Agora também tenho capulana

Sandra de capulanaOutro dia a Bélia apareceu com um presente para mim. Coisa de moçambicano isso de ser gentil assim, dar presente mesmo sem data comemorativa, só para agradar alguém. Fiquei super feliz. Primeiro porque ela me presenteou, claro, mas também, e especialmente, porque o presente era uma capulana. Eu não tinha nenhuma ainda. Agora, já estou me acostumando a usar a minha… ixi… vou ter várias!

Mas o que é a capulana, afinal? Em Moçambique não há mulher que não use, que não tenha muitas e que não ande sempre com uma na bolsa, para qualquer eventualidade. É um pano de algodão com desenhos coloridos que tem diversas funções: vestir como saia, carregar as crianças amarradas ao corpo, enfeitar a cabeça, tudo que imaginar. E, quando cai nas mãos de algum costureiro, pode ser toalha de mesa, cortina, camisa, vestido, calça (aliás, qualquer peça de roupa), revestimento de cadeiras e o que mais a criatividade inventar. Seu formato original é retangular e pode chegar a até quatro metros.

O mesmo pano, no Quênia chama-se kanga (sim, vem daí aquilo que as mulheres brasileiras usam na praia ou na piscina), no Congo ou Senegal, é pagne. Em Moçambique encontramos capulana ou capolana.

Diz a história que a origem do pano está em lenços de algodão estampados e coloridos, trazidos por mercadores portugueses do Oriente para Mombaça, no Quênia. Os lenços eram vendidos em grandes tecidos compridos. As africanas compravam o que corresponderia a seis lenços, um ao lado do outro e, com eles, envolviam o corpo. Por isso, as estampas originais eram inspiradas no sari indiano e no sarongue indonésio. Hoje, os motivos são bem africanos, afinal, os comerciantes tinham que agradar o gosto do cliente.

Como eu falei no começo, por aqui não há mulher que não use e que não tenha várias. É interessante também que muitas são guardadas nos baús e raramente usadas. São recordações de situações ou pessoas especiais e representam o tamanho da riqueza daquela mulher. Estas nunca são cortadas. É um tesouro que fica guardado para ser usado só em ocasiões muito especiais.

Leia mais na interessante matéria intitulada Capulanas.

Craveirinha

Vamos começar a semana com poesia. Eu já tinha ouvido falar do poeta José Craveirinha, moçambicano, de Maputo. Mas outro dia, vi alguns versos dele que me tocaram de uma forma especial. Achei linda a suavidade com a qual ele abordou assunto tão árido:

Menino gordo comprou um balão
e assoprou
assoprou com força o balão amarelo.

Menino gordo assoprou
assoprou
assoprou
o balão inchou
inchou
e rebentou!

Meninos magros apanharam os restos
e fizeram balõezinhos.
(José Craveirinha, Fábula, in Karingana wa Karingana)

Karingana wa Karingana é o nome do segundo livro de Craveirinha (o primeiro é Xibugo) e é como “Era uma vez” em língua ronga, falada em Moçambique.

José Craveirinha nasceu em Maputo e morreu no ano que iria completar 81 anos, 2003. Filho de pai branco português, algarvio, e mãe negra moçambicana, ronga. Em 1991 recebeu o Prêmio Camões, concedido por um júri composto por especialistas
do Brasil e de Portugal.

Mas ninguém melhor que ele, para contar a própria história:

«Nasci a primeira vez em 28 de Maio de 1922. Isto num domingo. Chamaram-me Sontinho, diminutivo de Sonto.[1] Isto por parte da minha mãe, claro. Por parte do meu pai, fiquei José. Aonde? Na Av. Do Zihlahla, entre o Alto Maé e como quem vai para o Xipamanine. Bairros de quem? Bairros de pobres.
Nasci a segunda vez quando me fizeram descobrir que era mulato…
A seguir, fui nascendo à medida das circunstâncias impostas pelos outros.
Quando o meu pai foi de vez, tive outro pai: seu irmão.
E a partir de cada nascimento, eu tinha a felicidade de ver um problema a menos e um dilema a mais. Por isso, muito cedo, a terra natal em termos de Pátria e de opção. Quando a minha mãe foi de vez, outra mãe: Moçambique.
A opção por causa do meu pai branco e da minha mãe preta.
Nasci ainda outra vez no jornal O Brado Africano. No mesmo em que também nasceram Rui de Noronha e Noémia de Sousa.
Muito desporto marcou-me o corpo e o espírito. Esforço, competição, vitória e derrota, sacrifício até à exaustão. Temperado por tudo isso.
Talvez por causa do meu pai, mais agnóstico do que ateu. Talvez por causa do meu pai, encontrando no Amor a sublimação de tudo. Mesmo da Pátria. Ou antes: principalmente da Pátria. Por parte de minha mãe, só resignação.
Uma luta incessante comigo próprio. Autodidacta.
Minha grande aventura: ser pai. Depois, eu casado. Mas casado quando quis. E como quis.
Escrever poemas, o meu refúgio, o meu País também. Uma necessidade angustiosa e urgente de ser cidadão desse País, muitas vezes, altas horas a noite.»

1. Domingo em língua ronga, um dos idiomas banto falados em Moçambique

Leia também Quero ser tambor e ainda outros poemas de José Craveirinha aqui.

Leia mais sobre ele aqui e também aqui.

Enfim, um italiano

Adoro comida italiana. Infelizmente, não há muitas opções aqui em Maputo… já tínhamos visitado um ou outro restaurante, mas eu ainda não tinha encontrado algum que valesse indicar. Até que a amiga Isaura falou do “italiano que fica no jardim de Sommerschield”. Lá fomos nós…

O lugar é super agradável, porque está mesmo dentro do jardim. As mesas ficam ao ar livre e o restaurante é formado por duas casas: uma onde são feitos os pratos quentes e outra onde estão os doces e sorvetes.

Campo di Fiori

Os pratos são bem elaborados e saborosos, as sobremesas são também muito boas, como o italianíssimo tiramissú e a moçambicana torta de castanha de caju, além de bolos, doces portugueses e o sorvete Gianni, do qual já falei aqui no Mosanblog.

Nhoque com molho napolitano

Nhoque com molho napolitano

Os pratos são variados: massas (lasanha, macarrão, nhoque, pizzas), carnes, peixes, entre outros. Há também boa variedade de bebidas (cervejas, vinhos, sucos/sumos, cafés e coquetéis). Fizemos uma refeição em duas pessoas: carpaccio (finas fatias de carne crua com rúcula, cogumelos laminados e lascas de parmesão), um prato de massa para cada, tortas de castanha de caju e cafés. Para beber: suco e refrigerante. A conta saiu por MT 1.400,00 (R$ 66,50).

O único inconveniente, no meu ponto de vista, é que, em se tratando de um lugar dentro de um jardim, onde há equipamentos para as crianças pequenas como balanças e escorregadores, se você vai durante o dia corre o risco de encontrar muitas famílias com miúdos, como dizem aqui. Nosso almoço começou com um concerto de uns dez minutos de uma criança chorona que parecia estar sendo espancada pelos pais. Mesmo sem me virar para ver a cena, tenho certeza que ela, no máximo, estava sendo contrariada.

Enfim, da próxima vez passaremos repelente (para evitar os incomôdos noturnos de um jardim) e iremos para o jantar.

Serviço:
O quê? Restaurante Campo di Fiori.
Quando? Todos os dias, para café da manhã (das 7h30 às 10h), almoço (das 12h às 15h) e jantar (das 18h às 21h30) e o dia todo para os doces e sorvetes.
Quanto? Carpaccio: MT 320,00 (R$ 15,20); Insalata di Mare (camarão, lula, polvo, mexilhão, caranguejo): também MT 320,00; massas (nhoque, penne, espagueti, etc.), em média MT 230,00 (R$ 10,90); pizzas, em média MT 150,00 (R$ 7,15); cordeiro ao forno: MT 420,00 (R$ 20,00); Marinata di Pesce (posta de peixe com molho de tomate, menta e alcaparras): MT 340,00 (R$ 16,15); berinjela ao forno: MT 290,00 (R$ 13,80); sobremesas, em média, MT 150,00 (R$ 7,15).
Onde? Jardim Sommerschield (rua Daniel Napatima x rua dos Cronistas, que, apesar de estar assim na placa na rua, no Google Maps ainda aparece como rua Rui de Pina).

Mas o que é mulungo, afinal?

Tenho usado com freqüência no Mosanblog o termo mulungo, que é como chamam em changana (um dos mais de 20 idiomas falados em Moçambique, além do oficial Português) o estrangeiro, o branco.

Então, no post De como os mulungos sofem (2), o David comentou “na Guiné e em Angola, o conceito de ‘mulunguice’ não está ligado à cor de pele, não é racista”.

Eu lembrei que logo que cheguei em Moçambique, falei desse termo com meu irmão e ele observou que a palavra consta no dicionário Houaiss da língua portuguesa, com o significado “homem branco”, como regionalismo de Moçambique. E, na etimologia, consta a explicação: “o ser supremo” em várias línguas da África oriental.

Na Enciclopédia brasileira da diáspora africana, de Nei Lopes, o termo mulungu é definido como espécie de tambor de origem africana, com caráter sagrado. Daí, a relação também com ser supremo. O tambor referido produz sons retumbantes e essa característica talvez o colocasse na condição de principal, maioral, por extensão, patrão.

Ou seja, a observação do David parece correta. A ‘mulunguice’, como ele diz, tem mais a ver com ser o patrão do que com ser branco. O que ocorre em Moçambique, em Maputo, pelo menos, é que normalmente o patrão não é o negro. Mas isso é assunto para um outro dia…

Faça chuva ou faça sol

Aqui em Moçambique as pessoas tratam os mais velhos sempre por mamá e papá. Estou acompanhando a obra de reforma de um edifício e há um senhor já de bastante idade que faz o trabalho de carpinteiro. Apesar de forte e trabalhador, já nem é papá, é vovô. E assim o temos chamado, carinhosamente.

Outro dia o vovô não apareceu para trabalhar. No meio da manhã chegaram seus dois assistentes. Perguntamos pelo mestre e um deles disse que não estava se sentindo bem. No entanto, depois o outro deixou escapar que o vovô tinha ido para a praia.

Estava um sol lascado. De assar passarinho, como falam aqui. Quando eu saí de casa às oito da manhã já fazia 33 graus. O vovô foi curtir a praia.

No dia seguinte, como tem acontecido frequentemente depois dos dias mais quentes, choveu forte a madrugada toda e a temperatura caiu bastante. De manhã, continuava a chover, não tão forte, mas de forma intermitente.

Até às 10 da manhã, nada do vovô aparecer. Ligamos para ele. Explicou que não ia trabalhar porque estava a chover muito.

O vovô é que é feliz.

Published in: on 26/11/2010 at 07:27  Comments (2)  
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Som da Zâmbia

No site da National Geographic a banda Serenje Kalindula, da Zâmbia, é apresentada da seguinte forma: Apesar de todos seus membros já terem morrido, suas grandes vozes e seu ritmo ainda vive e impacta a preservação da memória da real cultura musical Zambiana.

Seu primeiro álbum, Amanyamune, foi lançado em fevereiro de 1979. Com ele, a banda levou para as paradas de sucesso os sons da kalindula, ritmo popular do norte do país. Na verdade, kalindula, para além do ritmo musical, é também um tipo de baixo utilizado na região central-sul da África, como Malaui, Zâmbia e Zimbabwe, além da República Democrática do Congo. No estilo musical Kalindula, o baixo aparece sempre ao lado do banjo.

Mas chega de história, porque Quinta Quente não é dia de falar e sim de curtir música. Vamos ouvir Serenje Kalindula:

E seja o que a Mozal quiser…

A reabilitação do Centro de Tratamento de Fumos (fumaça) da multinacional de alumínios Mozal, estabelecida em Maputo, começou no dia 1 de novembro, conforme estava anunciado. No entanto, ainda não está ocorrendo a emissão direta de gases para a atmosfera, processo conhecido como bypass.

Por meio de comunicado divulgado à imprensa, citado no jornal O País, na fase preliminar das obras de reparação e melhoramento, os trabalhos não exigem o bypass. Mas, no mesmo comunicado, a empresa avisa que “não se trata de cancelamento da emissão directa, mas sim de um adiamento”. O processo todo de reabilitação deve durar cerca de quatro meses.

O processo de bypass tem sido contestado por organizações defensoras do meio ambiente, que alegam que a empresa poderia encontrar alternativas menos prejudiciais à saúde da população e ao meio ambiente. As mesmas organizações submeteram uma petição à Assembléia da República para intervenção no processo.

Por outro lado, a Mozal defende, de forma dramática, que parar o processo de produção para a reabilitação do Centro sem emissão de gases diretamente na atmosfera implicaria em degradação do equipamento e até mesmo no encerramento da fábrica. Eles garantem ainda que a emissão direta dos gases não tem impacto sobre a vida humana nem o ambiente, porque as emissões estarão dentro dos limites nacionais e internacionais.

Antes do início da reabilitação, os deputados oposicionistas da Renamo (Resistência Nacional Moçambicana) e do MDM (Movimento Democrático de Moçambique) tentaram realizar um debate na plenária da Assembléia da República para tratar do caso. Mas, com a maioria dos votos, o partido governista Frelimo (Frente de Libertação de Moçambique) votou contra o pedido de discussão, alegando que, mesmo concordando com a pertinência da discussão, o assunto só pode ser levado à plenária quando toda a documentação sobre o caso for reunida. Ao que parece faltam ainda ser entregues relatórios da Comissão de Petições da Assembléia da República e o parecer do Tribunal Administrativo.

Em nome do Executivo, a ministra para a Coordenação da Ação Ambiental, Alcinda Abreu, reiteirou, no jornal O País, no dia 3 de novembro, que não há perigo nas emissões diretas da Mozal. Ela fundamentou sua opinião em consultas feitas a países que também têm fábricas de fundição de alumínio e que foram unânimes em afirmar que não há perigo nesse tipo de procedimento.

No dia 18 de novembro, em um protesto que chamou atenção, os deputados da bancada parlamentar de oposição na Assembléia da República puseram máscaras, em repúdio às emissões diretas. Os deputados da Renamo e MDM interromperam a agenda do dia, exigindo agendamento de debate sobre as emissões diretas na Mozal. Depois de uma hora e quinze minutos de discussão sem consenso, os deputados partiram para a votação e a Frelimo, com a sua maioria, votou contra o agendamento.

Depois das discussões sobre ter ou não debate, a Comissão Permanente da Assembléia da República solicitou à Comissão dos Assuntos Constitucionais, Direitos Humanos e de Legalidade que elabore um projeto de resolução que contenha a posição do parlamento em relação ao bypass.

Veja mais nas notícias que foram publicadas sobre o assunto nos últimos dias:
MOZAL arrancou ontem com reabilitação dos Centros de Tratamento de Fumos, do jornal O País.

Frelimo manda passear oposição e autoriza Mozal a iniciar o Bypass, do jornal Savana.

Renamo recorre a máscaras em protesto às emissões na Mozal, do jornal O País.

Governo reitera que não há perigos nas emissões da Mozal, também do jornal O País.

Domingo na Inhaca

É isso mesmo, passamos o domingo na Inhaca. Mas, diferente do que podem pensar os brasileiros, para os quais inhaca tem a conotação de coisa ruim, mal cheirosa, o domingo foi maravilhoso.

A ilha de Inhaca fica na entrada da baía de Maputo.

Mapa da baía de Maputo, com trajeto Maputo -  Inhaca

Pedro, o amigo das aventuras marítimas e tantas outras, nos pegou em casa às 7h10. No cais da baía de Maputo entramos no barco que sai 7h30. E sai na hora marcada. O passeio já começa legal, com a possibilidade de apreciarmos Maputo de fora.

Sandra no barco, com Maputo ao fundo

Duas horas depois, desembarcamos na ilha de Inhaca, um lugar paradisíaco.

Ilha de Inhaca

Mas o desembarque tinha que ter uma surpresa, para nos fazer lembrar que não, não é o paraíso. Antes de chegar ao cais, o barco parou. Então, um barquinho pequeno se aproximou para que as pessoas começassem a descer. Nos explicaram que era porque a maré estava muito baixa. Realmente, olhamos para o cais e vimos que na ponta onde o barco deveria atracar era possível ver a areia no chão. Conclusão, pulamos (literalmente) no barquinho e lá fomos. Só que aí surgiu um problema pessoal para mim. Sei que vou ser repetitiva, mas lá vou eu de novo contar que não gosto do mar porque ele vem com a areia. Então, quando estamos molhados e pisamos na areia, viramos bifes à milanesa (ou bife panado como se diz por aqui), o que me deixa em total desconforto, aflição, horror, pânico. Logo, quando vou à praia, não entro na água. Mas não tinha outro jeito. Para sair do barquinho, era preciso colocar os pés dentro da água. Bem rasinho, mas não importa. Molhado. Conclusão, antes das 10 horas da manhã eu já era um bife panado. Mas aí lembrei do dito popular: “quem está na chuva é para se molhar”. Então, já que o estrago estava feito, acabei entrando na água de novo ao longo do dia.

Ah, vale lembrar que o barquinho que nos levou até a beira da praia foi pago. MT 15,00 (R$ 0,70) por pessoa. É o valor de uma passagem de chapa (van) na cidade. Não destaco o pagamento pelo valor, mas pela estranheza da situação. Compramos a passagem de barco Maputo-Inhaca. Aí, antes de chegar no cais, o barco pára no meio do oceano e as opções são: ficar no barco até 15h para voltar à Maputo; pular na água ainda um pouco funda e sair nadando; pular no barco que cobra para terminar a viagem.

Praia da ilha de InhacaBem, depois de chegar em terra firme, paramos em um barzinho à beira da praia para beber alguma coisa e pensar no que fazer naquele dia de céu aberto e calor não insuportável, com brisa suave e oceano Índico azul esverdeado à nossa frente.

Por fim, decidimos nos juntar a um grupo que veio no barco conosco e pegamos um outro barco para a ilha dos Portugueses, que fica logo em frente e é uma reserva ecológica. Trajeto de menos de 10 minutos.

Aí sim desembarcamos no paraíso.

Praia na ilha dos Portugueses

Praia da ilha dos Portugueses

Mar na ilha dos Portugueses

Depois de curtir o mar até cansar e nos prometermos voltar lá muitas vezes ainda, torcendo sempre para que o lugar continue uma reserva, sem construções, sem sinais do que chamam civilização, voltamos para a ilha de Inhaca onde a maré já estava alta, com água já nos primeiros degraus do cais.

No entanto, o barco que leva até Maputo continuou não chegando até lá. Lá fomos nós até ele no barquinho menor. Duas horas depois estávamos de volta a Maputo, com o dia ganho.

Se você gostou e quer fazer o passeio, é importante saber os valores:

– barco Maputo – Inhaca: MT 200,00 (R$ 9,50)
– barco que leva do barco maior até a praia da ilha de Inhaca: MT 15,00 (R$ 0,70)
– ao chegar na ilha de Inhaca, MT 200,00 por pessoa. Taxa de turismo.
– ida e volta de Inhaca para a ilha dos Portugueses: MT 180,00 (R$ 8,50) por pessoa para a travessia
– barco Inhaca – Maputo MT 150,00 (R$ 7,15)

Lembre também que na ilha dos Portugueses não há nenhum tipo de comércio, portanto é bom levar ao menos água potável. Na ilha de Inhaca há algum pequeno comércio de alimentos e artesanato logo perto do cais, além do hotel Pestana.

Wazimbo, por Bélia

A Bélia os leitores do Mosanblog ou do ElefanteNews já conhecem. Se você não conhece ainda, veja entrevista com ela aqui. Val’apena, como se diz por aqui. E a Bélia agora é nossa leitora também.

Outro dia ela comentou que tinha visto o texto sobre Wazimbo e a música Nwahulwana e que sabia escrever e traduzir a música. Ficou de mandar para mim. A promessa foi cumprida, chegou por e-mail letra e tradução, seguidas do seguinte comentário: é mais ou menos isso, a mensagem é a mesma sempre e o resto é a melodia, que é linda. A palavra Nwahulwana é dificil de definir com exatidão, mas penso que é uma forma de chamar uma prostituta de maneira suave. Ainda vamos investigar essa palavra.

E com vocês, a letra de Nwahulwana:

iyo maria ntombi yanga u ta tekua ha mani makwezo (ô Maria, minha menina, quem irá te casar)

iyo maria ntombi yanga u ta tekua ha mani makwezo (ô Maria, minha menina, quem irá te casar)

ni ngo leswi swaku famba usiko loko dzi pelile a swi yaki munti maulwana (digo isso porque essa mania de que quando anoitece tu sais de casa, isso não é produtivo não dar-te-á lar querida)

ni ngo leswi swaku famba usiko loko dzi pelile a swi yaki munti maulwana (digo isso porque essa mania de que quando anoitece tu sais de casa, isso não é produtivo não dar-te-á lar querida)

ni ngo leswi swaku famba usiko loko dzi pelile a swi yaki munti maulwana (digo isso porque essa mania de que quando anoitece tu sais de casa, isso não é produtivo não dar-te-á lar querida)

ni ngo leswi swa ku tsama ma bare loko dzi pelile u ta tekua ha mani maulwana o. o. o.
(digo essa mania de ficares nos bares quando anoitece. Quem te irá casar querida. oh)

ni ngo leswi swa ku tsama ma bare loko dzi pelile u ta tekua ha mani maulwana o. o. o.
(digo essa mania de ficares nos bares quando anoitece. Quem te irá casar querida. oh)

swi ni tcxela ni uswete maria a ku kala un nga tsami kaya maria
(é deprimente. Dá até pena, Maria, o facto de não ficares em casa quando anoitece, Maria.)

Obrigada, Bélia.

Published in: on 20/11/2010 at 19:38  Comments (3)  
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Os meninos de Huambo

Outro dia ouvi essa música na rádio e algumas frases me tocaram fundo: os meninos à volta da fogueira/vão aprender coisas de sonho e de verdade/vão aprender como se ganha uma bandeira/vão saber o que custou a liberdade… os meninos inventaram coisas novas/que até já dizem que as estrelas são do povo. Perceberam? Vão aprender como se ganha uma bandeira… até já dizem que as estrelas são do povo… Lindo, lindo, lindo.

A letra é de Manuel Rui Monteiro. Ele nasceu em Angola, na cidade de Huambo, em 1941.

Talvez eu tenha me sensibilizado para trazê-la à nossa Quinta Quente no Quinto essa semana, induzida por matérias que o Eduardo Castro fez sobre as independências na África. Já está publicada a matéria da Agência Brasil.

Aqui, a versão original de Os Meninos de Huambo, cantada por Ruy Mingas, também angolano, coautor da música.

Com fios feitos de lágrimas passadas
Os meninos de Huambo fazem alegria
Do céu puxando as candentes mais bonitas
Com lábios de dizer nova poesia
Soletram as estrelas como letras

E vão juntando no céu como pedrinhas
estrela-letras para fazer novas palavras
E vão juntando no céu como pedrinhas
estrela-letras para fazer novas palavras

Os meninos à volta da fogueira
Vão aprender coisas de sonho e de verdade
Vão aprender como se ganha uma bandeira
Vão saber o que custou a liberdade

Com os nomes mais lindos do planalto
Fazem continhas engraçadas de somar
Juntam farpa com flores e com suor
E subtraem manhã cedo por luar

Dividem a chuva miudinha pelo milho
Multiplicam o vento pelo poder popular

Os meninos à volta da fogueira
Vão aprender coisas de sonho e de verdade
Vão aprender como se ganha uma bandeira
Vão saber o que custou a liberdade

Palavras sempre novas, sempre novas
Palavras deste tempo sempre novo
Porque os meninos inventaram coisas novas
Que até já dizem que as estrelas são do povo

Porque os meninos inventaram coisas novas
Que até já dizem que as estrelas são do povo

Os meninos à volta da fogueira
Vão aprender coisas de sonho e de verdade
Vão aprender como se ganha uma bandeira
Vão saber o que custou a liberdade

Assim contentes à voltinha da fogueira
Soltam ao céu as estrelas já escritas
Novas palavras para fazer redações

Para os meninos também são constelações
Constelações que brilham sempre sem parar

Palavras deste tempo sempre novo
Multiplicam o vento pelo poder popular
Porque os meninos inventaram coisas novas
Que até já dizem que as estrelas são do povo

Porque os meninos inventaram coisas novas
Que até já dizem que as estrelas são do povo

Os meninos à volta da fogueira
Vão aprender coisas de sonho e de verdade
Vão aprender como se ganha uma bandeira
Vão saber o que custou a liberdade

Os meninos à volta da fogueira
Vão aprender coisas de sonho e de verdade
Vão aprender como se ganha uma bandeira
Vão saber o que custou a liberdade

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