Parabéns, Isaura!

Hoje, 20 de julho, foi um dia muito especial para Moçambique. Não é data marcada no calendário oficial, mas olha, bem que podia… Na página da dona Isaura Macedo Pinto no Facebook, eu deixei a mensagem: “Todas as homenagens serão poucas para a pessoa maravilhosa que você é. Parabéns, muita saúde, muita felicidade. Taí uma pessoa que merece!”

É aniversário da grande amiga Isaura, que fez parte de nossa vida enquanto moramos em Maputo e que muito nos honra com seu carinho e sua atenção por ser alguém que, de fato, representa a história de Moçambique. E, pensando em como mais eu poderia homenageá-la, resolvi escrever um post para fechar a data.

Isaura completou 56 anos. Inacreditáveis 56 anos. Com tanta energia e cara de menina, parece ter muito menos. Com tanta história e tanta importância política para seu país, poderia ter muito mais.

Isaura esteve presente em um momento crucial de Moçambique. Foi militante na luta pela independência e foi grande influência na formação do novo país que surgia em 1975. Foi assessora do ministério de Relações Exteriores, trabalhando diretamente com o primeiro ministro da pasta, Joaquim Chissano – que viria a ser presidente de 1986 a 2005 –, e sendo importante referência naqueles primeiros anos, do governo de Samora Machel.

Isaura era muito jovem, mas seu cérebro ágil, sua inteligência e sua energia, a colocaram em contato com autoridades de diversos países. Ela ajudou a construir o país e se manteve importante nas altas rodas da sociedade moçambicana. Mesmo assim, em nenhum momento perdeu a espontaneidade e a modéstia. Com a nova nação nos trilhos, fez carreira em um importante banco, para aposentar-se em 2013. Nos últimos anos também retomou os estudos, provando que sua energia continuava a mesma de menina e sua perseverança é infinita.

Também recentemente, se aventurou nas páginas de jornal. Passou a assinar uma coluna no semanário Magazine Independente, onde conta histórias de Moçambique e de pessoas que passam por lá. Imaginem que até eu fui agraciada por tal coluna. E receber uma homenagem de uma pessoa que merece todas as homenagens, é uma honra enorme para mim. Por isso, resolvi retomar o Mosanblog hoje, mesmo sem estar em Moçambique. Afinal, eu saí do país, mas o país não sai nunca mais de mim. Assim como não consigo me desvincular das pessoas maravilhosas que conheci por lá, como a grande Isaura.

Parabéns, Isaura!

Coluna da Isaura, no dia em que, com muita honra, fui entrevistada

Coluna da Isaura, para a qual fui entrevistada

Dia dos heróis moçambicanos

Na semana passada vivemos aqui em Moçambique o feriado de 3 de fevereiro, Dia dos Heróis Moçambicanos. O feriado celebra a vida dos que lutaram pela libertação nacional quando o país ainda era colônia de Portugal.

A data foi escolhida em homenagem à Eduardo Mondlane, um dos fundadores e primeiro presidente da Frente de Libertação de Moçambique (Frelimo). Ele morreu vítima de uma carta-bomba, em Dar-es-Salaam, capital da Tanzânia, no ano de 1969.

Nascido na província de Gaza, no seio de uma família humilde, teve ajuda de uma instituição religiosa para ingressar nos estudos e conhecer outros países, como África do Sul, Portugal e Estados Unidos. Licenciou-se e doutorou-se em Sociologia e chegou a ser professor universitário (de História e Sociologia) e trabalhar para a Organização das Nações Unidas (ONU).

capa do livro Lutar por MoçambiqueEduardo Mondlane não viu a independência, mas a justiça histórica é feita e a cada ano ele é lembrado como um dos principais responsáveis por ela. Como legado, deixou também o livro “Lutar por Moçambique”, publicado meses depois de sua morte, onde se pode saber como funcionava o sistema colonial em Moçambique e o que o autor entendia como necessário para desenvolver o país.

Dia da Independência

Foi ontem, 25 de junho. Comemorou-se em Moçambique os 35 anos que o país deixou de ser colônia de Portugal. É estranho para uma brasileira estar em um país que deixou de ser colônia de Portugal quando eu já era nascida. A independência do Brasil foi algo que estudei na escola, como fato distante, lá do começo de nossa história…

E pensar que Moçambique foi invadido por Portugal dois anos antes o Brasil. Nós, em 1500, eles em 1498. Mais exatamente em 2 de março de 1498, foi quando a armada comandada por Vasco da Gama, completando o contorno da costa africana, aportou nas terras de Moçambique.

Em entrevista a um caderno especial do jornal O País, o ex-presidente de Moçambique, Joaquim Chissano, lembra do período em que foi primeiro-ministro durante o primeiro governo independente, liderado por Samora Machel: “O nosso país, contrariamente a alguns do continente africano, não teve uma experiência de transição com a participação de um governo colonial. Então, tivemos que descobrir como faziam os colonialistas, mas animava-nos a idéia de que não queríamos, pura e simplesmente, herdar do colonialismo, queriamos criar coisas novas”.

O 25 de junho no palco montado na praça da Independência começou com a chegada da tocha da Chama da Liberdade, que nas últimas semanas percorreu as onze províncias (seriam os estados no Brasil) do país. Então, o presidente Armando Guebuza acendeu a pira ao som de 21 salvas de canhão.

Mesmo tendo sido realizadas apenas 35 festas de independência, já fazem diferença positiva em alguns aspectos: após a recepção da Chama da Liberdade, a abertura do evento teve três orações — uma feita pelo arcebispo, outra pelo sheik mulçumano e a última por um pastor protestante. Acho isso positivo, porque, se tem que colocar religião no meio, que se dê direito à pluralidade. Apesar que vou gostar mesmo do dia que não tiver religião envolvida com Estado…

Depois, claro, teve o desfile militar e o desfile civil, com os estudantes de escolas públicas. Essa parte foi bem parecida com o que vemos todos os anos no 7 de setembro no Brasil. Então, ex-combatentes que lutaram pela independência discursaram no palco. E o mais interessante é que os discursos eram alternados com apresentações culturais típicas de cada província. O presidente Guebuza assistindo a tudo, para discursar no final. Gostei de ver o presidente assistindo às manifestações culturais.

E não foi só ele, estavam lá convidados como os presidentes do Zimbabwe, Robert Mugabe, e de Botswana, Ian Khama, os reis do Lesotho, Letsie III, e da Suazilânidia, Mswati III, além de embaixadores e ministros de negócios estrangeiros de dezenas de países que mantém relações diplomáticas com Moçambique.

Após uma tarde de descanso, o dia acabou aqui na frente de casa, no salão de festas da Presidência…

atrás do muro branco, o salão de festas da presidência

Muro do salão de festas da casa do Presidente de Moçambique, visto da janela da sala de nossa casa

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