Almoço na Matola

Tradicionalmente os amigos Ricardo e Sandra, que vivem na Matola, cidade vizinha de Maputo, vêm almoçar conosco em Maputo aos sábados, no Tipalino. Mas hoje foi diferente, nós é que fomos à Matola, com o também amigo Luis Góis, que tem vivido meio em Portugal, meio em Moçambique.

Da esquerda para a direita: Guilherme, Vasco, Eduardo, Ricardo, Luis e as duas Sandras

Conhecemos o Coisa Nossa, bar e restaurante que tem uma disposição diferente, que consegue ser dispersa e acolhedora ao mesmo tempo. Em vez de um grande salão, o restaurante se divide em quatro cabanas com teto de palha. Não há paredes entre elas, portanto é possível ver as mesas das outras cabanas, mas cada uma fica isolada da outra, permitindo conversar sem ouvir a mesa vizinha, se espalhar nas cadeiras sem ficar muito perto dos outros clientes e sem atrapalhar o serviço do garçom. Nesse clima, o almoço se estendeu por horas sem nem percebermos.

No cardápio, comida portuguesa muito boa e muito bem servida. O bife à Coisa Nossa, é mesmo uma coisa. Dois bifes, dispostos um em cima do outro com bacon no meio. Arroz e salada acompanham. Camarão à Zambeziana (pareceu-me refogado na cebola, acrescido de molho de tomate e leite de coco; o molho é servido à parte). Frango Assado e Fricassê de Frango (ou Frango à Lisboeta) são algumas outras opções do cardápio. Tem também entradas e petiscos como os deliciosos pastéis de massa tenra, que parecem com pasteizinhos no formato, mas levam massa mais próxima da massa de empadinha, pipis (miúdos), moelas e vários outros.

Não está no cardápio ainda, porque foi criado ontem, mas já consta das opções da casa o Sandes Vasco (sanduíche de bife, com queijo, presunto e molho). “Sem cebola, porque o Vasco não gosta de cebola”, explica a simpática dona do local, Mariana.

Vasco, filho do Ricardo e da Sandra, inspirou a criação do Sandes Vasco

Vasco, filho do Ricardo e da Sandra, inspirou a criação do Sandes Vasco

O ponto triste para mim foi não ter sobremesas. Mas, em compensação, no final oferecem licores deliciosos, como o de melão (a sério que é bom!) e uma bebida chamada por Mariana de Pastel de Nata (alguns licores misturados, que ela não conta quais, mas deixam um gostinho de Baileys na boca, com canela por cima, para dar o aspecto do doce homônimo.

Valeu muito o deslocamento à Matola.

Serviço:
O quê? Bar e Restaurante Coisa Nossa.
Quando? Todos os dias, exceto quarta-feira, das 11h às 21h; no domingo fecha às 18h.
Quanto? Bife à Coisa Nossa: MT 240,00 (R$ 12,00); Camarão à Zambeziana: MT 250,00 (R$ 12,50); Frango Assado: MT 250,00 (R$ 12,50); Fricassê de Frango (ou Frango à Lisboeta): MT 150,00 (R$ 7,50); pastéis de massa tenra: MT 15,00 (R$ 0,75), pipis (miúdos): MT 100,00 (R$ 5,00); moelas: MT 100,00 (R$ 5,00).
Onde? Praça da Juventude, 77, Matola.
Site: http://coisanossa.mz-estamosjuntos.com/index.html

Published in: on 26/02/2011 at 23:58  Comments (4)  
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O som do conhecimento

Meus dias têm sido muito cansativos ultimamente. Dirigir uma escola com cursos inovadores para o país, acompanhar compra, entrega, instalação de equipamentos, gerir muitos professores, todos os funcionários, alunos e visitantes, tudo isso não é fácil e preenche muitas horas do dia. Mas os dias têm sido muito alegres também. E a alegria é geralmente acionada quando chego à Academia de Comunicação e passo pelos corredores.

Orlando Mesquita após aula

O som que vem de dentro das salas, de professores e alunos falando, de vídeos sendo apresentados, de conhecimento sendo transmitido, é combustível para muitas horas de trabalho pesado. E a decisão mais acertada da grade de horários da escola foi colocar a primeira aula do dia, logo 7h da manhã, sob tutela do professor Orlando Mesquita. Uma hora e meia de aula, uma hora e meia de energia, bom humor e conhecimento profundo.

No meu passeio matinal pelos corredores, o som da gargalhada do Orlando é a maior compensação que posso receber por acordar cedo (e quem me conhece um pouco sabe o sofrimento que isso representa). As aulas de Edição de Vídeo têm servido para comprovar que conhecimento é alegria. Educação carrancuda, de aula somente expositiva, sem troca, sem participação dos alunos, com professor que fala, fala, fala, mas sem bom humor, sem descontração, sem animação e achando que sabe tudo é coisa do passado e lá deve ficar.

Conhecimento tem som e é um som de felicidade.

Uma semana depois…

Já temos outra Quinta Quente e nenhum post entre essa e a anterior. Ocorreu que no meio do caminho tivemos uma mudança de endereço… aí a transferência de internet não foi exatamente no prazo previsto e depois da transferência ainda tínhamos ajustes da mudança, compras para a casa nova e muitas adaptações…

Agora estamos de volta, restabelecidos e com muita história para contar. Mas como é quinta-feira, vamos à música. Escolhi hoje Malalanza, do Carlos Burity. Essa música é muito tocada na rádio RDP África, que eu ouço sempre. Adoro o balanço, a voz gostosa do Carlos Burity e o jeito muito África (poderia ser também Brasil) da música.

Infelizmente, não encontrei o vídeo, nem tão pouco a letra. Apenas sei que Malalanza significa laranja. Então, deixo aqui o áudio, para ouvirem enquanto lêem um pouco mais sobre Carlos Burity, abaixo.

Angolano, nascido em Luanda, em 1952, iniciou a sua carreira nos anos 60, na província do Moxico. É uma das principais referências do estilo musical semba, que lembra o samba brasileiro não só no nome.

Carlos Burity já lançou vários álbuns, como Wanga, Ginginda, Carolina, Massemba, Zuela o Kidi e Paxi Iami, além do que leva o nome da música de hoje: Malalanza.

Manu Dibango

Bom, como prometido em comentário da Quinta Quente passada, trago hoje mais uma sugestão do nosso mestre da música africana, David Borges: Manu Dibango. Manu vem de Emmanuel. Dibango é mesmo o sobrenome. Camaronês, nasceu em 1933 e tornou-se saxofonista e vibrafonista de jazz e afrobeat. Mas ele é extraordinariamente versátil. Já tocou quase todo tipo de música.

Seu largo sorriso transmite mais que simpatia. É uma energia positiva, algo bom que nos faz gostar dele mesmo antes de ouvir. E quando se ouve… não se volta atrás. Conhecido como o leão de Camarões, Manu contribuiu largamente para a música africana e, mais que isso, mundial.

Sua carreira musical começou nos anos 1950, em Bruxelas e Paris. No início da década seguinte, ele estava no Congo. Em 1963, fundou sua própria banda, em seu país natal, e dois anos depois voltou a Paris. Soul Makossa foi a música que o tornou internacionalmente conhecido. Não só a ele, mas à música africana também. Seu primeiro álbum foi gravado em 1969 e em 1970 participou de um disco de Franklin Boukaka.

Sua autobiografia foi publicada na França, em 1989. A tradução em inglês, Three Kilos of Coffee: An Autobiography, foi publicada em 1994. Em 2007, um grande evento foi realizado para celebrar seus 50 anos no mundo da música, e também foi lançado o CD The Lion of Africa.

Entre tanta coisa boa que ele já produziu ao longo de toda carreira, foi difícil escolher uma música para apresentar aqui. Mas escolhi Africa, pela musicalidade e também pela bela fotografia do vídeo.

Visite o site oficial do músico.

Published in: on 17/02/2011 at 07:35  Comments (4)  
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Jogo no campo

Ontem, sábado, fomos ao estádio da Liga Muçulmana, na cidade vizinha da Matola, assistir ao Liga Mulçumana contra Zesco United Fc, da Zâmbia. A disputa era pela Liga dos Campeões Africanos, uma espécie de Taça Libertadores da América para a África.

Os comentários do jogo eu deixo para o Na ponta do lápis, porque o Guilherme é que é o especialista da família para o assunto. Da minha parte, algumas impressões.

Guilherme e Gabriel atentos ao jogo

Narrador da rádio Moçambique, narrando o jogo em pé no campo

Mudança manual do placar na hora do gol

Técnico do Zesco United de terno e gravata debaixo do sol africano

Torcida em todo o canto

Torcida em todo canto mesmo

O resultado final foi Liga Mulçumana 2×1 Zesco United, mas isso não foi bom para o time de Moçambique, que já tinha perdido por 3×0 na casa dos adversários e precisava ganhar pelo menos com a mesma diferença de gols.

Duas histórias sobre ar condicionado

A Academia de Comunicação se propõe a ser uma escola com ambiente moderno, de alta tecnologia e conforto para os alunos. Então, considerando o calor africano que faz em Maputo, nada melhor do que termos ar condicionado em todos os ambientes.

Os últimos três aparelhos foram instalados na última semana do ano de 2010. Na verdade, melhor do que “foram instalados” é “começaram a ser instalados”. Um na minha sala, um na sala dos professores e um na secretaria.

Terminaram a instalação, pedimos para nos explicarem como fazer para controlar a temperatura e então o técnico informou que o aparelho só poderia ser controlado por controle remoto, que não estava com ele no momento, mas traria no dia seguinte.

Não só a temperatura, como o ligar e desligar do aparelho dependiam do controle. À noite, fechamos a Academia e os aparelhos lá ficaram, ligados. No dia seguinte, a minha sala e a sala dos professores mais pareciam o Alasca. A secretaria, quente como sempre.

Passou todo o dia e os controles remotos não foram entregues. Ligamos durante vários dias para a empresa e os responsáveis diziam sempre que iam, iam, iam e nunca vinham. Nas duas salas que esfriavam muito a temperatura era controlada deixando a porta aberta às vezes. Na outra, que não esfriava, o povo sofria.

Passadas semanas, o pessoal a empresa que forneceu os aparelhos apareceu com a magnífica solução de instalar um interruptor por meio do qual poderíamos desligar o aparelho e ligar. Isso evitaria o ter que deixar a porta aberta quando a sala ficasse muito fria e também o consumo desnecessário durante a noite. A secretaria continuava no sofrimento do calor. Agora, já com o aparelho desligado o tempo todo, apenas dando esperanças de que um dia haveria ar frio por ali.

Alguns dias depois, entregaram um controle remoto que funciona apenas no aparelho da sala dos professores. Na semana passada (lembrem que a história começou no ano passado), voltaram. Praticamente reinstalaram o aparelho da secretaria e, finalmente, entregaram um controle remoto.

Não vou citar o nome da empresa, porque não seria justo, uma vez que eu sei que não são só eles que oferecem esse tipo de atendimento por aqui. E para provar, ontem aconteceu outra história, com o aparelho de ar condicionao aqui de casa, que foi instalado há uns dois meses, mais ou menos, por outra empresa.

O Guilherme estava trabalhando no computador (provavelmente escrevendo algum post para o Na ponta do lápis), quando ouviu um estrondo assustador e viu o Otto saindo de dentro da casinha e correndo em fuga em direção à sala. Guilherme olhou para trás…

ar condicionado no chão

O aparelho de ar condicionado tinha despencado da parede. Suicídio?

A parede onde estava o aparelho de ar condicionado

O olho de Hertzog

No final de 2010 publiquei os textos Mais uma tentativa e Sobre o prêmio BCI de literatura, onde contei do lançamento de um prêmio de literatura em Moçambique.

De acordo com o regulamento, a premiação no valor de MT 200.000,00 (aproximadamente R$ 10.000,00) seria atribuída ao melhor livro (poesia, prosa, crônica ou dramaturgia ou outro gênero de ficção) publicado no ano de 2010 por um escritor moçambicano. O resultado tinha previsão de divulgação em 27 de janeiro de 2011.

Agora, nada mais correto do que divulgar quem venceu. Foi o autor Paulo Borges Coelho, com o livro O olho de Hertzog, da editora Ndjira.

O romance se passa em 1919, em Lourenço Marques (nome da capital de Moçambique quando colônia). O oficial alemão Hans Mahrenholz se faz passar por empresário e jornalista inglês. Descobrir os motivos que o levaram a este lugar, que fazem com que esconda sua verdadeira identidade e por que procura desesperadamente um mulato com nome grego e uma longa cicatriz são os elementos que fazem o leitor percorrer as quase 450 páginas do romance.

Vale observar que o mesmo livro ganhou o prêmio Leya 2009, como já contei no post Nossa pátria está em crise. Como o prêmio BCI seria destinado ao melhor livro publicado em 2010, imagino que em 2009 o livro tenha sido publicado em Portugal e não em Moçambique ou, talvez, o juri tenha aceito a possibilidade de premiar um livro que não tenha tido sua primeira publicação, mas sim tenha sido reeditado no ano em questão.

Inauguração da Academia de Comunicação

Dia 7 de fevereiro iniciaram as aulas na Academia de Comunicação. As primeiras turmas estão quase todas cheias e já temos novos cursos com inscrições abertas. Foi um dia muito feliz para mim, porque vejo na Academia uma possibilidade de eu realmente contribuir com alguma mudança para o desenvolvimento de Moçambique. Afinal, vamos formar pessoas, qualificá-las para o mercado de trabalho, contribuir para a geração de renda delas. Por conseqüência, vamos contribuir também para o aperfeiçoamento e conhecimento de novas técnicas por parte das próprias empresas de comunicação. Pelo menos, é isso que pretendemos.

E o primeiro dia de aula terminou com uma festa nas instalações da escola. DJ Gugu animou o pessoal e ainda contamos com a presença de músicos como Elsa Mangue e Deny. Esteve lá também o amigo e apoiador de sempre Gabriel Júnior, que animou o ambiente e fez a apresentação do evento. Aliás, o ambiente estava cheio de amigos. As fotos que vocês vão ver abaixo foram tiradas pela querida Isaura. Aproveito a oportunidade para agradecer a todos que lá estiveram.

Para quem quiser fazer uma visita, fica a dica: a Academia de Comunicação está na Av. Ho Chi Min, 677, em Maputo.

Published in: on 09/02/2011 at 22:25  Comments (49)  
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Macaneta outra vez

Como já contei aqui, semana passada teve feriado em Moçambique. E nós aproveitamos para voltar à praia da Macaneta.

Fomos em um grupo maior e, como já conhecíamos o lugar e o amigo Pedro já tinha voltado lá algumas vezes, nesta visita pudemos curtir ainda mais. Almoçamos no restaurante do Tan’n Biki e aproveitamos a piscina de lá.

Depois do almoço ainda tomamos café e comemos sobremesa no bar de um outro empreendimento turístico da região, o Macaneta Resort.

E o dia todo tivemos a companhia de um novo amigo.

Cão amigo da Macaneta

Depois de nos seguir o dia todo, ajeitou um lugar para descansar no fim da tarde

Desde que chegamos à praia, ele esteve o dia todo conosco. Pensamos até em trazê-lo para Maputo… Mas vimos que ele tinha dono, apesar de não ter identificação nenhuma, porque estava bem tratado e alimentado. Depois percebemos que talvez seja do próprio restaurante do Tan’n Biki, porque há outros cães lá e todos se conheciam. Ainda não foi dessa vez que o Otto ganhou um irmãozinho…

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