Enfim, Sérgio

Outro dia contei aqui que tentamos assistir ao filme Sérgio, durante o 5º Dockanema – Festival do Filme Documentário de Moçambique, e, quando chegamos na porta da sala de exibição descobrimos que a programação havia mudado e não teria Sérgio naquele dia. Ontem, dia 16 de setembro, voltamos ao Centro Cultural Brasil-Moçambique, para assistir Sérgio. O filme começou e, dez minutos depois, sentimos umas gotas caindo do céu (a exibição era no pátio do Centro Cultural, a céu aberto). Chuva.

Não, não quero fazer inveja para o pessoal do Brasil, especialmente meus parentes e amigos de São Paulo e Brasília, que estão sofrendo com a seca, mas é verdade, aqui chove. E tinha que chover bem na hora do documentário mais esperado por mim durante toda a semana. Nos abrigamos até o pessoal da exibição decidir o que fazer. Então, nos levaram para uma sala de projeção pequena, mas capaz de abrigar todos os presentes da noite.

Depois de todas essas tentativas do destino de nos fazer desistir, enfim, assistimos ao documentário que conta a história do brasileiro Sérgio Vieira de Mello, diplomata brasileiro e alto comissário para direitos humanos da Organização das Nações Unidas (ONU), que para muitos de nós só ficou conhecido depois de morrer em um atentado no Iraque, em agosto de 2003.

O documentário começa com a reação de Sérgio ao convite para ir para o Iraque: aceita a missão como um bom soldado e com a esperança de fazer algo positivo para as pessoas que lá estão.

Ao longo da narrativa do atentado e tentativa de resgate do diplomata ainda vivo até a divulgação de sua morte, são retratados momentos de sua vida e de sua atuação incansável pela garantia dos direitos humanos.

São impressionantes as imagens do momento do atentado, quando estava sendo realizada uma conferência de imprensa no prédio da ONU e o cinegrafista, outro herói dessa história, não perdeu o senso de profissionalismo e continuou a registrar tudo que se passava.

Também impressiona ver como o escritório de Sérgio Vieira de Mello desaparece no espaço em questão de segundos. Entristece perceber um brasileiro alvo direto de um atentado. Especialmente um brasileiro que podia contribuir para a renovação das Nações Unidas, que havia dedicado sua vida a países como Cambodja, Timor Leste, Indonésia e, por dois anos, Moçambique. Mas, infelizmente, ele foi confundido com o que representam as Nações Unidas nesses lugares: uma cobertura para ações dos Estados Unidos e uma estrutura hiperburocrática de pouca eficiência.

E, mesmo dentro desse mamute pré-histórico, ele era um eterno otimista e fazia a parte dele com primazia. Sérgio foi o cordeiro em pele de lobo.

Abaixo, um trailer do documentário, para fazer vontade de ver inteiro. Infelizmente, não encontrei legendado. Então, é só para os falantes de língua inglesa:

Informações técnicas: o documentário é dirigido por Greg Barker, tem 94 minutos de duração e foi baseado no livro O Homem que queria salvar o mundo. Uma Biografia de Sergio Vieira de Mello, de Samantha Power, editado no Brasil pela Companhia das Letras.

Na apresentação durante o Dockanema, o ponto negativo fica para a exibição apenas em inglês. Um filme sobre um brasileiro, apresentado em um país de língua oficial portuguesa, no centro cultural Brasil-Moçambique, merecia o carinho de uma legenda, até para atingir maior público. Mas a escolha do filme para participar do evento é ponto positivo que supera todo o resto.

O Dockanema acontece até 19 de setembro. Clique aqui para visitar o site oficial do evento, onde é possível encontrar toda a programação e resumo dos documentários.

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2 ComentáriosDeixe um comentário

  1. Boa dica. Lembro-me perfeitamente desse atentado e de ter ficado curioso em saber mais sobre o Sérgio. Vou ver se encontro esse documentário por aqui.
    Beijo

  2. Ah mesmo com todos os percalços vocês conseguiram ver. Que bom. Como comentei para o Eduardo, esse eu gostaria muitoooO de ter visto! Pena realmente só o idioma porque o Sérgio era um brasileiro que merecia que todos desse país pudessem usufruir do documentário, sem restrição de língua! Aproveitei para passear pelos vídeos do rodapé do que você publicou… grande perda!!!
    Beijos


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