Votei hoje e votarei amanhã

entrada CCBM Nesse domingo, 31 de outubro, voltei ao Centro Cultural Brasil Moçambique, aqui em Maputo, para votar no segundo turno das eleições presidenciais. E nos próximos dias vou votar mais uma vez, agora pela internet, para o Conselho de Representantes de Brasileiros no Exterior (CRBE).

O conselho é formado por 16 brasileiros radicados no exterior e tem como objetivos manter a interlocução entre os brasileiros que vivem fora do país e o governo brasileiro e assessorar o Ministério de Relações Exteriores na definição de políticas em favor das comunidades brasileiras no exterior. A representação é regional, sendo quatro representantes para cada uma das seguintes regiões geográficas: 1 – Américas do Sul e Central; 2 – América do Norte e Caribe; 3 – Europa; 4 – Ásia, Oriente Médio, África e Oceania. Logo, aqui em Maputo elegemos representantes da região 4. Cada eleitor vota em um candidato de sua região, não necessariamente seu país.

O conselho é uma demonstração de respeito aos cidadãos que, por inúmeras razões e, às vezes, obrigações, têm que se afastar de sua terra natal, mas não deixam de fazer parte dela. Com o conselho, mesmo enquanto moro em outro país, sinto-me incluída e com possibilidade de ter minhas opiniões consideradas. O CRBE foi lançado durante a II Conferência “Brasileiros no Mundo”, realizada em outubro de 2009, e instituído pelo decreto n° 7.214.

Os requisitos para se candidatar ao conselho foram: a. ter mais de 18 anos; b. viver no mínimo há três anos na região geográfica que pretende representar; c. não possuir antecedentes criminais; d. declarar estar em condições de exercer as funções de Conselheiro do CRBE. Os membros eleitos exercerão mandato de dois anos, com possibilidade de reeleição.

O acesso à página de votação para as eleições do CRBE estará disponível no portal Brasileiros no Mundo, a partir da zero hora (horário de Brasília) do dia 1º de novembro, até a meia-noite (horário de Brasília) do dia 9 de novembro de 2010.

Para votar, o brasileiro deve ter mais de 16 anos, residir no exterior e informar, obrigatoriamente, os seguintes dados no formulário eletrônico do sistema de votação: a) cidade e país, com campo facultativo para estado/província; b) nome completo; c) e-mail; e d) um número de documento oficial brasileilro (passaporte ou CPF ou título de eleitor no exterior ou matrícula consular registrada pelo Consulado da área em que reside, quando aplicável).

Moçambique tem três candidatos: Domingas Almeida de Moraes Faiane, Gabriel Limaverde e Rose Baiana (Rosemeire Cerqueira dos Santos).

Veja aqui a lista completa dos candidatos em todo o mundo.

Confira também o Regimento do Conselho de Representantes de Brasileiros no Exterior.

A cara do espanto

Fomos jantar em um restaurante. Qual é não importa aqui, porque esse não é um post da categoria Comes e bebes e sim de Impressões.

No fim do jantar, veio a conta. Ela sempre vem. Como se diz: não existe almoço grátis. Nem jantar. Sempre conferimos se está certa. Várias vezes já esteve errada. Ao contrário do que popularmente se acredita, nem sempre errada cobrando a mais. Já houve mais de uma situação em que esqueceram de cobrar algum item que foi consumido. O que me leva a crer que quando acrescentam itens não é, necessariamente, má fé.

O caso de hoje foi justamente um desses em que esqueceram de cobrar algo. Então, Eduardo viu a conta, observou a ausência da cobrança e chamou o maitre, como já fez tantas outras vezes na vida. Ao ser chamado por um cliente que tinha a conta logo à sua frente, o maitre já se aproximou curvando o corpo para ouvir bem o que lhe seria dito sem que o cliente precisasse levantar a voz.

Ficou meio de lado para o Eduardo, com o ouvido estrategicamente colocado, e de frente para mim. Isso me colocou em uma posição privilegiada. No momento que Eduardo explicou que a conta estava errada, porque tinham sido consumidas duas latas de coca-cola e só havia uma cobrada, eu vi a cara do espanto.

Em momentos como esse já vi sorrisos de alívio, expressões de felicidade, caras de desprezo, mas nunca antes eu tinha visto a personificação do espanto. Depois de ouvir e seus traços exprimirem o maior espanto já visto por mim, ele virou o rosto vagarosamente para o Eduardo e eu pude ver em seus olhos a certeza de que ele encarava um extraterrestre.

Então, ele balbuciou qualquer coisa como um agradecimento e foi buscar a máquina para efetivar a cobrança com cartão de crédito. No caminho, deve ter se apoiado em alguma parede para conter a vertigem e se recompor. Não vi, mas deve ter sido assim. Então, ele voltou e cobrou exatamente o que estava na conta, sem acrescentar a tal coca-cola.

Eduardo, que é um honesto incorrigível, quando foi assinar o papel do cartão, observou: mas o senhor não cobrou a coca-cola. E o maitre: “não, pela sua honestidade eu nem posso cobrar. Se todos meus clientes fossem como o senhor…”

Tive pena. É um restaurante bacana, não é nada simples. Está em um bairro nobre de Maputo e é frequentado por pessoas que chegam em carros caros, vestindo roupas de marcas famosas. Esse tipo de gente que gosta de gritar quando tem um erro na conta que favorece o restaurante, mas que finge não conferir a conta quando o erro prejudica o estabelecimento. E é com esse tipo de cliente que aquele maitre lida todo dia…

Navegação turbulenta no rio Zambeze

Pelo menos na área das relações internacionais, assim tem sido.

Primeiro, vamos conhecer o tal rio.

rio Zambeze, entre Beira e Quelimane

O rio Zambeze termina entre Beira e Quelimane

Agora, pode se ajeitar na cadeira, porque lá vem a história…

Essa semana, várias vezes acompanhamos nos noticiários daqui matérias sobre a navegação experimental no rio Zambeze praticada pelo governo do Malawi.

No dia 23 de outubro último, o presidente do Malawi, Bingo wa Mutharika, estava em um evento — inauguração do porto de Nsanje — a aguardar uma embarcação que deveria chegar no rio Chire (no mapa abaixo grafado Shire), que banha a parte sul do Malawi e deságua no Zambeze, para depois encontrar o Oceano Índico.

Malawi

No entanto, wa Mutharika ficou na espera. A embarcação esperada tinha sido interceptada ainda em Moçambique. A razão é que o governo moçambicano entende que seu vizinho deveria aguardar o término de estudos de viabilidade e de impacto ambiental da navegação nos rios Chire e Zambeze antes de iniciar as navegações.

Moçambique alega ainda que os presidentes do Zimbabwe e da Zâmbia foram convidados formalmente para o evento em Malawi, enquanto Moçambique, diretamente interessado, recebeu uma nota verbal ao seu Alto Comissariado naquele país, solicitando a confirmação da participação de seu presidente, Armando Guebuza.

Para completar o estrago diplomático, o adido militar da missão diplomática do Malawi em Moçambique, James Kalipinde, encontrava-se na embarcação e teria saído de Maputo sem a devida autorização do Ministério da Defesa Nacional (MDN), procedimento padrão.

O adido militar foi detido pela Polícia da República de Moçambique (PRM), tendo ficado na cidade de Quelimane (província da Zambézia) até o dia seguinte, quando se confirmou que ele era um diplomata.

Por seu lado, o governo do Malawi, na figura do alto comissário em Moçambique, Martin Kansichi, diz estar indignado com a forma como o governo moçambicano trata o processo. Para ele, Moçambique teria quebrado acordo entre os dois países que, pelo entendimento malawiano, previa a realização de uma viagem experimental para provar a navegabilidade dos rios até o porto de Nsanje.

“Existem documentos que comprovam que existe um acordo que prevê a realização de uma viagem experimental. O Malawi é um país que respeita os procedimentos” afirmou Kansichi em matéria do jornal O País. De acordo com o embaixador malawiano, esta viagem experimental não necessita estudo de viabilidade.

Kansichi manifestou-se ainda indignado com declarações do ministro dos Negócios Estrangeiros de Moçambique, Oldemiro Baloi, a respeito do caso. Em entrevista coletiva, Baloi qualificou os malawianos como impacientes e os acusou de estar a forçar o avanço do projeto, sem observar a necessidade dos estudos de viabilidade e de impacto ambiental.

Turbulência histórica

As relações entre os dois países iniciaram na década de 1960, quando o Malawi conquistou a independência. Depois de 1975, independência de Moçambique, o relacionamento ficou tenso, devido às diferenças nas ideologias políticas seguidas por cada um dos países.

No artigo Relações entre Moçambique e Malawi, Saite Júnior explica que Moçambique seguiu a orientação socialista e Malawi era apoiado pelos países capitalistas, tendo também se tornado aliado dos regimes colonial fascista português e do apartheid da África do Sul.

Entre 1976 e 1992 Moçambique viveu sob uma guerra civil e Malawi apoiou a Resistência Nacional Moçambicana (Renamo), contra a Frente de Libertação de Moçambique (Frelimo), movimento reconhecido internacionalmente por ter lutado pela independência do país e negociado com Portugal por meio dos Acordos de Lusaka. A Frelimo foi a força política que assumiu o poder de forma constitucional.

No final do século, no entanto, Moçambique abriu-se ao mercado internacional do ocidente, rendendo-se ao regime democrático liberal e ampliando suas relações diplomáticas. Do outro lado, com o fim do apartheid, o Malawi perdeu o seu aliado estratégico, e devido à posição geográfica, viu-se na obrigação de rever suas relações, para garantir acesso aos corredores de desenvolvimento de Nacala e Beira e poder alcançar o Oceano Índico.

As relações vinham sendo pacíficas até 2009, quando ocorreu o incidente de Ngaúma: agentes da polícia do Malawi invadiram Moçambique e causaram a destruição por completo de um quartel da Força de Guarda de Fronteira do distrito de Ngaúma, na província de Niassa. Meses depois, o presidente malawiano Bingo wa Mutharika, esteve em visita oficial de Estado a Moçambique e o país esperava ouvir um pedido de desculpas oficial, o que não aconteceu. Então, diante do clima tenso, wa Mutharika viu-se obrigado a interromper bruscamente a visita.

Ao longo dos anos, vários outros incidentes foram contabilizados, como o de maio deste ano, quando seis moçambicanos foram condenados à pena de morte no Malawi. Depois de negociações conseguiu-se converter as penas para prisão perpétua.

Ou seja, a relação é complicada e, nesses casos, a atenção deve ser redobrada em qualquer ação ou palavra. Fiquemos atentos.

Tenha mais informações sobre o episódio dessa semana em matéria que o Eduardo Castro fez para a Agência Brasil e publicou no ElefanteNews.

Veja mais em Zambeze: um rio de problemas e incidentes diplomáticos.

Sobre a troca de acusações, leia detalhes em Malawi considera provocatórias declarações de Baloi.

Conheça a posição dos ambientalistas, em matéria divulgada pelo blog Moçambique para Todos intitulada Ambientalistas descartam navegabilidade do Zambeze.

E saiba mais sobre a relação histórica entre os dois países, aqui, no citado artigo de Saite Júnior.

Gravação da Islândia na nossa Quinta Quente

A banda fez história em Guiné-Bissau nas décadas de 1970 e 1980. História e muita música. As letras das músicas refletiam o otimismo político pós-independência, assim como a alegria mesclada com as preocupações do povo naquele momento. Quase todas suas canções tinham letras em crioulo, idioma falado por várias etnias em Guiné-Bissau.

A primeira formação do grupo ficou conhecida como Orquestra Super Mama Djombo e foi dissolvida em 1986. Somente em 2007, seis dos antigos membros do grupo, entre eles Zé Manel, Dulce Neves e Atchutchi, juntaram-se a outros oito músicos guineenses e retomaram a trajetória dos Mama Djombo. E os novos componentes estão à altura do nome que carregam. Agora, o grupo regressa aos palcos, com a nova formação e antigas missões: fazer história e boa música.

O álbum de regresso é chamado Ar Puro e foi produzido na gravadora Smekkleysa, da Islândia. Mas como a quinta é quente não vamos falar de terras frias e sim do calor que passa a música dos Mama Djombo. Aliás, vamos parar de falar e curtir esse som delicioso, que faz o corpo se mexer sozinho.

Abaixo, apresentação da nova formação em TV da Islândia.

Aqui, pela foto, imagino que seja a interpretação da formação original, mas não consegui mais informações a respeito. Se alguém souber, por favor, nos conte.

Leia mais sobre o regresso da banda aos palcos aqui e aqui. Na página 17 da edição eletrônica da revista Parq, você encontra a história da primeira gravação após tantos anos.

Ao falar, influência do inglês e de muito mais

Já foi comentado nesse blog sobre a influência dos países que fazem fronteira com Moçambique, no que diz respeito a hábitos ingleses, como a mão de direção dos carros, por exemplo, devido à colonização inglesa que sofreram.

Não sei se também tem a ver com os países em volta que falam inglês ou se é pela influência dos tantos estrangeiros que vivem em Maputo, mas aqui palavras em inglês permeiam o vocabulário o tempo todo.

Uma pessoa pode atender ao telefone ao seu lado e você ouvir o seguinte diálogo (ou parte dele, uma vez que só ouve quem fala perto de você):

— Alô.

— Tô no job (trabalho).

— Não, boss (chefe) não tá.

— Tá nice (bonito, lindo; legal).

E como aqui há forte influência dos idiomas tradicionais também, é divertido, por exemplo, ouvir alguém falar que tal coisa é “maningue nice”, ou seja, bastante bonito. Maningue é palavra em changana, um dos idiomas banto falados em Moçambique.

Fica muito interessante, porque vários idiomas convivem pacificamente no mesmo diálogo e todo mundo se entende.

Quem sabe aqui não estamos a ver a construção de um autêntico idioma internacional, o que esperanto não conseguiu ser?

A vila dos cubanos

vila dos cubanos Outro dia contei aqui que para nos visitar é preciso entrar na zona restrita. Vencido esse passo, logo à direita há uma pequena vila, em formato de U, com 18 casas. São nove pequenos prédios de dois andares, além do rés do chão (térreo). No rés do chão, duas garagens, uma para cada casa. No primeiro andar, um apartamento. No segundo andar, outro apartamento idêntico. Em cima de tudo caixa d’água, antenas, etc. No fundo das casas, quintal com dois tanques, dois banheiros, varal para as duas casas.

vista da janela da salaNo meio de todas as casas, uma grande árvore para oferecer a bendita sombra e diminuir o calor nos meses mais difíceis. Do outro lado da rua, o palácio da Ponta Vermelha, residência do presidente da República de Moçambique.

Reza a lenda que essas casas foram construídas por cubanos que vieram para Moçambique logo após a independência, para ajudar na organização do governo do país. Não sei se é fato, porque há muita história contada aqui que ninguém sabe ao certo a origem, como no caso dos pavões da presidência.

A história faz sentido pela característica simples e comunitária das casas e pela solidez na construção. Depois que os cubanos foram embora, as casas foram nacionalizadas e vendidas a particulares, que hoje moram nelas ou as alugam. A que moramos é alugada de um moçambicano que comprou nessas circunstâncias.

Eduardo na janela da sala de casa

Chove chuva

Hoje tive que sair a pé pouco depois das onze horas da manhã. Tortura. O sol africano já está causticante e faz compreender exatamente as razões do comércio aqui fechar por duas horas no meio do dia.

ruas arborizadas em MaputoBenditas são as árvores que estão pelas ruas de Maputo, a trazer sombra e esperança de sobrevida. Fora delas, só o caos.

E olhem que venta aqui, venta muito. Mas de que serve o tal se, quando mais precisamos de um refresco, sopra quente?

folhinhas de árvore das ruas de MaputoNo entanto, lá estavam as pequeninas folhinhas, em todo o caminho, por sobre minha cabeça, a garantir que fizesse meu percurso até o final.

O destino, porém, não consegue ser tão cruel quanto gostaria. Agora, já de volta ao escritório, aproveito o vento deliciosamente frio que passa de uma janela a outra, logo após uma intensa chuva de granizo.

Que a noite nos seja fresca, porque às cinco horas da manhã o sol vai chegar, disposto a nos arrancar o humor novamente.

Published in: on 25/10/2010 at 17:22  Comments (2)  
Tags: , , ,

Surf em Maputo

Outro dia o chefe marcou uma reunião no Surf. Eu já tinha passado na frente inúmeras vezes, mas nunca me interessei por entrar. A fachada é jovem demais para mim e esse nome não combina em nada com meus hábitos. Comida de surfista costuma ser pouco calórica e natural demais para o meu gosto (ai… a Dra. Andreia vai ler isso… estou perdida).

fachada Surf

Mesmo assim, chefe marcou, quem sou eu para dizer não? Fui lá pronta para um sanduíche natural. Mas quando entrei, que surpresa. De cara, à esquerda, o balcão de sorvetes. Dois passos a frente, uma coluna de tortas e bolos repletos de coberturas e recheios. Mais um pouco adiante, à direita, um balcão daqueles de confeitaria portuguesa com todos os doces de ovos dos meus sonhos e algumas opções com chocolate também.

Eu nunca tinha notado, mas o nome oficial do lugar é Pastelaria Surf. Pastelaria aqui, como em Portugal, é doceria. E deveria mesmo é chamar Céu, não Surf. Além disso, não é só uma pastelaria, além dos doces e sorvetes, há uma padaria lá dentro, com variedade de pães doces e salgados, e também servem café da manhã (matabicho ou pequeno almoço, como queiram), almoço e jantar.

Claro que depois desse dia passei a ser frequentadora assídua. Mas, para alegria da Dra. Andreia (a nutricionista), não fico só nos doces. Adoro, por exemplo, um suco (sumo, por aqui…) de laranja, maçã e cenoura que fazem lá. Bem saudável e natural.

Serviço:
O quê? Pastelaria Surf.
Quando? Todos os dias (inclusive domingos e feriados), para café da manhã (matabicho – Moçambique – ou pequeno almoço – Portugal), almoço e jantar. A loja da avenida 24 de julho fecha às 21h e no domingo fecha às 14h. A do Jardim dos Namorados fica até às 23h todos os dias. Ambas abrem sempre às 6h.
Quanto? Uma bola de sorvete (gelado) custa MT 60,00 (R$ 2,75), uma taça mais elaborada sai por MT 190,00 (R$ 8,75). Fatia de bolo ou doces individuais custam MT 35,00 (R$ 1,60). Bolos inteiros: MT 500,00 (R$ 23,00) o quilo. Pratos: bacalhau com natas, MT 475,00 (R$ 21,85); escalope de vitela com queijo e presunto (fiambre), MT 350,00 (R$ 16,10); prego no prato (bife, ovo, salada e batata frita) MT 220,00 (R$ 10,10). Saladas saem por MT 200,00 (R$ 9,20), em média. Petiscos, como o camarão ao alhinho, MT 275,00 (R$ 12,65). Cerveja Laurentina ou 2M (marcas moçambicanas): MT 70,00 (R$ 3,20), a garrafa long neck.
Onde? Av. 24 de julho, 1.769, Maputo (telefone: 21-309-296), e Jardim dos Namorados, na avenida Friedrich Engels, Maputo.

O lugar ainda tem o serviço de internet wi-fi, por MT 50,00 a cada meia hora.

Passeio pelos mercados de Maputo

Eu não gosto de ir ao mercado. Aliás, não gosto de compras em geral. Mas as gôndolas dos mercados, em especial, me dão preguiça, sejam eles pequenos, super ou hiper. No entanto, quando chego a um lugar novo ou se tenho oportunidade em viagens, sempre gosto de passear no mercado. Por uma razão muito simples: é uma boa forma de conhecermos hábitos locais.

Nunca esqueço a minha surpresa quando entrei no Big Box (nome de uma rede do Centro-Oeste do Brasil) perto de casa, em Brasília, e vi manteiga de garrafa para vender. Para mim era algo inédito, mas fazia todo sentido, devido à grande influência da migração nordestina na capital do país.

Também foi muito divertido ver Coca-Cola escrito em árabe em Marrocos. Sem contar as diversas descobertas do mundo “fat and fast” (gordo e rápido) estadunidense, nos dois anos que morei em Washington.

produtos brasileiros encontrados nos mercados de MaputoAqui em Moçambique, já comentei quando falei dos sabonetes, não há muitas indústrias e no comércio do dia-a-dia encontramos bastante produtos importados. Produtos brasileiros estão em toda a parte. Há alguns mercados, como o Mahomed e C. A. onde a quantidade de produtos brasileiros salta à vista. Lá costumo comprar preparado para pão de queijo, por exemplo. No Hiper Maputo também há bastante coisa do Brasil, como o macarrão Renata (inclusive integral) e bolacha recheada Bono.

recibo do Horizon em chinêsMas tem para todo gosto. Se não está com vontade de matar saudade de nada do Brasil, mas sim de conhecer algo novo, vá ao Horizon, o mercado da comunidade chinesa. Ele fica na esquina da avenida Vladimir Lenine com a Zedequias Manganhela. É comum encontrarmos lá produtos que só têm a descrição em chinês. A embalagem exata como é vendida lá, sem qualquer etiqueta indicando do que se trata em outro idioma. Então, sempre é possível contar com a boa vontade de algum cliente oriental que esteja por perto para contribuir no entendimento. Lá é interessante também porque ao subir as escadas há produtos para a casa, que vão desde vassoura até mesa de computador. Inclusive, a que serve de apoio para escrever esse texto vem de lá. O divertido é depois pegar a nota e tentar lembrar o que custou quanto. Como quase tudo está escrito em ideogramas, só entendemos os números e umas poucas palavras que aparecem escritas em letras ocidentais no meio de tudo.

Em geral, são três categorias desse tipo de comércio aqui: grandes mercados, mercadinhos e delicatessen (mercadinhos onde se pode encontrar produtos mais refinados, além de frios especiais fatiados na hora). Entre os mercadinhos há os maiores e os menores, mas é tudo mercadinho. E como a importação é um fator de peso na comercialização dos produtos, há muita oscilação na oferta de cada estabelecimento. Você compra algo hoje, volta daqui a uma semana não tem mais. E pode não ter mais por muito tempo. Além disso, imagino que cada comerciante tenha suas negociações travadas com determinados fornecedores, então, não há uma homogeneidade no que os mercados oferecem. Cada um tem uma marca, um tipo de produto diferente dos demais. São poucos os produtos que se repetem em vários mercados.

Como pode ser útil para alguém saber quais são os mercados e onde estão, vou descrevê-los abaixo. Claro que não vou falar de todos, especialmente dos mercadinhos, que estão por toda parte. Vou tratar dos maiores na cidade e dos pequenos da região onde moro.

Já falei lá em cima do Mahomed, que tem grande variedade de produtos brasileiros. Fica no primeiro andar do Polana Shopping, na esquina das avenidas 24 de julho e Julius Nyerere. Também tem loja na avenida Filipe Samuel Magaia, 308, e na esquina da avenida Armando Tivane com a rua De Kassuende. Às sextas-feiras, mesmo a loja do shopping fecha no horário do almoço, porque os donos vão à mesquita. É da categoria mercadinhos. Também no Polana Shopping tem o Deli-Cious, que fica no térreo (rés do chão) e é da categoria delicatessen. Lá se encontra, por exemplo, o famoso presunto espanhol Pata Negra.

Ainda na categoria delicatessen, descobrimos recentemente, por indicação de um amigo, o Deli 968, que fica na avenida Julius Nyerere, 968/978. É bem interessante, porque tem massas frescas e carnes até com cortes brasileiros, como a picanha.

Para compras pequenas do dia a dia, usamos muito o Mastrong, que fica na Avenida Sansão Muthemba, 347, e vende o pão de forma da marca que gostamos, além de ter bom preço na manteiga e nos ovos, por exemplo.

Na mesma categoria mercadinho, tem o Sarah, que já é quase um supermercado e tem boa oferta de produtos. Fica na avenida 24 de julho, 1.550, em um centro comercial chamado Interfranca. Do mesmo porte tem o LM, também na avenida 24 de julho, no número 842. Lá tem boa oferta de produtos de plástico (potes, bacias, baldes, etc.) e sacos de lixo, produto não muito fácil de encontrar aqui, em especial se você procura de diferentes tamanhos.

Entre os grandes mercados há o Shoprite, o Game, o Hiper Maputo e o Mica Premier. O Shoprite é mercado mesmo, chamaríamos no Brasil de supermercado. Quando se faz uma grande compra, o valor global lá é mais em conta do que nos outros. Claro que há alguns produtos que são mais caros, mas no geral, é o melhor custo. Gosto lá especialmente da qualidade das coisas in natura, como frutas, verduras e legumes. Os preços de bebidas, como refrigerantes e cerveja, costumam ser os melhores. O Shoprite fica no parque da Paz, na avenida Acordos De Lusaka. Tem também loja na Matola, na avenida Abel Batista, 125, loja 30. O Shoprite ainda está presente em Moçambique na Beira, em Chimoio e em Nampula, além de mais onze países de África.

marca do Hiper MaputoO Hiper Maputo também é supermercado. Tem mais marcas conhecidas dos brasileiros e lá os preços em produtos de limpeza, em geral, são mais baratos. Não vende bebidas alcoólicas. Ele fica no Maputo Shopping, nas esquinas das ruas Marquês de Pombal e de Imprensa.

Na avenida Acordos de Lusaka, 242, fica o Mica Premier, que é da categoria grande mercado, mas grande mesmo. É divertido lá, porque vende desde cotonete até cadeira de rodas. Tem uma parte grande de ferragens e construção e um andar só com brinquedos. Não tem os melhores preços em produtos de abastecimento de casa, mas é bom conhecer para saber a grande gama que pode ser encontrada lá.

fachada GameNa mesma linha, tem o Game, que fica na avenida da Marginal, 151. É uma mistura de Extra com Leroy Merlin. Não tem muita variedade para o abastecimento da casa, nem os melhores preços. Mas tem guarda-sol, por exemplo. E portas e mesas e ferragens e televisores e máquinas fotográficas… aliás, os preços de eletroeletrônicos lá costumam ser competitivos. Tem também boa variedade de vinhos.

É isso. Fizemos um passeio pelos mercados da cidade. 😀

Em geral, as delicatessen e os mercadinhos funcionam de segunda-feira a sábado, das 8h às 18h, e fecham no horário de almoço entre 12h e 14h ou 12h30 e 14h30. Os grandes mercados funcionam até um pouco mais tarde, como 20h, abrindo inclusive aos domingos e feriados.

Mingas, de domingo

Ela nasceu em um domingo e em homenagem ao dia foi batizada Elisa Domingas Salatiel Jamisse. Hoje é apenas Mingas. Na infância e juventude participou de corais e de um trio com Safrão Navesse e Silva Zunguze, interpretando canções religiosas na igreja.

Aos 17 anos, participou de uma audição e foi aceita pelos produtores do espetáculo Foguetão. Após essa estréia em grandes palcos, Mingas participou de um dos espetáculos Xitimela 1001, da produções 1001, no cinema Gil Vicente, na capital de Moçambique. A partir daí, foi convidada a atuar regularmente no Sheik, popular discoteca de Maputo.

A família, preocupada com a jovem inserida tão cedo na vida noturna e com medo de vê-la afastada dos estudos, impôs a obrigação aos produtores de providenciar transporte de casa para os locais de atuação e horários estritos de regresso. O talento era grande e os produtores cederam às imposições da família, permitindo que a carreira tivesse continuidade.

Depois do Sheik, Mingas passou a atuar no Búzio e no Zambi, outras discotecas da cidade de Maputo. Ela interpretava canções de Miriam Makeba, Letta Mbulo, O’Jays, Temptations, Roberta Flack, Donna Summer e Diana Ross. Era acompanhada por algumas das mais populares bandas do país, nomeadamente Hokolókwe, Africa Power e Conjunto João Domingos.

No início dos anos 1980, Mingas embarca numa turnê pelo país, com o grupo Hokolokwé. Em 1987 foi convidada a trabalhar com a Orquestra Marrabenta Star de Moçambique. Rapidamente, suas versões de canções populares africanas conquistaram os ouvintes da Rádio Moçambique, na altura única rádio no país. Foi então que ela faz as primeiras turnês internacionais.

No Zimbabwe, em 1988, Mingas teve a oportunidade de partilhar o palco com Miriam Makeba, Paul Simon, Harry Belafonte, Manu Dibango, Hugh Masekela, entre outros, no Concerto Child Survival and Development Symposium, organizado pela organização internacional Save the Children.

Em 1989, Mingas passou a integrar o Grupo RM, do qual mais tarde se tornou líder. Com esse grupo, apresentou-se na capital do Brasil, Brasília, com Gilberto Gil e Hermeto Paschoal.

Em 1990, conquistou o ‘Grand Prix Decouvertes 90’ (Grande Prémio do Concurso Descobertas), organizado pela Rádio France Internationale (RFI), pela canção Baila Maria, em dueto com Chico Antônio. Em seguida, Mingas atuou com o Grupo Amoya (novo nome dado ao Grupo RM) no clube de jazz New Morning, em Paris. Em 1992, participou da gravação do CD Cineta, no estúdio Marcadet, lançado em novembro do mesmo ano pela RFI/Forlane.

De 1995 a 1998, acompanhou Miriam Makeba em turnês pela Europa (Alemanha, Áustria, Dinamarca, Itália, França, Suécia e Noruega), América do Sul e do Norte (Estados Unidos, Canadá, Brasil), África (Costa do Marfim, Namíbia, Swazilândia e Tunísia) Austrália (Sidney, Brisbane, Melbourne e Perth). Em cada espectáculo, Makeba dava a oportunidade de Mingas interpretar as suas próprias canções.

De volta ao seu país, no início do ano 2000, passou a ser sempre solicitada para eventos de gala, grandes espetáculos nacionais e para acompanhar artistas estrangeiros que se apresentam em Moçambique, como já foi o caso dos brasileiros Gilberto Gil e Mart’Nália

Ela compõe e interpreta em xitswa, sua língua materna, além de cicopi, xironga, português e inglês. As suas canções falam de injustiças sociais, amor e paz.

Abaixo ouvimos Mingas, interpretando Nwetti (noite), tema de sua autoria, considerado Melhor Canção no Ngoma Moçambique, em 1989, um dos principais prêmios de música moçambicana.

E nesse vídeo, dá para sentir a animação de Mingas em um concerto ao vivo. O som não tem muita qualidade, porque foi feito a partir da platéia, mas vale pela presença dela no palco e pela animação de todos que a acompanham.

Visite também o site da cantora.

%d blogueiros gostam disto: