Conduzir na mão inglesa não é fácil

Sabe aquelas pessoas que dirigem (ou conduzem, como se diz aqui) falando ao celular e dizem que não interfere em nada? Pois é… só quem está atrás desse carro ou no banco de passageiro (na boléia, como se diz por aqui) sabe o quanto interfere. Não se tem o mesmo desempenho falando ao celular, por melhor motorista que seja a pessoa.

Quem aprendeu a dirigir sentado no lado esquerdo do carro e vai para um país que adota a mão inglesa e tem que dirigir sentado à direita também não consegue ter o mesmo desempenho. Já ouvi pessoas que vão de férias para um país que adota a mão contrária do seu e alugam carro, saem dirigindo pelas cidades e depois voltam dizendo que foi fácil. Balela. Ou não foi fácil ou a pessoa, como no caso do celular, não tem noção das besteiras que fez.

Chegamos em Moçambique há pouco mais de três meses. Aqui a mão de direção é oposta à do Brasil, como comentei ontem no Mosanblog. Não temos carro e então não tínhamos pressa. Mas é bom poder dirigir, alugar um carro e fazer uma viagem, sair da cidade, tal. Só que até na hora de entrar no carro é confuso. Como passageira, vou sempre para a porta do motorista…

Nossos amigos que vieram de países que usam a mão francesa, como o Brasil, comentaram as dificuldades que passaram: “só consegui sentir confiança depois de seis meses conduzindo aqui”, “eu queria ligar o pisca alerta e sempre ativava o limpador de pára-brisas”, “e na hora de entrar na rotunda (rotatória), então? Dá um nó na cabeça!”.

Diante desses comentários e conhecendo minhas limitações com as questões de lateralidade, achei melhor fazer uma reciclagem na auto-escola. A primeira aula foi nessa segunda-feira, 02 de agosto.

placa na fachada da auto-escola

Gente, o cérebro fica em parafuso!

Imagino que em carro de câmbio automático a vida seja mais fácil, mas ainda assim, confusa. Na auto-escola, claro, não tem moleza, a tortura é completa. Tem que trocar a marcha sim. Aí, perdi a conta de quantas vezes bati o braço direito na porta buscando o câmbio.

E é muito louco, porque não basta “pensar espelhado”. O câmbio funciona da mesma forma para os dois tipos de carro. Então, eu estava acostumada a vida toda a levar o câmbio para longe do corpo conforme ia subindo as marchas. Agora, para colocar a terceira, o câmbio vem na minha direção, não vai no sentido do banco de passageiro.

Já o pisca-pisca foi para a mão direita. Então, váááárias vezes vi o limpador de pára-brisas funcionar quando queria indicar entrada à direita ou à esquerda.

E olhar no espelho, então? Já de início, para arrumar a posição do espelho é complicado. Porque a gente perde a noção do que tem que ser visto. Mas tinha que arrumar, arrumei, liguei o carro e saí a conduzir. No meio do trajeto, busco o espelho retrovisor central — no alto, à direita, claro — e encontro a lataria do carro, o alto da janela de motorista.

Sem contar, que estamos acostumados que nosso corpo fica próximo dos veículos estacionados à esquerda. Automaticamente, eu ia fazendo isso. Mas dessa vez, entre o meu corpo e o veículo estacionado, havia meio veículo, o meu próprio. Pobre Danúbio, o instrutor.

As rotundas são outra cena fantástica. É como se o carro fosse automaticamente para a direita e aí temos que fazer muita força, muito pensamento concentrado, para que o veículo siga o fluxo e vá no sentido horário.

Foi uma aventura. Saí com dor nas costas de tanta tensão e meio zonza. Achei melhor marcar mais uma aula antes de me aventurar sozinha por aí.

Moçambicanos, fiquem em alerta, quinta-feira, dia 5 de agosto, no fim da tarde, estarei a conduzir pela cidade de Maputo.

Veja mais sobre sentido de circulação, aqui.

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8 ComentáriosDeixe um comentário

  1. […] até os textos Conduzir na mão inglesa não é fácil e Estamos todos ilesos sobre o assunto, afinal, foi um momento ma rcante para mim. Pois não é que […]

  2. Olá! Estou indo para Moçambique em dezembro e queria saber como fazer para dirigir com a habilitação brasileira ai, quais os tramites que devo seguir.

    • Olá Ana, na verdade não há muita clareza com relação a isso. Eu soube que estava sendo firmado um acordo entre os dois países para que nossa carteira de habilitação fosse aceita em Moçambique, mas nunca encontrei nenhum documento a respeito.

      Talvez você consiga alguma informação junto à Embaixada do Brasil aqui ou de Moçambique aí.

      Mas, de toda forma, como aqui as coisas acabam sempre por ser um pouco confusas, o mais seguro seria ter a carteira internacional de habilitação, que você adquire pelo site http://www.habilitacao-internacional.com/

      Abraços.

  3. Oi Sandra, em breve também estarei indo morar aí em Moçambique, e tenho certeza que terei este mesmo problema em ter que raciocinar do lado contrário, para dirigir.

    • Pois é… não é fácil no começo, mas depois acaba acostumando.

      Boa sorte!

      Sanflosi.

  4. […] todos ilesos Conforme eu avisei aqui há alguns dias, ontem tive mais uma aula de condução. Não que não saiba dirigir, tenho […]

  5. Vixi! Bem que eu disse que era uma loucura esse trem hahaha. Fiquei até instigada para experimentar essa tal de mão inglesa viu? Mas vou avisando: minha inteligência cinestésica tem um defeito de fábrica – a mão esquerda kkkk.
    Lucia Agapito

  6. Voce avisou pra eles. Agora é com eles. Mas sei que voce vai se dar bem. MAs eu acho que eu ia ficar doida com isso.


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