A filosofia dos índios

Quando eu ainda morava na casa dos meus pais, várias vezes ouvi meu pai dizer que não tinha arrumado alguma coisa que estava fora do lugar em respeito a quem deixou lá. Então, se tinha um lençol no chão da sala (exemplo extremo, tá?), ele passava por cima e nem pensava em tirar e guardar.

Ele justificava a atitude com a “filosofia do índio”. De acordo com ele, entre os indígenas havia o hábito de agir assim, porque se alguém deixou algo no chão, havia alguma razão para isso e então era para ficar lá. Não sei se em alguma cultura indígena isso confere, mas para mim sempre soou como uma boa desculpa para não fazer as coisas.

De toda forma, o outro extremo, de sempre mexer no que achamos que está fora do lugar também não é bom. Essa semana tive um exemplo disso. Caminhando na minha rua de manhã cedo vi, debaixo de uma árvore, diversas tampinhas no chão. Meu primeiro impulso foi pegá-las e guardar para algum trabalho manual ou jogar no lixo.

Mas eu estava com o Otto e ia ser uma confusão para conseguir atingir meu objetivo. Quando eu me aproximasse das tampinhas, ele viria também, até porque ele só sai com coleira e guia, então sempre vai na direção que eu vou. Ele certamente pegaria uma com a boca e eu ficaria louca tentando tirar aquilo da boca dele… ou seja, as tampinhas lá ficaram.

No dia seguinte, passei um pouco mais tarde pela mesma árvore e as tampinhas não estavam mais lá e sim no “tabuleiro” que tinha sido desenhado no chão:

Tampinhas como peças de um jogo

E dois vendedores de frutas que ficam naquela calçada, perto da árvore, estavam lá jogando e passando o tempo entre um freguês e outro. Ou seja, a árvore é o armário das peças do jogo… ainda bem que não tirei do lugar.

Published in: on 19/06/2010 at 09:07  Comments (3)  
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3 ComentáriosDeixe um comentário

  1. Não conheço o teu pai mas pelo que contas sobre ele tenho a certeza que iria gostar dele! E agora adotei a filosofia dos indios também! Bêjo!

  2. Hhauhauhauahuahau!
    Sandra e sua mania de pegar tampinhas!!!!😛

  3. Vixi! Se eu tiver que seguir essa filsofia dos índios vou ter problemas sérios porque não consigo deixar as coisas fora do lugar. Claro que nos limits do meu habitat… Chego ser “psica” haha! Já o outro extremo como você bem ilustrou eu respeito muito, ainda que, em muitos casos, tenha que me segurar! Costumo tomar como exemplo o caso do Césio 157 em Goiânia, o segundo maior acidente radioativo da história da humanidade: o pior do acidente aconteceu em função da curiosidade dos acidentados, que não só pegou algo deixado em um lugar público(mal guardado é bem verdade)como resolveu brincar com o objeto estranho como se tivessem descoberto um enfeite muito precioso! Conclusão de que a filosofia dos índios mão é de toda condenada, não é verdade? Abraços – Lucia Agapito


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