Uma cidade que já foi muito bonita

Dizem que a primeira impressão é a que fica. Tomara não seja assim com as pessoas que visitam Maputo. Porque quando chegamos, o que salta aos olhos é a sujeira espalhada por todo lado, as ruas esburacadas — só as avenidas principais têm bom piso, nas ruas menores, muitas vezes nem se vê vestígio do asfalto que teve um dia, se teve — e as casas mal cuidadas, muitas com aspecto de abandonadas (ou efetivamente abandonadas).

Mas com o tempo, andando aqui e ali, olhando com mais atenção, percebe-se que está só descuidada. Há nela traços de que já foi muito bonita. E pode ser novamente, se houver um olhar atento a esses edifícios maltratados pelo tempo, pela guerra e pela pobreza que não faz deles prioridade.

São casarões com traços arquitetônicos bastante trabalhados, azulejos portugueses que resistem ao tempo, jardins que só precisam da visita de um jardineiro cuidadoso… Olhem lá:

casa Maputo 1

casa Maputo 3

casa Maputo 2

casa Maputo 4

Claro que a cidade não é toda assim, existem casas normais, casas mal cuidadas e também bonitos edifícios restaurados, como o prédio dos correios, a biblioteca nacional, o prédio do ministério da defesa, o museu de história natural e o museu de geologia (os dois últimos, abaixo). Mas, infelizmente, as tantas belezas mal cuidadas marcam a cidade.

Museu de História Natural

Museu de Geologia

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Published in: on 14/06/2010 at 17:37  Comments (7)  
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7 ComentáriosDeixe um comentário

  1. CIDADES AFRICANAS SUJAS

    No outro comentário meu sobre este assunto mencionei algumas cidades africanas da actualidade MUITO LIMPAS e organizadas como: HARARE, WINDHOEK, KIGALI.

    Mas, hoje trago a história de uma CIDADE AFRICANA PRÉ-COLONIAL MUITO BEM LIMPA E MUITO BEM ORGANIZADA que causou um grande espanto a um viajante europeu, lá no bem distante século XV, conforme narrado no livro: “HISTÓRIA DA ÁFRICA NEGRA, Vol. 1, de Joseph Ki-Zerbo, 3ª.edição (Publicações Europa –América) – págs. 206 e 207.

    É uma história deveras interessante em vista do estereótipo amplamente divulgado de que ser “africano é sinónimo de sujo” de tal maneiras que alguns se admiram quando chegam a uma cidade africana limpa, como foi o caso do ALTAMENTE RESPEITADO então Presidente do Brasil, o Sr. Lula da Silva quando visitou Namíbia e ficou impressionado com a LIMPEZA de WINDHOEK: Lula: “ ‘É limpa. Quem chega não parece estar na África’ “Falando de improviso, presidente tenta elogiar Namíbia e acaba cometendo uma gafe (http://www.lourivalsantanna.com/nami0004.html)”
    _____________
    BENIM

    “É no século XV que o BENIM atinge o seu apogeu com Ewaré-O-Grande, que foi, ao mesmo tempo, notável médico e soldado. Tendo súbito ao trono por volta de 144º, conquistou, ao que se diz, duzentas cidades, e aldeias, abriu belas e largas estradas através do país, embelezou a cidade de BENIM…

    “BENIM era uma cidade que EXCEDIA EM URBANISMO A MAIOR PARTE DAS CIDADES EUROPÉIAS DA ÉPOCA. Era uma cidade rectangular cercada por um grande muro de terra e um fosso profundo. Quatro largas avenidas de 120 pés de largo e uma légua de comprido, ligando as grandes portas, cruzavam-se emângulos rectos, ladeadas de árvores bem alinhadas e de casas de estilo original….”
    ….
    “Eis como um dos primeiros viajantes que andaram na costa de África descreve a cidade de Benim: “”Há várias portas que têm oito ou nove pés de altura e cinco de largura. São de madeira, todas elas de uma só peça e giram sobre um eixo. O palácio do rei está do lado direito da cidade… É um conjunto de construções que ocupa tanto espaço como a cidade de Grenobla e que é fechado de muralhas. Há várias divisões para os ministros do príncipe e belas galerias, a maior parte das quais são tão grandes com a Bolsa de Amsterdão. São sustidas por pilares de madeira encaixados em cobre, onde estão gravadas as suas vitórias e que se tem o cuidado DE MANTER BEM ASSEADOS. … A cidade em composta de trinta grandes ruas muito direitas, com vinte e seis pés de largura, além de uma infinidade de pequenas ruas transversais. As casas estão perto umas das outras e alinhadas em ordem. Têm tectos, guarda-ventos, balaústres, …. Há, no entanto, nas casas dos gentis-homens grandes galerias interiores e vários compartimentos, cujas paredes e pisos são cobertos de uma camada de terra vermelha. Estes povos NÃO FICAM DOS HOLANDESES EM LIMPEZA. LAVAM E ESFREGAM TÃO BEM AS SUAS CASAS QUE ELAS SE ENCONTRAM POLIDAS E BRILHANTES COMO UM ESPELHO. … Estes pretos são mais CIVILIZADOS que os outros desta costa. São gente que tem boas leis e uma polícia bem organizada, gente que vive em boa harmonia e que cumula de atenção os estrangeiros que vêm comerciar ao seu país….””. (37).
    ___________________________________________________
    (37): Sieur de la Croix, Relation universelle de l’Afrique ancienne et moderne, Lião, 1688, pp.167 e segs.
    ___________________________________________________
    CONGO

    “Em 1491, as caravelas portuguesas foram, pois, recebidas no Congo com entusiasmo redobrado, ““cantando, fazendo soar trombetas, címbalos e outros instrumentos do país. E, coisa admirável, nesta distância de cento e cinquenta milhas que separa o mar da cidade de São Salvador (MBANZA CONGO fora baptizada São Salvador), as ESTRADAS ESTAVAM LIMPAS E VARRIDAS e abundantemente fornecidas de alimentos e de coisas úteis para os Portugueses””. Nova troca de presentes. Entre Portugal e o país do Congo era a lua-de-mel. Não foi de longa duração.” – do mesmo livro: “HISTÓRIA DA ÁFRICA NEGRA – I, pág.46”
    ____________

    COMENTÁRIO:
    Sem querer de maneira nenhuma desculpar ou justificar a sujeira que as nossas cidades moçambicanas vergonhosamente ostentam, apraz-me constatar que mesmo NO PERIODO PRE-COLONIAL em partes de Africa houve cidade BEM LIMPAS e ate MAIS LIMPAS QUE CERTAS CIDADES EUROPEIAS DA EPOCA, mesmo agora aqui em Moçambique há locais bem limpos. Por exemplo há pouco tempo fui até à Vila Municipal da Manhiça (70 Km de Maputo, para o Norte) fiquei muito bem impressionado com a BOA LIMPEZA desta Vila que em muito supera a nossa cidade capital (Maputo). Outro bonito exemplo é da cidade de Inhambane, que muitos visitantes a chamam de CIDADE MAIS LIMPA DE MOÇAMBIQUE :

    “Como no dia seguinte o tempo não estava bom para fazer praia fomos conhecer a cidade de Inhambane. É uma cidade antiga, muito bonita e limpa! Já tinha saudades de ver ruas limpinhas…eheheh”
    ( “http://aventurafrica.blogspot.com)
    _______
    “…Inhambane é a cidade mais limpa do país, entretanto, todos os seus bairros periféricos são assentamentos informais e é a única edilidade do país que não tem uma zona de expansão urbanizada…”
    http://www.opais.co.mz/index.php/component/content/article/63-..
    ______
    “…Inhambane, mostrava-se como uma cidade muito calma, bastante limpa e ordenada. Talvez a cidade mais bonita que vira em toda a minha viagem….”
    Luanda-Maputo by Bicycle: Moçambique Fase III (Inhambane – Tofo)

    luandamaputobybicycle.blogspot.com/2010/09/mocambique-f..

    Khanimbo, pela atenção!
    Miguel

  2. […] citei aqui no Mosanblog, no post Uma cidade que já foi muito bonita, que Maputo tem muitas casas abandonadas e outras tantas mal conservadas. Isso se dá pelas mais […]

  3. […] tem construções muito bonitas, da época colonial. Algumas nada conservadas, como já citei aqui. Outras até que bem […]

  4. […] colocar aqui um pouco de sentimentalismo, mas hoje acordei assim… talvez tenha a ver com o texto de ontem, onde falei da primeira impressão de quem chega a Maputo não ser lá a melhor. Volto ao assunto […]

  5. Foi exatamente o que eu pensei quenado cheguei a Luanda. Vê-se nítidamente nessas cidades ex-colonizadas que um dia foram deslumbrantes. Bissau é assim (ainda tive sorte de ver a cidade “ainda” bonita), Luanda é assim, e asumi que não fosse muito diferente em Maputo, infelizmente. Como não conheço São Tomé, não posso falar. E se vires bem, Havana transmite essa mesma impressão, de esplendor histórico. Das ex-colonias portuguesas acho que só Cabo Verde escapa à regra. Talvez por eles não se considerarem africanos, não sei se é causa ou efeito 😉

    • Ai sim! Os cabo-verdianos não se consideram africanos? Então ser africano é sinónimo de ser sujo, é? Na chamada África Negra não existem cidades limpas? E Harare, também não se considera africana? Windhoek na Namíbia, também não se considera africana? E Kigali, Ruanda, não é africana?
      ______________

      “A cidade de Harare limpa e bem conservada, atraente.”

      Publicada por Augusto Macedo Pinto à(s) 17:56 (http://nandiiwe.blogspot.com/2011/10/zimbabwe-harare-vistas-parciais-da.html)
      ________________

      “…a Namíbia abriga cidades limpas e organizadas e vastidões desérticas e selvagens…”
      (horizontegeografico.com.br/)

      Lula: ‘É limpa. Quem chega não parece estar na África’

      Falando de improviso, presidente tenta elogiar Namíbia e acaba cometendo uma gafe
      (http://www.lourivalsantanna.com/nami0004.html)
      __________

      “A capital Kigali tem hoje um milhão de habitantes. Suas ruas são limpas, bem arborizadas e muito seguras. É uma das capitais africanas com maior desenvolvimento e qualidade de vida.”

      (ecoviagem.uol.com.br/blogs/familia-goldschmidt/dicas-de…)
      __________________

      MEU COMENTARIO: Então, cidade africana não é sinónimo de cidade suja. (essa de os cabo-verdianos não se considerarem africanos e por isso suas cidades serem limpas achei negativamente interessante).

  6. Essas construções mal cuidadas faria a alegria de muito restaurador hein? Lindos esses prédios dos museus!
    Abração! Lucia Agapito!


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