Dioguito, do Bangão

Sexta-feira passada (12/8/11), o músico angolano Bangão teve uma noite memorável no espetáculo Estrelas do Semba, promovido pelo Centro Cultural e Recreativo Kilamba, em Luanda, Angola. Estrela das estrelas, Bangão apresentou-se durante quatro horas.

Como sempre, estava em alto estilo e recebeu merecidos elogios nas notícias culturais no fim de semana. Nas textos, referências não só a seu talento musical, mas aos vários ternos (fatos, por aqui) que desfilou ao longo da apresentação. Aliás, o cuidado com as vestimentas sempre é notável nas apresentações de Bangão.

Bangão é tratado por príncipe do semba. Nascido a 27 de setembro de 1962, em Luanda, capital de Angola, começou sua carreira em 1974, como participante do grupo Tradição. Em 1976 e 1977 integrou, como vocalista, o grupo Processo de África. Mas a primeira vez que subiu a um palco para um concerto foi em 18 de outubro de 1978 como integrante do grupo Gingas Kakulo Kalunga.

De 1989 a 1992 fez parte do conjunto Nzimbo e gravou, em 1992, o CD Sembele. Em 1996 venceu o prêmio Liceu Vieira Dias, com o tema Kibuikila (Peste), acompanhado pela banda Maravilha. Em 1999 foi convidado a fazer parte da banda Movimento, como vocalista. No mesmo ano, ganhou a primeira edição do concurso Semba de Ouro, com a canção Kangila (pássaro agourento).

Em 2003 é consagrado como um dos maiores intérpretes da música popular angolana, ao ganhar os prêmios de Música do ano (Fofucho), Voz masculina do ano e Preservação, pela sua incessante defesa da música popular angolana, todos pela Top Rádio Luanda. Em 2005 foi vencedor do Top dos Mais Queridos.

Ao longo de sua carreira, Bangão já participou em espetáculos em Portugal, Argentina, Namíbia e Brasil, onde dividiu o palco com Gilberto Gil.

Uma das músicas que marcam sua carreira foi sugerida para a Quinta Quente pelo David Borges. Demorei um pouco para divulgar, em busca da letra. Mas, como não encontrei mesmo, aí vai Dioguito. Se alguém souber a letra (e tradução também), os leitores do Mosanblog agradecem.

Veja mais sobre a apresentação no Centro Cultual e Recreativo Kilamba em notícia da Agência AngolaPress.

Leia sobre a carreira do artista no portal Mwangole.net.

De Angola para o Carnaval da Bahia

Letras de uma simplicidade ingênua são a marca das músicas de Matias Damásio. Angolano, da província de Benguela, Damásio é uma pessoa sensível, que acredita na força do pensamento positivo. Simples e popular, não canta letras idealistas ou ligadas à política, canta o amor pelos mais diversos ângulos.

Em 2003, ganhou o primeiro prêmio de sua carreira, quando venceu a Gala “A sexta-feira”, da Televisão Pública de Angola, com a interpretação da música “Mãe querida”. Em 2005, gravou o primeiro álbum: “Vitória”. Em 2007 venceu no palco do Cine Atlântico em Luanda, o 17º Top dos Mais Queridos, com a música “Porque”. No ano seguinte lançou o segundo CD: “Amor e Festa na Lixeira”. Em 2009 ganhou o disco de ouro por ter 20.000 cópias vendidas e, no mesmo ano, gravou o seu primeiro DVD ao vivo, em Luanda.

Em 2010 atravessou o Oceano Atlântico e participou do Carnaval da Bahia, em Salvador , onde ouviu seus sucessos “Porque” e “A outra”, interpretados pela Banda Desejo. Ele ficou mais de oito horas em cima de um trio elétrico, animando e curtindo o carnaval brasileiro.

E é “A outra” que vamos ouvir nesta Quinta Quente:

Eu sou a outra
Aquela que todos condenam
Que ao meu lado ele é feliz
Que tudo eu fiz, nunca falam
Se limitam a ofender-me
Lutam para me destruir
Meus sentimentos ignoram
E os meus olhos sempre choram
Na rua me chamam nomes
Trambiqueira interesseira
Já dizem que eu não te amo
Que te engano com outros homens
Eu choro, eu choro
Minha mãe para mim não fala mais
Meus irmãos estou a perder
Eu choro, eu choro
Minha família eu sacrifiquei
Por ti meu grande amor

Eu sei que ele é casado
Tem família e tem mulher
Mas o que é que eu vou fazer
Se o meu coração, assim quer
Queria eu também ter um homem só para mim
Mas o que é que eu vou fazer
Se a destino não me dá
Quando o filho dele em casa ‘tá doente
Eu também choro
Quando ele fica triste em casa
Eu também deprimo
Eu sei que ele só vem
Os domingos e as segundas
Mas eu lhe amo mesmo assim, eu lhe amo mesmo assim
Não me faltam homens que queiram me dar o anel
Mas a verdade é que com ele eu me sinto
Como se tivesse subido ao altar
Desculpa só é
Eu sou a outra, também mereço ser feliz
Ó meu senhor aiaiaia também mereço ser feliz

Eu mereço ser feliz…

Quando o filho dele em casa ‘tá doente
Eu também choro
Quando ele fica triste em casa
Eu também deprimo
Eu sei que ele só vem
Os domingos e as segundas
Mas eu lhe amo mesmo assim, eu lhe amo mesmo assim
Não me faltam homens que queiram me dar o anel
Mas a verdade é que com ele eu me sinto
Como se tivesse subido ao altar
Desculpa só é
Eu sou a outra, também mereço ser feliz
Ó meu senhor aiaiaia também mereço ser feliz

Também mereço ser feliz

Eu choro, eu choro
Eu choro, eu choro
Por isso eu assumo
Assumo, assumo, assumo

Eu sou a outra
Eu sou a outra
Eu sou a outra
Eu sou a outra
Eu sou a outra…

Deus é que sabe
Eu sou a outra
Eu sou a outra
Eu sou a outra
Eu sou a outra
Eu sou a outra…

Eu mereço ser feliz
Eu mereço ser feliz
Eu mereço ser feliz

Clique aqui para visitar o site de Matias Damásio.

Voz e carisma

Ela tem já mais de 25 anos de carreira, mas apenas os cinco últimos foram solo e, mais do que isso, só estes foram longe das asas protetoras da família. Yola Semedo começou a cantar aos seis anos de idade, no grupo Impactus 4, composto por seus irmãos. Em 2006 lançou o primeiro CD solo, que batizou Yola Semedo, assim não ficou dúvida sobre a emancipação.

Então, apresentou uma seleção musical com mistura de zouk, pop e soul R&B. Até então, com a banda Impactus 4, as músicas eram quase todas no estilo kizomba.

Em 2010, Yola conquistou o Top dos Mais Queridos, uma realização da Rádio Nacional de Angola, com o tema “Injusta”, que tem música de Matias Damasio. Antes, ainda com a banda Impactus 4 tinha conquistado o prêmio Voz de Ouro da África, em 1995, em representação de Angola no festival organizado pela Unesco, na Bulgária. E foi considerada melhor voz feminina de Angola por três vezes: 2000, 2006 e 2007. Ganhou ainda os prêmios de Balada do ano (2006) e Diva do ano em 2007 e 2008.

Hoje, Yola Semedo é uma das principais vozes femininas de Angola. Tem voz firme, segura, com personalidade de quem nasceu com o dom e o soube trabalhá-lo. Sem contar com o carisma da gaja, ó pá! Para mim, há ainda um detalhe que chama atenção: o sotaque quase brasileiro em alguns momentos.

Vamos ouvir o tema com o qual ela conquistou o Top dos Mais Queridos: Injusta.

A pior decisão da minha vida foi dizer-te adeus
E jogar p’ra o alto todos os meus sonhos
Tudo o que era meu e teu
A pior decisão da minha vida foi dizer-te adeus
E jogar p’ra o alto todos os meus sonhos
Tudo o que era meu e teu
Como fui injusta contigo, amor
Tu pediste um minuto p’ra falar
Quem me dera ter ouvido a tua explicação
Hum, hum… Hoje eu sei da verdade
Mas tenho medo que seja tarde
Porque agora já não estás aqui
Hoje eu sei da verdade, que nós nascemos um p’ra o outro
E que entre nós só existia amor

Te procuro nos outdoors
Nas esquinas congestionadas
Te procuro no álcool, e eu não te encontro
Já pus anúncio na tv, no jornal e na rádio
E mesmo assim eu não te encontro… Humm
Hoje eu sei da verdade
Mas tenho medo que seja tarde
Porque agora já não estás aqui
Hoje eu sei da verdade, que nós nascemos um p’ra o outro
E que entre nós só existia amooor

(Don’t say goodbye)
Se eu pedir perdão
Se eu te der um beijoooo
Ahhhh ahhhhh

Fui injusta contigo amor
Tu pediste um minuto p’ra falar
Quem me dera ter ouvido a tua explicação
Hoje eu sei da verdade
Mas tenho medo que seja tarde
Porque agora já não estás aqui
(don’t say goodbye)
Se eu pedir perdão
Se eu te der um beijooooo
Ohh Ohh

Se eu te der um beijo
Meu amor (don’t say goodbye)
Aiii ai ai ai aaaaiii
Ao teu lado é meu lugar (don’t say goodbye)
Aiii ai ai ai aaaaiii
Por ti eu vivo amor

Veja no site Nexus matéria sobre o lançamento do primeiro CD solo de Yola Semedo e mais sobre a vida da cantora no site AngoNotícias.

Angola, Brasil, mundo…

N’Banza Congo é a região de Angola, junto à fronteira com o Zaire (atual República Democrática do Congo), onde nasceu, em 1954, Waldemar Bastos. Que frutífera região! Filho de enfermeiros, Waldemar aos seis anos viajou para Luanda, onde o pai foi ser também organista na Sé Catedral. Foi o espaço para o menino que vivia a cantar e assobiar passar a cantar em público.

Aos 8 anos passou a receber lições de música. Logo passou a fazer parte de um conjunto musical chamado Jovial, que tocava em bailes de finalistas, reveillons, festas de aniversário e o que mais aparecesse. A partir de então fez parte de vários conjuntos e viajou por Angola tocando muitos ritmos: rock, tango, valsa, ritmos africanos e tudo em vários estilos.

Tudo estava lindo até que o artista foi preso pela Polícia Política Portuguesa do Estado Novo (PIDE). O músico afirma que não exercia atividade política, mas não concordava com o regime colonial. Era motivo o bastante.

No início dos anos 80 foi para a Alemanha, onde tinha amigos. Logo depois, foi para o Brasil, onde conheceu cantores como Chico Buarque, João do Vale, Elba Ramalho, Djavan e Clara Nunes, entre muitos outros que haviam estado em Angola nos finais da década de 70, no âmbito do Projeto Kalunga.

No Brasil, Waldemar encontrou a gravadora EMI-Odeon, onde gravou seu primeiro disco, com participação de Chico Buarque, João do Vale, Dory Caymmy e Novelli.

Ainda nos anos 80 foi para Portugal, onde se estabeleceu e gravou seu segundo disco. Nos final da década de 90 foi para os Estados Unidos, onde começou uma carreira internacional a sério, sendo reconhecido como autêntico representante da World Music.

Sua interpretação é marcante, sempre com muita emoção, como a que o levou a compor Coisas da Vida, coisas da Terra, coisas do Homem na época em que esteve preso.

Como exemplo de sua emoção no palco, vamos ouvir Muxima, cuja letra encontrei no blog Casa de África em Lisboa. De acordo com explicação de outro blog, o Casa das Áfricas, a música fala do santuário de Muxima, palavra do idioma Kimbundo que se traduz por coração, onde se deu a fusão de cultos ancestrais com a mensagem católica. Diz a lenda que nesta região, banhada pelo rio Cuanza, no distrito de Bengo, houve duas aparições da virgem Maria, na primeira metade do século XVII.

Muxima

Muxima ue ue, muxima ue ue, muxima
Muxima ue ue, muxima ue ue, muxima
Se uamgambé uamga uami
Gaungui beke muá santana
Kuato dilagi mugibê
Kuato dilagi mugibê
Kuato dilagi mugibê
Lagi ni lagi kazókaua
Kuato dilagi mugibê
Kuato dilagi mugibê
Kuato dilagi mugibê
Lagi ni lagi kazókaua

Veja mais sobre o autor na Wikipedia e visite também o site do artista.

Uma semana depois…

Já temos outra Quinta Quente e nenhum post entre essa e a anterior. Ocorreu que no meio do caminho tivemos uma mudança de endereço… aí a transferência de internet não foi exatamente no prazo previsto e depois da transferência ainda tínhamos ajustes da mudança, compras para a casa nova e muitas adaptações…

Agora estamos de volta, restabelecidos e com muita história para contar. Mas como é quinta-feira, vamos à música. Escolhi hoje Malalanza, do Carlos Burity. Essa música é muito tocada na rádio RDP África, que eu ouço sempre. Adoro o balanço, a voz gostosa do Carlos Burity e o jeito muito África (poderia ser também Brasil) da música.

Infelizmente, não encontrei o vídeo, nem tão pouco a letra. Apenas sei que Malalanza significa laranja. Então, deixo aqui o áudio, para ouvirem enquanto lêem um pouco mais sobre Carlos Burity, abaixo.

Angolano, nascido em Luanda, em 1952, iniciou a sua carreira nos anos 60, na província do Moxico. É uma das principais referências do estilo musical semba, que lembra o samba brasileiro não só no nome.

Carlos Burity já lançou vários álbuns, como Wanga, Ginginda, Carolina, Massemba, Zuela o Kidi e Paxi Iami, além do que leva o nome da música de hoje: Malalanza.

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