Estamos todos ilesos

Conforme eu avisei aqui há alguns dias, ontem tive mais uma aula de condução. Não que não saiba dirigir, tenho carteira de habilitação em dia, mas feita no Brasil. Aqui, graças a um acordo entre os dois países, ela vale, mas eu não tinha segurança em tentar sozinha. Aliás, nem acho que a carteira de um país deveria ser válida em outro, diante de tamanha diferença na forma de condução, sendo que em um lugar o motorista senta-se à direita (Moçambique – mão inglesa) e em outro, à esquerda (Brasil – mão francesa), como já contei aqui.

Então, por decisão própria, lá fui eu fazer aulas de reciclagem em escola de condução. No caminho da aula de ontem, vi uma motorista a conduzir tranquilamente seu carro, com outra mulher ao lado, para quem a primeira sorria abertamente, desestressadamente, despreocupadamente… confesso que senti inveja. Continuei caminhando e tentando descobrir quanto tempo vai levar para eu conduzir assim aqui, pois é como acontecia quando eu sentava do lado esquerdo do carro e trocava as marchas com a mão direita.

Cheguei à escola e o instrutor Danúbio me esperava. Em um carro diferente dessa vez. Um carro sem direção hidráulica. Claro, a tortura não estava boa o suficiente. E eu que já tinha pensado em desistir nas últimas 24 horas, tamanho foi o trauma da primeira aula, nessa hora tive a certeza de que não devia estar ali. Mas estava e já com a chave na mão.

Acerta a posição do banco, arruma os espelhos (com o dedão, porque esse carro não tinha o esquema elétrico de mover os espelhos laterais), liga o carro e vamos em frente. Fooorça. Vira o volante com força para sair da vaga. E eu reclamei na segunda-feira, pelo câmbio não ser automático…

O resultado final foi até melhor do que eu esperava. Só bati o braço direito na porta uma vez, procurando o câmbio. Danúbio nem ficou o tempo todo precisando me lembrar que ele estava ali, à minha esquerda, então eu tinha que manter distância dos carros nesse lado se não quisesse machucá-lo ou levar alguns espelhos para casa.

Agora, uma coisa que não rola com facilidade, é o pisca-pisca. Parece que há um comando no cérebro que diz: se você vai virar o carro, a mão esquerda tem que indicar. Então, o instrutor falava: agora vamos virar à direita. E eu, bonitinha, com a mão direita, ligava o pisca-pisca. Mas aí, na hora de virar mesmo, na hora que começava a girar a direção, a mão esquerda entrava em ação e lá vinha o limpador de pára-brisa funcionar…

O mais engraçado foi a avaliação do instrutor: você conduz igual homem. Claro que eu quis entender que besteira tinha feito para ouvir isso. E ele explicou que, normalmente, as mulheres são mais calmas, mais cautelosas, fazem exatamente como o instrutor fala. E eu não, eu tinha feito uma curva fechada em terceira marcha. Coisa que, para ele, é comportamento de homem. “Mulher sabe que curva fechada é em segunda, porque dá mais estabilidade, o carro não desenvolve tanto”. Outra observação sobre o meu lado masulino ao volante foi a forma “violenta” de trocar as marchas. Ou seja, sou bruta para dirigir. Queria ver se ele assistisse o Eduardo (o marido, aquele do ElefanteNews) ou meu irmão Edson a conduzir. Seria o quê? Tosco? Rsrsrs.

Apesar da avaliação nem tão positiva, ele disse que já estou bem para conduzir por aí sentada à direita. Agora ninguém me segura!

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9 ComentáriosDeixe um comentário

  1. great put up, very informative. I wonder why the opposite experts of this sector do not realize
    this. You should continue your writing. I am sure, you have a great readers’ base already!

  2. […] até os textos Conduzir na mão inglesa não é fácil e Estamos todos ilesos sobre o assunto, afinal, foi um momento ma rcante para mim. Pois não é que a […]

  3. Please, onde é esta auto escola, estou na mesma situação.
    Grata

    • Iara,

      a Escola de Condução Avançada fica na Av. Tomás Nduda, 744, perto da avenida 24 de julho. O telefone deles é 21-496907.

      Boa sorte.

  4. Claro. daqui a pouco você estará dirigindo até caminhão, é só uma questão de tempo.

  5. Sabe que os amigos da Mônica falam isso pra ela também? Falam que ela é brother deles no volante e no futebol. Mas acho que ela é esperta e segura. E como corre… Vai treinando pra quando eu for aí voce poder dirigir e conversar tranquilamente comigo. hehehe.

  6. Levar uns espelhos pra casa foi ótimo hahaha. Também já me disseram sobre dirigir igual homem heheh. Se não fosse minha meia cegueira, eu ia ser piloto de F-1 sabia? kkkk. Boa aventura automobilística, mas eu sabia que você irira tirar de letra… Abs
    Lucia Agapito

  7. Fantástico! Confesso que não sei se teria coragem de tentar aprender a conduzir ao contrário (sim, porque quando 99% do mundo vai num sentido e uns poucos vão noutro, algo está MUITO errado 😉

    Ah, e lembra-te. Aí não existe “dê sinal de vida”! 😀

    • Realmente, é bem confuso, e quando olhamos o mapa do mundo, que publiquei aqui, sobre quem dirige de que lado, percebemos que vai ser de pouca valia saber fazê-lo à inglesa.

      Sobre o sinal de vida, o instrutor deixou bem claro: a lei em Moçambique diz que a preferência é do pedestre e se ele estiver em frente à faixa de segurança, o carro deve parar. Isso vale até para os pedestres que estão lá a beber um chá, não só para os que dão sinal de vida. rsrsrs. Quem não é de Brasília pode entender o que é dar o sinal de vida no blog do David, aqui.


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