A luta continua

Guardei Miriam Makeba para hoje, porque a música que trago é representativa do momento que vivo. Ela canta A Luta Continua e eu parto de Moçambique sabendo que a luta continua. E continuará ainda por muitos anos aqui… Mas parto com a esperança de ter contribuído um pouco para o sucesso dessa luta.

Miriam Makeba foi uma cantora da África do Sul, que viveu entre 1932 e 2008. Foi grande ativista pelos direitos humanos e contra o regime do apartheid. Em 1960 participou no documentário Come Back, Africa, contra o regime separatista sulafricano.

Em 1975, participou da cerimônia de independência de Moçambique. Foi nesse evento que ouviu a frase em português A luta continua, usada como slogan da Frelimo. O evento da independência e a sonoridade de “a luta continua” inspiraram a criação da música, que se tornou um hino dos países africanos oprimidos pela colonização.

My people, my people open your eyes (Meu povo, meu povo, abram seus olhos)
And answer the call of the drum (E ouçam o chamado do tambor)
Frelimo, Frelimo, (Frelimo, Frelimo)
Samora Machel, Samora Machel has come (Samora Machel, Samora Machel chegou)

Maputo, Maputo home of the brave (Maputo, Maputo, casa dos bravos)
Our nation will soon be as one (Nossa nação vai logo ser única)
Frelimo, Frelimo, (Frelimo, Frelimo)
Samora Machel, Samora Machel has won (Samora Machel, Samora Machel venceu)

Mozambique – A luta continua (Moçambique — A luta continua)
A luta continua, continua (A luta continua, continua)
(4 vezes)

And to those who have given their lives (E àqueles que deram suas vidas)
Praises to thee (Orações para vós)
Husbands and wives, all thy children (Maridos e mulheres, e vossas crianças)
Shall reap what you sow (Colham o que vocês semearam)
This continent is home (Este continente é um lar)

My brothers and sisters stand up and sing (Meus irmãos e irmãs, levantem-se e cantem)
Eduardo Mondlane is not gone (Eduardo Mondlane não se foi)
Frelimo, Frelimo, your eternal flame (Frelimo, Frelimo, sua bandeira eterna)
Has shown us the light of dawn (Nos mostrou a luz da alvorada)

Mozambique – A luta continua (Moçambique — A luta continua)
A luta continua, continua (A luta continua, continua)

In Zimbabwe – A luta continua (No Zimbábue — A luta continua)
A luta continua, continua (A luta continua, continua)

In Botswana — A luta continua (Em Botsuana — A luta continua)
A luta continua, continua (A luta continua, continua)

In Zambia — A luta continua (Na Zâmbia — A luta continua)
A luta continua, continua (A luta continua, continua)

In Angola — A luta continua (Em Angola — A luta continua)
A luta continua, continua (A luta continua, continua)

In Namibia — A luta continua (Na Namíbia — A luta continua)
A luta continua, continua (A luta continua, continua)

In South Africa — A luta continua (Na África do Sul — A luta continua)
A luta continua, continua (A luta continua, continua)

Veja mais sobre Miriam Makeba na Wikipedia e no site que sua família mantém.

Nesta última Quinta Quente, deixo a dica de minhas melhores fontes, para quem quiser continuar descobrindo artistas daqui: a rádio RDP África, o programa Moçambique em Concerto, da TVM, com o apresentador Gabriel Júnior, e o site The African Music Encyclopedia.

Uma referência do Egito

mapa do EgitoEm 11 de dezembro de 2006, ele foi a primeira pessoa de um país árabe a se apresentar em uma premiação do Nobel da Paz. Hakim nasceu em 1962, na pequena cidade Al Minya, no Egito, um país transcontinental, que tem a maior parte de seu território em África, mas também ocupa a península do Sinai, na Ásia.

Hakim cresceu ouvindo música Sha’abi, gênero popular suburbano do Egito, com influências de estilos do Oriente Médio, outros países africanos e também ocidentais. Sha’abi significa popular e, originalmente, referia-se ao folclore e danças nativos do Egito.

Aos 14 anos montou uma banda e tocava música Sha’abi em festas e eventos escolares. A banda se tornou um sucesso. Com o tempo, ele passou a cantar também o estilo Al Jeel, um gênero egípcio mais urbano. O termo Al Jeel significa geração. É como se fosse a música da nova geração.

Na música que vamos ouvir, Aboussoh, é possível notar a influência do batuque africano, em um vídeo de cenas que poderiam ser italianas, interpretadas pela simpatia egípcia de Hakim. Uma delícia!

Eu a beijaria

Pela vida em seus olhos, oh lua, pergunte sobre nós
Ainda se lembra de nós, oh lua, ou já nos esqueceu?
Ah, se eu te alcançasse, oh lua, o que você faria?
Eu correria para ela e a beijaria… O que ela faria? Eu a beijaria
E com desejo eu alcançaria suas mãos e te diria, Oh Deus,

Te prometi em verdade, venha para mim, minha preciosidade
Venha, vamos voltar aos velhos tempos
Dois dias de mel e três de ternura
E um dia como este, e um dia como aquele em que se desprende do sofrimento
Junte suas mãos às minhas, e venha!
Vamos viver a vida sem culpa
Vamos ser felizes os 30 dias do mês
E vou te mimar e te fazer ouvir palavras que a farão perder o sono
Ah, se eu te alcançasse, oh lua, o que você faria?

Eu te amo e te imploro e te mimo
Venha, vamos nos livrar deste peso, e nos amar como no início novamente
Vamos nos apaixonar imediatamente nesse reinício e deixar o fogo aumentar nosso desejo
Com duas palavras e um olhar seu, minhas forças se desmantelam, com um piscar dos seus olhos
Viveremos para nós dois dias de vida
E encontraremos nosso caminho para começarmos a viver

Ah, se eu te alcançasse, oh lua, o que você faria?
Eu correria para ela e a beijaria… O que ela faria? Eu a beijaria

(Tradução retirada do site Dança do Ventre Brasil.)

Mais informações sobre os gêneros musicais do Egito que Hakim canta, no blog Dança do Ventre de Isis Zahara e sobre o cantor na Wikipedia em português e Wikipedia em inglês.

Jimmy Dludlu em Maputo

Amanhã, 30 de setembro, o compositor e guitarrista moçambicano Jimmy Dludlu, lança, em Moçambique, seu mais recente CD, Tonota in Groove, com vários ritmos, como tradicionais moçambicanos, jazz e sons latinos.

Jimmy começou a carreira nos anos 80, interpretando músicas do seu ídolo Wazimbo. Com sua voz doce e muito talento, não foi difícil ganhar vida própria. Logo desenvolveu as habilidades de guitarrista de forma plena e hoje é conhecido como um dos mais versáteis intérpretes do estilo afro jazz.

Radicado há muitos anos na África do Sul, onde fez licenciatura em música, seu primeiro álbum foi lançado em 1997. Tonota in Groove é o sétimo desde então. O lançamento será às 21h, no Franco-Moçambicano, depois de cinco anos sem que Jimmy se apresente em Moçambique. E, para quem não pode estar lá, aqui vai um pouco do som de Jimmy Dludlu.

Veja mais sobre o lançamento de amanhã, em matéria do jornal O País.

P.S. Os ingressos estão sendo vendidos no próprio Centro Cultural Franco Moçambicano e no site www.bilhetesonline.net e custam MT 1.300,00.

Bela mesmo

Há muito ela já não está mais entre nós. Mas sua música e sua beleza angelical continuam sendo referências na cultura de seu país, Togo. Seu olhar quase infantil, seus traços suaves, sua voz afinada, tudo encanta quando ouvimos e vemos Bella Bellow.

Ela morreu em 1975, em um acidente de carro, aos 27 anos — a famosa idade dos bons músicos morrerem —, apesar de não ter sido citada nas listas que poluíram a internet quando Amy Winehouse morreu, recentemente.

Bella vivia o auge da carreira como cantora e compositora e, talvez por isso, tenha ficado ainda mais marcada na história de seu país. Cantava em francês e em ewe, língua local da cidade onde nasceu, Tsévié, próxima da capital do Togo, Lomé.

Sua primeira apresentação internacional foi em 1966, na cidade de Dacar, no Senegal, onde representou Togo no primeiro Festival Mundial de Arte Negra.

Mesmo tão jovem, com menos de dez anos de carreira internacional, Bella Bellow foi muito conhecida na Europa, chegando a se apresentar na mais antiga e famosa casa de espetáculos de Paris, o Olympia, e a gravar com o camaronês Manu Dibango.

Escolhi para vermos aqui a música Zelie por ser um vídeo e não apenas uma apresentação de fotos acompanhando a música, assim podemos apreciar o movimento doce do seu olhar e o seu sorriso meigo.

Leia mais sobre a diva de beleza natural e voz bem afinada no blog Toonadas, no Discogs, no Music Video Wiz e na Wikipedia.

O leão do Zimbábue

O cantor Thomas Mapfumo é conhecido como o Leão do Zimbábue pela sua imensa popularidade e também, em especial, pela grande influência política que exerce por meio de sua música. Foi ele, por exemplo, o criador do estilo musical que se tornou bastante popular, chimurenga.

Nos anos sangrentos da libertação do seu país e, depois, nos anos de profundas crises econômicas, sociais e políticas, Mapfumo usou sua música para denunciar injustiças, falar sobre questões históricas e culturais e desnudar fatos escondidos pelos jornais sob censura do governo do presidente Robert Mugabe.

Em 2000, as condições no Zimbábue ficaram ainda mais difíceis, devido às políticas violentas do presidente Mugabe e as músicas de Mapfumo foram banidas de todas as rádios. O músico optou por sair do país e foi viver nos Estados Unidos. Mas, apesar do risco, Mapfumo continuou retornando regularmente ao seu país natal, uma vez por ano, para fazer um show de fim de ano. Isso aconteceu até 2004, quando ele sentiu que a coisa estava ficando perigosa demais e deixou de ir.

Mapfumo começou a cantar em 1955, aos 10 anos. Durante sua adolescência, quando seu país vivia a luta pela libertação que transformaria a Rodésia em Zimbábue, Mapfumo atuava como artista itinerante, que o fez ter contato com diversas regiões. Suas músicas passaram a refletir as preocupações das pessoas com as quais ele se encotrava, as privações da vida rural, a indignação com o colonizador.

Foi nesse momento que ele desenvolveu a música que chamou de chimurenga. Os guerrilheiros de seu país que lutavam pela libertação eram chamados chimurenga que, em chona significa luta, conflito. A música chimurenga refletia os anseios da nação negra da Rodésia.

Em 1980, ele celebrou a independência do país que passaria a chamar Zimbábue, sob o som de chimurenga, ao lado dos novos líderes do país. No entanto, Mapfumo esteve sempre ao lado do povo. Ele ficou conhecido por cantar músicas em prol da revolução libertadora, mas suas músicas falavam mesmo era de justiça social e liberdade cultural.

Quando os líderes da libertação transformaram-se em governantes corruptos e que misturavam o conceito de nação com o de sua própria casa, quando perderam os limites do poder, quando passaram a também subjugar o povo como os colonizadores, Mapfumo seguiu coerente. Em 1989 lançou a canção Corrupção. No ano seguinte, cantou Jojo, onde ele avisa os jovens sobre os perigos da política no país em que estão.

Foi nessas circunstâncias que as condições para ele ficaram insustentáveis e Mapfumo teve que deixar o país. Mas sua arte continua lá. E ele continua ativo. Seu CD mais recente, Exílio, foi lançado em 2010.

Escolhi apresentar Jojo, pela força da letra.

Nyaya dzenyika Jojo chenjera (Cuidado com as questões poíticas)
Ndakambokuyambira Jojo chenjera (Eu te aviso, Jojo)
Siya zvenyika Jojo unozofa (Deixe a política, você pode morrer)
Nyaya dzenyika idzi (Essas questões políticas)
Jojo siyana nazvo Aiiwa-iwa Jojo, (Deixe essas questões políticas)
Jojo unozofa Aiiwa- iwa (Jojo, não morra pelo país)
Jojo usafire nyika Aiwa-iwa (Jojo, você pode morrer)
Jojo unozofa aiwa iwa (Jojo, você pode ser vítima de feitiçaria)
Jojo unoroiwa aiwa iwa (Você vai ser vítima de feitiçaria)
Jojo unozofa aiwa iwa (Você pode morrer)
Mwana wenyu akaenda musingafungire (Alguém pode morrer inesperadamente)
Zvenika apondwa musingafungire (Alguém pode ser assassinado inadvertidamente)
Takambokuudza siya zvenyika (Nós avisamos você)
Nhasi tiri kuchema shamwari zvenyika (Hoje nós choramos por nossos amigos)
Saka ndati kwauri (Então, eu digo)
Zvino Jojo siyana nazvo (Deixe essas coisas para lá)
Ndati zvenyika Jojo chenjera (Eu digo tome cuidado, Jojo)
Ndakuyambira Jojo chenjera (Eu estou avisando você)
Vazhinji vakaenda pamusana penyika (Muitos já pereceram)
Vakawanda vakapondwa (Jovens foram assassinados)
Vadiki vakapondwa pamusana penyika (Morrendo pelo país)
Vadiki vakapondwa pamusana penharo (Morreram porque eles não ouviram)
Vana mai vanochema pamusana penyika (O povo está chorando)
Mhuri dzakatsakatika pamusana penyika (Famílias estão sofrendo)
Saka ndati kwauri shamwari yangu (Então, eu digo)

(Letra retirada daqui)

Conheça o site oficial de Thomas Mapfumo e veja mais sobre o artista na Wikipedia.

Sucesso do Benim

O nome dela é daquelas coisas de rainha de muitos séculos atrás: Angélique Kpasseloko Hinto Hounsinou Kango Manta Zogbin Kidjo. Mas escolheu ser chamada artisticamente pelo primeiro e último: Angélique Kidjo. A lista de profissões, então, também é das grandes: cantora, compositora, dançarina, atriz, diretora e produtora. Mas vamos tratá-la por cantora Angélique Kidjo, porque é isso que a traz à nossa Quinta Quente.

Ela nasceu em um pequeno país africano chamado Benim e tornou-se mundialmente conhecida por sua diversidade musical. Em 2008, Angélique ganhou o prêmio Grammy Award de melhor álbum de World Music Contemporâneo, com o álbum Djin Djin.

Ainda menina, aos 11 anos formou a banda Kidjo Brothers, juntamente com seus oito irmãos. Na adolescência, Angélique era uma estrela na região praiana onde vivia. Nessa época, começa a produzir composições próprias. Depois, passou para o grupo que formou com colegas de escola, o Les Sphinx. A primeira grande experiência pública de Angélique foi em 1979, quando se apresentou em um show de uma rádio local.

Em 1980, aos vinte anos de idade, gravou seu primeiro disco: Pretty, que foi um sucesso fenomenal na África e atingiu recorde de vendas. Em 1984 passou a cantar com o grupo alemão Pili Pili. Em 1988, ela forma uma nova banda, com jovens franceses músicos de jazz: Angie Kidjo. Só em 1989, ela deu o passo definitivo para a carreira solo. O primeiro álbum dessa fase foi Parakou, no qual ela mistura soul, zouk, makossa e reggae com um forte ritmo do jazz.

Em 1989, foi convidada para trabalhar com sua maior ídolo: Miriam Makeba, em Paris, onde realizaram concertos de grande sucesso no Olympia.

O segundo álbum solo foi gravado em 1991: Logozo (Tartaruga, na língua materna de Angélique, fon). O nome do álbum é também o da faixa mais significativa, pela música ser uma versão de Malaïka, música tradicional africana de Miriam Makeba. Novo álbum, Aye (Vida, em fon), foi lançado no início de 1994, com dez faixas de afro-funk. Em 1995 lançou o álbum Fifa, com uma forte característica tradicional africana. Neste álbum, uma novidade: apesar da maior parte das canções ter sido composta em fon, muitas faixas são cantadas em inglês. Em 1997 chega ao público o CD Oremi, com muito jazz e rhythm and blues. Em 2001, radicada em Nova Iorque, nos Estados Unidos, lança o CD Keep on Moving, uma coletânea de dezoito sucessos de sua carreira. Em 2002 lançou o CD Black Ivory Soul, com uma forte influência de música brasileira, cubana e haitiana. O álbum foi gravado em Nova Iorque e em Salvador, na Bahia, e tem participação de Carlinhos Brown, Gilberto Gil e Daniela Mercury. Em 2004 lançou Oyaya!, álbum que inclui canções mais profundas e reflexivas. Depois veio o álbum Djin Djin, que chegou às lojas em 2007 e foi concebido como um regresso às suas raízes musicais, contando com o apoio de dois percussionistas beninenses bastante reconhecidos: Crespin e Kpitiki Benoît Avinouhé (ambos membros da Gangbé Brass Band). O mais recente álbum lançado por Angélique é Õÿö, de 2010. Neste álbum consta o single apresentado por ela na Copa do Mundo FIFA na África do Sul, Move on Up.

E depois dessa extensa relação de álbuns… tinha que ser escolhida uma só música para ouvirmos aqui. Escolhi a apresentação dela na Copa, com Afirika, do CD Black Ivory Soul, porque este é um dos vídeos onde podemos acompanhar seu enorme carisma e magnífico domínio de palco.

Visite o site oficial da cantora.

E veja mais detalhes de sua biografia no site Letras.com.br.

Splash!

A banda surgiu da necessidade de acompanhar artistas solo no palco e em estúdio. Splash! foi fundadada em 1990, com a versatilidade de acompanhar diversos estilos musicais, como funaná, zouk, soul, coladeira e reggae, misturando estilos latinos e africanos.

Em 1996, Splash! lançou seu primeiro disco próprio, Simplicidade. O segundo foi lançado em 1998, sob o título Nha terra K’t chuva. O sucesso internacional foi tão grande que empolgou o grupo a, logo no ano seguinte, lançar o terceiro título: Africana. Em 2001 lançaram Contradição.

Ao longo desses anos, a formação do grupo sofreu alterações. Atualmente, a banda, radicada na Holanda, tem como membros: Djoy Delgado, Grace Evora, Johnny Fonseca, Danilo Tavares, Manu Soares, Dina Medina e Laise Aerts.

Em 2009, seguindo a tendência de muitos artistas internacionais, a banda passou a disponibilizar algumas de suas músicas na internet, em uma estratégia utilizada por algumas gavadoras para combater a pirataria, fidelizar os fãs e divulgar mais seus músicos. Para conhecer melhor o trabalho da banda, visite o site oficial dos Splash!

E como a quinta é quente, vamos deixar de conversa e ouvir o som gostoso e animado, daqueles que mexem com o corpo da gente, da música Africana.

Leia mais em A Semana sobre os lançamentos gratuitos da banda pela internet.

Assista também a um interessante vídeo de uma apresentação da banda em Maputo, Moçambique, clicando aqui.

Uma pérola da música angolana

Ela nasceu Jandira Sassingui, mas transformou-se em Pérola. Estreou no mercado musical agolano em 2004 e logo no primeiro ano ganhou dois prêmios: Revelação Feminina, da Rádio Luanda, e Melhor Intérprete Feminina, do Prêmio Moda, de Luanda. No ano seguinte, venceu na categoria de melhor voz feminina da África Austral, do prêmio de música africana Kora2005. Foi a primeira angolana a conquistar o Kora.

O sucesso veio rápido, mas a música já estava em sua vida há muito tempo. O pai fez parte do um grupo musical em Huambo — cidade onde Pérola nasceu —, o Estrelas do Sul, e a mãe cantou na igreja. Nessa época, ela ouvia cantores de diferentes estilos: Celine Dion, Fáfá de Belém, Whitney Houston e Mariah Carey são alguns que ela cita.

O primeiro álbum recebeu o título Os meus sentimentos e foi lançado em 2004. O segundo álbum, Cara e coroa, é de 2010. Nos dois, a artista interpreta os ritmos kizomba, soul, zouk, R&B e semba. Nesses ritmos Pérola canta o amor entre as pessoas e o cotidiano dos angolanos. Em entrevista para o site sobre celebridades de Angola, o Angofama.com, ela fala da contribuição que pretende dar ao momento de reconstrução do seu país: “divulgar mensagens de amor, de esperança, de incentivo, a mudança de atitudes impróprias, de combate a preconceitos e a tabus na sociedade. Tento fazê-lo de uma forma simples, com mensagens que todos compreendam e que de uma forma ou de outra se identifiquem. Esse é o meu singelo contributo”.

Escolhi para ouvir aqui Omboio. Não encontrei a letra, menos ainda a tradução. Em alguns comentários no Youtube, percebi que Omboio significa Comboio (como se chama o trem, por aqui) e que na música ela fala bastante da cultura tradicional angolana. No refrão, diz para se apressarem pois o trem está a partir. Parece ainda que ela canta em Umbundo, língua da região onde nasceu.

Mas mesmo sem a letra, o vídeo é bonito de ver e gostoso de ouvir. Especialmente, pela forma como Pérola canta. Do jeito lindo como ela se apresenta, os desavisados podem até achar que é fácil abrir a boca e as palavras saírem assim tão naturalmente sincronizadas e afinadas e ainda com o corpo balançando no mesmo ritmo.

Viste o site da artista, clicando aqui.

Imperdível

Podem reservar espaço nas agendas!

Lembram da Tânia Tomé? Foi uma das minhas primeiras — e muito boas — impressões aqui em Moçambique.

Pois bem, ela agora me avisa que vai estar em terras brasileiras e leva temas ainda inéditos.

Antes, de 2 a 9 de julho vai estar no XXI Festival Internacional de Poesia de Medelin, na Colômbia. O evento é um dos maiores festivais de poesia no mundo. A Tânia é convidada como cantora e poetisa.

Depois, desembarca no Rio de Janeiro, onde vai apresentar poemas no Teatro do Sesi, no dia 14 de julho. No dia 15, fará uma sessão de música acústica no mesmo teatro, onde se apresentará também ao piano.

Em sua rápida passagem pelo Brasil, a artista ainda vai encontrar tempo para visitar a livraria Kitabu, para cantar e mostrar seu livro de poesias. O encontro deve ser no dia 12, no fim da tarde.

Tânia está neste momento pensando na preparação de mais um álbum de música e irá aproveitar a viagem para encontrar os músicos Guilherme Silva, Grecco Buratto e outros com os quais estabeleceu contato recentemente, para estudar a possibilidade de gravar alguns temas de música no Brasil.

Tânia Tomé no Brasil
Teatro do Sesi
14 e 15 de julho de 2011, das 12h às 13h.
Entrada gratuita (sujeita à lotação) e classificação etária livre.
Endereço: Av. Graça Aranha, 1 – Centro/RJ.
Telefone: 21-2563-4168
Bilheteria: 21-2563-4163

Livraria Kitabu
12 de julho de 2011, às 18h30.
Rua Joaquim Silva, 17 – Lapa/RJ.
Tel: 21- 2252-0533

Obs: como as agendas podem sofrer alterações, sugiro entrarem em contato com os respectivos locais antes de se dirigirem para lá.

Saiba mais sobre a artista visitando os sites Tânia Tomé e Showesia.

Voz e carisma

Ela tem já mais de 25 anos de carreira, mas apenas os cinco últimos foram solo e, mais do que isso, só estes foram longe das asas protetoras da família. Yola Semedo começou a cantar aos seis anos de idade, no grupo Impactus 4, composto por seus irmãos. Em 2006 lançou o primeiro CD solo, que batizou Yola Semedo, assim não ficou dúvida sobre a emancipação.

Então, apresentou uma seleção musical com mistura de zouk, pop e soul R&B. Até então, com a banda Impactus 4, as músicas eram quase todas no estilo kizomba.

Em 2010, Yola conquistou o Top dos Mais Queridos, uma realização da Rádio Nacional de Angola, com o tema “Injusta”, que tem música de Matias Damasio. Antes, ainda com a banda Impactus 4 tinha conquistado o prêmio Voz de Ouro da África, em 1995, em representação de Angola no festival organizado pela Unesco, na Bulgária. E foi considerada melhor voz feminina de Angola por três vezes: 2000, 2006 e 2007. Ganhou ainda os prêmios de Balada do ano (2006) e Diva do ano em 2007 e 2008.

Hoje, Yola Semedo é uma das principais vozes femininas de Angola. Tem voz firme, segura, com personalidade de quem nasceu com o dom e o soube trabalhá-lo. Sem contar com o carisma da gaja, ó pá! Para mim, há ainda um detalhe que chama atenção: o sotaque quase brasileiro em alguns momentos.

Vamos ouvir o tema com o qual ela conquistou o Top dos Mais Queridos: Injusta.

A pior decisão da minha vida foi dizer-te adeus
E jogar p’ra o alto todos os meus sonhos
Tudo o que era meu e teu
A pior decisão da minha vida foi dizer-te adeus
E jogar p’ra o alto todos os meus sonhos
Tudo o que era meu e teu
Como fui injusta contigo, amor
Tu pediste um minuto p’ra falar
Quem me dera ter ouvido a tua explicação
Hum, hum… Hoje eu sei da verdade
Mas tenho medo que seja tarde
Porque agora já não estás aqui
Hoje eu sei da verdade, que nós nascemos um p’ra o outro
E que entre nós só existia amor

Te procuro nos outdoors
Nas esquinas congestionadas
Te procuro no álcool, e eu não te encontro
Já pus anúncio na tv, no jornal e na rádio
E mesmo assim eu não te encontro… Humm
Hoje eu sei da verdade
Mas tenho medo que seja tarde
Porque agora já não estás aqui
Hoje eu sei da verdade, que nós nascemos um p’ra o outro
E que entre nós só existia amooor

(Don’t say goodbye)
Se eu pedir perdão
Se eu te der um beijoooo
Ahhhh ahhhhh

Fui injusta contigo amor
Tu pediste um minuto p’ra falar
Quem me dera ter ouvido a tua explicação
Hoje eu sei da verdade
Mas tenho medo que seja tarde
Porque agora já não estás aqui
(don’t say goodbye)
Se eu pedir perdão
Se eu te der um beijooooo
Ohh Ohh

Se eu te der um beijo
Meu amor (don’t say goodbye)
Aiii ai ai ai aaaaiii
Ao teu lado é meu lugar (don’t say goodbye)
Aiii ai ai ai aaaaiii
Por ti eu vivo amor

Veja no site Nexus matéria sobre o lançamento do primeiro CD solo de Yola Semedo e mais sobre a vida da cantora no site AngoNotícias.

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