Luz para Moçambique

A edição da revista Capital de julho, uma publicação aqui de Moçambique, informa que “Perto [de] 15% da população moçambicana já está ligada à rede de energia elétrica graças a um esforço que a Electricidade de Moçambique (EDM) está a encetar no sentido de dinamizar a rápida expansão da rede eléctrica nacional por todo o país”. Ou seja, dos quase 20 milhões de habitantes do país, 17 milhões ainda não têm acesso à energia elétrica. Mas isso representa um avanço na realidade local.

Eu tive a oportunidade de conhecer o nordeste do Brasil no início do programa Luz para Todos, do governo federal. Não falo do nordeste dos turistas, que ficam hospedados em hotéis com energia 24 horas por dia, comendo camarão e lagosta a preços baratíssimos para quem recebe salário no sul ou no sudeste do país ou ainda em Euros, na Europa. Falo do nordeste que até o início do século XXI ainda não tinha geladeira e televisão em casa, porque não tinha energia.

Para quem nasceu na cidade, como eu, com energia elétrica chegando à porta de casa todos os dias, o dia todo, sem restrições, fica muito difícil entender a vida sem ela. Eu lembro quando era criança, em São Paulo, e faltava luz com alguma freqüência — talvez algumas horas, uma vez por semana ou a cada quinze dias. Aquilo era um tormento. Não sabíamos viver sem ela.

Então, já adulta vim descobrir a vida das pessoas que nunca tinham energia. E foi com muita alegria no coração que vi, em 2005 e 2006, chegar a essas pessoas a luz dentro de casa. Energia que permitia às crianças estudarem em casa à noite, lerem sem forçar a vista com a fraca iluminação das velas ou lampiões, energia que possibilitava às mulheres trabalharem fazendo costura à máquina, gerando renda para suas famílias. Vi chegar geladeira, televisão, cidadania na casa das pessoas.

Agora, fico feliz em saber que Moçambique está em um esforço para levar energia a todos seus habitantes. Ainda falta muito, mas espero que consigam realizar algo como foi realizado no Brasil nos últimos anos. Vou gostar muito de estar aqui para ver, novamente, a cara feliz de quem enxerga cidadania não mais à luz de velas.

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3 ComentáriosDeixe um comentário

  1. […] contei aqui sobre o esforço de Moçambique em levar energia elétrica a todos, no texto intitulado Luz para Moçambique, não há como deixar de comparar com o Brasil. Lembrei, claro, do programa de cisternas que está […]

  2. Eu não vim de um grande centro como você. Então já sofri o meu tormento de uma casa a luz de lampião: na fazenda e até mesmo na minha pequena cidade natal, no interior de Goiás. Como presenciamos isso, sabemos dar valor a esse tipo de progresso. Nos tempos de hoje o homem tem tanta carência desse tipo de cidadania de inclusão social que me lembrei de um episódio: um colega consultor que tinha um projeto de poços de água no Vale do Jequitinhonha (MG). Região extremamente carente, água inqualificável para consumo, mas o líder comunitário argumentou com meu colega:
    – Uai moço, nóis num pricisa de poço de água não. Nóis quiria era uma parambólica.
    Ele demorou entender que se tratava de antena parabólica kkk.
    Ou seja, para eles estar conectado com o mundo era mais importante que correr o risco de consumir água imprópria!!!
    Luz para os moçambicanos então né?
    Lucia Agapito

  3. O bom é que voce está vivendo isso aí e de novo pode presenciar a alegria dessas pessoas.


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