A EdM voltou

No dia 16 de março publiquei o post À espera da EdM, sobre a saga que estávamos vivendo no meu trabalho por causa da empresa de energia de Moçambique. Dias depois, respondendo a um comentário da Cátia Pinheiro, dei mais alguns detalhes da novela. A situação não estava resolvida, as pessoas dentro da Academia de Comunicação começaram a levar choques, fizeram nova gambiarra…

garrafa PET sendo usada em serviço da EdM

Detalhe da garrafa PET usada para isolar fios da EdM que estavam amarrados na varanda da Academia de Comunicação

Obviamente, tendo sido a solução que deram uma nova gambiarra, não durou muitas horas e a fiação começou a queimar de novo. Nos dias 22 e 23 de março praticamente todas as aulas da Academia de Comunicação foram canceladas. Além do perigo de estar dentro da casa eletrificada, ainda temos muitas aulas que necessitam do uso de computadores e aulas noturnas. No dia 24, resolvemos ir a todas as instâncias da EdM em busca de solução. Fomos a dois pontos de piquete (como chamam aqui o plantão). Nos dois não podiam nos ajudar da forma que queríamos. O que pedíamos era o fim da gambiarra e uma solução definitiva e que não colocasse mais vidas em risco. Afinal, aquele buraco com fios de alta tensão mal isolados poderia resultar em incêndio ou choque fatal.

Resolvemos ir aos escritórios dos administradores da empresa. Note-se que os mesmos ficam em pontos distintos da cidade. Quase 40º na cabeça e nós de um lado para outro na cidade. No escritório do administrador operacional, perguntamos se ele estava. Não estava, tinha ido para uma reunião fora, de balanço das atividades da empresa em 2010 e a reunião seria até sexta-feira, dia 25. Então, perguntamos, quem respondia na ausência dele. A resposta foi que seria o engenheiro das quantas, mas que ele também estava na tal reunião. E na ausência do tal engenheiro? A resposta foi que era melhor voltar na segunda-feira, dia 28. A essa altura, nossa casa estava novamente com a energia desligada, porque quando ligávamos os disjuntores do quadro de luz, tudo voltava a dar choque. De acordo com a solução oferecida, era só manter tudo assim por mais quatro dias, para então encontrar alguém no escritório. Depois de muito argumentar, nos disseram que tentariam acionar uma equipe para ir ao local.

Percebendo que nada aconteceria, tentamos o escritório do administrador comercial. A resposta foi a mesma. Todos em reunião até sexta-feira. Soluções só na segunda-feira da próxima semana. Fácil: tem coisas na geladeira? Deixe lá por quatro dias para estragar. Tem aulas para dar? Cancele. Tem vela? Não? Então compre. Aproveita e acende uma para um santo, para ver se ajuda.

Entre uma visita e outra, conseguimos dar telefonemas para alguns diretores da empresa, por meio de contatos pessoais influentes. Um deles, que também estava na tal reunião, se prontificou a acionar uma equipe. Em algumas horas, lá chegou um técnico. Ele entendeu que tudo que queríamos era poder usar a casa sem tomar choques e sem ter um incêndio e, para isso, era preciso tirar a fiação que estava amarrada na grade da escola. Tirou a fiação de lá. Resultado, nossa vida voltou quase ao normal. O único problema foi que o buraco na frente da casa continuava lá. Mas como tudo é relativo, isso quase já nem era problema nessa altura.

No entanto, o quarteirão ao lado do nosso passou a não ter energia. Nosso medo era que, quando eles ligassem para o piquete reclamando a falta de energia, um novo gênio viesse e fizesse o mesmo serviço anterior. Passamos a nos revezar na porta da escola, no nosso plantão, para que ninguém mais encostasse fios nas nossas grades.

A barricada na frente da escola

Na sexta-feira de manhã chegou novamente equipe da EdM, todos corremos à porta, para evitar novas gambiarras nos envolvendo. Cortaram a energia para poderem trabalhar. Perguntamos qual seria a solução desta vez e nos disseram que não colocariam nada no nosso portão. Mesmo assim, mantivemos o plantão todo o tempo que estavam trabalhando. Quebraram mais a rua. Nosso portão transformou-se em uma verdadeira barricada. Trabalharam a manhã toda. Terminaram às 14h, com a fiação toda refeita, por baixo da terra, como tinha que ser desde o começo da novela, há um mês, com energia em todas as casas da rua, sem ninguém tomar choque nem correr riscos. Claro que para fechar o buraco somente jogaram terra por cima, sem nenhum cuidado para deixar a calçada minimamente utilizável, mas aí já seria querer muito.

A pergunta que fica é: por que não foi feito assim desde a primeira vez?

Alerta

Em todo o momento da vida estamos sempre aprendendo, descobrindo coisas, vivendo novas sensações. Essa experiência foi mais um aprendizado. E como foi… além de tudo que já foi relatado, nas conversas em diversos pontos da empresa pudemos entender um pouco mais dessa realidade na qual estamos inseridos. No dia que resolvemos ir a campo eu soube que havia pelo menos cinco bairros de Maputo sem energia por longas horas. Nos contaram também que a fiação de Maputo, que é em boa parte subterrânea, não foi substituída nem reforçada desde sua instalação na década de 1940. Assim, fiações projetadas para casas onde praticamente só havia luz nos tetos e talvez alguma energia para ventiladores hoje levam energia para aparelhos de ar condicionado, microondas, aquecedores de água, fornos e fogões elétricos, computadores, TVs e tudo mais que temos em casa. Segundo um técnico comparou, uma família de hoje consome o equivalente a dez famílias daquela época… E ele nos alertou: Maputo está a caminho de um grande incêndio. Esses fios aquecem por causa da sobrecarga, uma hora não vão aguentar.

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3 ComentáriosDeixe um comentário

  1. […] histórias leia os posts de 16 de março de 2011, À espera da EdM, e de 26 de março de 2011, A EdM voltou. -18.665695 35.529562 Se gostou, divulgue no seu blog, por e-mail ou nas redes sociais das quais […]

  2. É quando vemos como o planejamento a longo prazo é importante. E mesmo assim tem tantas falhas. Brasilia foi planejada para um número X de habitantes e hoje tem umas quatro vezes mais e a tendencia é sempre crescer.´Imagino aí nesse caso da energia. Anos 40, no Brasil nem tinha TV, que começou em 1950. Agora, o melhor da foto, é a garrafa pet fazendo papel de fita isolante.

  3. Credo! Agora fico pensando se um dia as coisas aí não vão pelos ares em labaredo!!!! É muita irresponsabilidade hein? Se uma concessionária faz uma serviço desse naipe, imagina os quebra-galhos!


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