A Mozal novamente nos jornais

Como comentei aqui, em julho a Mozal anunciou que nos próximos meses passaria a emitir gases poluentes diretamente na atmosfera, sem o uso de filtros, durante reabilitação do seu Centro de Tratamento de Fumos. Esse processo é conhecido como bypass. A Mozal é um “complexo de ‘refinação’ de alumínio, de onde sai o metal com maior grau de pureza disponível no mercado mundial”, de acordo com Paulo Granjo.

Agora, foi divulgado no jornal O País que uma avaliação feita no ar que se respira no Parque Industrial da Matola, onde estão localizadas as principais indústrias da região de Maputo, com particular destaque para a Mozal e Cimentos de Moçambique, apresenta uma conclusão assustadora: as populações que vivem naquela zona respiram um ar altamente poluído, com uma concentração de poeiras muito acima do nível estabelecido pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

A OMS estabelece que o nível de poeiras no ambiente, para ser respirável, não pode ultrapassar 25 miligramas por metros cúbicos dentro de 24 horas. Entretanto, na avaliação, concluiu-se que a concentração de partículas venenosas chega a 110,61 miligramas por metros cúbicos, dentro de 24 horas. Ou seja, quatro vezes mais do que o aceitável.

Isso, antes mesmo da Mozal iniciar a emissão sem filtros. No entanto, o governo de Moçambique, por meio do Ministério para a Coordenação da Acção Ambiental (MICOA) realizou um estudo sobre o impacto ambiental do bypass da Mozal e concluiu que não haveria nenhum risco para a saúde pública nem ambiental. Com base no estudo, o MICOA autorizou o procedimento de emissão dos gases sem filtro.

Claro que as partículas encontradas na região não se referem apenas à Mozal. “Mas esta tem, também, a sua contribuição. Isso pode ser testemunhado pela presença de maior concentração de partículas de alumínio no ar recolhido”, disse Vanessa Cabanelas, da Justiça Ambiental, ao jornal O País.

O especialista ambiental ligado à Ground Work, Rico Euripidou, explicou ao jornal que, “devido às suas características, estas poeiras têm a capacidade de penetrar até ao ponto mais recôndito dos pulmões humanos”. Isso causa sérios problemas de saúde no sistema respiratório.

Não houve ainda a divulgação da data exata em que a Mozal pretende passar a emitir os gases poluentes diretamente na atmosfera. Mas é uma pena ver como, em sua maioria, o mundo corporativo ainda pensa apenas no curto prazo. Desde que se consiga fechar o ano com bom lucro, conta em azul no banco, nada mais importa. Em geral, ainda não se deram conta da importância de pensar ações de sustentabilidade. Pensar que é preciso considerar o bem estar da comunidade ao seu redor, pensar que é preciso cuidar do meio ambiente onde a empresa está inserida, pensar no futuro, para que a empresa tenha um futuro.

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3 ComentáriosDeixe um comentário

  1. […] – A Mozal novamente nos jornais. […]

  2. Olha a FERCAL aí gente! Pode ser que eles estejam querendo ir para o Gliese 581 G viu Patrícia? hahaha
    A Nasa anunciou ontm a descoberta desse planeta na região conhecia como “zona habitável” http://www.band.com.br/jornaldaband/conteudo.asp?ID=100000352377

  3. Infelizmente as empresas não pensam nisso e nem neles mesmo como pessoas. Porque todos serão prejudicados no futuro. Mesmo eles não indo lá mas isso afeta todo o planeta e não tem como ele fugir do planeta. Ou tem?


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