À espera da EdM

Já comentei mais de uma vez sobre a freqüência com a qual falta energia por aqui (A vida como ela é e Ainda bem que deu tempo de ficar pronto são dois exemplos). Na verdade, a empresa de energia elétrica (EdM – Eletricidade de Moçambique) não é bem um exemplo de empresa com tecnologia de ponta. E o reflexo disso é o que temos em casa e vemos nas ruas.

Faz algumas semanas, acabou a energia na Academia de Comunicação. Ao sair para descobrir se era só lá ou na rua, encontrei homens da EdM fazendo um buraco na calçada e puxando uns fios, que amarraram no portão da própria Academia. Eram 19h. Logo depois a energia voltou e foram embora.

Mas deixaram o buraco aberto, com a parte da emenda do fio lá dentro e o fio amarrado no portão e seguindo pela rua, passando por mais uma casa, atravessando a calçada e chegando numa construção na outra esquina. Todo esse caminho o fio sendo amarrado aqui e ali. Ficou mais parecendo um gato do que um trabalho profissional.

Foram embora e pensei que era por ser noite. Voltariam no dia seguinte porque aquilo não era possível de ficar daquela forma: fios de alta tensão amarrados de portão em portão e com o remendo enfiado num burado ainda aberto na calçada em frente à escola onde trabalho.

Ilusão minha. Dias e dias passaram e a gambiarra oficial lá ficou. Até que antes de ontem (terça-feira) vieram dois funcionários da EdM e começaram a mexer no buraco. Logo acabou a luz. Óbvio que sem ninguém avisar antes. Quatro horas depois, voltou a luz. O buraco e toda gambiarra continuaram do mesmo jeito. Os representantes da empresa se foram. Então percebemos que não havia voltado a luz na casa toda. Algumas salas ficaram sem energia. Chamamos nosso eletricista e ele detectou que os sujeitos tinham ligado apenas duas fases das três que entram na casa.

Acionamos a EdM. Espera, espera, espera… Até esse momento, nem pensava em escrever um post, de uma história tão cotidiana, tão quase banal nessa realidade na qual me inseri. Até que, no meio da tarde de ontem (quarta-feira), começa a sair fumaça do buraco onde estava pousada a emenda do fio (de alta tensão). Nessa hora, nossa tensão é que ficou alta. Desligamos todos os aparelhos elétricos. Passado um tempo, labaredas. Dentro do buraco, o fio começou a arder, como dizem por aqui quando algo pega fogo. Com a terra que estava em volta do buraco, conseguimos apagar o fogo. Mais espera. No fim da tarde, pouco antes das 19h (parece ser o horário preferido deles), chegam os homens da EdM. Fazem não sei o que no buraco e ouvimos uma explosão. Acaba de vez a energia na casa.

Diante do estrago, informam que já não podem fazer mais nada àquela hora. Voltarão no dia seguinte. Voltarão?

Nesse momento, tudo que consigo é lembrar dos conselhos de alguns amigos, pouco antes de abrirmos a Academia: “se quiser que funcione mesmo, não quiser dor de cabeça nem aulas sendo canceladas, é melhor comprar um gerador”.

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10 ComentáriosDeixe um comentário

  1. Sou Electrcista (e formador de Instalações Eléctricas Residenciais) de Nacionalidade Moçambicana (não posso dizer com orgulho perante esse cenário devastador). As pessoas podem considerar isso um discurso sensacionalista mas infelizmente não é. É essa a realidade da noss distribuidora de energia e dos seus supostos técnicos por sinal sinal de técnicos não tem nada, estao regados de incopetencia e muita falta re consideração com nossas vidas nos expondo ao perigo desse bem mortal. So posso lamentar!

  2. […] conhecer ou lembrar essas histórias leia os posts de 16 de março de 2011, À espera da EdM, e de 26 de março de 2011, A EdM voltou. -18.665695 35.529562 Se gostou, divulgue no seu blog, […]

  3. […] dia 16 de março publiquei o post À espera da EdM, sobre a saga que estávamos vivendo no meu trabalho por causa da empresa de energia de […]

  4. […] no meu trabalho por causa da empresa de energia de Moçambique. Dias depois, respondendo a um comentário da Cátia Pinheiro, dei mais alguns detalhes da novela. A situação não estava resolvida, as […]

  5. Sabe Sandra as vezes parece brincadeira mesmo!

    Eu moro aqui em Maputo, até perto da Academia (moro na rua do antigo prédio da TAP, sobre o qual você fez um post) e aconteceu coisa bem parecida conosco.
    O buraco na frente do nosso prédio já fez até aniversário, já passamos por todas essas fases, a grade já deu choque, teve uma época que a luz caía toda hora….
    A pessoa desanima mesmo, a última vez que vieram aqui o pessoal da EDM pós a culpa dos problemas de curto circuito no prédio nos ares condicionados que a Galp (meu prédio tem uma pastelaria no térreo e o escritório central da Galp no primeiro andar) andou instalando no escritório e nada se resolveu mais uma vez.
    Por aqui agora os moradores estão pensando em contratar alguém pra fazer o trabalho, fechar o buraco e revisar toda a instalação elétrica.

  6. […] como os que já contei aqui, da empresa de energia ou do ar condicionado são exemplos cotidianos de uma realidade de desleixo e desprezo pelo […]

  7. Oi Sandra, fiquei curiosa pra saber se já resolveram esta sua situação.

    • Olá Cátia, não, a situação ainda não foi resolvida e não parece que será tão cedo. Aliás, a história já tem tantas outras etapas que quase merece outro post.
      No dia seguinte, a casa começou a dar choque. Não podíamos encostar em nada de metal (portão, corremão, torneiras). Os homens da EdM vieram e tentaram alegar que o problema dos choques era de instalação de fio terra na casa. A sorte é que nosso eletricista estava lá e argumentou com eles que esse problema não existia antes. Ele mostrou a eles que o local que eles usaram para passar a fiação de gambiarra que fizeram era uma estrutura de metal ligada à casa, por isso, ela é que estava eletrificando o edifício. Os homens da EdM, então, aumentaram o buraco, refizeram a emenda, pegaram uma garrafa plástica que estava jogada no chão (olha a gambiarra de novo) e a usaram para “isolar” os fios, para que não tocassem diretamente na estrutura de metal.
      O choque parou. Mas agora não podemos mais guardar o carro da escola dentro de nossos portões, porque ao aumentar o buraco passaram a impedir a entrada de veículos.
      E assim segue a vida…
      Abraços.

      Sanflosi.

  8. Jesus Amado! Não creio que essas gambiarras foram feitas pela Empresa de Eletricidade rsss. Penso que já vão 19 horas para não terem que fazer quase nada hehehe. Se o descaso com a pontualidade ocorre em frente a uma escola, imagino se for na casa da gente: a espera deve ser de semanas hein? Bjs

  9. E por que raio não seguiram a sabedoria local? 😀

    Eu rio com estas historias mas é um riso bem amarelo, triste. Situações destas se repetem infelizmente em todo esse belo continente… pelo menos nas ex-colonias que eu conheço…

    Beijo!


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