Dia da Independência

Foi ontem, 25 de junho. Comemorou-se em Moçambique os 35 anos que o país deixou de ser colônia de Portugal. É estranho para uma brasileira estar em um país que deixou de ser colônia de Portugal quando eu já era nascida. A independência do Brasil foi algo que estudei na escola, como fato distante, lá do começo de nossa história…

E pensar que Moçambique foi invadido por Portugal dois anos antes o Brasil. Nós, em 1500, eles em 1498. Mais exatamente em 2 de março de 1498, foi quando a armada comandada por Vasco da Gama, completando o contorno da costa africana, aportou nas terras de Moçambique.

Em entrevista a um caderno especial do jornal O País, o ex-presidente de Moçambique, Joaquim Chissano, lembra do período em que foi primeiro-ministro durante o primeiro governo independente, liderado por Samora Machel: “O nosso país, contrariamente a alguns do continente africano, não teve uma experiência de transição com a participação de um governo colonial. Então, tivemos que descobrir como faziam os colonialistas, mas animava-nos a idéia de que não queríamos, pura e simplesmente, herdar do colonialismo, queriamos criar coisas novas”.

O 25 de junho no palco montado na praça da Independência começou com a chegada da tocha da Chama da Liberdade, que nas últimas semanas percorreu as onze províncias (seriam os estados no Brasil) do país. Então, o presidente Armando Guebuza acendeu a pira ao som de 21 salvas de canhão.

Mesmo tendo sido realizadas apenas 35 festas de independência, já fazem diferença positiva em alguns aspectos: após a recepção da Chama da Liberdade, a abertura do evento teve três orações — uma feita pelo arcebispo, outra pelo sheik mulçumano e a última por um pastor protestante. Acho isso positivo, porque, se tem que colocar religião no meio, que se dê direito à pluralidade. Apesar que vou gostar mesmo do dia que não tiver religião envolvida com Estado…

Depois, claro, teve o desfile militar e o desfile civil, com os estudantes de escolas públicas. Essa parte foi bem parecida com o que vemos todos os anos no 7 de setembro no Brasil. Então, ex-combatentes que lutaram pela independência discursaram no palco. E o mais interessante é que os discursos eram alternados com apresentações culturais típicas de cada província. O presidente Guebuza assistindo a tudo, para discursar no final. Gostei de ver o presidente assistindo às manifestações culturais.

E não foi só ele, estavam lá convidados como os presidentes do Zimbabwe, Robert Mugabe, e de Botswana, Ian Khama, os reis do Lesotho, Letsie III, e da Suazilânidia, Mswati III, além de embaixadores e ministros de negócios estrangeiros de dezenas de países que mantém relações diplomáticas com Moçambique.

Após uma tarde de descanso, o dia acabou aqui na frente de casa, no salão de festas da Presidência…

atrás do muro branco, o salão de festas da presidência

Muro do salão de festas da casa do Presidente de Moçambique, visto da janela da sala de nossa casa

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6 ComentáriosDeixe um comentário

  1. […] 25 de junho é dia da Independência de Moçambique, que se deu em 1975. Esse é o único feriado da semana. Aqui, como o estado é laico de verdade, […]

  2. […] comentei, no dia que falei dos pavões de Maputo e no dia da Independência, que moramos perto da residência do presidente de Moçambique. Foi um acaso. Alugamos a casa sem […]

  3. Vocês não haviam nascido, portanto não conviveram.

  4. Torço por vocês e acho excelente a facilidade de descrever os acontecimentos. Um beijo!

  5. O bom é que voce pode conviver com pessoas que viveram essa fase de independencia do país e imaginar o que aconteceu aqui a mais de 500 anos. O sentimento de liberdade e os sonhos. Sinto falta dos sonhos na moçada de hoje do Brasil. Bem que eles podiam reviver esses sentimentos de liberdade conquistada. O bom é que ainda temos tanto a conquistar.

  6. Tem uma crônica da Martha Medeiros (adoro esta escritora) que diz que sempre achamos a festa do vizinho mais animada. No seu caso além de poder presenciar essa animação, apenas um muro te separa dela, o que te facilita bastante no caso de se interessar em participar. Do conforto de sua sala pode verificar se de fato “vai rolar a festa”!
    Abraços
    Lucia Agapito


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