Independência?

Ontem, comemoramos em Moçambique a independência do colonizador Portugal. Tal e qual se deu, também ontem, no Brasil. Mas até que ponto Moçambique está de fato independente? De Portugal, talvez, mas encontrou em seu caminho, colonizadores ainda mais carrascos do que o anterior, como o FMI (Fundo Monetário Internacional).

Já tratei aqui, dia desses, sobre o quanto é bom para o Brasil não ser mais subjugado por esse organismo internacional. E no jornal O País de ontem, na mesma capa que falava sobre os 36 anos do acordo que garantiu a independência do país, estava o título “Agravamento de preços deve-se a compromissos do Governo com FMI“.

Nos primeiros dias desse mês de setembro, vivemos cenas de violência e conturbação em Moçambique, devido a uma greve-protesto contra o aumento dos preços de serviços e bens essenciais, como energia elétrica, combustível e pão. O economista chefe do departamento de África da Economist Intelligence Unit, Edward George, revelou em entrevista à agência Lusa, reproduzida no jornal O País, que o aumento dos preços se deve a uma promessa feita há três anos para o FMI. O governo moçambicano teria garantido ao fundo que iria “introduzir um sistema de mudança dos preços de combustível automaticamente”.

O especialista analisou: “Para os mais pobres é muito difícil, porque a família mais pobre em Moçambique gasta entre 30, 40 e 50% do seu dinheiro no transporte, então um aumento de 10 ou 15% no preço do petróleo é muito complicado, daí os protestos serem tão fortes em Maputo”.

Edward George revelou ainda que a idéia do governo era tentar compensar as famílias mais pobres com a introdução de algum programa como o “Fome Zero” do Brasil, que garanta subsídios diretos. No entanto, um programa como esse exige que se tenha cadastro das pessoas e um controle que depende de investimentos em tecnologia ainda não existente na área administrativa do governo.

Ao fim dos eventos comemorativos, o governo reuniu-se para depois anunciar um pacote de medidas, que incluiu o recuo nas decisões de aumento e congelamento dos salários e subsídios dos ministros e diretores de empresas estatais. Veja mais detalhes do anúncio na matéria que Eduardo Castro fez para a agência Brasil.

Penso que só quando conseguirmos nos livrar do FMI, Banco Mundial e outras grandes estruturas internacionais, como já se deu no Brasil, aí sim, estaremos livres de fato aqui em Moçambique.

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2 ComentáriosDeixe um comentário

  1. Sandra, eu olho para o FMI como olho para os bancos. Podem ser bons ou maus, tudo depende do uso. O Brasil teve a inteligencia (e sorte, sempre é preciso alguma) de consegui manter o foco de SAIR da dívida. Não é coisa fácil. O processo de descolonização dos países africanos foi pessimamente conduzido – algusn dirão que forma brilhantemente conduzidos para manter a dependência, é tudo uma questão de ponto de vista. Lembras-te das acusações que aqui se ouvem contra o Bolsa Familia e outros programas cunhados de assistencailistas? Pois parece-me que eses programas, assim como o FMI nos países do 3º ou 4º mundo, se não forem encarados como meios/ferramentas para SAIR da dívida, vão continuar a fazer os estragos que conhecemos em favor do famoso livre mercado. São ferramentas do mundo capitalista e infelizmente sujeitam-se às suas regras. Moçambique precisa de ajuda técnica – não se trata de outra coisa – e foco para sair dessa. E um pouco de sorte também.
    Beijos.
    PS: a uma escala bem pessoal, é que os brasileiros precisam aprender a fazer para que agora que o país saiu da dívida, as familias brasileiras possam sair também.

  2. Pra você deve ser como estar vendo o filme “Dependentes do FMI – O retorno” hein? De fato enquanto alguém estiver ditando as regras para o país ele não é INDEPENDENTE…


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