito por alguns turistas.

Visite também o site do parque.

Angola, Brasil, mundo…

N’Banza Congo é a região de Angola, junto à fronteira com o Zaire (atual República Democrática do Congo), onde nasceu, em 1954, Waldemar Bastos. Que frutífera região! Filho de enfermeiros, Waldemar aos seis anos viajou para Luanda, onde o pai foi ser também organista na Sé Catedral. Foi o espaço para o menino que vivia a cantar e assobiar passar a cantar em público.

Aos 8 anos passou a receber lições de música. Logo passou a fazer parte de um conjunto musical chamado Jovial, que tocava em bailes de finalistas, reveillons, festas de aniversário e o que mais aparecesse. A partir de então fez parte de vários conjuntos e viajou por Angola tocando muitos ritmos: rock, tango, valsa, ritmos africanos e tudo em vários estilos.

Tudo estava lindo até que o artista foi preso pela Polícia Política Portuguesa do Estado Novo (PIDE). O músico afirma que não exercia atividade política, mas não concordava com o regime colonial. Era motivo o bastante.

No início dos anos 80 foi para a Alemanha, onde tinha amigos. Logo depois, foi para o Brasil, onde conheceu cantores como Chico Buarque, João do Vale, Elba Ramalho, Djavan e Clara Nunes, entre muitos outros que haviam estado em Angola nos finais da década de 70, no âmbito do Projeto Kalunga.

No Brasil, Waldemar encontrou a gravadora EMI-Odeon, onde gravou seu primeiro disco, com participação de Chico Buarque, João do Vale, Dory Caymmy e Novelli.

Ainda nos anos 80 foi para Portugal, onde se estabeleceu e gravou seu segundo disco. Nos final da década de 90 foi para os Estados Unidos, onde começou uma carreira internacional a sério, sendo reconhecido como autêntico representante da World Music.

Sua interpretação é marcante, sempre com muita emoção, como a que o levou a compor Coisas da Vida, coisas da Terra, coisas do Homem na época em que esteve preso.

Como exemplo de sua emoção no palco, vamos ouvir Muxima, cuja letra encontrei no blog Casa de África em Lisboa. De acordo com explicação de outro blog, o Casa das Áfricas, a música fala do santuário de Muxima, palavra do idioma Kimbundo que se traduz por coração, onde se deu a fusão de cultos ancestrais com a mensagem católica. Diz a lenda que nesta região, banhada pelo rio Cuanza, no distrito de Bengo, houve duas aparições da virgem Maria, na primeira metade do século XVII.

Muxima

Muxima ue ue, muxima ue ue, muxima
Muxima ue ue, muxima ue ue, muxima
Se uamgambé uamga uami
Gaungui beke muá santana
Kuato dilagi mugibê
Kuato dilagi mugibê
Kuato dilagi mugibê
Lagi ni lagi kazókaua
Kuato dilagi mugibê
Kuato dilagi mugibê
Kuato dilagi mugibê
Lagi ni lagi kazókaua

Veja mais sobre o autor na Wikipedia e visite também o site do artista.

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