Independências

Hoje é o feriado da independência em minha terra natal, o Brasil, e também feriado relacionado à independência aqui em Moçambique, onde estou a viver. Aqui, o dia da independência exatamente é o 25 de junho. Mas tão importante quanto a proclamação foi a assinatura do acordo garantindo que a mesma aconteceria.

Vamos à história: em 7 de setembro de 1974, representantes da Frente de Libertação de Moçambique (Frelimo, partido hoje no poder) e do governo colonial português reuniram-se na capital da Zâmbia, Lusaka, para assinar um memorando garantindo o fim de dez anos de guerra e a transição para uma situação de independência total de Moçambique. Por isso, 7 de setembro é chamado Dia da Vitória.

O acordo previa que a independência se daria no prazo de nove meses, em 25 de junho de 1975, esse sim o Dia da Independência. A data foi escolhida por representar o dia da fundação da Frelimo, em 1962.

Assinaram o acordo, entre outros, Samora Machel e Joaquim Chissano, os dois primeiros presidentes da República de Moçambique, respectivamente, pelo lado da Frelimo, e Mário Soares, então ministro dos Negócios Estrangeiros de Portugal, pelo lado do colonizador.

Acima de tudo, o acordo representa a vitória da guerra popular revolucionária pela libertação nacional, que não deixou outra saída à Portugal, senão reconhecer o direito do povo moçambicano à independência.

De acordo com texto reproduzido hoje no blog Moçambique para Todos, os Acordos de Lusaka estabeleceram que do período de transição até à data da proclamação da independência nacional “todos os poderes que o Estado colonial ainda exercia sobre algumas partes de Moçambique tinham de ser transferidos para a vanguarda do povo, a Frelimo”.

No acordo, a Frelimo comprometeu-se ainda com uma política de não discriminação racial, segundo a qual “a qualidade de moçambicano não é definida pela cor da pele, mas pela identificação voluntária com as aspirações da nação moçambicana”.

Nas ruas, o povo comemorava sem saber, no entanto, que o fim do seu período colonial não representava o fim da guerra. O que se seguiu foi a eclosão de violência nas ruas de Lourenço Marques (hoje Maputo, capital do país), com centenas de mortos, na luta entre a Frelimo e colonialistas inconformados.

O texto do Moçambique para Todos relata que “durante vários dias os contestatários [do acordo de Lusaka] ocuparam a estação da então Rádio Clube de Moçambique (Rádio Moçambique) para difundirem mensagens contrárias à independência, invadiram os Correios, o Aeroporto e atacaram alguns jornais e associações favoráveis ao movimento independentista”.

Os anos de guerra civil que se seguiram serão assunto para um outro dia. Hoje, comemoremos os 36 anos da vitória contra o colonialismo português.

Aproveitando o momento, apresento aqui o emblema da República de Moçambique:

emblema retirado do site da Presidência da República de Moçambique No site da Presidência da República de Moçambique, a explicação:

O emblema contém como elementos centrais um livro, uma arma e uma enxada, dispostos em cima do mapa de Moçambique, representando, respectivamente, a educação, a defesa e vigilância, o campesinato e a produção agrícola.

Por baixo do mapa está representado o oceano.

Ao centro, o sol nascente, símbolo de nova vida em construção.

A delimitar este conjunto está uma roda dentada, simbolizando os operários e a indústria.

A circundar a roda dentada encontram-se à esquerda e à direita, respectivamente, uma cana de açúcar e uma planta de milho e espiga, simbolizando a riqueza agrícola.

No cimo, ao centro, uma estrela simboliza o espírito de solidariedade internacional do povo moçambicano.

Na parte inferior está disposta uma faixa vermelha com a inscrição “República de Moçambique”.

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6 ComentáriosDeixe um comentário

  1. Melhor do que qualquer uma daquelas
    aulas cansativas do tempo de escola!!!
    Parabéns!!! Por aqui o Dia da
    Independência vai ficando cada dia menos
    comemorado e as novas gerações vão
    sentindo cada vez menos os valores
    patrióticos… Bjs

    • Obrigada pela visita e pelos comentários!

      Bjs.

      Sandra.

  2. […] por ter lutado pela independência do país e negociado com Portugal por meio dos Acordos de Lusaka. A Frelimo foi a força política que assumiu o poder de forma […]

  3. […] Em uma semana de comemorações cívicas (7 de setembro foi Dia da Vitória) como a que estamos vivendo, nada melhor na área musical do que conhecer o hino nacional. No caso, […]

  4. […] Ontem, comemoramos em Moçambique a independência do colonizador Portugal. Tal e qual se deu, também […]

  5. Melhor do que qualquer uma daquelas aulas cansativas do tempo de escola!!! Parabéns!!! Por aqui o Dia da Independência vai ficando cada dia menos comemorado e as novas gerações vão sentindo cada vez menos os valores patrióticos… Bjs


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