Papa Wemba

Jules Shungu Wembadio Pene Kikumba. Tudo isso resultou no nome artístico Papa Wemba. Músico tradicional do ritmo rumba africana, também conhecido como soukous. Nasceu em 1949, no Congo, e fixou seu nome no cenário musical na década de 1970, logo depois de ter começado sua carreira cantando no coral da igreja em 1966.

Nos anos 90, assim como muitos músicos africanos fizeram no período, mudou-se para a Europa e passou a ser mundialmente conhecido, especialmente por misturar ritmos africanos tradicionais com a música popular da Europa. Com isso, ele conseguiu músicas com batida forte, ritmo contagiante e também muito elaboradas.

A música que vamos ouvir, Sakana, me encanta pela disposição do Papa ao cantar e me intriga pelo nome “Sakana”… se alguém tiver a tradução, por favor, colabore.

Para assistir, você será direcionado ao YouTube. Mas é só clicar no vídeo, como de costume nas nossas Quintas Quentes, e depois clicar novamente em Assista no YouTube.

Leia mais no blog Josias Sobrinho, Plás e Canja’s.

Cena

Três ícones da cidade em um só quadro: a catedral católica, a Casa de Ferro, o hotel Pestana Rovuma.

Sandes Guilherme

cardápio do Coisa NossaVoltamos ao Coisa Nossa, na Matola. Mais uma vez com os amigos Ricardo e Sandra. E agora o cardápio tem mais um item. Um sanduíche novo. Ou sandes, como chamam aqui. Dessa vez a inspiração foi o paladar do Guilherme para os ingredientes e sua fome de adolescente para o tamanho. O resultado foi o Sandes Guilherme.

Sandes Guilherme: maionese, molho de tomate, alface, tomate, cebola, lingüiça, queijo e carne

Abaixo, a fonte inspiradora apreciando a obra:

Guilherme abocanhando o sanduíche

A EdM voltou

No dia 16 de março publiquei o post À espera da EdM, sobre a saga que estávamos vivendo no meu trabalho por causa da empresa de energia de Moçambique. Dias depois, respondendo a um comentário da Cátia Pinheiro, dei mais alguns detalhes da novela. A situação não estava resolvida, as pessoas dentro da Academia de Comunicação começaram a levar choques, fizeram nova gambiarra…

garrafa PET sendo usada em serviço da EdM

Detalhe da garrafa PET usada para isolar fios da EdM que estavam amarrados na varanda da Academia de Comunicação

Obviamente, tendo sido a solução que deram uma nova gambiarra, não durou muitas horas e a fiação começou a queimar de novo. Nos dias 22 e 23 de março praticamente todas as aulas da Academia de Comunicação foram canceladas. Além do perigo de estar dentro da casa eletrificada, ainda temos muitas aulas que necessitam do uso de computadores e aulas noturnas. No dia 24, resolvemos ir a todas as instâncias da EdM em busca de solução. Fomos a dois pontos de piquete (como chamam aqui o plantão). Nos dois não podiam nos ajudar da forma que queríamos. O que pedíamos era o fim da gambiarra e uma solução definitiva e que não colocasse mais vidas em risco. Afinal, aquele buraco com fios de alta tensão mal isolados poderia resultar em incêndio ou choque fatal.

Resolvemos ir aos escritórios dos administradores da empresa. Note-se que os mesmos ficam em pontos distintos da cidade. Quase 40º na cabeça e nós de um lado para outro na cidade. No escritório do administrador operacional, perguntamos se ele estava. Não estava, tinha ido para uma reunião fora, de balanço das atividades da empresa em 2010 e a reunião seria até sexta-feira, dia 25. Então, perguntamos, quem respondia na ausência dele. A resposta foi que seria o engenheiro das quantas, mas que ele também estava na tal reunião. E na ausência do tal engenheiro? A resposta foi que era melhor voltar na segunda-feira, dia 28. A essa altura, nossa casa estava novamente com a energia desligada, porque quando ligávamos os disjuntores do quadro de luz, tudo voltava a dar choque. De acordo com a solução oferecida, era só manter tudo assim por mais quatro dias, para então encontrar alguém no escritório. Depois de muito argumentar, nos disseram que tentariam acionar uma equipe para ir ao local.

Percebendo que nada aconteceria, tentamos o escritório do administrador comercial. A resposta foi a mesma. Todos em reunião até sexta-feira. Soluções só na segunda-feira da próxima semana. Fácil: tem coisas na geladeira? Deixe lá por quatro dias para estragar. Tem aulas para dar? Cancele. Tem vela? Não? Então compre. Aproveita e acende uma para um santo, para ver se ajuda.

Entre uma visita e outra, conseguimos dar telefonemas para alguns diretores da empresa, por meio de contatos pessoais influentes. Um deles, que também estava na tal reunião, se prontificou a acionar uma equipe. Em algumas horas, lá chegou um técnico. Ele entendeu que tudo que queríamos era poder usar a casa sem tomar choques e sem ter um incêndio e, para isso, era preciso tirar a fiação que estava amarrada na grade da escola. Tirou a fiação de lá. Resultado, nossa vida voltou quase ao normal. O único problema foi que o buraco na frente da casa continuava lá. Mas como tudo é relativo, isso quase já nem era problema nessa altura.

No entanto, o quarteirão ao lado do nosso passou a não ter energia. Nosso medo era que, quando eles ligassem para o piquete reclamando a falta de energia, um novo gênio viesse e fizesse o mesmo serviço anterior. Passamos a nos revezar na porta da escola, no nosso plantão, para que ninguém mais encostasse fios nas nossas grades.

A barricada na frente da escola

Na sexta-feira de manhã chegou novamente equipe da EdM, todos corremos à porta, para evitar novas gambiarras nos envolvendo. Cortaram a energia para poderem trabalhar. Perguntamos qual seria a solução desta vez e nos disseram que não colocariam nada no nosso portão. Mesmo assim, mantivemos o plantão todo o tempo que estavam trabalhando. Quebraram mais a rua. Nosso portão transformou-se em uma verdadeira barricada. Trabalharam a manhã toda. Terminaram às 14h, com a fiação toda refeita, por baixo da terra, como tinha que ser desde o começo da novela, há um mês, com energia em todas as casas da rua, sem ninguém tomar choque nem correr riscos. Claro que para fechar o buraco somente jogaram terra por cima, sem nenhum cuidado para deixar a calçada minimamente utilizável, mas aí já seria querer muito.

A pergunta que fica é: por que não foi feito assim desde a primeira vez?

Alerta

Em todo o momento da vida estamos sempre aprendendo, descobrindo coisas, vivendo novas sensações. Essa experiência foi mais um aprendizado. E como foi… além de tudo que já foi relatado, nas conversas em diversos pontos da empresa pudemos entender um pouco mais dessa realidade na qual estamos inseridos. No dia que resolvemos ir a campo eu soube que havia pelo menos cinco bairros de Maputo sem energia por longas horas. Nos contaram também que a fiação de Maputo, que é em boa parte subterrânea, não foi substituída nem reforçada desde sua instalação na década de 1940. Assim, fiações projetadas para casas onde praticamente só havia luz nos tetos e talvez alguma energia para ventiladores hoje levam energia para aparelhos de ar condicionado, microondas, aquecedores de água, fornos e fogões elétricos, computadores, TVs e tudo mais que temos em casa. Segundo um técnico comparou, uma família de hoje consome o equivalente a dez famílias daquela época… E ele nos alertou: Maputo está a caminho de um grande incêndio. Esses fios aquecem por causa da sobrecarga, uma hora não vão aguentar.

Sem elevador

Outro dia se deu o seguinte diálogo entre mim e uma colega de trabalho, que está à procura de casa para alugar:

Eu: — E então? Foi ver alguma casa hoje?
Ela: — Sim, fui ver um apartamento, até que bem bonitinho, bom preço, mas estou na dúvida…
Eu: — Por quê?
Ela: — É 14º andar, sem elevador (traduzindo: significa que tem elevador, mas quebrou um dia e não se sabe se vai ser arranjado).

Dúvida? Ela ainda tinha dúvida se ia ou não arrendar o imóvel?

Para mim, parecia óbvio. Não, não se aluga algo no 14º andar com a perspectiva de nunca vir a ter elevador. Mas não é tão óbvio. Tanto não é que o proprietário colocou para alugar, a imobiliária apresentou para uma interessada e a interessada estava pensando.

O proprietário que me desculpe, mas perdeu a cliente. Eu usei todos os argumentos que podia para convencer a colega a continuar procurando. Afinal, penso que se todos os proprietários de apartamentos em andares altos passarem a ter dificuldade em alugar seus imóveis, talvez comecem a ponderar a idéia de melhor conservarem os edifícios e seus equipamentos.

Mas, na verdade, a questão é mais profunda do que isso. Os próprios inquilinos aqui não têm por hábito o pagamento de taxas para a conservação do prédio. A famosa taxa de condomínio simplesmente não existe. Então, as pessoas cuidam das suas casas, da porta para dentro e o lado comum fica largado ao destino. Não tem segurança, não tem iluminação, não tem elevadores (ou melhor, tem. Quando os prédios foram construídos — muitos no tempo da colônia — colocaram os equipamentos, mas nunca se conservou, nunca se pagou conta de energia, pararam de funcionar), não tem limpeza, não tem…

No prédio que vivemos, por exemplo, alguns moradores se cotizam e pagam os guardas, que também fazem a limpeza das escadas e nós mesmos colocamos iluminação na portaria. Há uma família que não quer pagar. Não paga.

Por coincidência, alguns dias depois desse diálogo, no jornal Domingo, do dia 20 de março, li a matéria: Vive-se de sobreaviso nos prédios altos, assinada por Pedro Mucavele.

O texto traz uma importante contextualização histórica. Lembra que no final da década de 1970, os moçambicanos “passaram a usufruir daquilo que lhes era negado durante o período da colonização. Tinham sido eles a erguer, com muito sacrifício, os prédios”. E o mesmo texto explica que essa entrada dos nacionais para as cidades do país, onde passariam a se beneficiar de habitações condignas, não foi acompanhada de preparação.

Hoje, o que se vê pela cidade é resultado dessa falta de preparação: prédios totalmente degradados, com infiltrações aparentes, fiação que passa pelo exterior, ausência de elevadores, de extintores de incêndio e, em alguns casos, até mesmo de reservatório de água. Em muitos, os vãos dos elevadores são utilizados como lixeiras.

Será preciso um trabalho sério de conscientização e organização desses moradores, para que os edifícios da capital do país não sejam todos condenados à demolição devido à falta de cuidados com os mesmos.

Ainda no Mali

Aceitando a sugestão da Ana, na Quinta Quente passada, trago hoje Oumou Sangaré, diva dos ritmos wassoulou. Nascida no Mali em 1968, é conhecida como “canto do pássaro de wassoulou”.

Wassoulou é um estilo musical de uma região de mesmo nome, no oeste da África. É cantado normalmente por mulheres e as letras falam de suas questões cotidianas, como fertilidade, poligamia e gravidez.

Ali Farka Touré foi quem a levou para a Europa e possibilitou a ela que assinasse um contrato com um grande selo aos 21 anos.

Oumou Sangaré é uma referência mundial para a música africana e para os direitos humanos das mulheres de sua região, se manifestando contra o casamento de meninas e a poligamia. Também é embaixadora da FAO (Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação).

O álbum que leva o nome da música que vamos ouvir, Seya, é classificado da seguinte forma no site A camarilha dos quatro: Flautas, teclados e guitarras se misturam a kalimbas e karignans formando um todo coerente.

Isso é Oumou Sangaré: música tradicional, afrobeat, soul, tudo de forma harmônica e com conteúdo político forte, na voz linda e performance simpática de uma africana guerreira.

Ar condicionado chinês

Outro dia o Eduardo Castro publicou post no ElefanteNews sobre a chegada e instalação dos chineses aqui em Moçambique. De fato, estão em toda parte e são muitos.

Da janela de casa, vejo a cena abaixo e me pego com a seguinte piadinha na cabeça: Será que algum dos aparelhos de ar condicionado é chinês?

ar condicionado GL

Casei com Moçambique

Brinca-se muito com a questão do casamento, de como a relação de amor, carinho e paixão costuma ser simplesmente destruída graças a um sim. Eu sou casada há muitos anos (com o ElefanteNews, aliás) e nunca entendi o que queriam dizer com isso. Mesmo depois de mais de uma década, nossa relação é de amizade, compreensão, amor, paixão e tudo de bom.

No entanto, nos últimos tempos tenho percebido melhor o que se quer dizer. Não graças ao meu casamento, mas por causa da minha relação com o lugar onde estou. Depois do casamento é que a gente conhece mesmo a outra pessoa. A convivência diária, a integração de culturas, a divisão de responsabilidades, tarefas e contas… Enfim, a aproximação que nos faz conhecer melhor a outra pessoa pode nos levar a ficar ainda mais encantados ou desencantar de vez.

Parece-me que casei com Moçambique. Até pouco tempo eu namorava Moçambique. Era uma relação onde eu só via a parte bacana, leve. Primeiro, porque morávamos na tal Zona Restrita, onde havia toda uma burocracia lusitana para se entrar e receber bens e serviços, mas, por outro lado, havia também a proteção (ou sensação de, ao menos) do exército, uma divisão com o cotidiano da cidade.

Agora não, agora vivemos em uma rua comum, com segurança comum, com limpeza comum. Poderia dizer nenhuma, mas não é para tanto também. Temos mais contato com outras pessoas que vivem na mesma região e contam histórias. E como o povo gosta de contar histórias, exagerar, fantasiar, maquiar… mas isso será assunto de outro post.

http://www.adorocinema.com/filmes/como-se-fosse-a-primeira-vez/

Embalagens jogadas no chão na rua de casa

Agora também trabalho por aqui. Antes era só um reconhecimento de terreno, trabalho voluntário aqui ou acolá, mas sem contato diário, regular. Hoje tenho equipe de trabalho, gente para treinar, cobrar, checar se fizeram o previsto, acompanhar. Tenho que prestar contas ao investidor. Vivo e convivo diariamente, 24 horas com outra cultura, outros valores, outra história, como em um casamento mesmo.

Eu não sou do tipo que gosta de generalizações, não acho que brasileiro isso ou aquilo, nem que moçambicano isso ou aquilo. Sei que ser humano é ser humano… Mas nessa convivência diária mais próxima, podendo conhecer mais os hábitos, as atitudes cotidianas, a forma como encaram o trabalho, o cumprimento de horários, as responsabilidades, parece que acabou o encanto. Acabou o espaço para respirar fora da relação.

Já não é divertido ver a diferença da visão do que é profissionalismo, porque agora é preciso lidar com isso e resolver os problemas que traz. Já não é cômico assistir aos improvisos, porque são em cima do meu trabalho. Está complicado encontrar paciência para explicar, explicar, explicar e no dia seguinte ter que explicar de novo as mesmas tarefas porque, como no filme Como se fosse a primeira vez, os interlocutores já não se lembram mais de ontem depois do sono.

É triste perceber a visão exploradora dos poucos que conseguiram conquistar alguma coisinha a mais depois da tão recente independência do país. Basta ter um pouco de recursos, ter tido uma pequena oportunidade de estudar e ser nadica mais esperto e pronto, a pessoa já se vê no direito de explorar os demais. Sem perceber que está cometendo com seus semelhantes o que Portugal fez com suas colônias.

Está difícil conviver com a importância que aqui se dá ao dinheiro, com gente que só pensa em ganhar mais o tempo todo, ainda que isso signifique não ter ética, não ter serviço de qualidade, não ser honesto, não praticar gestão de suas empresas pensando na sustentabilidade das mesmas.

Casos como os que já contei aqui, da empresa de energia ou do ar condicionado são exemplos cotidianos de uma realidade de desleixo e desprezo pelo cliente, pelo bem fazer, pela excelência.

Afinal, o que me pego pensando é que, se por aqui estamos engatinhando hoje no desenvolvimento, deveríamos olhar o caminho traçado por quem já percorreu longa distância e não cometer os mesmos erros, para assim chegar mais cedo ao desenvolvimento desejado e sustentável. Mas não é isso que vejo acontecer.

É quase desanimador. Mas tem horas que esse mesmo desânimo é que nos dá forças, por mais incongruente que isso seja. Aí me agarro no outro casamento da vida e sigo a trilha do elefante.

Mafalala

Domingo nublado em Maputo, aproveitamos para fazer um passeio a pé pelo bairro da Mafalala. O bairro é um centro de cultura e história de Moçambique e lá viveram personagens importantes do país, como os presidentes Samora Machel e Joaquim Chissano, o jogador de futebol Eusébio, músicos e outros artistas como Wazimbo e Tabasile.

O bairro é historicamente o ponto de convergência dos moçambicanos que vêm das províncias para a capital. Por isso, é uma mistura das diferentes culturas dos mais diversos povos do país. É um lugar colorido, que transpira cultura e diversidade, de forma tranquila e harmônica.

Mas não foi sempre assim. Na época da colônia (devo ressaltar que isso não tem 40 anos), os moçambicanos não podiam transitar livremente. Viviam confinados na Mafalala e para ir a outros pontos da então Lourenço Marques (hoje Maputo), tinham que ter autorização. “Só podiam sair os que tinham a autorização para o trabalho”, explica o guia Samuel.

Sim, o passeio é acompanhado por guias. No nosso caso foram o Samuel e a Lourdes. O bairro é muito grande. Hoje tem mais de 21 mil habitantes — vale observar que cerca de 45% estão desempregados. As ruas são estreitas e labirínticas. Sozinhos nos perderíamos e não conseguiríamos encontrar os pontos importantes, uma vez que não estão identificados.

E os guias são relevantes, porque eles é que nos nos dão a história do lugar. Não basta ver, tem que se saber o que se passou por lá. Por essas ruas labirínticas, por exemplo, quando o dia começava a escurecer passavam cavalos treinados e, em cima deles, homens da polícia da colônia com correntes de ferro nas mãos iam jogando as correntes de um lado para outro, para atingir quem estivesse no caminho. Era o delicado toque de recolher do colonizador.

Lá não se podia manifestar religião ou cultura que não fosse a assimilada pelos católicos portugueses. Então, mesquitas eram camufladas como casas comuns. A Massjid Baraza era uma delas. Existia desde 1928, mas só após a independência pôde receber as inscrições no exterior que a identificam. Hoje o bairro tem mais quatro mesquitas e uma Igreja Mundial do Poder de Deus.

Também nos contaram que no bairro da Mafalala começaram as primeiras conversas sobre a independência e formação da Frelimo (Frente de Libertação de Moçambique).

Esta casa era ponto de encontro dos revolucionários que discutiam a independência de Moçambique

E por falar em conversa, uma herança do colonizador por lá é a língua portuguesa. Por receber pessoas de diversas etnias de Moçambique, o português acaba por ser a língua de ligação entre os vizinhos na Mafalala.

Essa diversidade étnica do local nos permitiu conhecer, por exemplo, a dança tufo, que vem das províncias de Nampula e Cabo Delgado, no extremo norte do país. O tour acabou com uma bonita apresentação das mulheres de Nampula. Pelo que li no site Moçambique Tradicional, a dança foi introduzida no país por meio da presença do Sultanato de Angoche, que fazia comércio de especiarias e escravos por essa rota. É resultado da fusão cultural entre árabes e os povos moçambicanos kotis e macua. A dança Tufo é dançada apenas por mulheres, bem trajadas, de forma muito tradicional, acompanhadas por percussionistas. O rosto coberto por Mussiro (massa branca e espessa, resultante do friccionamento do caule da árvore Muciro em pedra). As letras retratam a vida cotidiana e a beleza do lugar onde vivem.

Na visita, vimos também a dança da mesma origem conhecida como dança da corda, uma dança de lazer que tradicionalmente é praticada pelas jovens, para demonstrar sua agilidade e talento corporal, enquanto são apreciadas por seus pretendentes. Faz parte do rito de iniciação das mulheres.

Veja abaixo dois pequenos vídeos que fiz na Mafalala, durante a apresentação cultural.

Veja a localização da Mafalala na Wikimapia.

E leia mais no Moçambique para Todos.

Visite também o site da empresa Mapiko Tours, que organiza a visita à Mafalala. Apesar do site indicar o preço de US$ 35, pagamos US$ 22,50. Taí, uma vez mulungo tinha que se dar bem! rsrsrs.

Reconciliação

Primeiro apresentei aqui no Mosanblog, o Wazimbo, depois, o José Mucavele, mas o que eu não sabia, é que eles não se falavam. E o motivo da discórdia era justamente a música Nwahulwana, que eu apresentei na voz do Wazimbo.

Pois outro dia, foi no programa Moçambique em Concerto, do Gabriel Júnior, que soube do desentendimento entre os dois. E soube exatamente porque o Gabriel promoveu a reconciliação dos artistas.

Os dois eram amigos antes mesmo de serem artistas. Quando as carreiras avançaram, passaram a ser parceiros. No entanto, quando a música Nwahulwana ficou famosa, brigaram por questões de direitos autorais. A briga durou cerca de dez anos.

Mas graças à iniciativa conciliadora do Gabriel, que corajosamente levou os dois ao programa para conversarem, a paz reinou. “Zé é uma luva para as minhas mãos e um sapato para os meus pés, por isso lamento pela situação que sempre me entristeceu, pelo que lhe peço desculpas”, disse Wazimbo ao vivo no programa. A resposta foi que Wazimbo é “único músico que sabe interpretar minhas composições”, disse Mucavele.

O programa contou ainda com a participação por telefone do ministro da Cultura, Armando Artur, convidado por Gabriel para acompanhar a reconciliação. O ministro marcou encontro pessoal com os dois músicos e o apresentador para celebrar momento tão importante para a cultura moçambicana.

E a dupla já prometeu apresentar, em breve, novas músicas compostas por Mucavele e interpretadas por Wazimbo. Aguardamos ansiosamente.

Veja mais sobre a reconciliação em notícia do jornal O País.

%d blogueiros gostam disto: